Lei seca nos Estados Unidos

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Agentes do governo no ato de confiscar e descartar bebidas clandestinas (Chicago, 1921).

Na história dos Estados Unidos, a Lei Seca, também conhecida como The Noble Experiment, caracteriza o período de 1920 a 1933, durante o qual a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente como estipulou a 18°. Aditamento da Constituição dos EUA.[1]

Em um primeiro momento houve um grande apoio à medida, mas depois o comércio e consumo ilegal de bebidas se tornaram corriqueiros, com o governo fazendo vistas grossas. Traficantes e comerciantes ilegais, como Al Capone, em Chicago, montaram grandes esquemas que lucravam com o consumo ilegal. A medida só seria revogada no governo de Franklin Roosevelt.

História[editar | editar código-fonte]

The Drunkard's Progress: Uma litografia de Nathaniel Currier[2] apoiando o Movimento de Temperança. Janeiro de 1846
Al Capone, um dos maiores gângsters dos Estados Unidos, seus crimes eram financiados pelo contrabando de bebidas.

Em maio de 1657, a Corte Geral de Massachusetts tornou ilegal a venda de bebidas de forte teor alcoólico “conhecidas pelos nomes de rum, uísque, vinho, conhaque, etc.”[3]

Em geral, maneiras informais de controle do consumo tanto individual quanto na comunidade ajudaram a manter a expectativa de que o abuso de álcool era inaceitável. "A embriaguez era condenada e punida, mas apenas como um abuso de uma bênção divina. A bebida em si não era considerada culpada, da mesma maneira que não se culpa a comida pelo pecado da gula. Excesso fazia parte de uma indiscrição pessoal."[4] Quando esses controles informais falhavam, havia sempre as medidas legais.

Um dos médicos mais notáveis do século XVIII, Benjamin Rush, argumentou em 1784 que o uso excessivo de álcool era prejudicial à saúde física e psicológica (ele acreditava mais em moderar do que proibir seu consumo). Aparentemente influenciados pelas crenças do doutor Rush, cerca de 200 fazendeiros de uma comunidade em Connecticut formaram a Associação de Temperança em 1789. Associações semelhantes também surgiram na Virgínia em 1800 e Nova Iorque em 1808. Durante a próxima década, outras organizações ligadas ao Movimento de Temperança foram formadas em oito estados, algumas delas tornando-se amplamente disseminadas em seus respectivos estados.

Em 1830, os americanos consumiam uma média de 1,7 garrafa de bebidas destiladas por semana, três vezes mais do que a quantidade consumida em 2010.[5]

A Lei Seca entrou em vigor em 1920, com o objetivo de salvar o país de problemas relacionados à pobreza e violência. A Constituição americana estabeleceu na 18ª emenda, a proibição, a fabricação, o comércio, o transporte, a exportação e a importação de bebidas alcoólicas. Essa lei vigorou por 13 anos.

O efeito causado pela lei foi totalmente contrário do que era esperado, ao invés de acabar com o consumo de álcool, com os problemas sociais, entre outros, a lei gerou a desmoralização das autoridades, o aumento da corrupção, explosões da criminalidade em diversos estados e o enriquecimento das máfias que dominavam o contrabando de bebidas alcoólicas. O ponto de encontro das pessoas que queriam beber eram bares clandestinos localizados no subterrâneo, com o objetivo de não chamar atenção.

