La Légende des Sciences

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Lendas da Ciência
La Legende des Sciences
Lendas da Ciência (BR)
Informação geral
Formato Seriado
Género Documentário
Duração 50 min. por episódio
País de origem  França
Idioma original francês
Produção
Diretor(es) Robert Pansard-Besson
Produtor(es) Arte France
Caméras Continentales
France 3
La Cinquième
Les Éditions Audio-Visuelles
Musée du Louvre
Nickelodeon Productions
Apresentador(es) Michel Serres e Robert Pansard-Besson
Narrador(es) Michel Serres
Tema de abertura Éric Demarsan
Exibição
Formato de exibição 4:3
Transmissão original 14 de junho de 1997
№ de episódios 12 episódios
Portal Séries de televisão · Portal Televisão
Projeto Televisão

A série Lendas da Ciência (La Légende des Sciences, no original em francês e Saga der Wissenschaften na Alemanha) é uma produção televisiva francesa de 1996 que, a partir da homonímia presente na língua original "legenda/lenda" - Légende, no francês) - busca explorar o desenvolvimento da ciência ao longo da história humana. A série foi escrita pelo filósofo Michel Serres e por Robert Pansard-Besson, que atuou também na produção do programa,[1] que por sua vez contou ainda com o apoio do canal France 3, do Museu do Louvre, da Nickelodeon Productions, dentre outros. Ao longo de seus doze episódios de cerca de 50 minutos, estabelece uma metáfora entre o conhecimento científico e um rio, referindo-se à impossibilidade de se buscar uma única e pontual nascente de suas águas. A trilha sonora ficou a cargo do compositor francês Éric Demarsan e, no Brasil, foi dublada por Isaac Bardavid através do estúdio e distribuidor independente de conteúdo audiovisual Synapse, no Rio de Janeiro.

[editar] Episódios

Os episódios são ligados apenas por um eixo temático e pela metáfora do conhecimento científico enquanto um rio, tendo cada um deles, assim, uma narrativa independente; não sendo necessário então acompanhar a série seguindo a cronologia proposta pelo programa. Apenas o último episódio tem em sua narrativa referências à sua posição cronológica, que foi definida tal como mostra a tabela abaixo:

