Linha do Vouga
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Estação ferroviária de Sernada do Vouga
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| Bitola: | Bitola estreita | ||
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A Linha do Vouga, originalmente conhecida como Linha do Vale do Vouga, é um troço ferroviário Português, que liga a Linha do Norte, em Espinho, à Linha do Dão, em Viseu, numa extensão de 140 km, e que entronca, em Sernada do Vouga, com o Ramal de Aveiro; foi inaugurada totalmente em 5 de Fevereiro de 1914.[1]
Índice |
[editar] Caracterização
Actualmente, apenas subsiste a ligação de Espinho a Sernada do Vouga, continuando os serviços pelo Ramal de Aveiro até à localidade com o mesmo nome. A bitola de via utilizada em ambos os troços é de 1000 mm.
- Atualmente é uma linha secundária, registando maior movimento nos troços Aveiro - Águeda e Oliveira de Azeméis - Espinho.
- Tem ligação à linha do Norte em Aveiro e Espinho.
- Perspetiva-se a inclusão do troço entre Oliveira de Azeméis e Espinho no Metro do Porto. Contudo, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha já deu a entender que é contra o encerramento do troço Oliveira de Azeméis - Sernada do Vouga, pelo que no seu entender, a extensão da ligação do Metro do Porto a esse concelho será a melhor solução.
Os terrenos anexos à via encontravam-se, em 2009, a ser utilizados como hortas por alguns moradores de São João da Madeira.[2]
[editar] Material Circulante
Inicialmente, as composições utilizadas nesta linha eram compostas por locomotivas a tracção a vapor e vagões e carruagens de madeira. Após a reabertura da Linha do Vouga, todos os serviços passaram a ser assegurados por automotoras de bitola métrica. Nesta linha circularam as Séries ME 50, 9300, 9400 e 9630; actualmente, apenas as automotoras desta última série circulam nesta linha.
[editar] Sinistralidade e prevenção
De acordo com a Rede Ferroviária Nacional, em 2007 esta linha registou um total de 20 acidentes, representando cerca de 30% de todos os sinistros registados em Portugal. No ano anterior tinham sido registados 27 acidentes.[3] A empresa propõe um investimento de 10 milhões de euros para fecho de passagens de nível, implementação de barreiras automáticas e melhoria no sistema de comando. O objectivo é reduzir em 70% os acidentes registados até ao ano de 2011.
[editar] História
[editar] Planeamento
Dois alvarás, publicados em 11 de Julho de 1889 e 23 de Maio de 1901, autorizaram o empresário Frederico Pereira Palha a construir e explorar, ou a formar uma empresa com esse fim, por um período de 99 anos, uma ligação ferroviária entre a estação de Torre de Eita, na Linha de Santa Comba Dão a Viseu e a Estação de Espinho, na Linha do Norte; esta linha deveria passar por Vouzela, Oliveira de Frades, Couto de Esteves, Sever do Vouga, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Vila da Feira, e deter um ramal entre Sever do Vouga e Aveiro.[1] Embora o projecto tenha sido apresentado ao governo em 1897, só foi aprovado no dia 30 de Outubro de 1903, tendo o contrato provisório sido assinado em 25 de Abril de 1904.[1] Em Fevereiro de 1902, esperava-se que os trabalhos de construção da então denominada Linha do Valle do Vouga se iniciassem em Março do mesmo ano.[4] No entanto, Frederico Pereira Palha trespassou, após ter sido autorizado a tal por um decreto de 17 de Março de 1906, a sua concessão para uma nova empresa, a Compagnie Française pour la Construction et Exploitation des Chemins de Fer à l'Étranger; o contrato definitivo com o Estado foi elaborado em 5 de Fevereiro de 1907.[1] Entretanto, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta tinha feito, nos dias 2 e 18 de Setembro de 1905, várias reclamações devido ao facto da linha projectada apresentar um traçado paralelo, a menos de 40 quilómetros de distância de uma parte da Linha da Beira Alta; estas acusações foram refutadas pelo acórdão de 30 de Julho de 1908 do tribunal arbitral.[1]
