Led Zeppelin (álbum)

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Led Zeppelin
Álbum de estúdio
Lançamento 12 de janeiro de 1969
Gravação Outubro de 1968 no Olympic Studios em Londres
Gênero(s) Hard rock, heavy metal, blues-rock, rock psicodélico
Duração 44:26
Idioma(s) Inglês
Gravadora(s) Atlantic
Produção Jimmy Page
Cronologia de
Último
Último
Led Zeppelin II
(1969)
Próximo
Próximo
Singles de Led Zeppelin
  1. "Good Times Bad Times""
    Lançamento: 1969 (Estados Unidos)
  2. ""Communication Breakdown""
    Lançamento: 1969 (Estados Unidos)

Led Zeppelin é o álbum de estreia da banda britânica de rock Led Zeppelin. Foi gravado em outubro de 1968 no Olympic Studios, em Londres, e lançado pela Atlantic Records em 12 de janeiro de 1969. O álbum foi criado e produzido por todos os quatro integrantes do grupo — especialmente pelo guitarrista Jimmy Page — e estabeleceu a difusão entre o blues e o rock. Muitas canções deste disco, tais como "Dazed and Confused", "Communication Breakdown" e "How Many More Times" apresentam um som pesado atípico na época de seu lançamento. A banda também criou um grande número de seguidores e devotados, com suas próprias canções de hard rock e som agradável; para eles uma parte da contracultura em ambos os lados do Atlântico.

Embora inicialmente o álbum tenha sido negativamente recebido pela crítica, foi muito bem sucedido comercialmente e, ao longo dos anos, passou a ser aclamado mundialmente, sendo considerado um dos maiores álbuns de todos os tempos. Em 2003, o álbum ficou na 29ª colocação na Lista dos 500 melhores álbuns de sempre da Revista Rolling Stone. Aparece também na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.[1] Em 2004, o álbum foi nomeado para o Grammy Hall of Fame[2] e em 2014 relançado como disco remasterizado com faixas inéditas.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1968, a banda de britânica de rock The Yardbirds estava completamente desmantelada. O guitarrista Jimmy Page, — que estava no grupo desde junho de 1966 quando o baixista Paul Samwell-Smith saiu da banda —, único membro remanescente dos Yardbirds, ficou com os direitos do nome do grupo além de obrigações contratuais para uma série de concertos na Escandinávia.[3] [4] Para sua nova banda, Page recrutou o baixista John Paul Jones, o vocalista Robert Plant e o baterista John Bonham. Plant e Bonham vinham da Band of Joy, e Jones já havia trabalhado com Page em "Beck's Bolero", de Jeff Beck.[5] [6] Em setembro de 1968, o recém-formado grupo percorreu a Escandinávia como The New Yardbirds, realizando alguns materiais antigos dos Yardbirds, bem como canções novas como "Communication Breakdown", "I Can't Quit You Baby", "You Shook Me", "Babe I'm Gonna Leave You" e "How Many More Times".[7] Um mês depois eles voltaram para a Inglaterra. Em outubro de 1968, Page mudou o nome da banda para Led Zeppelin, após uma ideia de Keith Moon, baterista do The Who, e o grupo entrou no Olympic Studios em Londres para gravar o seu álbum de estréia.[8]

Gravação e Produção[editar | editar código-fonte]

Sessões de gravação[editar | editar código-fonte]

O primeiro álbum do Led Zeppelin foi inteiramente concebido pelo guitarrista Jimmy Page.

Em uma entrevista em 1990, Page disse que o álbum levou apenas cerca de 36 horas de estúdio (durante um período de algumas semanas) para ser criado, incluindo a mixagem,[9] acrescentando que ele só sabia disso devido ao valor cobrado na conta do estúdio.[10] [11] Uma das principais razões para o curto tempo de gravação era que o material escolhido para o álbum tinha sido bem ensaiado e pré-arranjado pela banda na turnê da Escandinávia em setembro de 1968.[12] Como Page explicou, "a banda tinha começado a desenvolver os arranjos na turnê escandinava e eu sabia qual o som que eu estava procurando. Ele só veio junto com uma rapidez incrível".[13]

