Liberdade positiva

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Liberdade positiva é definida como ter o poder e os recursos para cumprir suas próprias potencialidades e para controlar e determinar suas próprias ações e destino. É a noção de liberdade como auto-realização, em oposição a liberdade negativa, que é a liberdade de contenção externa. [1] O conceito de liberdade positiva também pode incluir a liberdade de constrangimentos internos.[2]

Os conceitos de estrutura são fundamentais para o conceito de liberdade positiva, porque, para ser livre, uma pessoa deve ser livre de inibições da estrutura social na realização do seu livre arbítrio. Estruturalmente falando classismo, sexismo e racismo podem inibir a liberdade de uma pessoa. Liberdade positiva é reforçada pela capacidade dos cidadãos de participar de seu governo e ter seus interesses e preocupações reconhecidos como válidos e postos em prática.

Liberdade positiva e liberdade negativa[editar | editar código-fonte]

Apesar de estar fora da prisão é uma condição necessária para a liberdade negativa, isto é insuficiente para garantir a liberdade positiva

Apesar do ensaio "Dois conceitos de liberdade", editado em 1958, pelo filósofo e historiador Isaiah Berlin ser geralmente reconhecido como o primeiro a mostrar explicitamente a distinção entre a liberdade positiva e a negativa, a Escola Psicanalista de Frankfurt e o filósofo humanista Erich Fromm estabeleceram uma distinção semelhante entre liberdade negativa e positiva em "O Medo da Liberdade" (1941), antecedendo o ensaio de Berlim por mais de uma década.

A diferença entre os dois tipos de liberdade foi brilhantemente exposto por Berlin, que argumentou que eles são compatíveis, mas podem e frequentemente estão em conflito. Ele também argumentou que, historicamente, a utopia de liberdade positiva, especialmente em regimes caracterizados por totalitarismo, tem sido freqüentemente usada como uma desculpa para suprimir as liberdades negativas dos cidadãos.

Termos de liberdade positiva[editar | editar código-fonte]

O desejo do indivíduo de ser seu próprio mestre requer um alto grau de maturidade e auto-conhecimento e a existência de uma vontade autônoma do indivíduo. Alguns pensadores são céticos quanto a possibilidade da liberdade positiva, como o mesmo Isaiah Berlin questionou a existência de um tal poder, ou a possibilidade de um alto grau de auto-conhecimento. Porém outros pensadores liberais, incluindo alguns discípulos de Berlim, como John N. Gray, defenderam a compatibilidade das liberdades positivas e negativas.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

A palavra liberdade pode se referir a muitas coisas, mas Isaiah Berlin reconheceu os dois tipos principais de liberdade. Berlin descreveu uma declaração como "Eu não sou escravo de nenhum homem" como uma das liberdade negativa, isto é, livre de interferência direta de um outro indivíduo. Em contraste uma declaração de liberdade positiva seria "Eu sou o meu próprio patrão", que reivindica a liberdade de escolher uma de atividades próprias da vida.[2]

Charles Taylor forneceu um esclarecimento ainda mais útil. Taylor explica que a liberdade negativa é uma "oportunidade-conceito": um possui liberdade negativa se não é escravizado por forças externas, e tem acesso igual aos recursos de uma sociedade (independentemente de como se decide passar seu tempo). Liberdade positiva, diz Taylor, é um "exercício-conceito": possuir isso deve significar que a pessoa não está internamente constrangida, é preciso ser capaz de agir de acordo com a razão.[2] De acordo com um exemplo de Taylor: Um ator rico e poderoso é um viciado em drogas, este ator pode possuir uma grande quantidade de liberdade negativa devido o seu poder e prestigio mas muito pouco liberdade positiva.

Lembrando que, pelas definições de Taylor, a liberdade positiva implica estar em um estado "maduro" de tomada de decisão, livre de restrições internas (por exemplo, fraqueza, ignorância, medo, etc.).[2]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Isaiah Berlin: Four Essays on Liberty
  • Isaiah Berlin: Freedom and its Betrayal

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Berlin, Isaiah. Four Essays on Liberty. 1969.
  2. a b c d Taylor, C. "What's Wrong with Negative Liberty" 1985. Law and Morality. 3rd ed. Ed. David Dyzenhaus, Sophia Reibetanz Moreau and Arthur Ripstein. Toronto: University of Toronto Press, 2008. 359-368.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]