Letramento

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal A Wikipédia possui o portal:

Designa-se por letramento (português brasileiro) ou literacia (português europeu) o resultado da ação de ensinar a ler e escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita [1] .

Surge um novo sentido para o adjetivo letrado, que significava apenas “que, ou o que é versado em letras ou literatura; literato” [2] , e que agora passa a caracterizar o indivíduo que domina a leitura, ou seja, que não só sabe ler e escrever (atributo daquele que é alfabetizado), mas também faz uso competente e freqüente da leitura e da escrita. Fala-se no letramento como ampliação do sentido de alfabetização e como prática social que favorece aos sujeitos interpretar os discursos veiculados socialmente.

O nível de letramento é determinado pela variedade de gêneros de textos escritos que a criança ou adulto reconhece. Segundo essa corrente, a criança que vive em um ambiente em que se leem livros, jornais, revistas, bulas de remédios, receitas culinárias e outros tipos de literatura (ou em que se conversa sobre o que se leu, em que uns lêem para os outros em voz alta, leem para a criança enriquecendo com gestos e ilustrações), o nível de letramento será superior ao de uma criança cujos pais não são alfabetizados, nem outras pessoas de seu convívio cotidiano lhe favoreçam a atuação na sociedade grafo-cêntrica.

Por indicar uma vasta gama de práticas sociais no âmbito da cultura escrita, o conceito letramento vem sendo acompanhado por adjetivos que buscam delimitar cada uma de suas dimensões, sendo possível encontrar estudos sobre letramento matemático, literário, musical, científico, etc. Tal diversidade vem sendo objeto de vários estudos, como os desenvolvidos por Rojo (2012) - Multi-letramento na escola. São Paulo: Parábola, 2012.

Estudiosos afirmam que são muitos os fatores que interferem na aprendizagem da língua escrita, porém estudos recentes incluem entre estes fatores o nível de letramento. Paulo Freire afirma que "na verdade, o domínio sobre os signos linguísticos escritos, mesmo pela criança que se alfabetiza, pressupõe uma experiência social que o precede – a da 'leitura' do mundo [3] , que aqui chamamos de letramento.

E atualmente, o ensino passa por uma revisão, haja vista que as pesquisa Provinha Brasil tem comprovado que embora escolarizada, um volume considerável de estudantes apresenta grau insatisfatório de letramento. Ela(e) lê o que está escrito, mas não consegue compreender, interpretar o que leu e isso pode acarretar algumas limitações, pois se ele não interpreta ou compreende corretamente, ele poderá ter dificuldades de aprendizagem em diferentes disciplinas escolares. De acordo com Freire (1989, p. 58-9), “(...) o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo é expressão da forma de estar sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não apenas sabem mas sabem que sabem.”[4]

Sendo assim, o professor tem um primordial papel no sentido de transformar esta pessoa alfabetizada, em uma pessoa letrada e isso se dá através de incentivos variados, no que diz respeito à leitura de diversas tipologias textuais e também utilizando-se de exercícios de interpretação e compreensão de diferentes tipos de textos, em que vários tipos de ferramentas podem ser utilizados. Podem ser usados materiais mais convencionais como livros, revistas, jornais, entre outros e materiais mais modernos como Internet, blogs, e-mails, etc. Também existem muitos jogos, materiais lúdicos e brincadeiras que incorporam a leitura e tornam o aprendizado mais natural e um pouco mais instintivo - principalmente por parte das crianças.[5]

Portanto, mais importante que decodificar símbolos (letras e palavras), é preciso compreender a funcionalidade da linguagem em suas representações oral e escrita, pois é assim que o sujeito exerce sua cidadania e tem mais oportunidades de agir no mundo de forma autônomo e crítica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2003.
  2. LETRADO. In: MICHAELIS Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Disponível em <http://michaelis.uol.com.br/>. Acesso em: 07 mar. 2008.
  3. (Cartas a Guiné-Bissau: Registros de uma experiência em processo. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 4a. ed., 1984))
  4. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.
  5. Educar para Crescer - Guia da Alfabetização. Disponível em <http://educarparacrescer.abril.com.br/alfabetizacao/1/>. Acesso em: 20 de maio de 2013

Nuvola apps kdmconfig.pngCampos de estudo da Educação
Administração escolar | Arte-educação | Biologia educacional | Distúrbios da aprendizagem | Educação de adultos | Educação inclusiva | Educação popular | Filosofia da educação | Medidas educacionais | Metodologias de ensino | Necessidades educativas especiais | Orientação educacional | Pedagogia | Politicas educacionais | Psicologia da aprendizagem | Psicopedagogia | Sociologia da educação | Supervisão do ensino | Tecnologias educacionais | Psicologia do desenvolvimento | Teorias da aprendizagem
Ensino por tema: Alfabetização | Educação sexual | Educação matemática | Ensino da língua materna
Níveis de ensino: Educação infantil | Ensino fundamental | Educação especial | Ensino médio | Ensino superior
Rankings internacionais: Índice de alfabetização | Programa Internacional de Avaliação de Alunos | Índice de educação