Lisboa

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Lisboa
Brasão de Lisboa Bandeira de Lisboa
Brasão Bandeira
Lisbon view.jpg
Vista panorâmica de Lisboa, com destaque para a Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei (à esquerda) ao fundo.
Localização de Lisboa
Gentílico - lisboeta
- lisbonense
- alfacinha
- olisiponense
Área 100,05 km2
População 547 733 hab. (2011[1] )
Densidade populacional 5 474,59 hab./km2
N.º de freguesias 24[nt 1]
Presidente da
Câmara Municipal
António Costa (PS)
Mandato 2013-2017
Fundação do município
(ou foral)
Primeiras referências da cidade
século XII a.C.
Integração no Reino de Portugal (reconquista da cidade por D. Afonso Henriques)
1147
Primeiro foral
1179
Capital do Reino
1256
Região (NUTS II) Lisboa
Sub-região (NUTS III) Grande Lisboa
Distrito Lisboa
Antiga província Estremadura
Orago Santo António de Lisboa e São Vicente
Feriado municipal 13 de junho (Dia de Santo António)
Código postal 1000 a 1990 Lisboa
Sítio oficial www.cm-lisboa.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Lisboa GCTE, além de ser a capital de Portugal, é a cidade mais populosa do país, com uma população de 547 733 habitantes dentro dos seus limites administrativos,[2] uma área de 100 km².[3] Cerca de três milhões de pessoas vivem na Grande Área Metropolitana de Lisboa (aproximadamente 27% da população de todo o país), o que torna a cidade a 20.ª área urbana mais populosa da União Europeia[4] [5] , sendo, portanto, a maior zona urbana portuguesa, seguida pelo Porto. Lisboa é a grande cidade e a capital mais a Ocidente do continente europeu, além de ser a única capital ao longo da costa atlântica dentre os países europeus.

Lisboa é reconhecida como uma cidade global devido à sua importância em aspectos financeiros, comerciais, mediáticos, artísticos, educacionais e turísticos.[6] [7] É um dos principais centros económicos do continente, com um crescente sector financeiro e o maior porto de contentores da costa atlântica da Europa.[8] O Aeroporto da Portela recebe mais de 15,3 milhões de passageiros anualmente (2012), enquanto a rede de auto-estradas e o sistema de ferrovias de alta velocidade (Alfa Pendular) conectam as principais cidades portuguesas à capital.[9] Lisboa é a sétima cidade mais visitada do sul da Europa, após Istambul, Roma, Barcelona, Madrid, Atenas e Milão, com 1 740 000 de turistas em 2009, tendo em 2013 ultrapassado a marca dos 1.8 milhões de turistas.[10] A região de Lisboa é a região mais rica do país, com um PIB PPC per capita de 26 100 euros (4,7% maior do que o PIB per capita médio da União Europeia média). A sua região metropolitana é a vigésima mais rica do continente, com um PIB-PPC no valor de 58 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 35% do PIB-PPC total do país.[11] A cidade ocupa o 122.º lugar entre as maiores receitas brutas do mundo.[12] A maioria das sedes das multinacionais instaladas em Portugal estão localizadas na região de Lisboa e a cidade é a nona no mundo em quantidade de conferências internacionais.[13]

O imperador romano Júlio César concedeu à cidade o estatuto de município chamado Felicidade Júlia (Felicitas Julia), acrescentando ao nome Olisipo. Governada por uma série de tribos germânicas a partir do século V, a cidade foi capturada pelos mouros no século VIII. Em 1147, os cruzados sob Afonso Henriques reconquistaram a cidade e, desde então, ela tem sido um importante centro político, económico e cultural de Portugal. Diferente da maioria das capitais, o estatuto de Lisboa como capital de Portugal nunca foi concedido ou confirmado oficialmente. A sua posição como capital formou-se com a convenção constitucional, fazendo com que a sua posição como capital de facto uma parte da Constituição de Portugal.

A cidade é o centro político do país, como sede do Governo e da residência do chefe de Estado, além de sediar duas agências da União Europeia: o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) e a Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA). Chamada de "capital do mundo lusófono", a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem a sua sede na cidade. Lisboa tem dois locais classificados pela UNESCO como Património da Humanidade: a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. Além disso, em 1994, Lisboa foi a Capital Europeia da Cultura e organizou a Exposição Mundial de 1998.

Etimologia e gentílico[editar | editar código-fonte]

Segundo uma teoria de Bochart, o nome Olisipo, designação pré-romana de "Lisboa", remontaria aos Fenícios.[14] Segundo esta teoria, Olisipo derivaria de "Allis Ubbo" ou "Porto seguro" em fenício,[14] dado o magnífico porto fornecido pelo estuário do Tejo.[15] Não existe nenhum registo que possa comprovar tal teoria. Segundo Tovar, Olisipo seria uma palavra de origem tartessa sendo o sufixo ipo frequente na região de influência Turdetano-Tartessica.[16] O prefixo "Oli(s)" não seria único pois surge numa outra cidade Lusitana, de localização desconhecida, que Pomponius Mela dizia chamar-se Olitingi.[17]

Os autores da Antiguidade explicavam através de uma lenda mítica a origem da fundação de Olisipo que atribuíam ao herói grego Ulisses.[18] Solino,[19] provavelmente baseando-se na lenda contada por Estrabão[20] de que Ulisses teria fundado uma cidade na península Ibérica, em local incerto, chamada Odysseia, atribui a fundação de Olisipo a Ulisses ("Ibi oppidum Olisipone Ulixi conditum: ibi Tagus flumen.") Posteriormente, o nome latino teria sido corrompido para "Olissipona".[21] Ptolomeu chamou a cidade de "Oliosipon". Os Visigodos chamaram-na "Ulishbona"[carece de fontes?] e os Mouros, que tomaram a cidade no ano 714, nomearam-na, em árabe, اليكسبونا (al-Lixbûnâ) ou لشبونة (al-Ushbuna).[14]

Popularmente, os naturais ou habitantes de Lisboa são chamados alfacinhas. A origem do termo é desconhecida, mas há quem explique que nas colinas de Lisboa primitiva verdejavam já as "plantas hortenses utilizadas na culinária, na perfumaria e na medicina" que dão pelo nome de alfaces, e alface que vem do árabe, poderá indicar que o cultivo da planta começou aquando da ocupação da Península pelos Muçulmanos. Há também quem sustente que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes da capital portuguesa tinham como alimento quase exclusivo as alfaces das suas hortas. O certo é que a palavra ficou consagrada e que os grandes da literatura portuguesa habituaram-se a tomar alfacinha por lisboeta.[22]

História[editar | editar código-fonte]

Neolítico e fundação[editar | editar código-fonte]

Em Lisboa encontram-se vestígios do Neolítico, Eneolítico e Neo-neolitico.[23] Durante o Neolítico, a região foi habitada por vários povos que também viveram em outras regiões da Europa atlântica neste período. Estes construíram vários monumentos megalíticos[24] e é ainda possível encontrar alguns dólmens[25] e menires[26] nos campos em redor da cidade.

O magnífico porto fornecido pelo estuário do rio Tejo transformou a cidade na solução ideal para fornecer alimentos aos navios destinados às Ilhas do Estanho (actuais Ilhas Scilly) e Cornualha. O povo celta invadiu a região no primeiro milénio a.C.[27] [28] e através de casamentos tribais com os povos ibéricos pré-romanos aumentaram o número de falantes da língua celta na região.

Achados arqueológicos fenícios nos claustros da Sé de Lisboa

O povoado pré-romano de Olisipo, teve origem nos séculos VIII-VII a.C., assentava no morro e na encosta do Castelo. A Olisipo pré-romana foi o maior povoado orientalizante da região de Portugal. Estima-se que a população rondasse entre os 2 500 e os 5 000 habitantes.[29] Olisipo seria um local de aportagem para o tráfego marítimo e comércio com os fenícios.[30]

Achados arqueológicos sugerem que já havia trocas comerciais com os Fenícios na região em 1 200 a.C., levando alguns historiadores à teoria de que fenícios teriam habitado o que é hoje o centro da actual cidade, na parte sul da colina do castelo.[carece de fontes?]. Na praça de D. Luís, em Lisboa, está localizado um fundeadoiro com mais de 2000 anos, datado entre o século I aC e o século V dC, onde os navios ancoravam para fazer descargas e reparações e também para fazer o trânsito de passageiros e carga.[31] Além de poderem viajar para o Norte, os fenícios também aproveitaram o facto de estarem na desembocadura do maior rio da Península Ibérica para fazerem comércio de metais preciosos com as tribos locais.[carece de fontes?] Outros importantes produtos da região comercializados foram o sal, os peixes salgados e os cavalos puros-sangue lusitanos, que eram já bastante renomados na Antiguidade.[32]

Recentemente,[quando?] vestígios fenícios do século VIII a.C. foram encontrados sob a Sé de Lisboa. No entanto, alguns dos historiadores modernos[33] consideram que a ideia da fundação fenícia é irreal, e acreditam que Lisboa era uma antiga civilização autóctone (chamada pelos romanos de ópido) e que, no máximo, mantinha relações comerciais com os Fenícios, o que explicaria a presença de cerâmicas fenícias e outros objectos.

