La Goulue

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Célebre cartaz de Lautrec (1891) no qual aparecem La Goulue e seu parceiro dançarino Valentin

La Goulue cujo nome verdadeiro era Louise Weber (13 de julho de 1866 - 29 de janeiro de 1929), foi uma popular dançarina francesa de Cancan.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Louise Weber nasceu em Clichy, em uma família judia originária da Alsácia. Sua mãe era lavadeira na cidade. Aos dezesseis anos de idade, Louise trabalhava com sua mãe e gostava de dançar. Pegava roupas das clientes e as vestia para frequentar pequenos salões de baile

Louise Weber conheceu Charles Desteuque, um homem popular e que ficaria conhecido como "o descobridor de La Goulue". Viveu com um certo Goulu-Chilapane num hotel particular na Avenida du Bois. Estreou no Teatro de Revista, no circo Fernando. Grille d'égout, uma dançarina e coreógrafa de Céleste Mogador deu-lhe lições de dança e a enviou para Montparnasse, ao Balé Bullier e ao Café Closerie des Lilas. Os sócios Joseph Oller e Charles Zidler estavam promovendo o Cancan, como uma dança de quadrilha naturalista feita por mulheres. Louise se destacou entre as dançarinas ao se apresentar à audiência masculina revolvendo as saias e pondo à mostra suas rendas íntimas, além de tirar os chapéus dos homens com os dedos do pé e os chutar para longe. Seu hábito de beber rapidamente o conteúdo dos copos das mesas dos fregueses lhe valeu o apelido de La Goulue (A Gulosa).

Em Montmartre, La Goulue reencontra Auguste Renoir e se junta a um grupo de modelos que posam para artistas e fotógrafos. Achille Delmaet, companheiro de Marie-Juliette Louvet, fica famoso com as fotos de La Goulue nua.

Moulin Rouge[editar | editar código-fonte]

Gravuras de Lautrec

Louise é dançarina de Charles Zidler e Joseph Oller quando eles abrem o Moulin Rouge em 1889. Louise faz par com Jules Étienne Edme Renaudin (1843-1907), um comerciante de vinhos que se tornaria também um célebre dançarino. Ele adota o nome artístico de Valentin le Désossé ("Valentin Carne-sem-ossos"). Juntos dançam uma variação do Cancan chamado de «chahut». Os dois apareceriam no célebre cartaz da casa de 1891 feito pelo artista Toulouse-Lautrec e em várias outras gravuras (principalmente La Goulue).

A dança do casal é muito apreciada mas é La Goulue que é a estrela com sua dança audaciosa e cativante. La Goulue foi a primeira vedete a inaugurar o palco do Olympia de Paris, fundado por Joseph Oller em 1893.

Retratos de La Goulue

Decadência[editar | editar código-fonte]

La Goulue e seu marido atacado por feras, 24 de janeiro de 1904
Notícia de jornal anunciando a morte de La Goulue

Rica e famosa, em 1895 La Goulue decide deixar o Moulin Rouge e investe em seu próprio negócio, participando de um show que faz parte de uma feira que viaja pelo país. Ela decora sua tenda de dança oriental com gravuras de Lautrec. [1] . Apresentando-se para uma platéia diferente, o show não foi bem sucedido. Em dezembro de 1895 nasceu o seu filho, Simon Victor, de pai desconhecido.

Em 1900, La Goulue se casou com o mágico Joseph-Nicolas Droxler. O casal morou no boulevard de Rochechouart. Droxler se tornou domador e junto com a mulher se apresentaram em feiras e circos de 1904 a 1907, quando ela representava estar em perigo ameaçada pelos leões. O casal foi atacado pelos animais e La Goulue abandonou o número e tentou a carreira de atriz de teatro. Ela já estava separada de Droxler quando ele morreu na guerra, em 1914. O filho Simon-Victor morreu em 1923, com 27 anos de idade. La Goulue agora Louise já estava empobrecida e entregue ao alcoolismo.

Com problemas pela obesidade, La Goulue é internada no hospital Lariboisière e vem a falecer em 1929. Foi enterrada no cemitério de Pantin, com a presença de Pierre Lazareff, diretor do Moulin-Rouge. Seus restos foram transferidos para o cemitério de Montmartre em 1992[2] . "Esta é La Goulue que inspirou Lautrec !", disse a atriz Arletty durante a cerimônia oficial.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Félicien Champsaur, L'amant des danseuses, ed. J.Ferenczi et fils, 1926.en ligne sur Gallica
  • Pierre Mariel, Jean Trocher, Charles Skilton, Paris Cancan, 1961.
  • Irwing Drutman, Paris was Yesterday 1925-1939, éd. Viking Press, 1972.
  • Evane Hanska, La Romance de la Goulue (roman), éd. Balland, 1989 ; Livre de Poche, 1990.
  • Lucinda Jarrett, Stripping in time : a history of erotic dancing, éd.Harper Collins, 1997.
  • Jacqueline Baldran, Paris, carrefour des arts et des lettres, 1880-1918, éd. L'Harmattan, 2002.
  • Jacques Plessis, Le Moulin Rouge, éd. La Martinière, 2002.
  • Jane Avril, Mes mémoires suivis de Cours de danse fin-de-siècle, éd. Phébus, 2005.
  • Renée Bonneau, Danse macabre au Moulin Rouge (roman policier), éd. Nouveau Monde , 2007.
  • Michel Souvais, Moi, La Goulue de Toulouse-Lautrec. Les mémoires de mon aïeule, Paris, éditions Publibook, 2008 .

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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