Além disso, desde que a banda ainda não tinha assinado o seu contrato com a Atlantic Records, Page e o empresário do Led Zeppelin, Peter Grant, pagaram pelas sessões inteiramente eles mesmos, ou seja, não havia dinheiro da gravadora a perder com o tempo de estúdio excessivo.[14] Em outra entrevista, Page revelou que o auto-financiamento tinha por objetivo garantir a liberdade artística: "Eu queria ter o controle artístico custe o que custasse, pois sabia exatamente o que queria fazer com esses companheiros. De fato, eu mesmo financiei e gravei o primeiro álbum antes de ir à Atlantic ... Não era aquela coisa habitual de primeiro obter um financiamento para fazer um álbum, — chegamos à Atlantic com as fitas na mão ... a reação da gravadora foi muito positiva —, eles nos contrataram, não foi?"[15]

O grupo gravou suas músicas supostamente por 1782 libras.[14] [16] O especialista em Led Zeppelin Dave Lewis observou que "com a possível exceção das 12 horas que os Beatles levaram para gravar o seu primeiro álbum na Abbey Road, raramente se teve um tempo de estúdio usado de tal forma economicamente. O álbum de estreia do Led Zeppelin faturou mais de 3,5 milhões de libras, pouco menos de 2.000 vezes mais do que o investido!"[14]

Durante as gravações, Page tocou uma guitarra Fender Telecaster pintada com motivos psicadélicos, que tinha sido uma prenda de Jeff Beck quando Page recomendou o seu amigo de infância para os Yarbirds em 1965 para substituir Eric Clapton.[17] Esta guitarra era diferente daquelas que viria a escolher para os álbuns posteriores (sobretudo a Gibson Les Paul). Page ligou a Telecaster a um amplificador Supro.[17] Para as faixas acústicas do álbum tocou uma Gibson J-200, emprestada por Big Jim Sullivan.[17] Na canção "Your Time Is Gonna Come", tocou numa guitarra Fender de dez cordas de aço desafinada.[17]

Produção[editar | editar código-fonte]

Led Zeppelin foi produzido por Jimmy Page e projetado por Glyn Johns, que já havia trabalhado com os Beatles, os Rolling Stones e o The Who. De acordo com Page, "O primeiro álbum foi realmente um álbum ao vivo, ele foi feito intencionalmente dessa forma. Ele possui overdubs, mas as faixas originais são ao vivo".[18]

Page alegou utilizar quarto ambientes naturais para aumentar a reverberação e textura de gravação do disco, demonstrando as inovações nas gravações do som que tinha aprendido durante seus dias de estúdio. Até os anos 1960, a maioria dos produtores musicais colocavam microfones na frente dos amplificadores e tambores. Para Led Zeppelin, Page desenvolveu a ideia de colocar um microfone adicional à alguma distância do amplificador (tanto quanto 20 pés), e, em seguida, gravou o equilíbrio entre os dois. Ao descobrir que esta "distância é igual a técnica de profundidade", Page se tornou um dos primeiros produtores a gravar numa banda um "som ambiente": a distância de uma nota de um lado da sala para o outro.[19] [20]

Outra característica notável do álbum foi a "fuga" nas gravações de vocais de Plant. Em 1998, em uma entrevista para a Guitar World, Page declarou que "a voz de Robert era extremamente poderosa e, como resultado, iria ficar em algumas das outras faixas. Mas, estranhamente, o vazamento parece intencional".[19] Na faixa "You Shook Me", Page usou a "técnica do eco revertido". Trata-se de ouvir o eco antes do som principal (em vez de depois), e é obtida rodando a fita sobre a gravação e o eco de uma faixa de reposição, em seguida, girando a fita para trás de novo para obter o eco que precede o sinal.[19] Todas as faixas do álbum foram gravadas em outubro de 1968, no Olympic Studios, em Londres, e lançadas em 12 de janeiro de 1969 nos Estados Unidos, e 28 de março do mesmo ano do Reino Unido.[21]

O disco foi um dos primeiros álbuns a serem lançados somente no formato estéreo; na época, a prática de liberar tantas versões mono e estéreo era a norma.[14]

Composição[editar | editar código-fonte]

Faixas como "Good Times Bad Times", "Dazed and Confused" e "Communication Breakdown" exibiam um som distintamente pesado, isso era algo incomum no final dos anos 1960. Led Zeppelin também contou com a guitarra acústica de cordas de aço de Page em "Black Mountain Side",[14] e uma combinação de abordagens acústicas e elétricas em sua adaptação de "Babe I'm Gonna Leave You". O crédito de Page por escrever "Black Mountain Side" tem gerado certa controvérsia ao longo dos anos, já que é muito semelhante a versão da canção folclórica tradicional "Black Water Side" de Bert Jansch.[22]

