Limão

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Nota: Se procura por outros significados de limão, consulte Limão (desambiguação); para outros significados de limoeiro, consulte Limoeiro (desambiguação).
Como ler uma caixa taxonómicaLimoeiro
Limoeiro - Frutos
Limoeiro - Frutos
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Sapindales
Família: Rutaceae
Género: Citrus
Espécie: C. × limon
Nome binomial
Citrus × limon
Carolus Linnaeus (L.) - Burm.f. 1758

Limão é o fruto do limoeiro (Citrus x limon), uma árvore da família das rutáceas.[1]

No Brasil, essa espécie (Citrus x limon) é geralmente conhecida sob o nome de limão siciliano ou limão verdadeiro. (Este artigo não trata de três outras espécies de frutas cítricas, chamadas de limas em Portugal e de limões no Brasil, e mais conhecidas no Brasil do que o limão siciliano [2][3]: Citrus × latifolia ou limão-taiti[4][5], Citrus aurantiifolia ou limão-galego[6][5], Citrus x limonia ou limão-cravo.)

Só da espécie Citrus x limon, existem várias variedades cultivadas, sendo uma dezena delas frequentes, como por exemplo o limão Eureka [7], o limão Lisboa [8], o limão Fino, o limão Verno, o limão Villafranca,[9] o limão Lunário, etc.

É originário da região sudeste da Ásia. Trazido da Pérsia pelos conquistadores árabes, disseminou-se na Europa[10]. Há relatos de limoeiros cultivados em Génova em meados do século XV bem como referências à sua existência nos Açores em 1494.

Séculos mais tarde, em 1742, os limões foram utilizados pela marinha britânica para combater o escorbuto, mas apenas em 1928 se obteve a ciência sobre a substância que combatia tal doença, batizado ácido ascórbico ou vitamina C, na qual o limão proporciona em grande quantidade: o sumo do limão contém aproximadamente 500 miligramas de vitamina C e 50 gramas de ácido cítrico por litro. Atualmente é uma das frutas mais conhecidas e utilizadas no mundo.

Popularizou-se no Brasil durante a chamada Gripe Espanhola (epidemia gripal de 1918)[11], quando atingiu preços elevados, chegando a ser comprada por de dez a vinte mil réis cada unidade.


Índice

[editar] História

Citrus limon na província de Lucca.

O limão origem no Sudeste da Ásia, provavelmente no sul da China, ou Índia. Sua história é por vezes pouco clara.

Não era uma fruta comum no mundo antigo grego e romano. Vários fatos indicam que uma fruta cítrica parecida com o limão era conhecida, mas não se sabe se era o limão ou a cidra, uma espécie vizinha e muito semelhante,[1] e não existem evidências paleobotânicas.[12] Os gregos utilizavam o limão ou a cidra para proteger as roupas das traças. As primeiras descrições claras do uso da fruta para fins terapêuticos remontam às obras de Teofrasto, aluno de Aristóteles, que é considerado o fundador da fitoterapia. Os helenos utilizavam o cultivo de limoeiros ou de cidreiras perto de oliveiras para preservá-las de ataques de parasitas.[13] O limão pode ter sido retratado na arte romana:[1] há representações de frutas cítricas em mosaicos romanos em Cartago e afrescos em Pompéia, que possuem uma semelhança impressionante com laranjas e limões. Parece que o Imperador Nero era um consumidor regular desta fruta, pois assim tentava se prevenir de um possível envenenamento.[13]

O limão também foi muito utilizado no Mediterrâneo de maneira ornamental em jardins islâmicos.

Os egípcios do século XIV conheciam o limão. Ao longo da costa mediterrânea do Egito, as pessoas bebiam kashkab, uma bebida feita de cevada fermentada, folhas de hortelã, arruda, pimenta preta e limão. A primeira referência do limão no Egito é nas crônicas do poeta e viajante persa Nasir-i-Khusraw, que deixou um relato valioso da vida no Egito sob o mandato do califa fatímida al-Mustansir (1035-1094).[12]

O comércio de suco de limão foi bastante considerável em 1104. Sabemos a partir de documentos em Geniza Cairo - registros da comunidade medieval judaica no Cairo a partir do século X até o século XIII - que as garrafas de suco de limão, qatarmizat, foram feitas com muito açúcar e era consumidas localmente e exportadas.[12]

No Ocidente, o limão tornou-se mais difundido no ano 1000, graças aos árabes que o levaram a fruta para a Sicília. A origem do nome vem do persa. Na Europa, havia o cultivo de limões reais em Génova, em meados do século XV. Em 1494 apareceu limões em Açores, enquanto na América o limão e outros citricos foram levados pelos missionários espanhóis após a descoberta de Cristóvão Colombo.[13]