Uma lenda popular e romântica conta que a cidade de Lisboa teria sido fundada pelo herói grego Odisseu (Ulisses),[carece de fontes?] e que tal como Roma o seu povoado original era rodeado por sete colinas. Derivado, os gregos chamam à cidade de Olisipo, proveniente do nome do herói.[carece de fontes?] Se todas as viagens de Ulisses através do Atlântico se houvessem dado da forma descrita por Théophile Cailleux,[34] isso poderia significar então que Ulisses haveria fundado a cidade vindo do Norte, antes de tentar dar a volta ao Cabo Malea, (que Cailleux diz ser o Cabo de São Vicente), no sentido de Sudeste, em direcção a Ítaca. No entanto, a presença dos Fenícios, mesmo ocasional, é anterior à presença helénica na área. Posteriormente, o nome grego teria sido corrompido em latim para Olissipona.[21] Alguns dos deuses pré-romanos são Aracus, Cariocecus, Bandua e Trebaruna.[35]

Período romano[editar | editar código-fonte]

Os gregos antigos tiveram provavelmente na foz do rio Tejo um posto de comércio durante algum tempo,[carece de fontes?] mas os conflitos que grassavam por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono, devido sobretudo ao poderio de Cartago na região nessa época.

A degeneração do Império romano, e a feudalização da sociedade romana levaram às primeiras invasões dos povos germanos, Hunos entre outros. As iniciativas que inicialmente foram tomadas como colonizações das terras desertificadas pelas terríveis epidemias que mataram grande parte da população da época (provavelmente sarampo e varíola), transformaram-se depressa em expedições militares com objectivos de saque e conquista.

Parte das antigas muralhas romanas

Após a conquista a Cartago do oriente peninsular, os romanos iniciam as guerras de pacificação do ocidente. Cerca de 139/138 a.C. os romanos conquistaram Olisipo, durante a campanha de Decimus Junius Brutus que reforçou as muralhas da cidade para se defender das tribos hostis, sendo esta mais tarde absorvida no império e recompensada com a atribuição de cidadania romana, um privilégio raríssimo já naquela época para povos não-romanos.[carece de fontes?] Felicitas Julia, como a cidade viria a ser conhecida, beneficia do estatuto de município, juntamente com os territórios em redor, até uma distância de 50 km, não pagando impostos a Roma, ao contrário de quase todos os outros castros e povoados autóctones conquistados. Foi incluída com larga autonomia na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida (na Estremadura espanhola). A Olisipo romana era uma cidade disposta em anfiteatro entre a colina do Castelo Terreiro do Trigo, o Campo das Cebolas, a antiga ribeira Velha até cerca da Rua Augusta.[36]

No tempo dos romanos a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e todo o império, assim como vinho, sal e cavalos da região. Ptolomeu chamou a cidade de Oliosipon. Para além exploração das minas de ouro e prata uma grande receita dos romanos provinha dos tributos, impostos, resgates e saques que incluíam objectos de ouro e prata dos tesouros públicos dos povos da Lusitânia e resto da península.[37] [38] [39] [40]

No fim do domínio romano Olisipo seria um dos primeiros núcleos a acolher o Cristianismo. O primeiro bispo da cidade foi São Gens. Sofreu invasões bárbaras dos Alanos, Vândalos e depois fez parte do Reino dos Suevos, antes de ser tomada pelos Visigodos de Toledo, que a chamaram de Ulishbona.[41]

Conquista muçulmana[editar | editar código-fonte]

Após três séculos de saques, pilhagens e perda de dinâmica comercial, Ulishbuna seria pouco mais que uma vila no início do século VII. É nesta altura que, aproveitando uma guerra civil do Reino Visigótico, que os árabes liderados por Tárique invadem a Península Ibérica com as suas tropas mouriscas, em 711. Olishbuna foi conquistada pelas tropas de Abdelaziz ibn Musa, um dos filhos de Tárique, assim como o resto do ocidente peninsular.

Castelo de São Jorge, construído pelos mouros

Lisboa foi então tomada no ano 714 pelos mouros provenientes do norte de África. Em árabe chamavam-lhe al-Lixbûnâ Aluxbuna, mas segundo Alhimian, o seu antigo nome era Cudia (Kudia ou Kudiya).[42] Construiu-se neste período a cerca moura.

Lisboa pertenceu à primeira taifa de Badajoz no ano de 1013, criada pelo eslavo liberto Sabur Al-Amiri (1013-1022), um saqaliba, antigo súbdito de Aláqueme II.[43] [44]

Enquanto se fragmentavam as Taifas islâmicas do Sul, no Norte sucedia o Condado Portucalense do Reino de Leão, já em plena Reconquista da Península Ibérica. Apesar de baseado em Guimarães, a força económica que permitia a autonomia do Condado Portucalense estava na cidade do Porto (Portucale ou porto da cidade de Cale, a actual Gaia). É interessante pensar como foi o novo Reino, centrado no dinamismo comercial da jovem cidade de mercadores do Porto, que usufruía de uma posição e importância semelhantes na foz do segundo maior rio da Península Ibérica, o rio Douro, como Lisboa no rio Tejo, que acabaria por conquistar essa venerável cidade.

O geógrafo árabe Edrisi escreveu que em Lisboa "o mar lança palhetas de ouro sobre a praia" e que no Inverno " os habitantes da cidade vão junto do rio à procura deste metal e se dedicam a isso enquanto dura a estação rigorosa". Almunime Al-Himiar descreve Lisboa em mais pormenor:

"É uma cidade edificada à beira-mar, cujas vagas se vêm quebrar contra as muralhas, admiráveis e de boa construção. A parte ocidental da cidade é encimada por arcos sobrepostos que assentam em colunas de mármore, por sua vez apoiadas em envasamentos de mármore. A cidade é, por sua natureza, muito bela."[45]

O geógrafo Yâqût al-Hamâwî revela mais sobre as suas riquezas:

"É uma cidade antiga, próxima do mar e situada a oeste de Córdova. Nas suas montanhas há bons falcões e produz o melhor mel de todo o al-Andalus, que se conhece como al-ladharnî; parece-se com o açúcar, conservando-se embrulhado em pano, para que não se suje. A cidade está junto ao rio Tejo e perto do mar. No seu solo há jazidas de ouro puro e nas suas costas encontra-se um âmbar excelente."[46]

Ibne Saíde, no século XIII, disse que Lisboa, ao referir-se à sua beleza, "era uma noiva em sua alcova nupcial."

Reconquista[editar | editar código-fonte]

A rendição muçulmana após o cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques

Famosa e opulenta, a cidade daria ao reino bastante prestígio. A primeira tentativa de Afonso de conquistar al-Ushbuna deu-se em 1137 e fracassou frente às muralhas da cidade. Em 1140 aproveita os cruzados que passavam por Portugal para novo ataque que novamente falha.

Só sete anos depois os cristãos a reconquistariam graças ao primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, e ao seu exército de cruzados, em 1147. O primeiro rei português concedeu-lhe foral em 1179. A cidade tornou-se capital do reino em 1255 devido à sua localização estratégica. A seguir à reconquista foi instituída a diocese de Lisboa que, no século XIV, seria elevada a metrópole (arquidiocese).[41]

Nos últimos séculos da Idade Média a cidade expandiu-se e tornou-se um importante porto com comércio estabelecido com o norte da Europa e com as cidades costeiras do Mar Mediterrâneo. Em 1290 o rei Dom Dinis mandou estabelecer a primeira universidade de Portugal em Lisboa (mas devido a um incêndio foi transferida para Coimbra em 1308), a cidade então já dispunha de grandes edifícios religiosos e conventuais.

Dom Fernando I, "o Formoso", construiu a famosa Muralha Fernandina, já que a cidade crescia rapidamente para fora do perímetro inicial. Começando pelo lado dos bairros mais pobres e acabando nos bairros da burguesia, a maior parte do dinheiro utilizado veio desta última. Esta estratégia mostrou-se conveniente, já que de outra forma a burguesia deixaria de financiar a obra.

O novo capítulo da história de Lisboa nasce com a grande revolução da Crise de 1383-85. Após a morte de Fernando de Portugal, o Reino deveria passar a ter como soberano nominal o Rei de Castela, João I de Castela, e ser regido efectivamente por Leonor Teles de Menezes, mas o rei castelhano quis ser soberano efectivo ou, como se costuma dizer, rei e senhor, tendo conseguido persuadir a sogra e rainha regente a renunciar ao governo e ceder-lho. Isto, sem o consentimento das Cortes, constituía uma usurpação do poder e fez rebentar a guerra. Depois de cerca de ano e meio de luta, os burgueses da cidade, com as suas ligações inglesas e capitais avultados, são uns dos vencedores da guerra: o Mestre de Avis é aclamado João I de Portugal, depois de vencer o cerco de Lisboa de 1384, e antes que se desse a Batalha de Aljubarrota, ganha sob a liderança de Nun'Álvares Pereira em 1385 contra as forças castelhanas reforçadas por franceses e pelos fidalgos portugueses que prestaram vassalagem a João I de Castela.

