Lewis Hine

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Autorretrato de Lewis Hine por volta de 1930

Lewis Wickes Hine (Oshkosh, Wisconsin, 26 de setembro de 1874Hastings-on-Hudson, Nova York, 3 de novembro de 1940), foi um fotógrafo e sociólogo estadunidense pioneiro da fotografia documental e importante figura da mudança na legislação de trabalho infantil nos Estados Unidos, com mais de 5 mil fotografias sob a guarda da Biblioteca do Congresso.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou Sociologia em Chicago e Nova York entre 1900 e 1907 antes de trabalhar na Ethical Culture Fieldston School.

Comprou sua primeira câmera fotográfica em 1903, dedicando-se à fotografia a partir de 1905 a fim de divulgar a miséria que presenciava em Nova York. Em 1908, publicou Charities and the Commons, uma coleção de fotografias de cortiços e fábricas. Para Hine, "a imigração aos Estados Unidos não ofereceu a chance de se ver o país abrigando os famintos da Europa, antes, ofereceu a oportunidade de ver como milhões terminaram vivendo marginalizados em cortiços superpovoados, ganhando pequenos salários".[2]

Comissionado pelo Cômite Nacional do Trabalho Infantil (NCLC) em 1908 para auxiliar na difusão da sua mensagem, trabalhou como fotógrafo investigativo até 1924[3] . Durante esse período, viajou pelo país documentando as condições de trabalho em diversos tipos de indústrias[4] e publicou os livros Child Labor in the Carolinas e Day Laborers Before Their Time, ambos em 1909.[5]

Em 1916, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o Ato Keating-Owen[6] [nota 1] e Owen Lovejoy, o presidente do NCLC escreveu que "o trabalho que Hine fez para essa reforma foi mais responsável por isso que todos os outros esforços para trazer essa necessidade à atenção pública."[7]

"Power house mechanic working on steam pump," 1920

Os donos das fábricas às vezes não permitiam que Hine fotografasse e acusavam-no de investigar e expor suas fotos. Pra ter acesso, Hine escondia sua câmera e fingia ser um inspetor de incêndio. Assim, capturava fotos reveladoras sobre o verdadeiro funcionamento de tantas fábricas dispostas por todo o território dos Estados Unidos. Hine disse em uma audiência: "Talvez vocês estejam cansados de fotos de trabalho infantil. Bem, nós também estamos, mas nós propomos fazer vocês e o resto do país ficar tão enjoados desse trabalho que quando a hora (de lutar) chegar, o trabalho infantil será apenas registros do passado."

Após o sucesso de sua campanha contra o trabalho infantil, Hine trabalhou para a Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra. Isso o levou à Europa, onde fotografou as condições de vida dos franceses e belgas, que sofriam com os impactos da Guerra.

Nos anos 1920, Hine apoiou uma campanha de estabelecimento de leis mais seguras para trabalhadores. Hine escreveu mais tarde: "Eu queria fazer algo positivo. Então disse a mim mesmo, ‘Por que não fotografar o trabalhador trabalhando? O homem no trabalho? Na época eles eram tão desprivilegiados quanto as crianças’".

Em 1930-31 registrou a construção do Empire State Building que mais tarde foi publicado em um livro, "Men at Work" (Homens no trabalho) (1932). Nos anos 1930 os jornais já veiculavam fotografias e havia o interesse crescente por temas sociais. Após isso, a Cruz Vermelha mandou que fotografasse as consequências da seca em Arkansas e Kentucky. Ele foi também contratado pelo Tennessee Valley Authority (Autoridade do Vale do Tenessee) (TVA) pra registrar o prédio das represas.

Hine tinha dificuldade pra ganhar dinheiro a partir de suas fotografias. Em Janeiro de 1940, perdeu sua casa após deixar de pagar o "Home Owners Loan Corporation" (Corporação de Empréstimos pra Proprietários de Casas). Lewis Wickes Hine morreu extremamente pobre 11 meses depois, no dia 3 de Novembro de 1940.

Mesmo que fosse tão comum haver tanta injustiça social, mesmo que a maioria das pessoas estivessem acostumadas com esses problemas, e mesmo que até os próprios operários estivessem à vontade em tal situação, dado o contexto, o fotógrafo tinha a intenção de fazer uma denúncia social. Caso a foto seja do próprio Lewis Hine, essa intenção tornava-se explícita, principalmente sabendo que Hine dedicou sua vida às causas sociais por quais se sensibilizava.

Lewis Hine usava de sua esperteza para invadir fábricas de forma sutil. Para poder fotografar, inventava uma desculpa para entrevistar as crianças. Escondia em um dos bolsos a câmera e fingia tomar notas com um bloquinho. Suas fotos não admitiam artifício ou trapaça alguma. O processo era natural e o resultado deveria representar fielmente a realidade que havia visto. Os dados estatísticos obtidos e exposições fotográficas foram usados como armas para sensibilizar a opinião pública norte-americana.