"Dazed and Confused", com base na canção homônima de Jake Holmes, de 1967, é muitas vezes considerada como a canção central do álbum, seu arranjo apresenta uma linha de baixo descendente de Jones, uma percussão pesada de Bonham e riffs de guitarra e solos distorcidos de Page. Ela também apresenta Page tocando a guitarra com um arco de violino (uma ideia sugerida pelo Sr. David McCallum, a quem havia conhecido Page ao fazer o trabalho nas seções de estúdio).[23] Esta técnica também foi empregada em "How Many More Times", uma canção que apresenta um riff "Bolero" e uma mudança improvisada em cadência.[14]

Muitas das primeiras canções do Led Zeppelin foram baseados nos padrões do blues da época, o disco também incluía três canções compostas por outros artistas: "You Shook Me" e "I Can't Quit You Baby", músicas compostas originalmente pelo cantor de blues Willie Dixon, e "Babe I'm Gonna Leave You".[14] Em relação à última delas, no tempo Page erroneamente acreditava que ele estava adaptando uma tradicional canção popular que tinha ouvido em uma gravação de Joan Baez, mas isso foi corrigido em relançamentos posteriores depois que foi revelado que a canção foi composta por Anne Bredon na década de 1950.[14] Em "You Shook Me", Plant vocalmente imita efeitos da guitarra de Page, uma versão "metalizada" da técnica de blues "chamada e resposta".[24]

Beck já tinha gravado "You Shook Me" para seu álbum, Truth e Page foi acusado de roubar sua ideia.[14] Com John Paul Jones e Moon Keith, Page tinha escrito, tocado, e citasse que ele tenha organizado, "Beck's Bolero", um instrumental em Truth que seria um esboço na mistura no incremento de "How Many More Times" de Led Zeppelin. Estas polinizações cruzadas levaram a um racha entre Beck e Page, que tocaram nos Yardbirds juntos e eram amigos desde a infância.[25] Na verdade, Page foi o primeiro que sugeriu Beck para a posição de guitarrista dos Yardbirds, quando ele foi contactado pela banda após a saída de Eric Clapton.

Em uma entrevista que deu em 1975, Page ofereceu a sua própria perspectiva sobre a música do álbum:

Para o material, nós obviamente fomos diretamente até nossas raízes no blues. Eu ainda tinha muito dos riffs dos Yardbirds que sobraram. Até o momento que Jeff [Beck] partiu, começou a chegar a mim um monte de coisas novas. Era essa coisa que [Eric] Clapton criou um precedente pesado nos Yardbirds que Beck tinha de seguir e, em seguida, foi ainda mais difícil para mim, de certa forma, porque o segundo guitarrista se tornou o primeiro. E eu estava sob pressão para chegar aos meus próprios riffs. No primeiro LP eu ainda estava fortemente influenciada pelos dias anteriores. Eu acho que conta um pouco, também ... Era óbvio que alguém tinha que assumir a liderança, caso contrário, ficaríamos todos sentados e parados em torno de seis meses. Mas depois disso, no segundo LP, você pode realmente ouvir a identidade do grupo se unindo.[26]

Plant teve seu nome creditado no álbum com a expressão "baixista ocasional". Em uma entrevista que ele deu à revista Rolling Stone em 2005, ele fez referência a isso:

Na verdade, eu era um baixista ocasional. Isso está dito no Zeppelin I, perto do meu nome: vocais, harmônica e baixo ocasional. Muito ocasionalmente — uma vez, eu acho, desde 1968. Como, em nome de Deus, isso acabou indo pra capa é muito engraçado. Eu tenho certeza que Jonesy [John Paul Jones] não gostou disso [risadas]. Mas acho que em cada vez que fazia uma bobagem ele poderia ter dito que era eu".[27]

Capa[editar | editar código-fonte]

A capa do álbum Led Zeppelin mostra o dirigível Hindenburg após incêndio.