Em 1385 Lisboa substitui Coimbra como capital do reino.[47]

Era das Navegações[editar | editar código-fonte]

A mais antiga representação de Lisboa (1500–1510) da Crónica de Dom Afonso Henriques, por Duarte Galvão

Portugal fica na vanguarda dos países contemporâneos ao ser o primeiro a transformar a pesquisa tecnológica e científica em política de Estado, e com a política de portas abertas a especialistas aragoneses, catalães, italianos e alemães, com objectivo aumentar e enriquecer os conhecimentos náuticos dos oficiais e marujos. Mais tarde estes conhecimentos foram incrementados com os conhecimentos práticos dos pilotos orientais.[48] [49] [50] [51] Várias expedições se empreenderam com tripulações portuguesas que integravam alguns expatriados de outros reinos nas quais foram descobertos os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Alguns afirmam que terão mesmo chegado ao Brasil. Estas ilhas permitem o estabelecimento de novas cidades-portos, úteis para a exploração de novos mercados. De Lisboa partiram numerosas expedições na época dos descobrimentos (séculos XV a XVII), como a de Vasco da Gama em 1497-1498, reforçando também com este feito, a condição de grande porto e centro mercantil na Europa ávida por ouro e especiarias.[52]

Na época da expansão as casas de Lisboa tinham de três a cinco andares, sendo no primeiro uma loja e nos últimos as instalações dos comerciantes. Nesta época Lisboa toma o lugar dos genoveses no comércio de escravos,[53] (que eram de África, da península Ibérica[54] e resto da Europa[55] ). Tornou-se um porto em que circulavam escravos que depois eram vendidos para diversos pontos da Europa.[56] [57] Lisboa era muito frequentada por uma grande quantidade de comerciantes estrangeiros.[41]

Após terminarem as guerras e conflitos entre os conservadores e liberais, Lisboa, tendo perdido o ouro e monopólio dos produtos do Brasil (um "monopólio" e ouro do qual só uma pequena parte chegava aos cofres reais de Portugal devido ao contrabando e à pirataria)[58] [59] , a fonte muita da sua riqueza desde o fim do século XVI encontrava-se numa situação económica difícil. No Norte da Europa, as nações iniciavam a industrialização, e enriqueciam com o comércio das Américas (a Inglaterra viria a dominar o comércio brasileiro) e da Ásia. É em Lisboa que se dá a principal revolta que causou a Restauração da Independência, em 1640.[41]

Terreiro do Paço em 1650, junto à arcaria vêem-se soldados portugueses a praticar tiro pois estava-se então em plena Guerra da Restauração.

Os problemas para o comércio na cidade aumentam quando os Catalães, um povo mercador como o de Lisboa, também oprimidos pelas taxas castelhanas, se revoltam em 1636. É a Portugal que Madrid vem exigir os homens e os fundos para derrotar os catalães, numa tentativa de usar os de Portugal contra os da Catalunha.

É então que os mercadores da cidade se aliam à pequena e média nobreza. Tentam convencer o Duque de Bragança, Dom João, a aceitar o trono, mas este, como o resto alta Nobreza, é beneficiado por Madrid e só o prospecto de se tornar Rei o convence finalmente. Os conspiradores assaltam o Palácio do Governador, aclamando o novo Rei D. João IV, com o apoio inicialmente do Cardeal Richelieu de França, e depois a velha aliança retomada com a Inglaterra (tudo isto ficou conhecido com a Restauração da Independência, em 1640).

A Lisboa pós-Restauração é uma cidade cada vez mais dominada pelas ordens religiosas Católicas. Mais de 40 conventos são fundados na cidade em adição aos 30 já existentes, e os religiosos ociosos cuja sustentação é assegurada pelas esmolas e expropriações contam-se aos muitos milhares, constituindo mais de 5% da população da cidade. O clima político é cada vez mais conservador e autoritário e a Inquisição, depois de destruída a classe mercadora, concentra-se no controlo das mentalidades, vigiando as ideias e a criatividade, que suprime em nome da pureza da Religião. Os segundos e terceiros filhos, que não recebem a herança do pai, e que antes se dedicavam ao comércio e às empresas além-mar, agora simplesmente se refugiam nas ordens religiosas e vivem à conta de outrem, a maioria das vezes de forma apenas superficialmente religiosa. No início do século XVIII, no reinado de Dom João V, a cidade foi dotada de uma grande obra pública, extraordinária para a época: o Aqueduto das Águas Livres.

Terramoto de 1755 e a Lisboa Pombalina[editar | editar código-fonte]

Representação do Terramoto de Lisboa, um dos mais fortes sismos da história, ocorrido em 1 de Novembro de 1755. A cidade foi reerguida posteriormente por um plano de reconstrução elaborado pelo Marquês de Pombal

A cidade foi quase na totalidade destruída em 1 de Novembro de 1755 por um grande terramoto, e reconstruída segundo os planos traçados pelo Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo), Ministro da Guerra e Negócios Estrangeiros e oriundo da Baixa Nobreza, reagindo celeremente às ruínas do terramoto, terá dito que era necessário enterrar os mortos, cuidar dos vivos e reconstruir a cidade. Uma ideia que vai desenvolver de seguida ao nível da economia e sociedade. A parte central da reconstrução de Lisboa designar-se-á por Baixa Pombalina). A quadrícula adoptada nos planos de reconstrução permite desenhar as praças do Rossio e Terreiro do Paço, esta com uma belíssima arcada e aberta ao rio Tejo.[41] Ainda no século XVIII e a instâncias de D. João V, o Papa concedeu ao arcebispo da cidade o título honorífico de Patriarca e a nomeação automática como Cardeal (daí o título de "Cardeal Patriarca de Lisboa").

Nos primeiros anos do século XIX Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, obrigando o rei Dom João VI a retirar-se temporariamente para o Brasil. A cidade ressentiu-se e muitos bens foram saqueados pelos invasores. A cidade viveu intensamente as lutas liberais e iniciou-se uma época de florescimento dos cafés e teatros. Mais tarde, em 1879, foi aberta a Avenida da Liberdade que iniciou a expansão citadina para além da Baixa.

O centro cultural e comercial da cidade passou para o Chiado, durante o século XIX (cerca de 1880. Com as velhas ruas da Baixa já ocupadas, os donos de novas lojas e clubes estabelecem-se na colina anexa, que rapidamente se transforma. Aqui são fundados os Clubes, como o Grémio Literário famoso das histórias de Eça de Queiróz, e frequentado por Almeida Garrett, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Alexandre Herculano. Estabelecem-se ainda lojas de roupas das modas de Paris e outros produtos de luxo, grandes armazéns no estilo do Harrods de Londres ou das Galerias Lafayette de Paris e novos cafés de Luso-Italianos, como O Tavares e o Café do Chiado.[41]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Culturalmente, este é o período em que as touradas e o fado se transformam em verdadeiros entretenimentos populares regulares. A eles se junta o teatro popular ou teatro de revista (inventado em Paris) que, com as velhas e eruditas comédias e dramas, disputa os novos teatros da capital. Um entretenimento tipicamente português deste tempo é a Oratória, em que actores corrompem a velha arte do Padre António Vieira em argumentos cantados, floridos e quase sempre superficiais com que disputam prémios. Surgem ainda os primeiros grandes jardins públicos, imitando o Hyde Park de Londres e os jardins das cidades alemãs: o primeiro é o Jardim da Estrela, onde passeiam os lisboetas aos fins-de-semana.

Alarmadas as elites impõem a ditadura em 1907 com João Franco, mas é tarde de mais. Em 1908 a família real sofre um atentado (no Terreiro do Paço) em que morrem El-Rei Dom Carlos de Portugal e o herdeiro do trono, o Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, numa acção provavelmente executada pelos anarquistas (que neste período atacam figuras públicas em toda a Europa). Em 1909 os operários de Lisboa organizam extensas greves. Em 1910, em Lisboa, dá-se a revolta que implantaria a república em Portugal. Uma grande quantidade de habitantes da cidade, incitados pelo Partido Republicano Português, formam barricadas nas ruas e são distribuídas armas. Os exércitos ordenados a reprimir a revolução são desmembrados pelas deserções. O resto do país é obrigado a seguir a capital, apesar de continuar profundamente rural, católico e conservador. É proclamada a Primeira República.

Em 1912 os monárquicos aproveitam o descontentamento com as leis liberais dos republicanos no norte do país, e aí tentam o golpe de estado, que falha. Em 1916 Portugal entra do lado aliado na Primeira Guerra Mundial, enviando homens e recursos muito consideráveis num período de crise, e a situação económica e política fica cada vez mais tensa, havendo mesmo episódios de fome.

Foi feita Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 3 de Junho de 1920.[60]

O fim da Primeira República ocorre em 1926, quando a direita conservadora antidemocrática (largamente liderada pelos descendentes da antiga Nobreza do norte de Portugal e pela Igreja Católica) toma finalmente o poder após mais duas tentativas em 1925, alegadamente de forma a por fim à anarquia que ela própria tinha largamente criado. Inicialmente militar, liderado pelo General Gomes da Costa, o novo governo rapidamente adopta uma ideologia fascista sob a liderança de Salazar.[41] O regime de Salazar, o Estado Novo, governou o país durante 4 décadas, submetendo a capital a diversas obras públicas, várias delas alterando a sua face, como foi a construção da primeira grande ponte da cidade, a Ponte Salazar (hoje Ponte 25 de Abril) que na altura da inauguração em 1966 era a maior ponte do velho continente. O regime, já sob a chefia de Marcello Caetano, seria derrubado pela Revolução dos Cravos num golpe de estado realizado em Lisboa a 25 de Abril de 1974.[41]

Desde esta data, após um período conturbado até 1975, Lisboa e o país têm sido governados por um regime democrático. O actual Presidente da Câmara de Lisboa (C.M.L), é António Costa, do Partido Socialista (PS).