Episódio Título Original Título Traduzido[2] Descrição
01 Prévoir Prever O primeiro episódio da série discute os usos do conhecimento, começando pelo físico italiano Ettore Majorana (Luca Intoppa) que, incerto pelos rumos que a física nuclear tomava durante o período Entre-Guerras, acaba por aparentemente cometer o suicídio. Daí, parte-se em busca de outros dois grandes nomes sicilianos da ciência: Arquimedes e Empédocles.
02 Découvrir Descobrir Neste segundo episódio, a noção de verdade se torna o foco da atenção da série. A partir do quadro renascentista de Tintoretto intitulado Paraíso, presente no Palácio do Doge, em Veneza, o episódio conduz o telescpectador a se indagar a respeito da busca pela verdade empreendida pelas ciências, fazendo uma analogia ainda ao trabalho dos cartógrafos, em especial o de Mercator.
03 Guérir Curar Partindo da idéia do exercício da medicina enquanto um exercício de compaixão, narra a histório do médico francês Alexandre Yersin e a descoberta do bacilo da peste. Yersin afirmava que a medicina como profissão era inviável em sua vida, pois não concebia a cobrança de dinheiro para cuidar das pessoas. Posteriormente, Laennec e Hipócrates têm papel de destaque.
04 Vivre Viver A discussão a repeito da distinção entre a vida e matéria inanimada é o ponto de início deste episódio. A partir disso, a genética aparece em destaque, a princípio com a história do monge criador das leis de Mendel e, posteriormente, com os experimentos de Pasteur com cães e ovelhas.
05 Devenir Devir Neste quinto episódio, a famosa viagem do navio Beagle serve de base para a discussão sobre a origem e a modificação das espécies. A teoria da evolução de Charles Darwin é apresentada ao lado do recorte feito por Lamarck e pelos estudos de Georges Cuvier que a precederam.
06 Lire Ler A formalização e "escrita" da ciência são apontadas como um ponto crucial para o desenvovilmento científico. O episódio se inicia com a viagem de Roald Amundsen feita em 1903 pelo Ártico, descobrindo uma ligação entre o baía de Baffin e a Sibéria, fato que é visto como uma "chave", uma "escrita" que permite o acesso ao conhecimento; geográfico, no caso. Daí, Michel Serres retoma os geômetras da Antigüidade, exemplificando através de umaidéia presente no Timeo, de Platão, obra na qual o filósofo aponta o triângulo como a forma básica que estrutura o universo, inserida no âmbito da questão da cosmologia. Tais estudos, de cunho matemático, seriam apenas uma amostra daquilo que seria afirmado apenas no século XVII, quando Galileu diz que a "matemática é o alfabeto com o qual Deus construiu o universo". Se a ciência queria decodificar o mundo, foi necessário falar sua língua; e a língua do mundo, para Serres, é a matemática. Nessa mesma direção, o filósofo francês descreve a decifragem das escritas de Fu Xi feita por Leibniz, que para tanto criou um sistema binário a fim de facilitar o processo; sistema esse que atualmente é a base para a informática. O código binário e a linguagem matemática do século XVII dão espaço para que, no século seguinte, Étienne Bonnot de Condillac, Lineu e Lavoisier trouxessem essa formalização para as ciências não baseadas na matemática. Newton subordina a física às leis matemáticas, bem como ocorre com a Biologia e o código genético, anos depois. Contudo, Serres finaliza o episódio questionando: mas estariam essas "línguas" criadas pelas ciências de acordo com as coisas em si?
07 Brûler Queimar No sétimo episódio da série, a Revolução Industrial é vista como um ponto de ruptura que tem como contraparte nas artes o quadro de William Turner, intitulado HMS Temeraire (1798). Enquanto o mundo pré-revolução industrial seria um mundo referente aos deuses greco-romanos Hérculese Atlas (bem como referente ao quadro L'entrepôt de Samuel Whitbread, de John Garrard) o mundo industrial do século XVIII, quando surge o nome de Sadi Cannot (Yvan Heidsieck), seria o mundo de Prometeu, o mundo da termodinâmica. Por fim, a contemporaneidade será assumida como o mundo do deus Hermes, fazendo referência às amplas possibilidades de divulgação do conhecimento.
08 Ouvrir Abrir Neste episódio, a obra inacabada de Gustave Flaubert intitulada Bouvard et Pécuchet, interpretados por Jean-Marie Lehec e Bernard Dimanche, respectivamente, serve como ponto de partida para a idéia de "abertura" no campo do conhecimento, mostrando como na astronomia, por exemplo, o conhecimento acumulado dos gregos e, posteiormente por Copérnico, Tycho Brahe e Kepler pôde servir de base, abertura para Isaac Newton.
09 Mêler Misturar Isaac Newton, Lavoisier e Mendeleiev figuram como protagonistas deste episódio da série. Focando-se sobretudo na Física e na Química, Michel Serres e Robert Pansard-Besson tentar mostrar como essas ciências se "misturam" ao tentar explicar fenômenos e experimentos, além claro do sentido que o termo assume nesses experimentos que muitas vezes envovlevem misturas, reações químicas realizadas desde o tempo dos alquimistas.
10 Métisser Mestiçagem No décimo episódio, viagens histórias e fictícias ilustrariam o desenvolvimento e a "mestiçagem" das ciências, em especial as viagens de Marco Polo e sua rota da seda. A ciência, que se busca universal, teria sido "miscigenada" ao redor do mundo, principalmente entre China, Índia e mundo árabe, representado-se então pela figura de um arlequim, com seu traje feito de retalhos. Assim, esa miscigenação passaria por diversas localicalidades, iniciando-se por Benares, na Índia, quando é relatado um pequeno exercício presente na obra Lilavati, do matemático hindu Bhaskara II. Além da obra de Bhaskara, aprecem relata-se ainda outra obra de um matemático hindu: o Arya-siddhanta, de Aryabhata. Ainda na Índia, chega-se até o Jantar Mantar, em frente ao Palácio dos Ventos, um palácio de marajás em Jaipur, onde se pode econtrar um enorme quadrante solar, no qual há um verso de autoria do Aryabhata que descreve o número Pi. Segue-se então para a obra de Aryabhata II, Maha-siddhanta (um dos mais importantes tratados da astronomia indiana , traduzido do sânscrito a pedido do califa Al-Mansur), quando a Índia foi invadida pelos árabes e a matemática e astronomia hindus foram incorporadas por eles. Por fim, já na alta Idade Média, narra-se a decadência da civilização grega com o fechamendo da Escola de Atenas por Proclos, fato que fez com que muitos gregos seguissem pelos "rastros" deixados por Alexandre Magno até Bagdá, quando a ciência grega e persa então puderam se misturar com a ciência árabe, misturada previamente com a ciência hindu. Se os retalhos que servem de veste para o arlequim iniciam o episódio, a ciência se mostra na verdade como as claras vestes da colombina, sendo o branco a junção de todas cores.
11 Emerger Emegir Neste episódio, a analogia com o rio é explicitada mais uma vez, mostrando ainda como a ficção (o conto Viagem à Lua, de Júlio Verne) pode por vezes antecipar acontecimentos no campo das ciências.
12 Naître Nascer No último episódio da série, Michel Serres e Robert Pansard-Besson se voltam à Grécia Antiga, não a fim de negar a idéia de uma impossibilidade de indicar um "nascimento das Ciências", mas apenas a fim de exaltar a região como um ponto onde diversos conhecimentos convergiram na Antigüidade, citando de Euclides ao juramento de Hipócrates. Esse "rio" - a metáfora que lastreia a série - que teria convergido até lá, teria ainda se perdido algum tempos depois; voltando a banhar o mundo ao longo do desenrolar do processo histórico.

Referências

  1. http://www.imdb.com/title/tt0831187/
  2. Manteve-se a tradução adotada na versão brasileira lançada pelo estúdio de dublagem Synapse
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