Leão-do-cabo

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Um leão-do-cabo desenhado por Rembrandt

Um leão-do-cabo desenhado por Rembrandt
Estado de conservação
Status iucn3.1 EX pt.svg
Extinta
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Género: Panthera
Espécie: P. l. melanochaita
Nome trinomial
Panthera leo melanochaita
(Ch. H. Smith, 1842)

O leão-do-cabo (panthera leo melanochaita) foi uma das subespécies de leão africano. Habitava o sul da África do Sul. Foi possivelmente extinto em 1865.

Características[editar | editar código-fonte]

De todas as 3 subespécies de leões que originalmente habitavam o território sul-africano (as outras duas, ainda existentes hoje em dia, são o leão-do-kruger e o leão-do-kalahari), o leão-do-cabo era a maior. Os machos maiores mediam até 3,35 m e pesavam cerca de 320 kg. Já as fêmeas eram menores, tendo no máximo 2,74 m e até 210 kg de peso. Devido ao clima mais frio e seco, os leões da província do Cabo dispunham de menos presas que os leões do resto da África, e por essa razão eram menos abundantes e não formavam bandos. Levavam uma vida solitária como predadores oportunistas. Os machos tinham uma juba negra densa que prolongava parcialmente pelo ventre, de uma forma parecida com as subespécies do norte da África e da leoa asiática da Ásia, das quais se diferenciava por ter patas proporcionalmente mais curtas e juba mais lisa. Os filhotes dessa subespécie, tal como os das demais, nasciam com manchas que sumiam com seu crescimento, o qual era mais rápido que normal entre os leões, já que a juba começava a crescer quando os machos eram muito jovens.

Extinção[editar | editar código-fonte]

A partir de meados do século XVII, chegaram os primeiros colonos na África do Sul, vindo de países como Holanda, França, Alemanha, Escócia e Dinamarca. Nesta época os leões atacavam praticamente qualquer coisa, fosse uma zebra, um antílope ou mesmo uma foca descansando na praia. Junto com os colonizadores vieram os animais domésticos, que, em relação a suas presas tradicionais, eram mais fáceis de serem abatidas.

Os relatos da época falam muito de ataques de grandes leões contra os assentamentos boeres.

Jan van Riebeeck, fundador da Cidade do Cabo em 1652, teve de construir o Castelo da Boa Esperança precisamente para evitar seus ataques. A partir de 1666, a primitiva estrutura de madeira começou a ser substituída por outra de pedra que tornasse a sua defesa mais eficaz.

A caça, tanto por esporte como para proteger as propriedades e rebanhos dos colonizadores, foi reduzindo aos poucos a distribuição desta subespécie. O último leão da província do Cabo foi abatido em 1858, e em 1865 o general Bisset matou o último indivíduo desta subespécie em Natal. Alguns museus europeus hoje em dia ainda possuem exemplares dessa subespécie empalhados.

Remanescentes[editar | editar código-fonte]

Durante 30 anos o sul-africano John Spence buscou possíveis descendentes de leões-do-cabo, que teriam sido levados à Europa e mantidos em cativeiro antes de serem extintos na natureza. Finalmente, em 2001 acreditou ter encontrado uma pequena família de leões que vivia no jardim zoológico de Novosibirsk, na Sibéria. Não se sabe qual a origem exata de tais leões, pois chegaram ao zoológico abandonados por um circo. Graças aos esforços de Spence, dois filhotes deste grupo (inusitadamente grandes para sua idade, inclusive comparados com outros do mesmo circo) foram enviados ao Tygerberg Zoo da Cidade do Cabo. Estudos posteriores de DNA determinaram que se tratava efetivamente dos últimos leões-do-cabo sobre a terra, ou pelo menos descendentes seus que se miscigenaram com outras subespécies de leão.