Dez anos mais tarde, em 1985, dá-se a Assinatura do Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, por parte do Presidente da República, Mário Soares.[61]

Em 1988, deu-se o Grande Incêndio do Chiado, que destruiu uma boa parte do património lisboeta, assim como a principal zona de comércio de Lisboa, que ainda hoje está a ser reconstruída.[61]

Lisboa continua a desenvolver-se ao ritmo das mais altas cidades/capitais europeias, melhorando as suas infra-estruturas (e construindo novas), melhorando o sistema de segurança, saúde, etc. Em 1994, foi a Capital da Cultura; em 1998, inaugurou a sua segunda ponte, que por sinal, era na altura a mais longa de toda a Europa, e a quarta maior do mundo, a Ponte Vasco da Gama. Nesse mesmo ano (1998), organizou a Exposição Mundial de 1998, no Parque das Nações, com o tema Oceanos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localizada na margem direita do rio Tejo, junto à foz, a 38º42' N e a 9º00' W, com altitude máxima na Serra de Monsanto (226 metros de altitude), Lisboa é a capital mais ocidental da Europa. Fica situada a oeste de Portugal, na costa do Oceano Atlântico.[62]

Os limites da cidade, ao contrário do que ocorre em grandes cidades, encontram-se bem delimitados dentro dos limites do perímetro histórico. Isto levou à criação de várias cidades ao redor de Lisboa, como Loures, Odivelas, Amadora e Oeiras, que são de facto parte do perímetro metropolitano de Lisboa.

O centro histórico da cidade é composto por sete colinas, sendo algumas das ruas demasiado estreitas para permitir a passagem de veículos. A cidade serve-se de três funiculares e um elevador (Elevador de Santa Justa). A parte ocidental da cidade é ocupada pelo Parque Florestal de Monsanto, um dos maiores parques urbanos da Europa, com uma área de quase 10 km².

Lisboa tem ganho terreno ao rio com sucessivos aterros, sobretudo a partir do século XIX. Esses aterros permitiram a criação de avenidas, a implantação de linhas de caminho-de-ferro e a construção de instalações portuárias e mesmo de novas urbanizações como o Parque das Nações e equipamentos como o Centro Cultural de Belém.

Clima[editar | editar código-fonte]

Lisboa é uma das capitais mais amenas da Europa, com um clima mediterrânico (Csa segundo a classificação climática de Köppen)[63] [64] fortemente influenciado pela Corrente do Golfo. A Primavera é fresca a quente (de 8 °C a 26 °C) com sol e alguns aguaceiros. O Verão é, em geral, quente e seco e temperaturas entre 16 °C a 35 °C. O Outono é ameno e instável, com temperaturas entre 12 °C e 27 °C e o Inverno é tipicamente chuvoso e fresco, também com algum sol (temperaturas entre 3 °C e 17 °C). A temperatura mais baixa registada foi de -1,2 °C e a mais elevada foi de 42,0 °C.[65] A temperatura da água do mar varia entre os 15 °C e 16 °C em Fevereiro e entre os 20 °C e 21 °C em Agosto e Setembro, sendo que a média anual é de 17.5 °C. Nas tardes de Verão, o vento tende a soprar moderado (por vezes forte) de noroeste. Pela sua condição geográfica, está entre as capitais europeias com Invernos mais amenos, sendo raras as temperaturas abaixo de zero e bastante esporádica a queda de neve; embora os registos mais recentes datem de 2006 e 2007, podem passar-se muitos anos sem que neve em Lisboa. [carece de fontes?]

Meio ambiente e áreas verdes[editar | editar código-fonte]

Parque Eduardo VII, em Lisboa

Lisboa é uma cidade repleta de espaços verdes, de variadas dimensões. Foi nesta cidade que surgiu o primeiro jardim botânico português: Jardim Botânico da Ajuda. Alguns dos jardins da cidade estão em processo de recuperação, no intuito da criação de um corredor verde na cidade.

Em temos de qualidade do ar, apresenta elevados níveis de poluição atmosférica, com elevados níveis de exposição da população a partículas inaláveis (PM10), o que provoca em média uma diminuição da longevidade dos residentes em seis meses.[66] A poluição atmosférica é mais acentuada em torno das principais vias rodoviárias, em virtude da utilização excessiva de tráfego automóvel, que por sua vez é causada por uma política de mobilidade urbana pouco eficiente e raramente articulada, um pouco como se verifica na maioria das grandes cidades mundiais.

Existem em Lisboa mais de uma centena de parques, jardins, quintas e tapadas, entre eles o Parque Eduardo VII, o Parque Florestal de Monsanto, o Jardim Botânico da Ajuda, o Jardim Botânico de Lisboa, o Jardim da Estrela, a Tapada da Ajuda, entre muitos outros. O Parque Florestal de Monsanto é o maior e mais importante parque da cidade, chamado o seu "Pulmão Verde",[67] ao ser a única grande floresta em Lisboa (as outras mais próximas são a Tapada de Mafra, a Tapada da Ajuda e a Serra de Sintra). Por sua vez, destacam-se entre os jardins o Parque Eduardo VII, o Jardim Botânico da Ajuda e o Jardim Botânico de Lisboa. O primeiro por ser a maior zona verde no centro antigo de Lisboa, e os outros dois por possuírem uma variadíssima colecção de espécies arborícolas. Possui um aquário: o Aquário Vasco da Gama; e um oceanário: o Oceanário de Lisboa. A cidade também possui diversos jardins, sendo de destacar o Jardim Zoológico de Lisboa, o Jardim da Estrela, o Jardim Botânico da Ajuda e o Campo de Santana. Existem ainda importantes parques urbanos como o Parque Eduardo VII, o Parque da Bela Vista e o Parque José Gomes Ferreira.

Vista panorâmica da região de Alfama

Geologia[editar | editar código-fonte]

De maneira sumarizada, Lisboa está dividida em três sectores:[68] Sudoeste (Monsanto-Ajuda-Alcântara), com basaltos do Complexo Vulcânico de Lisboa e calcários do Cenomaniano; Noroeste, com formações do Cenozóico (Complexo de Benfica) e Miocénico; Este (Miocénico).

Segundo a carta geológica (folha 34-D, escala 1:50 000) de Lisboa, podem ser encontradas diversas formações que a seguir se descrevem:[68]

Vista da cidade
  • As Camadas de Prazeres datam do Aquitaniano até ao Burdigaliano inferior. São compostas por argilas intercaladas por margas calcárias com fósseis de Venus riberoi e por níveis carbonosos. No topo podem ser encontradas argilas avermelhadas com canais formados por ostreídeos. Atinge uma espessura máxima de 45m.
  • As Areolas de Avenida da Estefânia pertencem ao Burdigaliano. Basalmente são constituídas por areias e grés argilosos. Possuí também areias argilosas micáceas com fósseis de Chlamys pseudopandorae. A cumear estas areolas existem biocalcarenitos.
  • Os Calcários de Entrecampos datam do Burdigaliano. No topo, a formação é coberta por areia de granulosidade fina e por siltitos argilosos, e mais profundamente existem biocalcarenitos finamente arenosos com grande quantidade de moldes de moluscos.
  • As Argilas de Forno do Tijolo são datadas do Burdigaliano. São compostas por areias de carácter argiloso, por siltitos e por grés finos, com muitos fósseis que são intercalados por biocalcarenitos de aparição rara.
  • As Areias de Quinta do Bacalhau pertencem ao Burdigaliano e são constituídas por areias do tipo fluvial e por argilas típicas de planícies de inundação. No topo, possui bancos de ostras intercaladas.
  • O Calcário de Casal Vistoso pertence ao Burdigaliano e é composto por calcários arenosos, com moluscos e algas rodófitas. As areias com Placuna miocenica, como o nome indica, possui fósseis de Placuna miocenica. Data do Burdigaliano. São também compostas por areias do tipo fluvial, por argilas arenosas e por areias com pirolusite. Na parte superior podem ser encontradas areias típicas de deltas e de dunas.
  • Os Calcários de Musgueira pertencem ao Langhiano. São constituídos por calcarenitos de tonalidade clara, com muitos fósseis, sobretudo de moluscos e rodófitas. Possuem 5 a 6m de espessura.
  • As Areias de Vale de Chelas são do Langhiano, sendo compostas por areias tipicamente fluviais e feldspáticas. No topo existem areias dunares.
  • Os Calcários de Quinta das Conchas são do Langhiano e são compostos, na base, por biocalcarenitos com ostras. No topo, são constituídos por biocalcarenitos que alternam com argilas siltosas.
  • As Argilas azuis de Xabregas pertencem ao Langhiano. Como o nome indica são de tonalidade azul e são ricas em carapaças de organismos pelágicos. Por vezes neles ocorrem areias finas.
  • Os Grés dos Grilos pertencem ao Langhiano e tem uma espessura que pode atingir 15m. São compostos por arenitos grosseiros de cor amarela. Possuem também alguns fósseis, como a os da espécie Ostrea crassissima.
  • Os Calcários de Marvila datam desde o Serravaliano terminal até ao Tortoniano inferior. São compostos por arenitos calcários e calcários margosos.
  • As Areolas de Braço de Prata podem atingir os 20m de espessura. São compostas por areias e arenitos finos intercalados por camadas de calcário margoso com muitos fósseis. Estas areolas datam de entre o Serravalino terminal e o Tortoniano inferior.
  • Finalmente, as Areolas de Cabo Ruivo são constituídas, na parte superior, por areias, arenitos e argilas, e no topo por biocalcarenitos grosseiros. São do Serravaliano terminal até ao Tortoniano inferior.

