Leonora Piper

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Leonore E. Piper ou Leonora Piper (Nascida Symonds, Boston, 1859 - 30 de julho de 1950) foi uma das mais notórias médiuns da história do Espiritualismo e da Parapsicologia.[1] [2] [3] [4] Foi provavelmente a personalidade médium mais estudada e uma das mais validadas por cientistas, tendo sido profundamente investigada em vida por quase 25 anos.[1] Milhares de páginas foram publicadas com relatos de suas sessões e análises realizadas por uma diversidade de pesquisadores renomados, mais notoriamente William James e Richard Hodgson.[1] [5] [6] [7] [8] [9]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Leonore E. Piper.

A meninice e a juventude de Leonora Piper foram normais sob todos os sentidos. Era a quarta de seis crianças e foi líder nas brincadeiras e esportes. Na adolescência, aprendeu a costurar. Sempre foi boa aluna. Os pais de Leonora eram profundamente religiosos, membros da Igreja Congregacional. Leonora manteve-se nesta religião até o ano de 1910 quando, durante uma visita à Inglaterra, foi batizada na Igreja da Inglaterra. Seu pai faleceu em conseqüencia de ferimentos adquiridos na Guerra Civil Americana, e sua mãe faleceu de pneumonia, aos 88 anos, em 1925.

Aos 22 anos casou-se com Wiiliam Piper, de Boston. Três anos depois nasceu a primogênita Alta e algum tempo depois a filha Minerva

A este tempo era descrita como pessoa alta, esguia, com uma graça e dignidade difíceis de descrever, de feição grega e com cachos de cabelos dourados, portadora de mediana cultura.

A família nunca fez qualquer objeção às atividades mediúnicas da senhora Piper. O marido sempre esteve muito interessado nos fenômenos provocados por ela. A filha Alta, embora reconheça que foram privadas de muitas horas preciosas da companhia da mãe, recorda-se que apesar de todos os compromissos havia um ritual diário que Leonora Piper jamais deixava de cumprir, que era fazer a prece de boa noite, beijando as filhas e dizendo-lhes: "Deus as abençoe, queridas", antes de entregá-las aos cuidados de uma governanta. Alta Piper transparece sua admiração materna e conta que desde pequena pedia a Deus fazê-la como a "mamãe" quando crescesse.[10]

Aos 8 anos de idade, enquanto brincava no jardim de sua casa, Leonora sentiu um barulho cortante em seu ouvido direito, acompanhado de um som prolongado e sibilante, escutando então as seguintes palavras: "Tia Sara não morreu, mas com você permanece". Assustada, foi então falar com sua mãe sobre o ocorrido, que procurou distraí-la. Dias após, a família recebeu uma carta de um local muito distante, que dizia que a tia Sara (irmã da mãe de Leonora) havia falecido repentinamente na mesma hora e dia em que o fato ocorrera [11] .

Anos mais tarde, já adulta, Leonora casou-se e se mudou para a cidade de Beacon Hill. Sofreu um acidente de trenó, e alguns anos depois nasce sua filha Alta. Leonora ouviu falar de um clarividente, o senhor Cocke, que estaria chamando a atenção de muita gente na cidade, dando diagnósticos médicos corretos e realizando curas. No dia 19 de junho de 1884, Leonora foi visitar o clarividente, acompanhada de seu sogro, a partir de uma sugestão do marido para tentar a cura dos efeitos que o acidente de trenó houvera deixado. Durante a primeira consulta, porém, a sra Piper relatou que durante o momento em que estava escutando seu diagnóstico, por um momento sentiu-se que estava longe do local, passando então a um estado de inconsciência. Dias após o ocorrido, voltou novamente ao local junto de seu sogro. Todos sentaram-se em torno do clarividente, de forma que cada um colocava as mãos na cabeça uns dos outros. Quando o clarividente colocou as mãos sobre Leonora, este alegou que viu uma luz onde surgiram estranhas faces. Ela então saiu da cadeira, pegou um lápis, foi até uma mesa e escreveu rapidamente uma mensagem, que entregou ao senhor Juiz Frost, que morava em Cambridge. Este então lhe disse: "Senhora, sou espiritualista há mais de 30 anos, mas a mensagem que me deu é a mais importante que já recebi. Ela me encorajou a ir em frente, sei agora que meu menino vive". Anos antes, o senhor Frost havia perdido seu filho em trágico a acidente. Antes de falecer, seu filho ficou vários meses inconsciente e não mais reconhecia seus pais. Na mensagem, porém, dizia que "sua cabeça estava tão clara como nunca", reconheceu-o como pai e deu outros detalhes, o que para Frost foi uma prova irrefutável [12] . Logo Piper se notabilizou como uma eminente médium e começou a ser estudada por organizações parapsicológicas norte-americanas e britânicas.[1] [5]

Richard Hodgson.

