Lawrence Ferlinghetti

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Lawrence Ferlinghetti.

Lawrence Ferlinghetti (24 de março de 1919, Yonquers, Nova Iorque) é um poeta, editor e pintor americano da Geração Beat, mais conhecido pela sua obra poética e por ter sido o responsável pela divulgação em livro de todos os maiores expoentes daquele movimento e suas maiores obras.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sendo o poeta de família italo-portuguesa, seu pai, um imigrante, morreu antes do nascimento dele. Aos dois anos de idade sua mãe teve sérios problemas nervosos, não podendo mais tomar conta do menino e, por esta razão, ele foi criado por um tio materno e por uma tia de origem francesa, de nome Emily. O casal, no entanto, separou-se, tendo o poeta que mudar-se para a França com Emily. Voltando para os EUA, viveu em um orfanato, pois a tia não encontrava emprego em Manhattan.

Apesar das dificuldades na infância, conseguiu se formar jornalista na Universidade da Carolina do Norte em 1941, indo após servir na marinha americana durante a II Guerra Mundial. Após a Guerra, obteve um mestrado em Columbia e um doutorado na Sorbonne. Em Paris, encontra Kenneth Rexroth que o convence a ir para São Francisco para participar da efervescente cena contra-cultural da cidade.

Em São Francisco, funda como sócio a livraria e editora City Lights Books, que se especializa na publicação de poesia. Publica o livro “Howl” de Allen Ginsberg, que faz um sucesso estrondoso, sendo, porém, censurado e confiscado pelas autoridades norte-americanas, as quais processam o editor.

Mesmo com as dificuldades diante da chamada "caça às bruxas" promovida na época, a editora continuou impulsionando o sucesso daqueles promissores poetas, e através do trabalho corajoso de Ferllinghetti a Geração Beat se tornou um dos maiores marcos da poesia do pós-guerra, abrindo caminho para toda a contra-cultura e para o posterior movimento hippie

Atualmente, continua escrevendo e trabalhando em sua livraria.

Além dos livros de poemas, como “A Coney Island of the Mind” traduzido no Brasil com o título de “Um parque de diversões da cabeça” 1 , o artista participou de exposições com seus quadros na Itália e de gravações com artistas de jazz. Era comum ao poeta registrar seus poemas fonograficamente.

A poesia[editar | editar código-fonte]

Sendo Ferlinghetti considerado, por vezes um anarquista, por vezes um social-democrata, é comum à sua poesia os temas sociais e políticos, embora retratados de forma muito profunda e artística, explorando a função poética da linguagem. Seu livro mais conhecido é “A Coney Island of the mind”. Emprestando a plasticidade da pintura, seus poemas, apesar de forte influência surrealista, permitem a visualização de cenas delicadas, via de regra cheias de jogos de luz e cor. A delicadeza de seus poemas lembra um pouco os versos de Apollinaire, inclusive pelo ritmo normalmente melodioso, mas alternando versos longos e curtos, lembrando as modulações de ritmo do be bop. Estes, na maioria, são distribuídos de forma não-linear, não se colocando um imediatamente abaixo do outro. Em outros poemas do livro, a cadência dos versos muitos longos ou apenas mais regulares em termos de extensão e alinhamento (comuns em outras obras do autor) lembra a de Walt Whitman, ou a de um RAP. Apesar de sua feição essencialmente moderna, pode-se dizer que, via de regra, todos os seus poemas contém dois elementos que são constitutivos de um poema tradicional: ritmo e imagem.

Referências

  1. Ferlinghetti, Lawrence. Tradução Eduardo Bueno e Leonardo Fróes. 1984. L&PM Pocket.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]