Segundo o Protocolo CML - MNHN, de 1998, previa-se a classificação de diversas ocorrências de interesse geológico existentes na cidade de Lisboa. Estas ocorrências localizam-se nos seguintes locais: Av. Duarte Pacheco, Rua Fialho de Almeida, Av. Gulbenkian, Rua Sampaio Bruno, Avenida Infante Santo, Rua Amílcar Cabral, Boa Hora - Aliança Operária, Pedreira da Serafina, Travessa das Águas Livres e Rio Seco.[68]

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população de Lisboa é caracterizada por vários altos e baixos ao longo da sua história. Actualmente, a população de Lisboa está em queda.[69] Já a área metropolitana de Lisboa está em crescimento populacional, em decorrência da migração dos habitantes da cidade para as cidades vizinhas.[70] Na actual estrutura demográfica de Lisboa , as mulheres representam mais de metade da população (54%) e os homens 46%.[71] A cidade apresenta uma estrutura etária envelhecida, com 23% de idosos (65 anos ou mais),[72] quando a média portuguesa é de 16%.[73] Entre os mais novos, 13% da população tem menos de 15 anos, 9% está entre os 15 e os 24 anos e 53% dos 25 aos 64 anos de idade.[71]

Administração municipal[editar | editar código-fonte]

É em Lisboa que se localizam os principais órgãos políticos do país (ministérios, tribunais, etc).[74] [75] O município de Lisboa é administrado por uma Câmara Municipal composta por 17 vereadores. Existe uma Assembleia Municipal que é o órgão legislativo do município, constituída por 107 deputados municipais.

O cargo de Presidente da Câmara Municipal ficou vago desde 15 de Maio de 2007, após a demissão de António Carmona Rodrigues que tinha sido eleito pelo PSD. A nova Câmara Municipal foi eleita em 15 de Julho de 2007, tendo sido eleito António Costa, pelo PS.

Subdivisões administrativas[editar | editar código-fonte]

Antes da reorganização administrativa de 2012/2013, Lisboa contava 53 freguesias agrupadas em quatro Bairros Administrativos. A amarelo está o 1.º Bairro, a verde o 2.º, a azul o 3.º e por fim a cor-de-rosa está o 4.º Bairro Administrativo de Lisboa.

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

A cidade de Lisboa faz parte da União de Cidades Capitais Ibero-americanas.[76] [77] Abaixo está uma lista das cidades-irmãs de Lisboa e aquelas com as quais o governo da cidade estabeleceu um acordo de cooperação e amizade:

Cidades-irmãs
Acordo de cooperação e amizade

Economia[editar | editar código-fonte]

A região de Lisboa é a mais rica de Portugal e produz um produto interno bruto (PIB) per capita acima da média da União Europeia, além de ser responsável pela produção de 45% do PIB português. A economia da cidade baseia-se principalmente no sector terciário. A maioria das sedes das empresas multinacionais que operam em Portugal estão concentradas na Grande Lisboa, especialmente no município de Oeiras. A Área Metropolitana de Lisboa é altamente industrializada, especialmente na margem sul do rio Tejo.

A região de Lisboa teve um rápido crescimento económico durante grande parte dos anos 2000 e aumentou seu PIB PPC per capita de 22 745 euros em 2004,[81] para 26 100 em 2007.[82] Em 2011, a região metropolitana de Lisboa registrou um PIB no valor de 95,2 mil milhões de dólares e 31 454 dólares per capita.[83]

O principal porto do país, com uma das maiores e mais sofisticados mercados regionais da península Ibérica, Lisboa e seus populosos arredores também estão a se desenvolver como um importante centro financeiro e um hub tecnológico e dinâmico. Os fabricantes de automóveis têm construído fábricas nos subúrbios como, por exemplo, a AutoEuropa.

Sede da Caixa Geral de Depósitos, o maior banco de Portugal.

A cidade tem o maior e mais desenvolvido sector de meios de comunicação em massa do país e é a sede de várias empresas relacionadas, que vão desde principais redes de televisão e estações de rádio até grandes jornais nacionais e internacionais.

A bolsa de valores Euronext Lisboa, que faz parte do sistema financeiro pan-europeu Euronext, juntamente com as bolsas de Amesterdão, Bruxelas e Paris, está associada com a Bolsa de Valores de Nova York desde 2007, quando o grupo multinacional de bolsa de valores NYSE Euronext foi criado. A indústria da cidade tem muito grandes sectores, como refinarias de petróleo, fábricas de produtos têxteis, estaleiros e indústrias de pesca que são encontradas ao longo do Tejo.

Próximo de Lisboa existe um dos maiores centros comerciais da península Ibérica, o Dolce Vita Tejo (Amadora), já dentro da cidade estão o Centro Colombo, Amoreiras Shopping Center e o Centro Vasco da Gama. Para compras mais típicas, a Baixa de Lisboa. Existem muitos outros centros comerciais nas periferia de Lisboa, como o Almada Forum (Almada), o Allegro Shopping, o Oeiras Shopping (Oeiras), o Rio Sul Shopping (Seixal), o Freeport Alcochete (Alcochete) e outras áreas como no Montijo, em Cascais, em Loures e em Odivelas.

Antes da crise da dívida pública da Zona Euro estourar e um plano de resgate financeiro ser implementado pela UE e pelo FMI na década de 2010, a cidade de Lisboa estava prestes a receber muitos investimentos financiados pelo Estado, incluindo a construção de um novo aeroporto, uma nova ponte, uma expansão de 30 km do sistema do metropolitano da cidade, o construção de um hospital central, a criação de duas linhas de TGV para conectar a capital portuguesa à Madrid, Porto, Vigo e ao resto da Europa, a restauração da parte histórica da cidade, a criação de um grande número de ciclovias, além da modernização e reforma de várias instalações.[41]

Torre Vasco da Gama (à esquerda) no Parque das Nações, um dos centros financeiros da cidade e local onde foi realizada a Exposição Mundial de 1998. Ao fundo, vista da Ponte Vasco da Gama

Infra-estruturas[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade de Lisboa possui escolas e jardins-de-infância, públicas e privadas, de ensino primário, básico e secundário, num total de 312. Na área da Grande Lisboa existem escolas internacionais como a Saint Julian's School, o Carlucci American International School of Lisbon, a St Dominic's International School, a Deutsche Schule Lissabon e o Lycée Français Charles Lepierre.

Lisboa dispõe de três universidades públicas, a Universidade de Lisboa, a mais antiga instituição de ensino da cidade, também chamada Universidade Clássica de Lisboa, a Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa, fundada em 1957, Universidade Aberta, assim como diversas universidades privadas, que oferecem cursos superiores em todas as áreas académicas. Existe também o ISCTE-IUL, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, e o Instituto Politécnico de Lisboa. Neste local, junto ao Hospital de Sta. Maria, destaca-se ainda a existência da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, a maior escola de enfermagem do país.

As maiores instituições privadas de ensino superior, incluem a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade Lusíada, a Universidade Lusófona e a Universidade Autónoma de Lisboa, entre outras. O total de inscritos nas instituições de ensino superior público e privado foi, no ano lectivo de 2007-2008, de 125.867 alunos, dos quais 81.507 em instituições públicas.[84]

A cidade está equipada com diversas bibliotecas e arquivos, sendo a mais importante a Biblioteca Nacional. A merecer destaque como um dos mais importantes arquivos do mundo, com mais de 600 anos, está o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, arquivo central do Estado Português desde a Idade Média e uma das mais antigas instituições portuguesas activas. Há ainda, entre outros, o Arquivo Histórico Militar e Arquivo Histórico Ultramarino.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Hospital de Santa Maria

Em Lisboa existem vários hospitais (quer públicos quer privados), clínicas, centros de saúde, etc. Existe também um projecto em curso, que prevê a construção de um Hospital Central, no Parque da Bela Vista. O Hospital intitulado de Hospital de Todos-os-Santos,[85] [86] englobará alguns hospitais existentes no centro de Lisboa (como por exemplo, o Hospital de Dona Estefânia, o Hospital de Santa Marta, etc. A inauguração está prevista para 2011/2012.

Em Lisboa existem vários hospitais públicos (do Serviço Nacional de Saúde), hospitais militares, centros de saúde, hospitais privados e clínicas. Existe também um projecto em curso, que prevê a construção de um Centro Hospitalar Oriental, no Parque da Bela Vista. Os hospitais de Santa Marta e Santa Cruz começaram por ser especializados em Cardiologia, posteriormente englobaram outras especialidades.

Os hospitais públicos da Cidade de Lisboa estão agrupados em centros: Centro Hospitalar Lisboa Norte; Centro Hospitalar Lisboa Central; Centro Hospitalar Lisboa Ocidental; Centros Especializados; e hospitais militares.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Ponte 25 de Abril, construída em 1966.

