Ligier

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Ligier
Nome completo Ligier Sport S.A.
Sede Vichy (1976-1988),  França
Magny-Cours (1989-1996),  França
Chefe de equipe França Guy Ligier
Diretor técnico Reino Unido Frank Dernie
França Gérard Ducarouge
Pilotos
Pilotos de teste
Chassis
Motor Matra, Ford, Renault, Megatron, Judd, Lamborghini e Mugen-Honda
Pneus Goodyear, Michelin e Pirelli
Histórico na Fórmula 1
Estréia Brasil GP do Brasil, 1976
Último GP Japão GP do Japão, 1996
Corridas concluídas 326 (322 largadas)
Campeã de construtores 0 (2° lugar em 1980
Campeã de pilotos 0
Vitórias 9
Pole Position 9
Voltas rápidas 9
Pontos 388
Posição no último campeonato
(1996)
6º (15 pontos)
Motor Cosworth, 1979.

Ligier Sport S.A. foi uma equipe automobilística francesa, participante do "circo" da Fórmula 1 entre 1976 e 1996.

Fundada em 1969 pelo ex-piloto, dirigente e construtor de carros Guy Ligier, que emprestou seu sobrenome à equipe.

Com resultados medianos na categoria, a Ligier teve como seu melhor resultado um vice-campeonato de construtores em 1980. Uma conhecida característica da escuderia era sua tradicional pintura azul em seus carros (cor usada pelo automobilismo francês) qualquer fosse a sua situação financeira, o que gerou uma grande simpatia pelos torcedores e imprensa franceses. A outra foi o patrocínio dos cigarros Gitanes.

Em meados de 1994 e 1995, a equipe passou pelo controle de vários acionistas, e finalmente em janeiro de 1997 foi vendida para o ex-piloto e tetracampeão mundial da Fórmula 1, Alain Prost, que rebatizou a escuderia com o nome de Prost Grand Prix, encerrando, assim, a história e a passagem da Ligier pela Fórmula 1.

Depois de enfrentar dificuldades com a crise do petróleo nos anos 70, a empresa foi comprada pelo grupo italiano Piaggio.

História na F-1[editar | editar código-fonte]

1976: estreia na categoria[editar | editar código-fonte]

Em 1976, o ex-piloto Guy Ligier retorna à Fórmula 1 como dono de sua própria equipe. O primeiro carro, batizado JS5, teve apenas Jacques Laffite como piloto, que lá iniciaria uma longa relação pela equipe. No final, a Ligier conquista o quinto lugar, com vinte pontos, tendo como melhor resultado um segundo lugar no GP da Áustria.

1977-78: pequena queda de rendimento[editar | editar código-fonte]

Depois do bom início das atividades, a Ligier segue com Laffite, e contratra outro francês, Jean-Pierre Jarier, já no fim da temporada. Ao final, o time azul conquista o oitavo lugar, com 18 pontos. Em 1978, a Ligier dispensa Jarier e continua com Laffite, que marca 19 pontos e garante a equipe em sexto lugar na classificação.

1979: favoritismo no início e queda no final[editar | editar código-fonte]

O JS11/15 no Festival de Velocidade de Goodwood, em 2008.

Em 1979, tudo conspiraria a favor da Ligier. Equipada com os bons motores Ford, a equipe mantém Laffite pelo terceiro ano seguido, e contrata mais um francês, Patrick Depailler, mas este se acidenta e dá lugar ao belga Jacky Ickx, primeiro não-francês a guiar um carro da equipe. Entretanto, o já experiente piloto continuaria sendo a grande liderança da Ligier, conquistando duas vitórias, somando seis pódios, contra dois de Depailler e nenhum de Ickx, que se aposentou no fim do ano. Ao fim, a Ligier conquistou o terceiro lugar, com 61 pontos.

1980: o grande ano[editar | editar código-fonte]

O Ligier JS11 no Festival de Velocidade de Goodwood, em 2008.

1980 foi o melhor ano da história da Ligier. Mais uma vez, Laffite continua como principal piloto da equipe, tendo a seu lado mais um francês, Didier Pironi. Ambos conquistam dez pódios (cinco para Pironi e outros cinco para Laffite), e o grandioso vice-campeonato de construtores, com 66 pontos.

1981-82: nova queda[editar | editar código-fonte]

Em 1981, Laffite permanece pelo sexto ano seguido na Ligier, tendo três companheiros de time: Jarier (repatriado), Jean-Pierre Jabouille e Patrick Tambay, todos franceses. Jacques conquista a última vitória de sua carreira no GP da Áustria, mas a Ligier não repete o mesmo desempenho de 1980, e fica em quarto lugar. Pior foi em 1982: Laffite, aos 37 anos, passa a ter ao seu lado o ítalo-americano Eddie Cheever, mas eles não fizeram boa temporada e a Ligier a conclui em oitavo lugar com apenas 20 pontos.

