Lambretta

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Innocenti Lambretta

Lambretta foi um modelo de motoneta produzido pela Innocenti entre 1947 e 1971.

História da Fábrica Lambretta na Itália[editar | editar código-fonte]

Após a 2ª Guerra Mundial, Ferdinando Innocenti enfrentou o trabalho da reconstrução de sua fábrica de tubos de aço sem costura. A fábrica estava situada em Lambratte, Milão, que havia sido reduzida a escombros e fumaça. Ferdinando percebeu que as necessidades básicas de seu país eram duas: iniciar a produção de equipamento industrial e maquinaria pesada; e prover a população de um meio de transporte barato e seguro.

Ferdinando se uniu ao engenheiro Pierluigi Torre e projetaram um veículo de baixo custo de produção, de manutenção e com proteção melhor do que uma motocicleta convencional para as mudanças climáticas: chuva, frio, neve, etc. Esse veículo foi a Lambretta.

A produção da Lambretta começou em 1947 na Itália, após um ano de desenvolvimento e testes do protótipo. A primeira Lambretta foi nomeada naturalmente de Modelo UM, e tinha como característica um motor de dois tempos com um único cilindro, com pistão de 52 a 58 mm de diâmetro. Isto dava ao novo modelo 123 cc de volume de deslocamento e 4.2 bhp desenvolvidos a 4400 rpm. Funcionando com taxa de compressão na relação de 6:1, o Modelo UM rodava até 33 quilômetros com 1 litro de gasolina, um argumento forte de venda em uma Itália escassa em combustível. O chassi no qual esta pequena máquina estava montada era um tipo de painel tubular, com um plataforma, no qual o piloto colocava os pés.

Lambretta no Brasil[editar | editar código-fonte]

A Lambretta foi a primeira fábrica de veículos no Brasil, saindo na frente até mesmo da indústria automobilística. A implantação da fábrica Lambretta do Brasil S.A.- Indústrias Mecânicas, em 1955, como uma licenciada da Inocentti, no bairro da Lapa em São Paulo, coincidiu com a moda mundial da motoneta (em inglês, scooter), na década de 50. A produção entre 1958 e 1960, o apogeu da marca, superou a quantidade de 50.000 unidades/ano.

Um dos pontos fortes da Lambretta era a boa estabilidade devido ao baixo centro de gravidade proporcionado pelo motor próximo à roda traseira. O motor 2 tempos tinha boa refrigeração mesmo em marcha lenta, proporcionada por uma ventoinha.

Modelos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Os primeiros modelos lançados no Brasil foram a LD (luxo) e a D (stander), ambas com 3 marchas. Esses modelos foram fabricados até o início de 1960. Esses modelos correspondem aos modelos "Série 1" italianos. O modelo Stander é o modelo LD desprovido de carenagens. Uma opção mais barata, mas com o conjunto mecânico idêntico.

A partir de 1960 foi lançado o modelo LI (correspondente ao modelo "Série 2 ", lançado pela Innocenti na Itália em outubro de 1959). O modelo apresentava significativas mudanças em relação ao modelo anterior: substituição do eixo cardan por corrente, câmbio de 4 marchas, pneus aro 10" ao invés de 8", além de outras modificações, inclusive na versão Lambrecar. Esteticamente, as alterações mais visíveis foram a mudança do farol fixo para o guidão, desenho do paralamas dianteiro e perfil mais fluido, deixando de apresentar o "degrau" entre o assento do carona e o estepe.

Originalmente, qualquer Lambretta saia de fábrica pintada na sua maior parte em uma cor: branco. Outras cores eram acrescentadas na fábrica ou na revendedora. No Brasil, o modelo LI possuia seis cores e cinco combinações de aplicação dessas cores. As cores eram: 1- Vermelho 2- Verde 3- Marrom 4- Azul claro 5- Azul escuro 6- Azul piscina

E as combinações poderia ser: 1- Somente nas tampas laterais ("saias") 2- Saias e parte superior da carenagem do farol 3- Saias, parte superior da carenagem do farol e carenagem da coluna de direção 4- Saias, parte inferior da carenagem do farol e carenagem da coluna de direção 5- Saias e carenagem da coluna de direção.

Em 1964, a fábrica lançava uma versão com um motor mais potente, o modelo X, de 175cc. Há também a alteração de sua denominação para Cia. Industrial Pasco Lambretta, fazendo apenas a mudança da razão social: Pasco é a abreviatura de Pascowitch, nome do proprietário da empresa desde sua implantação inicial.