Duas pontes unem Lisboa à margem sul do rio Tejo: a Ponte 25 de Abril que liga Lisboa a Almada,[88] inaugurada em 1966 com o nome de Ponte Salazar e posteriormente rebaptizada com a data da Revolução dos Cravos,[89] e a Ponte Vasco da Gama, com 17.2 km de comprimento,[89] a mais longa da Europa e a quinta mais longa ponte do Mundo, que liga a zona Oriental e Sacavém ao Montijo.[88] Inaugurada em 1998 no âmbito da Expo 98, comemora também os 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia.[90] Existe já um projecto aprovado para a construção de uma terceira ponte sobre o Rio Tejo, prevista para 2013.[91] [92]

O aeroporto de Lisboa, aeroporto da Portela, situa-se a 7 km do centro, na zona nordeste da cidade. O Aeroporto da Portela (código IATA: LIS, código ICAO: LPPT) é o maior aeroporto em Portugal,[93] com um volume de tráfego de cerca de 12 milhões de passageiros por ano.[94] [95] Aberto ao tráfego em 1942,[96] o Aeroporto da Portela é servido por duas pistas e possuí dois terminais: o Terminal 1 para voos internacionais, o Terminal 2 para voos nacionais, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.[96] Em 2008 foi aprovada a construção de um novo aeroporto na zona do Campo de Tiro de Alcochete,[97] na margem sul, a cerca de 40 km da cidade. A sua conclusão prevê-se para 2017,[98] entretanto o Aeroporto da Portela permanecerá.

O Porto de Lisboa é um dos principais portos turísticos europeus,[99] paragem de numerosos cruzeiros. Está equipado com três cais para navios-cruzeiro: Alcântara, Rocha Conde Óbidos e Santa Apolónia.[100] A cidade tem ainda várias marinas para barcos de recreio,[101] nas docas de Belém, Santo Amaro, Bom Sucesso, Alcântara Mar e Olivais.[102] Existe ainda uma rede de transportes fluviais, a Transtejo, que liga as duas margens do Tejo, com estações em Cais do Sodré, Belém, Terreiro do Paço e Parque das Nações, na margem norte, e Cacilhas, Barreiro, Montijo, Trafaria, Porto Brandão e Seixal, na margem sul.[103]

Rede ferroviária

A cidade dispõe de uma rede ferroviária urbana e suburbana com nove linhas (4 de metropolitano[104] e 5 de comboio suburbano)[105] [106] e 117 estações (46 de metropolitano e 71 de comboio suburbano). A exploração da rede de metro é efectuada pela Metropolitano de Lisboa[107] [108] e a rede ferroviária suburbana pela Caminhos-de-Ferro Portugueses[109] (linhas de Azambuja, Cascais, Sintra e Sado) e pela Fertagus (linha do eixo Norte-Sul, entre Roma-Areeiro e Setúbal).[106] As principais estações do caminho de ferro são: Oriente, Rossio, Cais do Sodré, Entrecampos e Santa Apolónia.

Construída por altura da Expo'98, a Gare do Oriente é uma das principais estações terminais e interfaces de transportes de Lisboa.[110] Por ela passam comboios, o metropolitano, autocarros e táxis. A estação, com uma notável arquitectura de vidro e colunas aço a lembrar palmeiras, foi desenhada pelo arquitecto Santiago Calatrava.[110] Mesmo em frente, situa-se o Parque das Nações, e a estação possuí ligação ao Centro Comercial Vasco da Gama.

Gare do Oriente, em Lisboa

Com a sua cor amarela característica, os Elétricos de Lisboa são o transporte tradicional no centro da cidade.[111] [112] São explorados pela Carris, assim como os vários elevadores que galgam as colinas de Lisboa: elevador da Bica,[113] elevador da Glória,[114] elevador do Lavra[115] e elevador de Santa Justa.[116]

A rede de eléctricos é composta actualmente por cinco carreiras e percorre um total de 48 km de linhas em bitola de 900 mm, sendo 13 km em faixa reservada. Emprega 165 guarda-freios (condutores de eléctricos, funiculares e elevador) e uma frota de 58 veículos (40 históricos, 10 articulados e 8 ligeiros[117] ), baseados numa única estação — Santo Amaro.

A exploração dos autocarros está também a cargo da empresa Carris.[118] Existe ainda o Terminal Rodoviário de Lisboa, um dos mais importantes do país, onde partem e chegam todos os dias dezenas de autocarros[119] com os mais variados destinos nacionais e internacionais.[120] Os táxis também são muito comuns na cidade, sendo actualmente de cor creme, muitos mantêm ainda as cores emblemáticas dos táxis antigos: preto e verde. Existem várias praças de táxis e circulam centenas de táxis por toda a cidade.

Eléctrico na Rua da Conceição

Apesar da rede de transportes, todos os dias se deslocam para Lisboa mais de 3 milhões de automóveis.[121] Lisboa e a sua área metropolitana são atravessadas por duas auto-estradas circulares, uma exterior e outra interior - a CRIL, Circular Regional Interior de Lisboa e a CREL,Circular Regional Exterior de Lisboa, ou A9. As principais auto-estradas que ligam a cidade à envolvente são as A1 (em direcção a norte, por Vila Franca de Xira), A8 (também para norte, via Loures), A5 (em direcção a oeste, até Cascais), A2 (para sul, por Almada) e A12 (para leste, por Montijo).

Segundo dados de 2000, da Câmara Municipal de Lisboa,[122] e segundo a tipologia de percursos cicláveis, existiam e estavam em projecto 84 km de percursos de bicicleta, 50 km de pistas cicláveis, 73 km de faixas circuláveis e 74 km de tipologia de coexistência com veículos. Em 2008, dava-se a informação[123] que Lisboa iria fazer um investimento de 5 milhões de euros (parte dele com fundo do Quadro de Referência Estratégico Nacional) com o intuito de serem executados mais 40 km de novas vias cicláveis, havendo também a intenção de fazer recuperação de outras já existentes. Na área ribeirinha da cidade, existe já uma pista entre Belém e Cais do Sodré, que irá mais tarde ligar também a Santa Apolónia e posteriormente até ao Parque das Nações. Estava também previsto a instalação de uma rede de 2500 bicicletas, 250 postos de bicicletas e 65 estacionamentos. Em 2009, a informação[124] era a de que já era possível pedalar entre Benfica e Campolide. Em dois anos, a cidade teria 90 km de pistas cicláveis e poderia estar equipada com cerca de 90nbsp;km de pistas cicláveis. Nesse mesmo ano, estaria previsto o funcionamento do anel "Palácio da Justiça - Campolide - Benfica - Carnide - Telheiras - Lumiar - Campo Grande" e a entrada em obras do percurso que uniria, em vários troços, Telheiras ao Parque das Nações. Actualmente, existem também a ciclovia de Monsanto, de 6 km de extensão.

Cultura[editar | editar código-fonte]

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A Torre de Belém, um dos pontos turísticos mais famosos e visitados de Portugal. Sua construção foi iniciada em 1515 e terminou em 1519.

Lisboa é uma cidade com uma intensa vida cultural. Epicentro dos descobrimentos desde o século XV, a cidade é o ponto de encontro das mais diversas culturas, o primeiro lugar em que Oriente, Índias, Áfricas e Américas se encontraram. Mantendo estreitas ligações com as antigas colónias portuguesas e hoje países independentes, Lisboa é uma das cidades mais cosmopolitas da Europa. É possível, numa só viagem de metro ouvir falar línguas como o cantonês, o crioulo cabo-verdiano, o gujarati, o ucraniano, o italiano ou o português com pronúncia moçambicana ou brasileira. E nenhuma delas falada por turistas, mas sim por habitantes da cidade.

Desde 1994, ano em que foi Capital europeia da cultura, Lisboa tem vindo a acolher uma série de eventos internacionais, da Expo 98 ao Tenis World Master 2001, Euro 2004), Gymnaestrada, MTV Europe Music Awards, Rali Dakar, Rock in Rio ou os 50 anos da Tall Ships' Races (Regata Internacional dos Grandes Veleiros). Em 2005, Lisboa foi considerada pela International Congress & Convention Association como a oitava cidade do mundo mais procurada para a realização de eventos e congressos internacionais.

A música tradicional de Lisboa é o fado, canção nostálgica acompanhada à guitarra portuguesa. Uma explicação popular da sua origem remete para os cânticos dos mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, após a reconquista cristã. Mais plausivelmente, a origem do fado parece despontar da popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o lundu, no rico caldo de culturas presentes em Lisboa.

Lisboa acolhe a Companhia Nacional de Bailado, a companhia estatal criada em 1977, com vasto reportório de programação de dança clássica e contemporânea. Após a Expo'98, a CNB tornou-se residente do Teatro Camões, no Parque das Nações. Conta com a Fundação EDP como mecenas exclusivo. A Companhia de Dança de Lisboa, CDL, fundada em 1984, tem como objectivo divulgar e descentralizar a dança, ensinando as diferentes técnicas de dança em aulas abertas à população a partir dos 3 anos de idade. Cria e apresenta espectáculos com particular atenção aos temas da cultura portuguesa, a nível nacional e internacional..[125]

A gastronomia de Lisboa está influenciada pela sua proximidade do mar. Especialidades tipicamente lisboetas são as pataniscas de bacalhau e os peixinhos da horta. Também se pode desfrutar das saborosas sardinhas (principalmente nas épocas festivas, como no Santo António). O famoso Bife à Café, é outro ex-libris alimentar da capital. O doce mais famoso de Lisboa, é o Pastel de Nata, cujos mais famosos são os de Belém, que são feitos numa antiga fabrica na Freguesia de Belém. Reza a lenda, que há mais de 500 anos, uma cozinheira, não tinha ingredientes suficientes para fazer um doce, e que resolveu inventar, ai nasceram os Pastéis de Belém. Foram fabricados durante anos no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, só há poucos anos é que mudaram o seu local de fabricação.