A capa de Led Zeppelin, que foi escolhido por Page, apresenta uma imagem da queima de um dirigível Hindenburg em preto-e-branco. A imagem refere-se a origem do nome da banda em si:[14] quando Page, Jeff Beck e o baterista e baixista do The Who, Keith Moon e John Entwistle, estavam discutindo a ideia de formar um grupo, Moon brincou: "Provavelmente, iria decolar como um balão de chumbo", e Entwistle supostamente respondeu: "... um zeppelim de chumbo!"[28] [29]

A característica da capa traseira do álbum vem de uma fotografia da banda tirada pelo ex-Yardbird Chris Dreja.[14] O projeto inteiro da capa do álbum foi coordenada por George Hardie, com quem a banda iria continuar a colaborar para futuras capas.[14]

Hardie recordou que inicialmente tinha mostrado à banda um esboço baseado numa antiga placa de uma discoteca em São Francisco - uma imagem multisequencial de um zeppelin fálico a pairar nas nuvens. Page recusou, embora tenha sido usado para o logo do verso da capa dos dois primeiros álbuns do Led Zeppelin e para uma série de material promocional.[14] Durante as duas primeiras semanas de lançamento no Reino Unido, o invólucro do disco tinha patente o nome da banda e o logo da Atlantic em azul-turquesa. Quando ainda durante esse ano o logo foi alterado para cor de laranja, o invólucro turquesa tornou-se um artigo de colecionador.[14]

A capa do álbum recebeu grande atenção quando, em um show em fevereiro de 1970 em Copenhague, a banda foi anunciado como "The Nobs" como resultado de uma ameaça legal da aristocrata Eva von Zeppelin (uma parente do fabricante de aeronaves Ferdinand von Zeppelin). Eva Zeppelin, ao ver o logotipo do Hindenburg cair em chamas, ameaçou de tirar o show do ar.[30] Em 2001, Greg Kot escreveu para a Rolling Stone que "A capa do Led Zeppelin ... mostra o dirigível Hindenburg, em toda sua glória fálica, descendo em chamas. A imagem fez um trabalho muito bom de encapsular a música interior ... catástrofe, sexo e coisas explodindo".[31]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Visão crítica e vendas[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg[32]
Entertainment Weekly "A−"[33]
Oz "Favorável"[34]
Q 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[35]
Rolling Stone (1969) "Desfavorável"[36]
Rolling Stone (2001) 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg[31]
Sputnikmusic 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[37]
The Rolling Stone Album Guide 4 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar empty.svg[38]

O álbum foi anunciado em jornais de música selecionados, sob o lema "Led Zeppelin - a única maneira de voar".[14] Inicialmente, recebeu críticas ruins. Em uma avaliação contundente, a revista Rolling Stone afirmou que a banda ofereceu "pouco de seu gêmeo, o Jeff Beck Group, não disse tão bem ou melhor, há três meses ... Parece que se estão a preencher o vazio criado pelo fim do Cream, eles terão de encontrar um produtor, editor e algum material digno de seus talentos coletivos".[39] Também chamaram Plant de "um almofadinha como Rod Stewart, mas nem de longe tão excitante".[40] John Paul Jones mais tarde comentou:

Tivemos uma terrível imprensa na época. Ninguém parecia querer nos conhecer, por uma razão ou outra. Nós viemos para a América e lemos a resenha da Rolling Stone do primeiro álbum, o que estava passando por nós era como se fosse uma outra badalada banda britânica. Não podia acreditar. Em nossa ingenuidade pensávamos que tinha feito um bom álbum e estavam fazendo tudo certo, e então este veneno vem voando para fora. Não conseguia entender por que ou o que tinha feito com eles. Depois que fomos muito cautelosos com a imprensa, que tornou-se uma situação do "ovo e da galinha". Nós os evitamos e assim eles nos evitavam. Foi apenas porque fizemos um monte de shows que a nossa reputação se espalhou como uma boa banda ao vivo.[39]

Como foi referido pelo jornalista de rock Cameron Crowe anos mais tarde: "Era o momento de um 'supergrupo', de bandas furiosamente sensacionalistas que mal poderiam ser suficientes, e o Led Zeppelin inicialmente encontrou-se lutando contra o montante para provar a sua autenticidade".[41]

