Leopold e Loeb

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Bundesarchiv Bild 102-00652, Richard Loeb und Nathan Leopold.jpg

Nathan Freudenthal Leopold, Jr. (19 de dezembro de 190429 de agosto de 1971) e Richard Albert Loeb (11 de junho de 190528 de janeiro de 1936), mais conhecidos como "Leopold e Loeb", foram dois estudantes da Universidade de Chicago que mataram Bobby Frank, de 14 anos de idade, em 1924, e foram sentenciados à prisão perpétua.[1] Eles afirmaram ter matado o garoto apenas pela vontade de cometer um crime perfeito. Quando presos, os dois contrataram Clarence Darrow para ser seu advogado de defesa.

Motivos[editar | editar código-fonte]

Leopold, com 19 anos na época do assassinato, e Loeb com 18, se inspiraram na obra de Friedrich Nietzsche para cometer o crime perfeito, nesse caso sequestro e assassinato.[2] Antes do assassinato, Leopold escreveu para Loeb: "Um superhomen (...) é, em virtude de certas qualidades superiores inerentes a ele, isento das leis comuns que regem os homens. Ele não é responsável por qualquer coisa que ele possa fazer."[3]

Os dois eram bastante inteligentes. Nathan Leopold era superdotado, e falou suas primeiras palavras com quatro meses.[carece de fontes?] Leopold já havia terminado a faculdade, se formando em Phi Beta Kappa e estava cursando Direito na Universidade de Chicago.[2] Ele dizia ter estudado 15 línguas, mas em fato só falava quatro.[4]

Leopold e Loeb apos serem fichados pela Polícia.


Loeb era o mais jovem graduado na história da Universidade de Michigan[2] e planejava cursar Direito na Universidade de Chicago após terminar alguns cursos de pós-graduação.[2] Leopold planeja se transferir para Harvard em Setembro, depois de viajar pela Europa.

Leopold, Loeb e Frank viviam em Kenwood, um rico bairro judeu de Chicago. O pai de Loeb, Albert, começou a sua carreira como advogado e se tornou vice-presidente da Sears and Roebuck. Além da mansão em Kenwood, dois quarteirões da casa de Leopold, a família Loeb tinha uma residência de verão em Charlevoix, Michigan. Richard Loeb era filho de uma mãe católica e de um pai judeu. A família de Frank, originalmente judia, se converteu à ciência cristã.[5]

Leopold e Loeb se conheceram ainda adolescentes na Universidade de Chicago. Os dois se tornaram cúmplices.[6] e começaram a cometer pequenos furtos e crimes, que iam ficando cada vez mais sérios, até culminar num assassinato.[2]

Planejamento[editar | editar código-fonte]

Carta com o pedido de resgate.

Leopold e Loeb gastaram um ano planejando o assassinato.[7] Até que numa quarta feira, mais precisamente no dia 21 de maio de 1924, eles puseram seu plano em prática. Os dois atraíram Frank, vizinho e parente de Loeb, para dentro de um carro. Lá os dois usaram um talhador.[8] Apos isso, Leopold ou Loeb tamparam a boca do menino com uma meia. Frank morreu minutos depois.

Os dois cobriram o corpo e o levaram para uma área remota de Wolf Lake em Hammond, Indiana. Eles retiraram as roupas de Frank e o esconderam perto de uma rodovia. Leopold e Loeb jogaram ácido clorídrico[9] no corpo para dificultar a identificação do corpo. Eles então foram lanchar numa barraca de cachorro quente. Apos o lanche os dois voltaram e levaram o corpo para uma região mais afastada, junto à rodovia estadual, ao norte de Wolf Lake.

Voltando para Chicago, eles ligaram e escreveram um bilhete para a mãe de Frank, dizendo que o filho dela havia sido sequestrado. Os assassinos queimaram algumas roupas usadas no crime e limparam o estofado sujo de sangue do carro que eles alugaram. Os dois passaram a noite jogando cartas.