O cientista da Universidade de Harvard William James foi o primeiro a investigar sistematicamente a mediunidade de Piper e logo se convenceu de que ela realizou atos paranormais.[13] Após dez anos de pesquisa, James definiu sua crença em Piper em uma famosa reflexão: "Se você deseja questionar a lei que todos os corvos são negros, você não precisa mostrar que nenhum corvo o é; é suficiente se você provar que um único corvo seja branco. Meu próprio corvo branco é a Sra. Piper."[14] [1] Ao longo de sua pesquisa, James considerou as seguintes hipóteses sobre ela: primeiro, a possibilidade de fraude, o que ele rejeitou depois de anos de observações cuidadosas; em segundo lugar, a teoria de uma extensão "subliminar" da mente de Piper, o que implicaria a aceitação de um reservatório mundano de informações expressas apenas através de estados de transe; terceiro, a hipótese da telepatia, que também considerou insuficiente para alguns casos; e quarto, a hipótese do espírito, que ele reconheceu como "não só a mais natural, mas a mais simples" embora não apoiada por evidência conclusiva.[15]

Após os estudos iniciais de James, seu amigo advogado e parapsicólogo Richard Hodgson, considerado expert em desmascarar fraudes, assumiu a liderança das investigações sobre Piper. Hodgson chegou até a contratar detetives para seguir a médium, e após anos de estudos sobre ela afirmou que "os comunicantes eram, ao menos em muitos casos, o que eles alegavam ser, isto é, os espíritos sobreviventes de seres humanos previamente encarnados".[1]

Leonora Piper morreu em sua casa no dia 3 de julho de 1950, por uma broncopneumonia. Ela foi enterrada no Mount Pleasant Cemetery, em Massachusetts. [16]

Citações[editar | editar código-fonte]

(...) uma proposição universal pode ser mostrada falsa por um exemplo particular. Se você deseja questionar a lei que todos os corvos são negros, você não precisa mostrar que nenhum corvo o é; é suficiente se você provar que um único corvo seja branco. Meu próprio corvo branco é a Sra. Piper. Nos transes desta médium, não posso resistir à convicção de que surgem conhecimentos os quais ela nunca obteve pelo uso habitual dos seus olhos, ouvidos e sagacidade. Qual a fonte deste conhecimento, eu não sei (...); mas não vejo escapatória de admitir o fato de tal conhecimento. Então, quando eu me volto para o restante das evidências (...) não consigo carregar comigo o viés irreversivelmente negativo da mente científica rigorosa, com sua presunção sobre o que a verdadeira ordem da natureza deve ser.

—Prof. William James[1]

(...) à sra. Piper como uma manifestação de agradecimento do mundo à sua longa vida de serviços e de ajuda ao início de uma difícil ciência.

Sir Oliver Lodge[17]

Referências

  1. a b c d e f g ALMEIDA, Alexander Moreira de. Pesquisa em mediunidade e relação mente-cérebro: revisão das evidências. Rev. psiquiatr. clín. vol.40 no.6 São Paulo 2013.
  2. The Spiritualists, The Passion for the Occult in the Nineteenth and Twentieth Centuries por Ruth Brandon, Alfred A. Knopf, 1983.
  3. Modern Spiritualism (1902) por Frank Podmore. The foremost history of spiritualism. Reimpresso como Mediums of the 19th Century, vols. 1 & 2 University Books, 1963.
  4. Search for the Soul por Milborne Christopher, Thomas Y. Crowell, Publishers, 1979, página 152.
  5. a b Hyslop JH. Science and a future life (Boston): Herbert B. Turner & Co; 1905.
  6. Lodge O. The Survival of Man. New York: Moffat, Yard; 1909.
  7. Hodgson R. A further record of observations of certain phenomena of trance. Proc Soc Psych Res. 1898;13:284-582.
  8. Hodgson R. A record of observations of certain phenomena of trance. Proc Soc Psych Res. 1892;8:1-167.
  9. Sidgwick EM, Mrs Henry. A contribution to the study of the psychology of Mrs. Piper's trance phenomena. Proc Soc Psych Res. 1915;28:1-657.
  10. Os sábios e a sra. Piper, p. 23-24.
  11. Os sábios e a sra. Piper, p. 25.
  12. PIPER, Alta L. - The Life and Work of Mrs. Piper. London, KeaganPaul Trench, Trubner, 1929, 204p.
  13. Gottlieb, Anthony (August 20, 2006). "Raising Spirits". The New York Times. Página visitada em 25/08/2014.
  14. Gardner Murphy, Robert O. Ballou. (1960). William James on Psychical Research. Viking Press. p. 41
  15. Sech Junior A, Freitas SF, Moreira-Almeida A. William James and psychical research: towards a radical science of mind. History Psych.24 , p. 72 (2013)
  16. Edward T. James. Notable American Women: A Biographical Dictionary: Notable American Women, 1607-1950: A Biographical Dictionary. Volume 1. Belknap Press. p. 75. ISBN 978-0674627345
  17. Os Sábios e a Sra. Piper, p.7.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARVALHO, Antonio Cesar Perri de. Os sábios e a sra. Piper: Provas da comunicabilidade dos espíritos. São Paulo, Casa Editora O Clarim, 1986.
  • TYMN, Michael. Resurrecting Leonora Piper: How Science Discovered the Afterlife. Guildford, United Kingdom: White Crow Press, 2013.