No entanto, a reação da imprensa ao álbum não foi totalmente negativa. Na Grã-Bretanha o álbum recebeu uma comentário de revisão do Melody Maker. Chris Welch escreveu, em um comentário intitulado "triunfo de Jimmy Page — Led Zeppelin é um gás!": "o seu material não depende de riffs óbvios de blues, embora quando eles tocam, evitam a fragilidade emaciada da maioria das chamadas bandas britânicas de blues".[11]

O álbum foi muito bem sucedido comercialmente. Ele foi inicialmente lançado nos Estrados Unidos em 12 de janeiro de 1969 para promover a primeira turnê norte-americana da banda. Antes disso, a Atlantic Records havia distribuído algumas centenas de cópias antecipadas de rótulo branco para importantes estações de rádio e críticos musicas. A reação positiva ao seu conteúdo, juntamente com uma boa reação para os shows de abertura da banda, resultaram em 50.000 encomendas antecipadas do álbum.[14] Dentro de dois meses de seu lançamento o disco atingiu o top 10 da Billboard.[42] Ele ficou na parada da Billboard por 73 semanas e permaneceu cerca de 79 semanas nas paradas britânicas.[43]

Turnê promocional[editar | editar código-fonte]

Denver Auditorium Arena, palco da estréia do Led Zeppelin na América no Norte.

Originalmente, o The Jeff Beck Group tinha uma série de concertos a serem realizados na América do Norte. Esta turnê foi cancelada, e Peter Grant, empresário do Led Zeppelin que trabalhava no mesmo escritório do Jeff Beck Group, convenceu os promotores a assumir o Led Zeppelin em seu lugar.[44] O disco de estreia da banda foi lançado em 12 de janeiro de 1968, entretanto, Grant já estava enviando cópias antecipadas de marca branca do disco nas principais estações de rádio FM, com o intuito de ajudar a divulgar a banda na América do Norte antes do inicio de uma turnê.[3] Grant rumou para os Estados Unidos afim de conseguir uma gravadora e não só assinou com a Atlantic Records por 5 anos, como voltou para o Reino Unido com o maior adiantamento da história para um artista não contratado: 143.000 dólares, sem que a Atlantic sequer tenha visto-os tocar.[45] O grupo fez sua estréia na América com um conserto em Denver, no Colorado, no Auditorium Arena, em 26 de dezembro de 1968, seguido de um concerto em Seattle, no dia seguinte, no Seattle Center Arena.[3] Para estes concertos, a banda contou com músicas como "Dazed and Confused", "Black Mountainside" e "How Many More Times" em seu repertório.[46] [47]

Legado e posterioridade[editar | editar código-fonte]

Legado[editar | editar código-fonte]

O sucesso e influência do álbum são hoje amplamente reconhecido, mesmo entre as publicações que estavam inicialmente céticas. Em 2006, por exemplo, a Rolling Stone declarou que:

[O álbum] era muito bonito, ao contrário de qualquer outra coisa. Os arranjos foram esculpidos mais do que os do Cream ou de Jimi Hendrix, e a musicalidade não foi pesado como a de Iron Butterfly ou bombástica como a de Vanilla Fudge. As comparações mais próximas poderiam ser do MC5 ou os Stooges — tanto do Michigan — ainda nem tinha o polonês ou a proeza do Led Zeppelin, Led Zeppelin nem têm a sensibilidade política, social ou a firmeza dessas bandas marcantes. O que eles não tiveram, no entanto, foi o potencial para uma audiência de massa.[20]

De acordo com Lewis:

O tempo não fez nada para diminuir a qualidade de um dos melhores álbuns de estréia já lançados. Há uma urgência e entusiasmo sobre o seu desempenho, que mantém um charme intemporal. As nove canções oferecem um tour de force de uma poderosa dinâmica mas muitas vezes sutil ... E não vamos esquecer o fato de que, com este álbum, Page praticamente inventa o riff de guitarra como um componente chave de composição.[14]

"Na primeira vez que eu ouvi o primeiro álbum do Led Zeppelin tive a sensação que Deus estava saindo das caixas de som"

Tom Hamilton, baixista do Aerosmith[29]