Todavia, antes da família de Frank pagar o resgate, Tony Minke, um imigrante Polonês, descobriu o corpo.[7] [8] Quando Leopold e Loeb souberam do achado, queimaram outras roupas e destruíram a maquina usada para digitar o pedido de resgate.[7] [8]

Um par de óculos foi encontrado perto do corpo, sendo que as dobradiças dele eram feitas por um mecanismo difícil de ser encontrado. Em Chicago, apenas três pessoas haviam adquirido o mecanismo, e uma delas era Nathan Leopold.[10]

Quando questionado, Leopold disse a policia que os havia perdido enquanto observava pássaros.[11] Loeb disse a policia que estava com Leopold na noite do crime. Segundo eles, os dois haviam saído com o carro de Leopold e passado a noite com duas mulheres desconhecidas, a qual eles deixaram perto de um campo de golfe. Todavia, o carro de Leopold estava no conserto àquela noite, sendo que a mulher do mecânico confirmou que o carro estava na garagem àquela noite.

Durante os interrogatórios, os álibis de Leopold e Loeb caíram. Loeb confessou primeiro, sendo seguido por Leopold.[12] Apesar dos depoimentos terem contribuído para esclarecer o crime, os rapazes se acusaram mutuamente pelo assassinato.[7] [8] Grande parte dos investigadores acreditaram que Loeb deu o golpe que matou Frank.[6] Segundo as confissões, o dinheiro do resgate não era importante, pois a família de ambos dava o que eles precisavam. Eles admitiram que foram guiados pela emoção ao cometer um crime. Quando estavam presos, os dois deram diversas entrevistas a imprensa contando detalhes do assassinato.

Julgamento[editar | editar código-fonte]

Clarence Darrow, advogado de defesa.

O julgamento se tornou um espetáculo na mídia. Realizado na Courthouse Place, foi um dos primeiros casos nos EUA a ser apelidado de "julgamento do século".[13] A família de Loeb contratou Clarence Darrow, de 67 anos,conhecido por defender seqüestradores e assassinos.[14] Enquanto a mídia esperava que Leopold e Loeb alegassem insanidade mental, Darrow surpreendeu a todos quando os dois se declararam culpados. Dessa forma ele evitou um júri popular , que ele acreditava que poderia condenar seus dois clientes à pena de morte.[14] Em vez disso, ele pôde montar o caso de seus clientes em frente a apenas uma pessoa, o juiz do Condado de Cook, John R. Caverly.

Durante as doze horas do último dia de julgamento, fez uma declaração, considerada a melhor de sua carreira. O discurso incluía: "Esse terrível crime era inerente a esses garotos, que se originou no passado … devemos culpar alguém que tomou os ensinamentos de Nietzsche em sua vida? … devemos realmente condenar um garoto de 19 anos pela filosofia que foi obrigado a absorver na faculdade?"[15] O juiz sentenciou Leopold e Loeb a prisão perpétua por assassinato, adicionados 99 anos pelo sequestro.[14]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Robert Frank junto de seu pai.

Na prisão, Leopold e Loeb começaram a dar aulas para os outros presos na escola da penitenciaria.[16] Em 28 de janeiro de 1936, Loeb foi atacado por James E. Day com uma navalha no vestiário da prisão, morrendo dos ferimentos.[2] [16] Segundo Day, ele matou Loeb por que ele havia tentado abusar sexualmente dele, embora isso nunca tenha sido provado. Todavia um inquérito foi feito, e as autoridades da prisão concluíram que Day agiu em legitima defesa.[2] [16] Sobre o caso,o jornalista Ed Lahey escreveu para o Chicago Daily News: "Richard Loeb, apesar de sua erudição, no dia de hoje terminou sua vida com uma preposição…"[17] [18] Em 1944, Leopold esteve na Penitenciária de estudos da Malária de Stateville ,onde foi voluntário para ser infectado com malária.[19] Nos idos de 1958, após 33 anos de prisão, Leopold recebeu condicional.[2] [4] Naquele ano ele escreveu uma autobiografia intitulada Life Plus 99 Years.[2] [4] [20] Leopold se mudou para Puerto Rico e se casou com uma florista.[2] [4] Ele era conhecido como "Nate" pelos vizinhos e pelos colegas de trabalho no Castañer General Hospital em Castañer, Porto Rico, onde trabalhava num laboratório.[21]