A fruta também foi introduzida nos países do norte europeu, através de viagens marítimas, pagando por eles com bens valiosos ou até mesmo ouro. Os frutos comprados eram revendidos a preços muito elevados nos países do norte, o limão foi considerado um produto de luxo, mas usado principalmente como um ornamento e um medicamento.[13]

Posteriormente, os médicos tornaram-se conscientes de que a ingestão diária de suco de limão evitava surtos de escorbuto entre os marinheiros em longas viagens marítimas. Navios ingleses foram obrigados por lei a carregar bastante suco de limão para cada marinheiro.[1]

De 1940 a 1965, a produção aumentou e os Estados Unidos tornaram-se um importante fornecedor de limões. Mais de 50% da safra de limão dos EUA é transformada em suco e produtos. A casca, polpa e sementes são usadas para fazer óleos, pectina, ou outros produtos.[1]

O limão também tem sido é usado externamente para acne, fungos (micose e pé de atleta).[1]

[editar] Características

Os limoeiros são árvores pequenas (não atingem mais de 6 metros de altura),[14] espinescentes, muito ramificadas, de caule e ramos castanho-claros; as folhas são alternas, oblongo-elípticas, com pontuações translúcidas; as inflorescências são de flores axilares, alvas ou violetas, em cacho. Reproduz-se por estacas de galhos, em solo arenoso e bem adubado, de preferência em regiões de clima quente ou temperado.

Propaga-se também por sementes, que requerem solo leve, fértil e bem arejado, em local ensolarado e protegido dos ventos. Frutifica durante todo o ano, em inúmeras variedades, que embora mudem no tamanho e na textura da casca, que pode ser lisa ou enrugada, quanto à cor, variam do verde-escuro ao amarelo-claro, exceto uma das espécies, que se assemelha a uma tangerina.

Ao contrário de outras variedades cítricas, o limoeiro produz frutos de forma contínua.[1]

Farmacologicamente, o limão é principalmente importante pelo seu valor nutricional de vitamina C e potássio.[1]

No Brasil, os chamados limão-galego e o limão-taiti, na verdade, não são limões, mas sim limas ácidas. O chamado limão verdadeiro, também conhecido como siciliano, eureka ou lisboa, é a espécie mais consumida na Europa e nos Estados Unidos, com o nome cientifico Citrus x limon; esse limão possui uma casca amarela.[3]

As principais diferenças entre limões e limas ácidas são o tamanho e o gosto ligeiramente diferente, pois, limões têm sabor um pouco mais suave. Apesar disso, todas essas espécies têm origens parecidas. Outra coisa que diferencia os limões de limas ácidas é o rendimento para fazer sucos, sendo que as limas são melhores para esse uso.[3]

O chamado limão-cravo, é uma mistura de limão e tangerina, possui uma coloração interna alaranjada, e é muito usado para temperos.[3]

[editar] Partes usadas

Folhas e fruto.[15]

Os que têm cor amarela ou amarelo-esverdeada, são cultivados sobretudo pelo sumo, embora a polpa e a casca também se utilizem em culinária. Os limões contêm uma grande quantidade de ácido cítrico, o que lhes confere um gosto ácido[14]. No suco de limão, essa acidez chega a um pH de 2 a 3, em média.

[editar] Informações nutricionais

Limão (ao natural, sem casca)[16]
Valor nutricional por 100 g (4 oz)
Energia 121 kJ (30 kcal)
Carboidratos
Carboidratos totais 9.32 g
 • Açúcares 2.50 g
 • Fibra dietética 2.8 g
Gorduras
Gorduras totais 0.30 g
Proteínas
Proteínas totais 1.10 g
Vitaminas
Tiamina (vit. B1) 0.040 mg (3%)
Riboflavina (vit. B2) 0.020 mg (2%)
Niacina (vit. B3) 0.100 mg (1%)
Ácido pantotênico (B5) 0.190 mg (4%)
Vitamina B6 0.080 mg (6%)
Ácido fólico (vit. B9) 11 µg (3%)
Vitamina C 53.0 mg (64%)
Minerais
Cálcio 26 mg (3%)
Ferro 0.60 mg (5%)
Magnésio 8 mg (2%)
Fósforo 16 mg (2%)
Potássio 138 mg (3%)
Zinco 0.06 mg (1%)
Percentuais são relativos ao nível de ingestão diária recomendada para adultos.
Fonte: USDA Nutrient Database

[editar] Propriedades

As suas aplicações na vida doméstica são inúmeras. Com o suco da fruta, preparam-se refrigerantes, sorvetes, molhos e aperitivos, bem como remédios, xaropes e produtos de limpeza. Da casca, retira-se uma essência aromática usada em perfumaria e no preparo de licores e sabões.