Em 1970, Felipe Pugliese, então o maior acionista, comprou a fábrica juntamente com o empresário Oliveiro Brumana. Em razão dessa nova sociedade, a razão social da fábrica é alterada para Brumana & Pugliesi S.A. - Indústria e Comércio de Motores e Veículos. Iniciou então uma tentativa de recuperação da fábrica: foram construídas novas instalações, na via Anhangüera/SP, com 19 mil metros quadrados de área e 12 mil construídos. Foi adquirido maquinário completo para produzir uma 125cc nacional. Já. em 1971, numa tentativa de melhorar a participação no mercado, a Lambretta lançou uma moto híbrida com motoneta, a Xispa, com projeto e componentes totalmente nacionais em versão de 150cc e 175cc. A Xispa foi produzida até 1979.

Na década de 1970 a indústria automobilística já havia se estabelecido firmemente, e o mercado das motocicletas se aquecia com a entrada das motos japonesas. A fábrica da Lambretta no Brasil quase fechou neste período.

Em 1976 a Brumana Pugliese lançou o ciclomotor Ponei. Nesse modelo foram utilizados componentes da Xispa e dois tipos de motores: o primeiro com embreagem centrífuga e motor da Motori Minarelli, que depois foi nacionalizado na Argentina pela Zanella e utilizado no Brasil até hoje em vários veículos pequenos. O segundo tipo foi um motor Minarelli com câmbio e cilindro na vertical, ficando em linha até 1980.

O modelo LI evoluiu para o modelo Cynthia, lançada em 1973 com 150cc e 175cc. Ao mesmo tempo era lançada a MS150, mais estreita que a primeira e com as tampas laterais cortadas, pelo que recebeu o apelido de "mini saia".

Em 1977, a Honda e a Yamaha lançaram suas 125 cc. Com a pesada concorrência, a Lambretta parou de produzir a motoneta. Com disso faltou capital e a empresa entrou em crise. O maquinário ficou guardado, sem qualquer utilização. Em 1979, como último suspiro, a Brumana Pugliese lançou a Lambretta Br Tork nas versões 125P, 125T e de 150cc, voltadas para o segmento de veículos populares com preços acessíveis.

Em 1978 foi lançada a Tork 125, ou Tork 5 como também foi conhecida. Seu desenho ultrapassado não caiu no gosto do brasileiro. Concorrer com as 125 japonesas, que já estavam no mercado e que tinham já seu espaço garantido, não foi fácil. Numa última tentativa de sobrevivência, a empresa lançou em 1981 um modelo Trail designada Tork C (de cross), mas também não alcançou sucesso. A mecânica era Minarelli e, posteriormente, Zanella (derivada da Minarelli também), com motor 2T e câmbio de 5 marchas. Infelizmente, a Tork não foi capaz de salvar a Lambretta de desaparecer do mercado.

A Brumana Pugliese ou sua sucessora Lambretta - Veículos Brasileiros Ltda., faliu em 1982. Sua congênere na Argentina, a Siambretta, fechou as portas no final da década de 60. Hoje a Lambretta ainda é produzida na Índia pela "S.I.L" (Scooters India Ltd), porém somente o triciclo conhecido como "Tuk Tuk".


Depoimento de ELOISA N. ALVES: Sou ex-funcionária da Lambretta do Brasil, trabalhei no ano de 1962/1963. Na época o dono da Indústria chamava-se PAULO PASCOWICHT, daí o nome do motor lançado MOTOR PASCO. Eu tenho fotos que tirei sentada em uma Lambretta com o Dr. Paulo Pascowich, na Portaria da Indústria que era localizada na Vila Anastácio (próximo a Lapa) depois do Batalhão do Exército. A Indústria era enorme, sendo que o ESCRITÓRIO era usado na parte superior, onde o corredor era todo envidraçado e podíamos acompanhar a fabricação das Lambrettas. Tenho fotos tirada em tornos, na linha de produção. Era uma indústria excelente, a Diretoria muito digna; trabalhei com o Gerente de Produção, um engenheiro muito educado, e todo o corpo de funcionários era excelente. Lamentamos muito que após 1963 a Lambretta do Brasil foi obrigada a declarar sua FALÊNCIA. Uma pequena observação: Eu fui a primeira MISS LAMBRETTA DO BRASIL - 1963, foram tiradas inúmeras fotos e enviadas para a Lambretta na Itália, onde era a MATRIZ. Ainda guardo a faixa de Miss Lambretta bem como uma coroa que me foi dada.


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