Ele até planejou escrever um outro livro, intitulado Snatch for a Halo, sobre sua vida na prisão, coisa que nunca fez. Tempos depois ele tentou bloquear o filme Compulsion, alegando invasão de privacidade e difamação ganhando dinheiro em cima da sua imagem.[21]

Ele morreu de ataque do coração, agravado por sua diabetes em 29 de agosto de 1971 com 66 anos.[2] [4] Ele doou seus órgãos.[2]

Impacto[editar | editar código-fonte]

Leopold e Loeb foram inspiração para diversos filmes e peças teatrais.No ano de 1929 foi feita a peça Rope por Patrick Hamilton, que inspirou o filme de Alfred Hitchcock. Em 1956, Meyer Levin reviveu o crime em um livro chamado Compulsion, em uma versão dramatizada do caso, mudando o nome dos personagens para "Steiner and Strauss." Três anos depois,o livro virou filme. A peça Never the Sinner, foi criada por John Logan e encenada em 1988.

Outras obras foram inspiradas no crime, como o filme de Tom Kalin, Swoon de 1992, com certas insinuações gays do caso. O filme de Michael Haneke, Funny Games de 1997 e refilmado em 2008 foram inspirados em Leopold e Loeb.

Nathan Leopold aparece como personagem na peça de Nicky Silver, The Agony & The Agony.

O crime também inspirou episódios da série de TV Law & Order. além de ser citado em um episódio da série Seinfeld.

Leopold e Loeb também são tema de uma graphic novel, feita por Daniel Clowes em 2005 chamada Ice Haven.

Referências

  1. Homicide in Chicago 1924 Leopold & Loeb. Página visitada em 26 de março de 2008.
  2. a b c d e f g h i j k l The Leopold and Loeb Trial:A Brief Account by Douglas O. Linder. 1997. Página visitada em 11 de abril de 2007.
  3. Simon Baatz, For the Thrill of It. New York: Harper, 2008.
  4. a b c d e Freedom by Marilyn Bardsley. Crime Library - Courtroom Television Network, LLC. Página visitada em 11 de abril de 2007.
  5. Crime Library – Bobby Franks. Página visitada em 26 de março de 2008.
  6. a b Leopold and Loeb's Perfect Crime by Denise Noe. Página visitada em 4 de novembro de 2007.
  7. a b c d Statement of Nathan F. Leopold Northwestern University. Página visitada em 30 de outubro de 2007.
  8. a b c d Statement of Richard Loeb Northwestern University. Página visitada em 30 de outubro de 2007.
  9. Crime Library – Enter Clarence Darrow.. Página visitada em 26 de março de 2008.
  10. The Glasses: The Key Link to Leopold and Loeb UMKC Law. Página visitada em 11 de abril de 2007.
  11. Chicago Daily News, 2 June 1924
  12. Chicago Daily News, 10 September 1924, pg. 3
  13. JURIST - The Trial of Leopold and Loeb, Prof. Douglas Linder. Página visitada em 1 de novembro de 2007.
  14. a b c Gilbert Geis and Leigh B. Bienen, Crimes of the Century (Boston, 1998).
  15. John Thomas Scopes, World's greatest court trial. Cincinnati : National Book Co., 1925, pp. 178-179, 182.
  16. a b c Life & Death In Prison by Marilyn Bardsley. Crime Library - Courtroom Television Network, LLC. Página visitada em 11 de abril de 2007.
  17. Dr. Ink (23 de agosto de 2002). Ask Dr. Ink. Poynter Online.
  18. Murray, Jesse George. The madhouse on Madison Street,. [S.l.]: Follett Pub. Co, 1965. p. 344.
  19. Leopold, Nathan F., Jr. Life Plus 99 Years. Lowe and Brydone (Printers) Limited, 1958.
  20. Life Plus 99 Years. Intro. By Erle Stanley Gardner, by Leopold, Nathan Freudenthal. Publisher: Garden City, N.Y., Doubleday, 1958.
  21. a b e-mailed comment at www.law.umkc.edu.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]