Argumentando que a legalização das bebidas geraria mais empregos, elevaria a economia e aumentaria a arrecadação de impostos, os opositores do então presidente norte-americano Franklin Roosevelt, o convenceram a pedir ao Congresso que legalizasse a cerveja. Com isso, em 1933 é revogada a emenda constitucional da lei seca.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. (em inglês) W:en:Eighteenth Amendment to the United States Constitution.
  2. W:en:Nathaniel Currier
  3. Blue, Anthony Dias. The Complete Book of Spirits: A Guide to Their History, Production, and Enjoyment. [S.l.]: HarperCollins, 2004. p. 73. ISBN 0-06-054218-7.
  4. Aaron, Paul, and Musto, David. Temperance and Prohibition in America: An Historical Overview. In: Moore, Mark H., and Gerstein, Dean R. (eds.) Alcohol and Public Policy: Beyond the Shadow of Prohibition. Washington, DC: National Academy Press, 1981. pp. 127-181.
  5. Von Drehle, David. "The Demon Drink", Time, 24 de maio de 2010, pp. 56.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Kingsdale, Jon M. "The 'Poor Man's Club': Social Functions of the Urban Working-Class Saloon," American Quarterly vol. 25 (October, 1973): 472-89.
  • Kyvig; David E. Law, Alcohol, and Order: Perspectives on National Prohibition Greenwood Press, 1985.
  • Mark Lender, editor, Dictionary of American Temperance Biography Greenwood Press, 1984
  • Miron, Jeffrey A. and Jeffrey Zwiebel. “Alcohol Consumption During Prohibition.” American Economic Review 81, no. 2 (1991): 242-247.
  • Miron, Jeffrey A. "Alcohol Prohibition" Eh.Net Encyclopedia (2005) online
  • Moore, L.J. Historical interpretation of the 1920s Klan: the traditional view and the popular revision. Journal of Social History, 1990, 24 (2), 341-358.
  • Sellman; James Clyde. "Social Movements and the Symbolism of Public Demonstrations: The 1874 Women's Crusade and German Resistance in Richmond, Indiana" Journal of Social History. Volume: 32. Issue: 3. 1999. pp 557+.
  • Rumbarger; John J. Profits, Power, and Prohibition: Alcohol Reform and the Industrializing of America, 1800–1930, State University of New York Press, 1989.
  • Sinclair; Andrew. Prohibition: The Era of Excess 1962.
  • Timberlake, James. Prohibition and the Progressive Movement, 1900–1920 Harvard University Press, 1963.
  • Tracy, Sarah W. and Caroline Jean Acker; Altering American Consciousness: The History of Alcohol and Drug Use in the United States, 1800–2000. University of Massachusetts Press, 2004
  • Victor A. Walsh, "'Drowning the Shamrock': Drink, Teetotalism and the Irish Catholics of Gilded-Age Pittsburgh," Journal of American Ethnic History vol. 10, no. 1-2 (Fall 1990-Winter 1991): 60-79.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Behr, Edward. (1996). Prohibition: Thirteen Years That Changed America. New York: Arcade Publishing. ISBN 1-559-70356-3.
  • Burns, Eric. (2003). The Spirits of America: A Social History of Alcohol. Philadelphia: Temple University Press. ISBN 1-592-13214-6.
  • Clark, Norman H. (1976). Deliver Us from Evil: An Interpretation of American Prohibition. New York: Norton. ISBN 0-393-05584-1.
  • Kahn, Gordon, and Al Hirschfeld. (1932, rev. 2003). The Speakeasies of 1932. New York: Glenn Young Books. ISBN 1-557-83518-7.
  • Kobler, John. (1973). Ardent Spirits: The Rise and Fall of Prohibition. New York: G.P. Putnam's Sons. ISBN 0-399-11209-X.
  • Lerner, Michael A. (2007). Dry Manhattan: Prohibition in New York City. Cambridge, MA: Harvard University Press. ISBN 0-674-02432-X.
  • Murdoch, Catherine Gilbert. (1998). Domesticating Drink: Women, Men, and Alcohol in America, 1870-1940. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 0-801-85940-9.
  • Okrent, Daniel. (2010). Last Call: The Rise and Fall of Prohibition. Scribner. ISBN 0743277023
  • Pegram, Thomas R. (1998). Battling Demon Rum: The Struggle for a Dry America, 1800-1933. Chicago: Ivan R. Dee. ISBN 1-566-63208-0.
  • Waters, Harold. (1971). Smugglers of Spirits: Prohibition and the Coast Guard Patrol. New York: Hastings House. ISBN 0-803-86705-0.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]