La Vieille Fille

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La Vieille Fille (em português, A Solteirona[1] ) é um romance de Honoré de Balzac escrito em 1836.

Surgido inicialmente em folhetim no quotidiano de La Presse de Émile Giradin, depois editado por Werdet em 1837, nos Estudos de costumes, seção das Cenas da vida da província, La Vieille Fille foi reimpresso em 1839 nas edições Charpentier, antes de se inserir com Le Cabinet des Antiques em um grupo isolado: Les Rivalités (As rivalidades) das Cenas da vida da província da Comédia Humana publicada em 1844 na edição Furne.

Essa obra é dedicada ao cunhado de Balzac, engenheiro do corpo real de pontes e vias, Eugène Midy de la Greneraye Surville. Contudo, Balzac ofereceu o manuscrito desse romance à condessa Guidoboni-Visconti, em 1844.

É um romance curto e incisivo que é marcado pela densidade da narração e o encadeamento rápido de eventos. Se o autor leva tempo para descrever minuciosamente o quadro (a vila de Alençon), a casa da solteirona (Mademoiselle Cormon), ele entra diretamente na vida do sujeito.

O retrado de Mademoiselle Cormon é um dos mais bem-sucedidos da Comédia Humana, o autor revela aqui uma de duas análises mais cheias de nuances das relações sociais, dos interesses financeiros e políticos de uma vila da província.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Em 1816, em Alençon, Rose Cormon, de quarenta anos, espera sempre um marido digno de sua posição. Descendente da boa burguesia, ela possui o bastante para ser contada no número de pessoas da boa sociedade. A descrição minuciosa do interior da casa de Mademoiselle Cormon e da vida que ela leva são típicos do estilo balzaquiano.

Em volta de Rosa se agitam dois pretendentes. O cavalheiro de Valois, velho dândi que se diz aparentado ao reis da França e manteve os hábitos e as maneiras do Antigo Regime, e o senhor du Bosquier, antigo agiota cuja fortuna é uma das mais importantes da região. Ambos cobiçam a mão de Rose Cormon, o primeiro pela fortuna, o segundo pelo respeito que ela poderá trazer. Os dois pretendentes fazem uma guerra sem piedade. Du Bousquier calunia o cavalheiro, sugerindo que ele desposou secretamente a lavadeira Césarine, junto da qual ele mora. Para se vingar, o cavalheiro lhe envia Suzanne (futura Madame du Val-Noble), que se diz grávida de du Bousquier. À essa duas personagens se juntam outra, do jovem Anasthase Granson, bem mais jovem que Rose e realmente apaixonado por ela, e que se suicidará por desespero. Desesperada pela notícia de que o visconde de Troisville, sobre o qual ela tinha colocado suas esperanças, já casou-se, Rose Cormon acaba por escolher du Bousquier. A decepção será grande para ela, que colocava tanta esperança nas satisfações do casamento.

O romance oferece um quadro cheio de nuances da vida da província, das rivalidades políticas e financeiras, das diferentes sociedades que se medem, sem jamais cair em caricatura.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VI

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (en) R. Butler, « Restoration Perspectives in Balzac’s La Vieille Fille », Modern Languages: Journal of the Modern Language Association, 1976, n° 57, p. 126-31.
  • (fr) René Guise, « Balzac et Le Charivari en 1837 », L'Année balzacienne, 1985, n° 5, p. 133-54.
  • (en) Fredric Jameson, « The Ideology of Form: Partial Systems in La Vieille Fille », Sub-stance: A Review of Theory and Literary Criticism, 1976, n° 15, p. 29-49.
  • (en) Fredric Jameson, « The Political Unconscious », The Novel: An Anthology of Criticism and Theory, 1900-2000, éd. et intro. Dorothy J. Hale, Malden, Blackwell, 2006, p. 413-33.
  • (fr) Patricia Kinder, « Un Directeur de journal, ses auteurs et ses lecteurs en 1836: autour de La Vieille Fille », L’Année balzacienne, 1972, p. 173-200.
  • (fr) Nicole Moret, « Alençon, ville-corps », L’Année balzacienne, 1985, n° 5: 297-305.
  • (fr) Armine Kotin Mortimer, « Le Corset de La Vieille Fille », L’Œuvre d’identité: essais sur le romantisme de Nodier à Baudelaire, éd. et intro. Didier Maleuvre, éd. et intro. Catherine Nesci, Montréal, Université de Montréal, 1996, p. 39-48
  • (en) Allan H. Pasco, « Dying with Love in Balzac’s La Vieille Fille », L’Esprit Créateur, Winter 1995, n° 35 (4), p. 28-37.
  • (fr) Lise Queffélec, « La Vieille Fille ou la science des mythes en roman-feuilleton », L’Année balzacienne, 1988, n° 9, p. 163-77.
  • (en) Christopher Whalen Rivers, Face value: physiognomical thought and the legible body in Marivaux, Lavater, Balzac, Gautier, and Zola, Madison, University of Wisconsin Press, 1994 ISBN 9780299143947
  • (en) Michael Tilby, « Balzac and the Poetics of Ignorance: La Vieille Fille », Modern Language Review, oct 2005, n° 100 (4), p. 954-70.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]