Nas salas de espectáculos destacam-se o Coliseu dos Recreios, a Aula Magna da Universidade de Lisboa, o Fórum Lisboa, os auditórios da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Cultural de Belém e da Culturgest, o Pavilhão Atlântico e a Praça de Touros do Campo Pequeno, para além dos diversos teatros e cinemas.

Eventos[editar | editar código-fonte]

Música e dança

O eixo Alfama-Baixa/Chiado-Bairro alto é palco para a cultura erudita como para a popular. Na noite lisboeta a oferta é variada: a um jantar com fado ao vivo no Bairro Alto pode seguir-se um espectáculo de ópera no São Carlos, ou um concerto no Coliseu dos Recreios. Pode continuar-se com música alternativa na ZDB, ou com uma viagem pelos muitos bares e discotecas do Bairro Alto ou de toda a zona ribeirinha da cidade. Quando o Sol nasce é tempo de ver os habitantes locais e os turistas que enchem os miradouros históricos, como os do castelo, do bairro típico de Alfama do Bairro Alto.

Entrada do Rock in Rio Lisboa

O Festival Jazz em Agosto, realiza-se todos os anos em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian. Aqui, músicos nacionais e internacionais dão concertos para públicos de todas as idades. Lisboa recebe ainda o Festival Internacional de Órgão de Lisboa desde 1998 em órgãos históricos restaurados. Alguns dos locais onde o festival ocorre são a Sé Patriarcal de Lisboa e a Basílica da Estrela. Outro evento relevante no mundo da música é o Super Bock Super Rock, um festival de música de Verão realizado anualmente no Parque do Tejo, na foz do rio Trancão, junto ao Parque das Nações). Organizado desde 1995, é actualmente um dos mais importantes festivais portugueses. Para além destes, existe também o Hype@Tejo, um festival de música electrónica, que ocorre todos os anos perto da Torre de Belém.

O Rock in Rio é um festival de música originalmente organizado no Rio de Janeiro, de onde vem o nome, que rapidamente se tornou um evento de repercussão mundial e, em 2004, teve a sua primeira edição internacional em Lisboa. Ao longo da sua história, teve 7 edições, três no Brasil, três em Portugal e uma em Espanha. Em 2008, foi realizado pela primeira vez em dois locais diferentes, Lisboa e Madrid, e há intenções em organizar uma edição simultânea em três continentes diferentes.[126] Em 2014, Lisboa voltará a receber o Festival.[127]

A cidade de Lisboa é palco de alguns festivais, como o IndieLisboa, um festival internacional de cinema alternativo e independente. O festival é organizado pela associação cultural Zero em comportamento, e conta já com cinco edições desde 2003. Ao longo do Outono volta o cinema com o DocLisboa (festival internacional de documentário), o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa além do Festival "Temps d'Images".

Datas comemorativas

Lisboa possuí um feriado municipal, o 13 de Junho, Dia de Santo António.[128] Porém, o padroeiro da capital é São Vicente. As festas em honra de Santo António de Lisboa, acontecem em toda a cidade e os bairros típicos, como Alfama, Madragoa, Mouraria, Castelo e outros, são enfeitados com balões e arcos decorativos. Neles há arraiais populares, locais engalanados onde se comem sardinhas assadas na brasa, Caldo Verde (uma sopa de couve cortada aos fiapos) e se bebe vinho tinto. A Noite de Santo António, como é popularmente designada, é a festa que começa logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza nesta noite as marchas populares,[129] grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros, um pouco à maneira das escolas de samba, numa espécie de carnaval português. Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico (planta aromática) num pequeno vaso, para oferecer à namorada, o qual traz uma bandeirinha com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. Santo António é conhecido como santo casamenteiro, por isso a Câmara Municipal de Lisboa costuma organizar, na Sé Patriarcal de Lisboa, o casamento de jovens noivos de origem modesta, todos os anos no dia 13 de Junho.[130] São conhecidos por 'noivos de Santo António', recebem ofertas do município e também de diversas empresas, como forma de auxiliar a nova família. Esta tradição dos casamentos de Santo António, começou em 1958.[130] Já as marchas surgiram em 1932.[131]

Todos os anos, de 25 de Novembro a 7 de Janeiro, Lisboa é iluminada por milhões de pequenas luzes. Em 2004, ergueu a Maior Árvore de Natal da Europa. Inicialmente colocada em Belém, passou para o Terreiro do Paço em 2005 e 2006, então com 76 metros de altura, equivalentes a um prédio de 30 andares. Pelas ruas da Baixa, é normal ver-se várias atracções natalícias, como espectáculos de música, animadores disfarçados de Pai Natal, etc (animação de rua).[132] [133] No Ano Novo, são comuns as festas por toda a cidade. A televisão costuma exibir vários programas em directo, e a festa principal da cidade realiza-se no Terreiro do Paço, com vários concertos e um mega-espectáculo pirotécnico à meia-noite em ponto (além do Terreiro do Paço, existem vários pontos de lançamento de engenhos pirotécnicos espalhados por Lisboa e pela margem sul do rio Tejo em frente à capital).[134] [135]

O Carnaval em Lisboa é festejado principalmente nas escolas. Algumas escolas organizam desfiles, que percorrem algumas ruas da cidade (principalmente a Rua Augusta). O mais antigo é o desfile da Escola de Artes Decorativas António Arroio. Nas instituições recreativas e, no Bairro Alto também se pode admirar festas relacionadas com o Carnaval.[136]

Outros
Entrada do ModaLisboa de 2011

A Moda Lisboa aquece o Inverno mais suave de todas as capitais europeias com vários desfiles de moda, onde vários criadores portugueses e estrangeiros mostram as suas tendências.[137]

Lisboa, é também palco de outros inúmeros eventos culturais. O Lisbonarte, consiste em várias exposições de artes plásticas nas galerias de arte lisboetas. Vários artistas expõem os seus trabalhos ao público.[138] No teatro, a Mostra de Teatro Jovem consiste na representação de várias peças teatrais, pelos futuros artistas.

Na literatura, a Feira do Livro de Lisboa, um certame que se realiza anualmente desde Maio de 1930 em Lisboa. A Feira decorre, em geral, nos últimos dias de Maio. A sua localização actual é o Parque Eduardo VII. Nesta feira são, geralmente, convidados vários autores de diversos livros para sessões de autógrafos. São óptimas ocasiões para comprar livros a preços mais baixos.

Outros eventos incluem o Festival dos Oceanos, que ocorre todos os anos em Agosto, no Parque das Nações; o Experimentadesign, um mega-festival de design realizado de dois em dois anos em Setembro; e a LisboaPhoto, uma exposição, onde vários fotógrafos podem expor as suas fotos ao público. Desde 2006 que se realiza em Lisboa um evento dedicado exclusivamente à Luz (um evento bianual), o Luzboa. Pela cidade são espalhados várias instalações criadas por artistas plásticos centradas no tema Luz. Bairro Alto, Baixa, Avenida, são alguns dos locais que recebem este espectáculo.[139] Há vários anos que, no dia 1 de Dezembro, é organizado na Praça dos Restauradores uma grande cerimónia que envolvem várias entidades, políticas, civis e militares, para homenagear a Restauração da Independência de Portugal. Durante 44 anos, Lisboa foi na maior parte das vezes a sede do Festival RTP da Canção. Este festival serve para eleger um representante, que irá representar o país, noutro país europeu, vencedor da edição anterior do Festival Eurovisão da Canção.

Espaços públicos e museus[editar | editar código-fonte]

Lisboa dispõe de três universidades públicas, a Universidade de Lisboa, a Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa e diversas universidades privadas. A cidade está equipada com diversas bibliotecas, sendo a mais importante a Biblioteca Nacional, e arquivos, nomeadamente o Arquivo Histórico Militar e o Arquivo Histórico Ultramarino entre outros, no entanto o que merece maior destaque, por ser um dos mais importantes arquivos do mundo, é a Torre do Tombo.

Entre os museus destacam-se: Museu Nacional de Arte Antiga, com a mais importante colecção nacional de pintura antiga; Museu Calouste Gulbenkian, cuja colecção diversificada inclui seis mil peças de arte de vários períodos históricos; Museu do Chiado, com uma colecção de arte portuguesa a partir do Século XIX; Museu-Colecção Berardo, onde é apresentada uma colecção de arte moderna e contemporânea internacional em paralelo com mostras de arte contemporânea; Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão onde, a par de exposições temporárias se expõe um núcleo permanente de arte portuguesa dos séculos XX e XXI; Museu Nacional dos Coches, o mais visitado do país, com a maior colecção de coches do mundo; Museu da Electricidade com uma exposição permanente onde se mostra a produção de energia e a maquinaria da antiga Central Tejo misturando ciência e diversão; Oceanário de Lisboa, com a sua impressionante colecção de espécies vivas; Museu Militar de Lisboa, com uma exposição permanente de armamento de diversas épocas.