1983-84: passagem de De Cesaris pelo time[editar | editar código-fonte]

Andrea De Cesaris conduz o JS23 no Grande Prêmio de Dallas, em 1984.

Em 1983, Laffite, principal piloto da equipe, é contratado pela Williams, e Jarier retorna ao time, tendo ao seu lado o brasileiro Raul Boesel. Entretanto, ambos, vitimados ora por abandonos, ora por não-classificações, não impedem a Ligier terminar um campeonato zerada pela primeira vez em sua história. Em 1984, mais um francês, François Hesnault, vêm acompanhado do italiano Andrea De Cesaris, que impede a segunda temporada seguida no zero: foram três pontos, conquistados por De Cesaris, que permaneceria no ano seguinte.

1985: a demissão de De Cesaris e a volta de Laffite[editar | editar código-fonte]

Em 1985, a Ligier recontrata Laffite, vindo de uma malsucedida temporada na Williams. O retorno dá certo, e a equipe volta a marcar mais pontos. O ponto negativo da equipe foi o GP da Áustria, onde De Cesaris protagoniza um acidente incrível, onde ele capota o carro três vezes e sai ileso. Esta foi a gota d'água para Guy Ligier, que o demite pouco depois. Para o lugar do italiano, Guy contrata Philippe Streiff, que conquista seu único pódio no GP da Áustralia, mesmo tendo batido contra Laffite na tentativa de ultrapassá-lo.

1986: despedida de Laffite[editar | editar código-fonte]

Para 1986, a equipe renova o contrato de Laffite, que teriacomo companheiro outro experiente piloto, René Arnoux. Jacques conquistou seu último pódio no GP do Brasil, e vinha fazendo uma temporada mediana até sofrer grave acidente no GP de Brands Hatch, e se vê obrigado a encerrar sua longa carreira de 176 provas, empatando a marca do inglês Graham Hill. Para o lugar do veterano, Guy Ligier contratou mais um francês, Philippe Alliot. Ao final da temporada, a Ligier conquista o quinto lugar, com 29 pontos somados.

1987-89: novo martírio[editar | editar código-fonte]

Na primeira temporada sem Laffite, Arnoux passaria a ser o primeiro piloto da equipe azul, tendo como companheiro o italiano Piercarlo Ghinzani. Em uma fraca temporada, René marca apenas um ponto, que classifica a equipe em décimo-primeiro lugar. Em 1988, Ghinzani é demitido e o sueco Stefan Johansson veio para formar dupla com Arnoux. Nem a experiência de ambos deu resultado: a Ligier, com um carro instável, não consegue pontuar em nenhuma prova, tendo como melhor resultado dois nonos lugares de Johansson.

Para a temporada de 1989, Arnoux disputaria sua última temporada, e seu companheiro de escuderia foi o compatriota Olivier Grouillard. Com um quinto lugar de Arnoux no GP do Canadá, somado ao sexto lugar de Grouillard no GP da França, o time de Guy Ligier terminaria a temporada em 13º lugar.

1990-92: o sofrimento continua[editar | editar código-fonte]

Sem Grouillard e Arnoux, a Ligier voltaria a entrar em uma crise existencial. A equipe repatria Alliot e contrata o italiano Nicola Larini, mas eles não conseguem bons resultados e perdem o emprego no final de 1990. No ano seguinte, Guy contrata o experiente belga Thierry Boutsen e mais um francês, Érik Comas (campeão da Fórmula 3000 de 1990). Pela segunda temporada seguida, a Ligier amargaria seu segundo ano zerada, mas a dupla seguiu para a temporada de 1992. Boutsen marca seus últimos pontos na categoria no GP da Austrália (os únicos da Ligier no campeonato), e a equipe fica em sétimo.

1993: a administração De Rouvre e retomada do bom desempenho[editar | editar código-fonte]

Desapontado com o fraco desempenho nos anos anteriores, Guy Ligier colocou sua equipe à venda, concretizada para Cyril de Rouvre, e sua administração marcou o renascimento da Ligier, que pela primeira vez, a equipe não forma uma dupla com pelo menos um francês, contratando agora dois ingleses: Martin Brundle (ex-Benetton) e Mark Blundell (ex-Brabham). Com 23 pontos marcados e três pódios (dois de Brundle e um de Blundell), a Ligier alcança o quinto lugar.

1994: resultados modestos[editar | editar código-fonte]

Para 1994, a Ligier dispensa Brundle e Blundell, e aposta no campeão da F-3000 de 1993, Olivier Panis. Além dele, foi contratado mais um francês: Éric Bernard, que conquistaria um pódio junto com Panis no confuso GP da Alemanha. Envolvido numa troca com o inglês Johnny Herbert, Bernard ocupa a vaga deste último na Lotus. Outro francês, Franck Lagorce, participa dos GPs do Japão e da Austrália, e não pontua em ambos. A Ligier encerra o ano em sexto lugar, com 13 pontos.