O álbum exerceu influência nos músicos da banda norte-americana de hard rock Aerosmith, assim como muitos discos posteriores do Led Zeppelin, além dos Yardbirds. Joe Perry citou que conhecer Page em 1990 foi algo "além do reino da possibilidade." Tom Hamilton falou sobre a primeira vez que ouviu o disco de estreia da banda e suas impressões positivas do álbum.[3] [48] Em 2003, a VH1 classificou Led Zeppelin no 43° lugar em sua lista dos melhores álbuns de todos os tempos,[49] enquanto a Rolling Stone o classificou na 29° posição na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos.[50] O disco foi introduzido em 2004 junto ao quarto álbum no Grammy Hall of Fame.[2] Foi ainda classificado na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, junto aos álbuns Led Zeppelin II, Led Zeppelin IV, Houses of the Holy e Physical Graffiti.[1] Ele é amplamente considerado como um importante marco na criação e na evolução do hard rock e heavy metal.[32]

Reedição de 2014[editar | editar código-fonte]

Em 2014, Page anunciou a reedição do primeiro disco da banda junto aos seus sucessores Led Zeppelin II e os demais discos a serem relançados no mercado em 2 de junho do mesmo ano.[51] As versões foram relançadas com remasterização e novos projetos gráficos. As edições de luxo trazem faixas bônus inéditas, resgatadas dos arquivos da banda. O grupo havia anunciado que estava em um "extenso programa de reedição" de seus nove álbuns de estúdio que foram remasterizados e cada registro vai sair como um álbum de um disco ou como uma edição de luxo com um disco de estúdio bônus e faixas inéditas ao vivo que que eles gravaram em torno da época do álbum.[52] Os discos de cada um deles foi disponibilizado em uma variedade de formatos, incluindo CD single, edição de luxo de dois discos, single LP em vinil de 180 gramas (com uma manga que replica a roda em movimento original do Led Zeppelin III), edição de luxo em vinil e download digital. A edição de luxo do disco de estreia conta com uma gravação de um concerto realizado em 10 de outubro de 1969, no Olympia em Paris. Robert Plant declarou que havia descoberto alguns faixas inédita do Led Zeppelin, algumas das quais apresenta o baixista John Paul Jones nos vocais.[52] [53]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Publicação País Título Ano Posição
The Times Reino Unido "The 100 Best Albums of All Time"[54] 1993 41
Rolling Stone Estados Unidos The Rolling Stone 500 Greatest Albums of All Time[55] 2003 29
Grammy Awards Estados Unidos Grammy Hall of Fame Award[56] 2004 *
Q Reino Unido "The Music That Changed the World"[57] 2004 7
Robert Dimery Estados Unidos 1001 Albums You Must Hear Before You Die[58] 2006 *
Classic Rock Reino Unido "100 Greatest British Rock Album Ever"[59] 2006 81
Uncut Reino Unido 100 Greatest Debut Albums[60] 2006 7
Rock and Roll Hall of Fame Estados Unidos The Definitive 200[61] 2007 165
Q Reino Unido 21 Albums That Changed Music[62] 2007 7
Rolling Stone Estados Unidos Rolling Stone 500 Greatest Albums of All Time[63] 2012 29

(*) Lista designada desordenada.

Faixas[editar | editar código-fonte]

Lado A
N.º Título Compositor(es) Duração
1. "Good Times Bad Times"   Jimmy Page/ John Bonham/ John Paul Jones 2:46
2. "Babe I'm Gonna Leave You"   Jimmy Page/ Robert Plant 6:41
3. "You Shook Me"   J. B. Lenoir/ Willie Dixon 6:28
4. "Dazed and Confused"   Page 6:26
Duração total:
22:21
Lado B
N.º Título Compositor(es) Duração
1. "Your Time Is Gonna Come"   Page/ Jones 4:14
2. "Black Mountain Side"   Page 2:05
3. "Communication Breakdown"   Page/ Bonham/ Jones 2:27
4. "I Can't Quit You Baby"   Dixon 4:42
5. "How Many More Times"   Page/ Bonham/ Jones 8:28
Duração total:
21:56

Notas[editar | editar código-fonte]

"How Many More Times" inclui passagens (sem créditos) de "The Hunter", escrito por Booker T. Jones, Steve Cropper, Duck Dunn, Al Jackson, Jr. e Carl Wells em 1967 e foi popularizada por Albert King.[64] Mais edições do LP do álbum também listam incorretamente o tempo de execução de "How Many More Times", como 3:30.

Tem-se dito que Plant participou nas composições, mas não foi dado o crédito devido a obrigações contratuais em curso decorrentes de sua associação com a CBS Records.[65] Essa afirmação é contestada por Mick Wall, autor da biografia do Led Zeppelin em When Giants Walked the Earth.