Outros museus e centros culturais: Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva; Museu Rafael Bordalo Pinheiro; Museu do Design e da Moda; Museu de Artes Decorativas; Museu Nacional de Arqueologia; Museu Nacional do Traje; Museu do Oriente; Museu Nacional do Azulejo; Museu da Farmácia; Museu de Marinha; Museu da Água; Museu da Companhia Carris de Ferro de Lisboa; Casa-Museu de Fernando Pessoa; Fundação José Saramago.

Nas salas de espectáculos destacam-se o Coliseu dos Recreios, a Aula Magna da Universidade de Lisboa, o Fórum Lisboa, os auditórios da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Cultural de Belém e da Culturgest, o Pavilhão Atlântico e a Praça de Touros do Campo Pequeno, para além dos diversos teatros e cinemas existentes.

Monumentos e bairros históricos[editar | editar código-fonte]

Vista do bairro histórico de Alfama.

A Baixa Pombalina e Chiado são o "coração" da capital. Foi edificada sobre as ruínas da antiga cidade de Lisboa, destruída pelo grande Terramoto de 1755. A sua edificação obedeceu a um rigoroso plano urbanístico, segundo um modelo reticular de rua/quarteirão, obedecendo à filosofia do Iluminismo. A reedificação da baixa de Lisboa após o terramoto constituiu o primeiro caso de construção tipificada, normalizada e em "série" da humanidade. Os seus autores foram Manuel da Maia e Eugénio dos Santos e a decisão política deve-se ao Marquês de Pombal, ministro d'El Rei D. José I. A Baixa é também a maior zona comercial da cidade de Lisboa. Nas proximidades e com interesse histórico são ainda a Praça dos Restauradores e o Elevador de Santa Justa, projectado em finais do século XIX por Mesnier du Ponsard. Na baixa também se localiza a Praça do Comércio, também conhecida como Terreiro do Paço, o Rossio, ou Praça Dom Pedro V, Chiado, o Convento do Carmo e a Praça dos Restauradores.

Alfama é um dos bairros mais típicos de Lisboa, com sua arquitectura típica cidade árabe e medieval com ruas estreitas, sendo um dos poucos sítios de Lisboa que sobreviveu ao Terremoto de Lisboa de 1755. É em Alfama que se encontram a maioria das casas de Fado, onde se pode desfrutar de vários espectáculos ao vivo. Em Alfama, distinguem-se o Castelo de São Jorge, na colina mais alta do centro da cidade, a Sé de Lisboa, o Panteão Nacional e a Feira da Ladra e o Miradouro de Santa Luzia.

O Bairro Alto é um bairros típicos de Lisboa, situado no centro da cidade, acima da baixa pombalina. É uma zona de comércio, entretenimento e habitacional. Actualmente, o Bairro Alto é um lugar de "reunião" entre os jovens da cidade, e uma das principais zonas de divertimento nocturno da capital. Aqui concentram-se tribos urbanas, que possuem os seus lugares de reunião próprios. O fado, ainda sobrevive nas noites do bairro. As pessoas que visitam o Bairro Alto durante a noite são uma miscelânea de locais e de turistas.

Junto à zona ribeirinha do Tejo, a Poente do centro da cidade, encontra-se a freguesia de Belém, representante da cidade da época dos Descobrimentos. Podemos ver nesta zona duas construções classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade: o Mosteiro dos Jerónimos, mandado construir pelo Rei D. Manuel I em 1501 e o melhor exemplo do denominado Estilo Manuelino, cuja inspiração provém dos descobrimentos, estando também associado ao estilo gótico e algumas influências renascentistas. O mosteiro custou o equivalente a 70 kg de ouro por ano, suportados pelo comércio de especiarias. Os restos mortais de Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, repousam no Mosteiro, e também o grande descobridor Vasco da Gama. Muito perto do Mosteiro dos Jerónimos, encontra-se a Torre de Belém, construção militar de vigia na barra do Tejo, o grande "ex-libris" da cidade de Lisboa e uma preciosidade arquitectónica. Para além disto, é em Bélem que se encontram o Padrão dos Descobrimentos, o Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, o Museu Nacional dos Coches, o Museu da Electricidade, a Igreja da Memória e o Centro Cultural de Belém.

A freguesia da Estrela inclui um dos parques mais famosos e antigos da capital, o Jardim da Estrela, que foi criado há mais de 100 anos, e foi inspirado pelo Hyde Park, em Londres. A Basílica da Estrela, com um estilo Barroco-Neoclássico, é a principal atracção desta zona da cidade. A Assembleia da República e o Cemitério dos Prazeres, são também outros dois pontos importantes da cidade, que se localizam neste zona da cidade.

Representante da Lisboa moderna, o Parque das Nações nasceu em 1998, para acolher a exposição mundial Expo 98 subordinada ao tema dos Oceanos. A exposição abriu a 22 de Maio de 1998, dia em que se celebraram os 500 anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Com tudo isto, a zona oriental da cidade chamada Parque das Nações tornou-se na zona mais moderna de Lisboa e mesmo de Portugal, e Lisboa ganhou imensas estruturas, como a Torre São Rafael e Torre São Gabriel, ambas com 110 metros de altura, as mais altas estruturas de Lisboa e de Portugal). As principais atracções do bairro são: o Oceanário de Lisboa, o Pavilhão Atlântico, o Pavilhão de Portugal, a Torre Vasco da Gama, a Ponte Vasco da Gama e o Gare do Oriente, do arquitecto Santiago Calatrava.

Do início do século XVIII o monumento mais significativo é o Aqueduto das Águas Livres.[140] De referir ainda os palácios reais das Necessidades e da Ajuda, na parte Oeste da cidade. Em finais do século XIX os planos urbanísticos permitiram estender a cidade além da Baixa para o vale da actual Avenida da Liberdade. Em 1934 é construída a Praça do Marquês de Pombal,[141] remate superior da avenida. No século XX sobressaem os extensos planos urbanísticos das Avenidas Novas, da envolvente da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária), e da zona dos Olivais, e os mais recentes do Parque das Nações e da Alta de Lisboa, ainda em construção.

Desportos[editar | editar código-fonte]

O futebol é o desporto mais popular de Lisboa. Os clubes de futebol mais destacados são o Sport Lisboa e Benfica (SLB) e o Sporting Clube de Portugal (SCP), conhecidos apenas por Benfica e Sporting respectivamente. Estes clubes jogam nas mais altas modalidades desportivas nacionais e internacionais: o Benfica joga no Estádio da Luz, com 65 mil lugares sentados e com a distinção de 5 estrelas pela UEFA. Já ganhou duas vezes a Liga dos Campeões da UEFA, tendo já chegado um total de 7 vezes à final. Os seus jogadores mais famosos são Eusébio (Bola de Ouro, Bota de Ouro por 2 vezes), Rui Costa (FIFA 100), Nuno Gomes e Simão Sabrosa. O Sporting joga no Estádio José Alvalade, com uma capacidade para 52 mil pessoas com a distinção de 5 estrelas pela UEFA. Vencedor da Taça dos Clubes Vencedores de Taças e finalista, por uma ocasião, da Taça UEFA, é o segundo clube na Europa com mais títulos no conjunto de todas as modalidades, apenas suplantado pelo FC Barcelona, e o terceiro clube europeu com mais taças europeias conquistadas (21). Os jogadores mais famosos que surgiram no Sporting são Luís Figo e Cristiano Ronaldo, ambos distinguidos como "Melhor Jogador do Mundo" pela FIFA (FIFA World Player) e ambos vencedores da "Bola de Ouro".

Outro clube desportivo importante é o Belenenses, com uma grande tradição no desporto português. O Belenenses é a terceira equipa de futebol da cidade, jogando no Estádio do Restelo e competindo na Primeira Liga. Porém, atrás dos clubes anteriores, com um número de sócios muito inferior.

O futebol de salão é provavelmente o segundo desporto mais popular da capital, havendo quatro equipas na Primeira Liga: Sporting, Benfica, Belenenses e S.L. Olivais. Os três grandes clubes da cidade possuem equipas profissionais. O basquetebol profissional tem cada vez mais seguidores. Belenenses, Benfica e Sporting possuem equipas profissionais, jogando na primeira divisão, e Lisboa foi a sede do Mundial Masculino de Basquetebol de 2003, disputado no Pavilhão Atlântico. Outro desporto popular é o hóquei: a Selecção Portuguesa de Hóquei ganhou 15 títulos de campeão do mundo e obteve um grande apoio dos cidadãos. Na cidade, praticam-se muitos outros desportos, com destaque para os desportos náuticos, como vela e remo, mas também golfe, ciclismo, etc.

As principais instituições desportivas lisboetas além das referidas são: Ginásio Clube Português, Associação Naval de Lisboa, Clube Naval de Lisboa, Casa Pia Atlético Clube, Atlético Clube de Portugal, CDUL - Rugby, Grupo Desportivo de Direito.

A Meia Maratona de Lisboa realiza-se todos os anos no mês de Março, e conta com a participação de milhares de concorrentes de vários países, profissionais e amadores. Existem sempre dois estilos de provas, uma curta para amadores que não se sintam muito preparados, e uma mais longa para profissionais, e quem quiser arriscar.[142] [143] A parte principal da corrida/maratona é quando os participantes atravessam a Ponte 25 de Abril.

Em 2014, Lisboa sediou a Final da Liga dos Campeões da UEFA de 2013–14.

Panorama do interior do Estádio da Luz

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Até 2012, o concelho de Lisboa tinha 53 freguesias.

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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