1995: Mugen-Honda e revezamento entre Brundle e Suzuki[editar | editar código-fonte]

Após passagem razoável na McLaren em 1994, Brundle acertou sua volta à Ligier, que oficializara anteriormente a permanência de Panis. Aguri Suzuki, amigo pessoal do inglês, também foi contratado após a escuderia acertar o fornecimento de motores por parte da Mugen-Honda. Ambos disputam algumas corridas num "sistema de revezamento", mas o japonês sofre grave acidente nos treinos do GP do Japão, e após pensar um pouco, resolve encerrar sua carreira. Panis conquista o segundo pódio da Ligier no ano na prova da Austrália (o primeiro foi de Brundle, em Spa-Francorchamps), mesmo completando a prova a uma volta do vencedor, Damon Hill.

1996: o adeus da Ligier[editar | editar código-fonte]

Ligier JS43. Foi com este carro que Olivier Panis conquistou sua única vitória - e a última da equipe.

A Ligier já estava pronta para ser vendida para alguém em 1996, mas a equipe seguiu em atividade. Mantém Panis e contrata o brasileiro Pedro Paulo Diniz, egresso da Forti. O começo foi tímido, mas o jejum de vitórias que durava desde 1981 se encerraria no GP de Mônaco, onde apenas quatro carros terminaram a corrida. Panis, que largou em décimo-quarto, resiste à pressão de David Coulthard, mas para sua sorte, o limite de duas horas havia se esgotado. Relembrando a comemoração de Ayrton Senna, Olivier ergue a bandeira francesa e festeja no circuito.

No final do ano, o tetracampeão Alain Prost, que chegou a testar a Ligier em 92, compra a equipe e a converte na Prost Grand Prix. Em sua derradeira temporada, a equipe conquista o sexto lugar na classificação geral, com 15 pontos ganhos.

Pilotos importantes[editar | editar código-fonte]

  • Jacques Laffite - Piloto mais importante da Ligier, Laffite (quarto lugar em 1979 e em 1980) encerrou sua longa carreira na F-1 após sofrer acidente em Brands Hatch, em 1986. Ele havia regressado à equipe em 1985, após uma passagem sem brilho pela Williams.
  • Didier Pironi - Também com passagem pela Ligier, Pironi apareceu para a F-1 correndo na equipe em 1980. Seu desempenho no ano levou-o a ser contratado pela Ferrari no ano seguinte, para o lugar de Jody Scheckter, que havia encerrado a carreira.
  • Patrick Depailler - Depailler disputou apenas sete provas pela Ligier em 1979, tendo vencido o GP da Espanha. Um acidente de asa-delta o tirou do resto da temporada e seu lugar foi ocupado pelo belga Jacky Ickx.
  • René Arnoux - Lembrado por suas passagens por Renault e Ferrari, Arnoux se aposentou da F-1 pela Ligier, onde correu entre 1986 e 1989, ano de sua despedida. Seu melhor resultado foi um quarto lugar, obtido nos GPs de Brasil, Inglaterra e Alemanha, todos em 1986.
  • Thierry Boutsen - Apesar de sua experiência, o belga pouco fez na escuderia, tendo marcado apenas dois pontos (últimos de sua carreira na F-1) em 1992, evitando que o time ficasse zerado pelo segundo ano seguido.
  • 'Martin Brundle - Dispensado da Benetton, Brundle correu em 1993 e em 1995, sendo que neste último ano, voltaria à Ligier após passagem razoável na McLaren no ano anterior. Obteve dois pódios.
  • Mark Blundell - Assim como Brundle, conquistou dois pódios pela Ligier, ambos em 1993, antes de assinar com a Tyrrell.
  • Olivier Panis - Segundo maior pontuador da Ligier, conquistou a última vitória da equipe (e única de sua carreira) no GP de Mônaco de 1996.

Outras informações[editar | editar código-fonte]

  • Michael Schumacher, o heptacampeão da F-1, chegou a testar a Ligier, em fins de 94.
  • Todos os carros da Ligier tinham a sigla JS, numa homenagem ao piloto francês Jo Schlesser, morto em 1968.
  • A Ligier teve o maior número de pilotos com a mesma nacionalidade da equipe: quinze franceses ocuparam o cockpit.
  • O modelo JS11 usado nas temporadas de 1979 e 1980 eram réplicas fieis do Lotus 79.
  • O Autobot Mirage na série clássica (G-1) de Transformers, cuja forma alternativa era um carro de Fórmula 1, homenageava a equipe com seu número usual e também com um patrocinador de nome similar ao principal.
  • Em sua história, a Ligier utilizou os números 25 e 26 para identificar seus carros.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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