Lapinha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Lapinha é um presépio que se arma na época natalícia.[1] É tradicional no folclore brasileiro, principalmente no nordeste, e na Madeira e no Porto Santo, em Portugal.[2]

No Brasil, caracteriza-se pelo conteúdo hierático de adoração ao Menino Deus, com estrutura bastante definida, como a chegada ao presépio, adoração, tentativa de rapto ao Menino Jesus (morte e ressurreição da Contramestra ou da Mestra), sedução da pastorinha, previsões da cigana, ofertório, despedidas e queima de Lapinha.

A lapinha madeirense[editar | editar código-fonte]

A lapinha tradicional na Madeira apresenta duas variantes distintas: a escadinha e a rochinha. O armar da lapinha acontecia habitualmente nas vésperas do dia de Festa. Nos dias de hoje, ocorre mais cedo. Em algumas casas, no dia de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro) ou na primeira Missa do Parto (15-16 de dezembro) já a lapinha está armada.

Escadinha[editar | editar código-fonte]

A escadinha apresenta três lanços e é disposta sobre uma mesa ou uma cómoda coberta com uma tolha de linho bordada. Normalmente é forrada com papel de ramagens. No topo da escada, ou trono, é colocada a imagem do Menino Jesus, rodeada por um arco de flores de papel e ladeada por duas jarras com junquilhos ou sapatinhos. Nos outros degraus, apresentam-se pastores (figuras de presépio), frutos (laranjas, pêros, castanhas ainda nos ouriços, nozes etc.) e as searinhas. É habitual também colocar um pão (brindeiro) e uma lamparina de azeite. Na parede, afixa-se um galho de alegra-campo e sobre a cómoda ou mesa não faltam as tradicionais cabrinhas e uma jarra com ensaião.

Tradicional lapinha de rochinha, na Madeira

Rochinha[editar | editar código-fonte]

A rochinha é feita com papel pardo, pintado com viochene. Molda-se o papel em consonância com os volumes que esconde, imitando montanhas, vales, fajãs e uma gruta. Antigamente, utilizavam-se socas de canavieira para moldar o papel das rochinhas miniaturais, que se colocavam sobre mesas, arcas ou cómodas, mas hoje estão a cair em desuso. Armada a rochinha, colocam-se as figuras do presépio, casas e igrejas; fazem-se caminhos, lagos, riachos, cascatas e levadas; dependura-se o alegra-campo na parede; distribuem-se as searinhas, o azevinho, as mimosas, o ensaião, os sapatinhos e outras verduras. Por fim, colocam-se os frutos e o menino sobre a manjedoura. Na rochinha, recria-se a paisagem da ilha. Convivendo intimamente com Maria, José, os Anjos e o Cristo Menino, lá estão os ilhéus nas lides quotidianas do campo, da casa, do mercado e da oficina, folgando em romarias e arraiais, na matança do porco ou em amena cavaqueira, na procissão ou à volta do coreto. Entre o pitoresco e o jocoso, participam com os pastores e os Reis Magos na Adoração.[3] [4] [2]

Referências

  1. Semira Adler Vainsencher (Recife, 16 de novembro de 2004). Lapinha Fundação Joaquim Nabuco. Visitado em 26 de outubro de 2011.
  2. a b Manuel da Gama (28 de dezembro de 2007). O Presépio-Lapinha madeirense Jornal da Madeira. Visitado em 26 de outubro de 2011.
  3. Veríssimo, Nelson. (2007). "Natal madeirense". Povos e culturas (11): 79-86. Lisboa: CEPCEP - Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa. ISSN 0873-5921. Visitado em 5 de dezembro de 2014.
  4. Pestana, Antonino. (1957). "O Natal Madeirense, num auto de Gil Vicente". Das Artes e da História da Madeira V (3). Funchal: Sociedade de Concertos da Madeira. Visitado em 5 de dezembro de 2014.
Ícone de esboço Este artigo sobre Catolicismo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.