Lignito

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Lignito

Lignito ou linhito (em português europeu, lignite ou lenhite), é uma rocha sedimentar macia, marrom e combustível formado pela compressão de turfa. É considerado um carvão baixo devido a seu baixo poder calórico. É minerado na China, Bulgária, Grécia, Alemanha, Polônia, Sérvia, Rússia, Turquia, Estados Unidos, Canadá, Índia, Austrália, entre outras. É usado quase exclusivamente como combustível para geração de energia a vapor, mas também é minerado pelo germânio contido nele, na China. 45% da eletricidade da Alemanha vem de usinas de lignito,[1] enquanto na Grécia lignito é fonte de cerca de 50% de sua energia.

Características[editar | editar código-fonte]

Lignito tem cor marrom escuro e seu conteúdo de carbono é de cerca de 25% a 35%, e uma umidade ás vezes tão altas como 66%, e seu conteúdo de cinzas de 6% a 19% comparado a 6% a 12% em carvão bituminoso.[2]

O seu poder calorífico váaria de 10 a 20 MJ/kg em uma base úmida e sem minerais. O poder energético de lignito consumido nos Estados Unidos é em média de 15 MJ/kg, no jeito que "foi recebido" (contendo umidade e minerais). O poder energético de lignito consumido em Vitória, Austrália, é em média de 8.4 MJ/kg.

Mineração de lignito na Dakota do Norte

Lignito tem muita matéria volátil, o que torna fácil a converter em um gás e produtos petrolíficos do que carvões "superiores". Infelizmente, sua alta umidade e susceptibilidade a combustir espontaneamente pode causar problemas em transporte e armazenamento. Agora é sabido que processos eficientes para remover a umidade do lignito pode diminuir a possibilidade de combustão instantânea para o mesmo nível de carvão, irá alterar o poder calorífico até um valor equivalente ao de carvão enquanto reduz significativamente as emissões do lignito denso para um nível equivalente ou melhor que da maioria dos carvões.[3]

Usos[editar | editar código-fonte]

Devido a seu baixo poder calorífico e alta umidade, lignito é ineficiente para transporte e não é comercializado extensivamente no mercado internacional comparado a outros tipos de carvão. O combustível é geralmente queimado em usinas próximas as minas, como no Vale Latrobe na Austrália e Luminant's Monticello no Texas. Devido a umidade e pouco poder calorífico do lignito, emissões de dióxido de carbono são geralmente muito maiores por megawatt gerado comparado a carvão preto, com a usina com maior emissão sendo a Hazelwood Power Station, Victoria.[4] A operação de usinas de lignito, particularmente a combinada com mineração a céu aberto, pode ser politicamente controverso devido a preocupações ambientais.[5] [6]

Geologia[editar | editar código-fonte]

Lignito se forma com a acumulação de matéria vegetal parcialmente decomposta, ou turfa. Enterramento por outros sedimentos resulta em aquecimento, e, dependendo do gradiente geotérmico local e da configuração tectônica, aumento de pressão. Isso causa compactação do material e perda de um pouco da água (umidade) e matéria volátil (principalmente metano e dióxido de carbono. Esse processo, conhecido em inglês como coalification, concentra o conteúdo carbônico, aumentando o conteúdo calórico do material. Aprofundamento da matéria no solo e tempo resultam em maior expulsão de umidade e matéria volátil, eventualmente transformando o material em um carvão superior, como bituminoso ou antracito.[7]

Depósitos de lignito são geralmente mais novos que de carvões superiores, com a maioria se formando no período Terciário.

Recursos[editar | editar código-fonte]

Se estima que o Vale Latrobe em Victoria, Austrália, contém cerca de 65 bilhões de toneladas de lignito.[8] O depósito equivale a 25% das reservas conhecidas no mundo. As "custuras" lignito parece ter até 100 metros de espessura, ás vezes chegando até 230 m. "Custuras" são cobertas por entre 10 m e 20 m de solo.[8]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Lignito pode ser separado em dois tipos. O primeiro é lignito xilóide ou madeira fóssil e o segundo é lignito compacto, ou perfeito.

Apesar de lignito xilóide ter a tenacidade e a aparência de madeira comum, é possível ver que o tecido combustível de madeira sofre grande modificação. Lignito pode ser triturado para se tornar e se submetido a uma solução fraca de potassa resulta em uma quantidade de ácido Húmico.[9]

Produção[editar | editar código-fonte]

Lignito minerado em milhões de toneladas métricas[10]
País 1970 1980 1990 2000 2001 2010
Alemanha 369.3 388.0 356.5 167.7 175.4 169
Indonésia  ?  ?  ?  ?  ? 163
União Soviética 127.0 141.0 137.3
Rússia 86.4 83.2 76
Turquia 4.4 15.0 43.8 63.0 57.2 69
Austrália 24.2 32.9 46.0 65.0 67.8 67
Estados Unidos 5.4 42.3 82.6 83.5 80.5 65
Grécia 8.1 23.2 51.7 63.3 67.0 56
Polônia 32.8 36.9 67.6 61.3 59.5 56
Checoslováquia 67.0 87.0 71.0
República Checa 50.1 50.7 44
Iugoslávia 26.0 43.0 60.0
Sérvia e Montenegro 35.5 35.5
Sérvia 37
China 13.0 22.0 38.0 40.0 47.0  ?
Roménia 14.1 27.1 33.5 17.9 29.8  ?
Coreia do Norte 5.7 10.0 10.0 26.0 26.5  ?
Índia[11]  ?  ?  ?  ? 22.121  ?
Total 804.0 1,028.0 1,214.0 877.4 894.8 1,042
  • ? – dados não disponíveis
  • — – país não existia ainda ou não mais

Referências

  1. "Merkel’s Taste for Coal to Upset $130 Billion Green Drive", 2014-09-22. Página visitada em 2014-09-22.
  2. Ghassemi, Abbas. Handbook of Pollution Control and Waste Minimization. [S.l.]: CRC Press, 2001. 434 p. ISBN 0-8247-0581-5
  3. George, A.M.. State Electricity Victoria, Petrographic Report No 17. 1975; Perry, G.J and Allardice, D.J. Coal Resources Conference, NZ 1987 Proc.1, Sec. 4.. Paper R4.1
  4. Hazelwood tops international list of dirty power stations World Wide Fund for Nature Australia. Visitado em 2008-10-02.
  5. The Greens Won't Line Up For Dirty Brown Coal In The Valley Australian Greens Victoria (2006-08-18). Visitado em 2007-06-28.
  6. Greenpeace Germany Protests Brown Coal Power Stations Environment News Service (2004-05-28). Visitado em 2007-06-28. Cópia arquivada em 2007-09-30.
  7. Blatt, H., Middleton, G. and Murray, R.. Origin of Sedimentary Rocks. [S.l.]: Prentice-Hall Inc., New Jersey, 1972. ISBN 0-13-642702-2
  8. a b Department of Primary Industries, Victorian Government, Australia, ‘Victoria Australia: A Principle Brown Coal Province’ (Fact Sheet, Department of Primary Industries, July 2010).
  9. Mackie, Samuel Joseph. The Geologist. Original from Harvard University: Reynolds, 1861. 197–200 p.
  10. http://www.worldcoal.org/resources/coal-statistics/
  11. http://infochangeindia.org/environment/statistics/statewise-production-of-coal-and-lignite.html
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