Ligas camponesas

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As ligas camponesas eram organizações dos camponeses do Brasil que começaram ser formadas pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1946. Estas foram reprimidas nos anos seguintes. Suas origens são geralmente confundidas com outro movimentos de camponeses que se espalhou pelo sertão pernambucano após a formação em 1954 de uma sociedade mútua das famílias de moradores no Engenho Galiléia no estado de Pernambuco. O principal objetivo de ambas as "ligas" era lutar pelo melhoramento das condições de vida dos camponeses e por políticas públicas de reforma agrária. O mais conhecido líder do primeiro período foi Gregório Lourenço Bezerra e do segundo Francisco Julião Arruda de Paula.

Foi um dos movimento mais importantes em prol da reforma agrária no Brasil até o Golpe de 1964

História[editar | editar código-fonte]

As Ligas têm suas origens no período de re-democratização iniciada nas vésperas do fim da II Guerra Mundial em 1945. Com a iniciativa do PCB, gozando o primeiro momento de liberdade de sua existência, foram estabelecidas em vários municípios dezenas de Ligas Camponesas entre os trabalhadores rurais de todo tipo (pequenos agricultores familiares, parceiros, sem-terras, assalariados e diaristas) com dois objetivo. O primeiro foi de aumentar as fileiras do PCB entre os eleitores, que o parido ajudou a registrar entre os camponeses através das ligas. O segundo foi de identificar os interesses da classe e organizar a luta ao seu favor. Até mesmo antes da cassação do mandato do Partido Comunista em 1947 essas ligas foram aos poucos reprimidas pelas autoridades.[1]

Em 1954 o segundo período de existência começou com a formação no engenho Galiléia, na cidade de Vitória de Santo Antão, a Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP). Ela teve três fins específicos:

  • auxiliar os camponeses com despesas funerárias — evitando que os falecidos fossem literalmente despejados em covas de indigentes ("caixão emprestado");
  • prestar assistência médica, jurídica e educacional aos camponeses;
  • formar uma cooperativa de crédito capaz de livrar aos poucos o camponês do domínio do latifundiário.

No engenho Galiléia trabalhavam cerca de 140 famílias de camponeses em regime de foro: em troca de cultivar a terra, deviam pagar uma quantidade fixa em espécie ao proprietário da terra. É importante frisar que esse engenho já se encontrava em "fogo morto", ou seja, inadequado para plantio de cana-de-açúcar.

A SAPPP, a princípio, aceita o apoio do proprietário do Galiléia e o convida para assumir a presidência da sociedade. Advertido, entretanto, por outro proprietário da região, de que o movimento era proposta comunista que teria finalidade política, o proprietário do engenho ordena que seja desfeito imediatamente a SAPPP, ameaçando os foreiros de expulsão e até de aumentar o valor do foro. Os camponeses decidem resistir, mas sabiam que isolados no campo não conseguiriam resistir por muito tempo. Resolveram, então, buscar apoio na cidade, encontrando na figura do advogado Francisco Julião o apoio e o respaldo jurídico que tanto precisavam.

Francisco Julião (que já havia se pronunciado a favor dos camponeses), institucionalizou a associação. No dia 1 de janeiro de 1955 a SAPPP passou a funcionar legalmente.

A imprensa rapidamente chamou a SAPPP de "liga", em associação ao movimento antigo do PCB.[2] Em 1959 a SAPPP conseguiu a desapropriação do engenho. Enquanto isso, o movimento espalhava-se pelo interior do estado, e a vitória dos galileus estimulou bastante as lideranças camponesas a sonhar com uma reforma agrária. No início da década de 1960, as ligas já se espalhavam por vários estados no nordeste brasileiro, atingindo repercussão nacional e internacional no contexto da Revolução Cubana, realizada em 1959.[3]

Porém, com a instalação do regime militar em 1964 a reforma agrária foi implementada de maneira contrária do modelo procurado pelos movimentos da época, pois as principais lideranças do PCB e das ligas foram presas ou fugidas e as Ligas Camponesas de Julião deixaram de existir.

Referências

  1. Welch, C.A., "Movimento sociais no campo até o golpe militar de 1964: a literatura sobre as lutas e resistências dos trabalhadores do campo do século XX," Lutas e Resistências, 1, setembro 2006: 60-75.
  2. Julião, F. "Que são as Ligas Camponesas?" (1962) em Welch, C.A. et al, Camponeses brasileiros: Leituras e interpretações clássicos, vol. 1, Coleção História Social do Campesinato no Brasil. São Paulo: Edunesp, 2009: 271-297.
  3. Montenegro, A.T., "Ligas camponesas e sindicatos rurais em tempo de revolução" em Ferreira, J.; Delgado, L.A.N., orgs., O Brasil Republicano: O tempo da experiência democrática (1945-1964), vol. 3, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2003. p. 241-271.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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