Estudos epidemiológicos associam a ingestão de frutas cítricas, com uma redução no risco de várias doenças. O limão também mostra alguma atividade antimicrobiana.[1]

Em Fitoterapia, é utilizado para diversas patologias, tais como reumático, infecções e febres, aterosclerose, combate ateromas (remove placas gordurosas das artérias), constipações, gripes, dores de garganta, acidez gástrica e úrica (alcaliniza o sangue), frieiras, caspas, cicatrizações, ajuda a manutenção de colágeno, hemoglobina, atua como anti-séptico entre outras. O limão possui uma substância própria denominada limoneno[17] capaz de combater os radicais livres. É, fundamentalmente, um remédio tónico que ajuda a manter a boa saúde[18].


[editar] Produção

A Índia encabeça a produção mundial de limão e lima com cerca de 19% da produção total, seguido pelo México (~ 14,6%), China (7,5%), Argentina (~ 7,4%), Brasil (~ 7,2%) e Estados Unidos (~ 6,1%).

Principais produtores de lima e limão – 2009
País Produção (Toneladas)
 Índia 2.571.530
 México 1.987.450
 China 1.014.446F
Argentina 1.000.000*
Brasil 972.437
 Estados Unidos 827.350
 Turquia 783.587
 Irã 711.729
 Espanha 551.000
 Itália 486.200
 Mundo 13,607,350
Sem símbolo = dado oficial, F = estimativa segundo a FAO, * = Dados da FAO com base na metodologia de imputação;

Source: Food And Agricultural Organization of United Nations: Economic And Social Department: The Statistical Division


Commons
O Commons possui multimídias sobre Limão

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

Referências

  1. a b c d e f g h i Complete Lemon information from Drugs.com. Drugs.com. Página visitada em 17/01/2012.
  2. Limão: origem e variedades. Portal Doce Limão. Página visitada em 22/12/2011.
  3. a b c d Quantos tipos de limão existem? - Mundo Estranho. mundoestranho.abril.com.br. Página visitada em 20/01/2012.
  4. Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia, Cultura - Limão Tahiti
  5. a b Dirceu de Mattos Junior, José Dagoberto De Negri, José Orlando de Figueiredo e Jorgino Pompeu Junior, 2005, CITROS: principais informações e recomendações de cultivo, Boletim Técnico 200 (IAC).
  6. Gernot Katzer, 2000, Lime (Citrus aurantifolia (Christm. et Panz.) Swingle) (em inglês)
  7. José Orlando de Figueiredo; José Dagoberto de Negri; Dirceu de Mattos Junior; Rose Mary Pio; Francisco Ferraz Laranjeira; Valéria Xavier Paula Garcia, 2005, Revista Brasileira de Fruticultura vol.27 no.1, "Comportamento de catorze porta-enxertos para o limão eureka, Citrus limon (L) Burm. F., km 47 na região de Araraquara-SP1", [1] [2]
  8. Quantos tipos de limão existem?. Portal Mundo estranho. Página visitada em 29/12/2011.
  9. (em inglês) Lemon trees (Limoeiros). Global Orange Groves UK. Página visitada em 12/01/2012.
  10. Segredos do limão. Revista Viva Saúde Online. Página visitada em 22/12/2011.
  11. Leandro Carvalho Damacena Neto. A “medicina popular” durante a epidemia de gripe espanhola de 1918 no município de São Paulo. Histórica: Revista on line do arquivo público de São Paulo. Página visitada em 22/12/2011.
  12. a b c (em inglês) Did You Know: Food History - History of Lemonade. Página visitada em 18/02/2012.
  13. a b c d (em inglês) The origins. Página visitada em 18/02/2012..
  14. a b Limão - Como Plantar. Portal Globo Rural. Página visitada em 22/12/2011.
  15. Limão. Portal: Frutas do Rio Grande do Sul. Página visitada em 22/12/2011.
  16. Emedix. Valor nutricional dos alimentos (em Português). Portal UOL. Página visitada em 20/12/2011.
  17. Limoneno. Página visitada em 20/12/2011.
  18. Limão: o poder do fruto que previne doenças. Portal Terra Saúde. Página visitada em 22/12/2011.

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