[editar] Construção e inauguração
O primeiro troço, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, abriu à circulação no dia 21 de Dezembro de 1908; o troço seguinte, entre Ul e Albergaria-a-Velha, entrou ao serviço em 1 de Abril.[1] A linha entre esta localidade e Macinhata do Vouga, e o Ramal de Aveiro, abriram em 8 de Setembro de 1911, e os troços de Paradela a Ribeiradio e Bodiosa a Viseu entraram ao serviço, respectivamente, nos dias 4 e 5 de Setembro de 1913.[1] Em 30 de Novembro de 1913, ligou-se Arcozelo das Maias a Vouzela, e, em 5 de Fevereiro do ano seguinte, completou-se a Linha do Vouga, com a abertura do troço entre as Termas de São Pedro do Sul e Moçâmedes.[1]
[editar] Criação da Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro
Na assembleia geral de 7 de Julho de 1923, a Compagnie Française pour la Construction et Exploitation des Chemins de Fer à l'Étranger decidiu transformar-se uma empresa de nacionalidade portuguesa, tendo sido publicados, tendo, em 1 de Abril de 1924, publicado os novos estatutos, criando a Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro, como uma nova entidade; uma divisão da antiga empresa francesa, que efectuava a exploração das linhas, também sofreu o mesmo processo, passando a deter o nome de Sociedade Portuguesa.[1]
[editar] Extinção
A lei n.º 2008, publicada em 7 de Setembro de 1945, determinou que o governo começasse a planear a união de todas as concessões ferroviárias em Portugal, de bitolas estreita e larga, numa só, de forma a melhorar a gestão e eficiência desta modalidade de transporte[5]; a escritura de transferência da Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses foi lavrada em 1946, e, no dia 1 de Janeiro de 1947, a Linha do Vouga e o Ramal de Aveiro passaram a ser exploradas por esta empresa.[6]
[editar] Século XX
A circulação nesta linha foi interrompida em Fevereiro de 2010, devido à queda de árvores de grande porte.[7]
Em Fevereiro de 2011, deu-se um atropelamento numa passagem de nível junto à localidade de São Paio de Oleiros, que fez uma vítima mortal e interrompeu a circulação.[8]
[editar] Ecopista da Linha do Vale do Vouga
Em Outubro de 2009, foi apresentado, pela autarquia de Oliveira de Frades, uma proposta para a instalação de uma ecopista para ciclistas e peões, no troço encerrado da Linha do Vouga, entre Viseu e Sernada do Vouga; neste projecto, denominado de Ecopista da Linha do Vale do Vouga, estava prevista a recuperação e remodelação das estações e apeadeiros ao longo da ecopista.[9]
[editar] Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g h i TORRES, Carlos Manitto. (16 de Março de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 71 (1686): 135.
- ↑ CAMPOS, João Pedro, RODRIGUES, Salomão. ""Tratar das hortas é melhor que ficar a ver televisão"". Jornal de Notícias. 4 de Outubro de 2009. (página da notícia visitada em 16 de Abril de 2011)
- ↑ http://noticias.pt.msn.com/article.aspx?cp-documentid=10716619
- ↑ (1 de Fevereiro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (339): 42.
- ↑ PORTUGAL. Decreto n.º 2:008, de 7 de Setembro de 1945.Presidência da República - Secretaria. Publicado no Diário da República n.º 200, Série I, de 7 de Setembro de 1945. Paços do Governo da República.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, 2006:62, 63
- ↑ "Corte nas linhas ferroviárias do Norte e Vouga devido a queda de árvores- ANPC". Destak. 27 de Fevereiro de 2010. (página da notícia visitada em 16 de Abril de 2011)
- ↑ "Septuagenária colhida mortalmente por comboio na Linha do Vouga". Jornal de Notícias. 12 de Fevereiro de 2011. (página da notícia visitada em 16 de Abril de 2011)
- ↑ CARDOSO, Teresa. "Ecopista do Vouga atravessa oito concelhos". Jornal de Notícias. 25 de Outubro de 2009. (página da notícia visitada em 16 de Abril de 2011)
[editar] Bibliografia
- Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X