Algumas versões cassetes do álbum inverteram a ordem dos lados. Para estas versões, o lado A começa com "Your Time Is Gonna Come" e termina com "How Many More Times", enquanto que o lado B começa com "Good Times Bad Times" e termina com "Dazed and Confused".

Desempenho nas paradas e certificações[editar | editar código-fonte]

Desempenho nas paradas[editar | editar código-fonte]

Certificações[editar | editar código-fonte]

País Provedor Vendas Certificação
Canadá CRIA 1,000,000+ Diamond2.png Diamante[76]
França SNEP 100,000+ Gold.png Ouro
Suíça IFPI 15,000+ Gold.png Ouro[77]
Argentina CAPIF 20,000+ Gold.png Ouro
Austrália ARIA 140,000+ Double Platinum.png 2× Platina[78]
Estados Unidos RIAA 8,000,000+ Octuple Platinum.png 8× Platina[79]
Espanha PROMUSICAE 60,000+ Platinum.png Platina[80]
Reino Unido BPI 1,800,000+ Quintuple Platinum.png 5× Platina*[81]
Países Baixos NVPI 25,000+ Gold.png Ouro*

Nota: (*) Somente as vendas remasterizadas.

Créditos[editar | editar código-fonte]

A seguir estão listados os músicos e técnicos envolvidos na gravação e produção de Led Zeppelin:[14]

Led Zeppelin
Adicional

Referências

  1. a b The Definitive 200 Albums (em inglês). Rock and Roll Hall of Fame. eil.com (2007). Página visitada em 26 de maio de 2010.
  2. a b Hall of Fame (em inglês). Grammy. Página visitada em 20 de dezembro de 2012.
  3. a b c d Reddon 2012
  4. Led Zeppelin - Biography (em inglês). Rolling Stone. Página visitada em 06 de janeiro de 2013.
  5. Yorke 1993, p. 65
  6. Davis 1985, pp. 28–29
  7. September 7, 1968 - Gladsaxe, DK Teen-Clubs, Box 45, Egegaard Skole (em inglês). Led Zeppelin. Página visitada em 06 de janeiro de 2013.
  8. Erlewine, Stephen Thomas. Led Zeppelin - Biography (em inglês). All Media Guide. Allmusic. Página visitada em 06 de janeiro de 2013.
  9. David, Fricke. (janeiro 2013). "Entrevista RS: Jimmy Page" (em português). Rolling Stone (76): 50-57 pp.. Londres: Plural Industrial. Página visitada em 04 de julho de 2013.
  10. Led Zeppelin Profiled radio promo CD, 1990
  11. a b Welch 1994, pp. 28, 37
  12. Schulps, Dave (Outubro de 1977). Entrevista com Jimmy Page (em inglês). Trouser Press. IEM. Página visitada em 12 de março de 2013.
  13. Lewis and Pallett 1997, p. 13
  14. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Lewis 1994
  15. Entrevista com Jimmy Page (em inglês). Guitar World (1993). Página visitada em 08 de março de 2013.
  16. Wall 2008, pp. 52
  17. a b c d 1977 Jimmy Page Interview (em inglês). Guitar Player. Modern Guitars (julho 1977). Página visitada em 11 de março de 2013.
  18. “I first met Jimmy on Tolworth Broadway, holding a bag of exotic fish...”, Uncut, Janeiro de 2009, p. 42.
  19. a b c Tolinski, Brad; Di Bendetto, Greg (Janeiro de 1998). "Light and Shade". Guitar World.
  20. a b Gilmore, Mikal. (10 de agosto de 2001). "The Long Shadow of Led Zeppelin" (em inglês). Rolling Stone.
  21. Bream 2010
  22. Wall 2008, pp. 56
  23. Welch 1998, pp. 23
  24. Bream 2010, pp. 47
  25. Davis 1995, pp. 44, 57 64, 190, 225, 277
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  30. Shadwick, Keith. Led Zeppelin 1968-1980: The Story Of A Band And Their Music (continued) (em inglês). Billboard.com. archive.org. Página visitada em 12 de março de 2013.
  31. a b Kot, Greg (20 de agosto de 2001). Led Zeppelin (em inglês). Rolling Stone. Página visitada em 20 de março de 2013.
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]