Lewis Hine é tido como um dos mestres da fotografia americana. O reconhecimento veio muito tempo depois de sua morte. Assim como as crianças que fotografou, Hine morreu sem reconhecimento.

Lewis Hine e a fotografia[editar | editar código-fonte]

Hine passou grande parte da sua vida registrando cenas que para a sociedade atual seriam inaceitáveis. O contexto daquela época (anos 1910, 20) carregava consigo uma série de injustiças, especialmente no que dizia respeito aos imigrantes e às crianças. Trabalhavam em condições terríveis e não eram bem recompensados, e visto por Hine isso deveria mudar de uma vez por todas.

Suas fotos passavam grandes significados. Ele capturava expressões nos rostos dos trabalhadores que traduziam a realidade daquelas pessoas de maneira transparente. Dizia: "Se eu pudesse contar uma história com palavras, não precisaria andar com uma câmara".

Fazia uso de lentes normais, pelo seu pequeno porte, pra que não chamasse atenção, especialmente quando fotografava vários meninos e meninas juntos. Os planos variavam entre plano aberto, quando desejava contextualizar seus objetos de fotografia, plano médio, para fotos em conjunto enfocando os rostos de seus objetos, e plano próximo, para fotos individuais.

A maioria de suas fotos era frontal, uma vez que seu grande objetivo era capturar a expressão nos rostos dos trabalhadores, mas também usava ângulos diferentes pra criar uma perspectiva mais interessante (como mostrar a máquina e assim deixar claro qual era a função de certa pessoa). Ao fotografar, achava importante estar sempre no nível de quem fotografava (percebe-se que há grande simetria, nunca há chão demais nem teto demais, só quando necessário para a composição, e seus "modelos" eram centralizados com precisão).

Cenas de trabalho infantil, registrado em 1913

Pelo que podemos perceber em seu trabalho, não havia manipulação, até porque essa era uma de suas crenças (também uma regra). Para ele, a imagem só tinha credibilidade quando não havia sequer um tipo de manipulação, seja na cor, no contraste, ou o que fosse. Ao referir-se sobre suas fotografia usava a palavra "crua", que é auto-explicativa.

Ao compor a foto, Hine era muito cuidadoso. Apesar da vontade de ser discreto, enquadrava as máquinas de maneira sutil, para que mesmo quando desfocadas (pois o foco estaria sempre nos trabalhadores) as máquinas parecessem nítidas e descrevessem o lugar onde sua câmera, ou melhor, lentes, congelavam com sentimento de justiça seu objeto de estudo e trabalho.

Durante sua existência, caminhou por grande parte dos Estados Unidos da América fotografando pessoas, e o fazia por elas, para denunciar algo que o incomodava de maneira tal que dedicou sua vida a isso. Suas fotos contribuíram para que leis de proteção aos jovens fossem criadas, e que houvesse melhoria nas condições de trabalho para o resto dos cidadãos (os que também viviam em um regime de "semi-escravidão").

A nobreza de Hine garantiu que, naquele país que viria futuramente ser uma potência mundial, crianças não fossem mais exploradas em favor do lucro, nem imigrantes trabalhassem por menos e em condições perigosas, e assim essas injustiças passassem a ser apenas fotografias de uma história americana, e exemplo para o resto do mundo.

Notas

  1. O Ato proibia o comércio interestadual de bens produzidos por fábricas que empregavam crianças menores de quatorze anos, por minas que empregavam crianças menores de dezesseis anos, e qualquer local onde as crianças menores de dezesseis anos trabalhassem durante a noite ou mais de oito horas por dia.

Referências

  1. Alexandre Belém (21 de Junho de 2011). Lewis Hine Veja. Visitado em 13 de Novembro de 2014.
  2. Busselle, Michael. Tudo sobre Fotografia. 11ª Reimpressão da 1ª. ed. [S.l.]: Circulo do Livro SA, 1979. p. 167.
  3. National Child Labor Committee Collection Library of Congress. Visitado em 12 de Novembro de 2014.
  4. Photographs of Lewis Hine: Documentation of Child Labor National Archives. Visitado em 12 de Novembro de 2014.
  5. Lewis W. Hine Encyclopædia Britannica. Visitado em 21 de Novembro de 2014.
  6. Keating Owen Child Labor Act, 1916 Classbrain (11 de Agosto de 2006). Visitado em 21 de Novembro de 2014.
  7. Lewis Hine Spartacus Educational. Visitado em 21 de Novembro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]