Listeria monocytogenes

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L. monocytogenes

L. monocytogenes
Classificação científica
Reino: Bacteria
Filo: Firmicutes
Classe: Bacilli
Ordem: Bacillales
Família: Listeriaceae
Género: Listeria
Espécie: L. monocytogenes
Nome binomial
Listeria monocytogenes
(Murray et al., 1926) Pirie, 1940

Listeria monocytogenes é uma espécie de bactéria capaz de provocar doenças em seres humanos, tais como meningite. São bacilos pequenos, anaeróbios facultativos e Gram positivos, que podem aparecer isolado ou agrupados em pares ou cadeias curtas.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A espécie foi isolada de diversas fontes ambientais, bem como de fezes de mamíferos, aves, peixes e insetos. Estima-se que até 5% das pessoas normais sejam portadoras desta bactéria nas fezes. No entanto, as principais fontes do microorganismo provavelmente são o solo e a matéria vegetal em decomposição.[1]

Nos Estados Unidos, cerca de 2 500 infecções ocorrem anualmente, no entanto este número pode ser muito maior, já que algumas infecções leves sequer são relatadas. A listeriose humana tem picos de incidência nos meses mais quentes do ano.[1] Vários casos epidêmicos foram associados ao consumo de alimentos contaminados, tais como leite, requeijão, carne e derivados (como frios fatiados e salsichas de peru).[2]

Ocorrências[editar | editar código-fonte]

A listéria causa uma infecção chamada listeriose, que tem alto índice de mortalidade. A listéria (Listeria monocytogenes) é uma bactéria móvel, resistente ao congelamento e outras condições adversas, sobrevive por longos períodos em indústrias processadoras de alimentos e áreas manipuladoras de alimentos e está amplamente distribuída na natureza. A maior incidência de listéria está associada aos surtos de doenças transmitidas por alimentos.

A Listeria monocytogenes sobrevive no homem, que pode ser contaminado através do solo, estrume, carrapatos, geladeiras, vegetação, frutas, legumes, água (rios, lagos, mar, etc), mamíferos, aves domésticas e silvestres, peixes, crustáceos, moluscos, rãs, esgotos tratados ou não e fábricas processadoras de carnes, leites e derivados.

A infecção por listéria, chamada de listeriose, apresenta uma alta taxa de mortalidade. Ela é a causa de 38% dos óbitos nos EUA relacionados a doenças de origem alimentar (Mead et al., 1999). Segundo dados do CDC (Center for Disease Control and Prevention), órgão do governo norte-americano ligado ao HHS (Department of Health and Human Services), cerca de 2,5 mil casos de listeriose são registrados anualmente nos EUA, sendo que 90% deles levam a hospitalizações e 20% deles levam a óbitos.

Os mais suscetíveis à listeriose são crianças, mulheres grávidas e o feto, indivíduos imuno-deficientes e idosos. Os principais sintomas são semelhantes à gripe, além de febre e diarréia. Mas ela ainda pode causar septicemia, meningite, encefalite e infecções cervicais e intra-uterinas em mulheres grávidas, levando ao aborto espontâneo. Calcula-se que de 5% a 10% da população seja portadora de Listeria monocytogenes.

O ano de 1998 registrou um grande surto de listeriose nos EUA. Depois disso, tanto o país quanto a UE instituíram a tolerância zero à bactéria em produtos industrializados. A listéria é apenas a quarta principal causa de infecções alimentares nos EUA (depois da Campylobacter, Salmonella e E. coli), porém, sua taxa de mortalidade é a mais alta. No Brasil e em outros países em desenvolvimento não há estatísticas oficiais de casos de listeriose, pois sua notificação não é obrigatória. No Brasil, a única legislação que exige o controle de listéria em alimentos processados é destinada a queijos de alta umidade, como ricota, meia cura e minas. O Programa de Redução de Patógenos da Anvisa contempla atualmente apenas o controle da Salmonella. No caso de relatos de infecções alimentares, o único que se obriga de médicos e hospitais é com relação àquelas provocadas pela bactéria Clostridium botulinum, que causa o botulismo.

Existem dados nacionais que comprovam a ocorrência de Listeria monocytogenes em alguns alimentos:

Produtos (quantidade de amostras)

Listéria m %

Fonte

Lingüiça mista frescal (5)

10

Von Laer et al., 2005

Nuggets de frango (25) 

100

Rodrigues et al., 2002

Mortadela fatiada emb. a vácuo (45) 

100

Berson et al., 2001

Salmão in natura (25)

48

Silvestre e Destro, 1999

Salsicha granel (40)

30

Aragon et al., 2005

Queijo coalho (84)

19

Branco et al., 2003

Camarão (178)

18

Destro et al., 1994

Salmão Gravilax: resfriado (25)

15

Kinoshita et al., 2000

Salmão Gravilax: congelado (25)

35

Kinoshita et al., 2000

Salame fatiado emb. à vácuo (45)

6,7

Sakate et al., 2003

Presunto fatiado (40)

50

Sakate et al., 2003

Carne moída (40)

67,5

Aragon et al., 2005

Salada hortaliças mín. processadas (181)

0,6

Froder et al

É possível eliminar 100% de listéria, desde que se tenham instalações adequadas aos processos de higiene e que procedimentos como desinfecção, higienização, boas práticas de fabricação, manter o refrigerador limpo, evitar produtos fora do prazo de validade, aquecer sobras a temperaturas elevadas, etc, sejam seguidos. Dados mundiais sobre infecções alimentares provocadas pelo consumo de alimentos contaminados por microrganismos patogênicos, produtos químicos e outros indicam:

  • 1,5 bilhões de casos de toxi-infecções alimentares por ano;
  • 75 milhões de casos, 325 mil hospitalizações e cinco mil mortes/ano nos EUA (uma em cada 10 casos registrados);
  • 15 casos/pessoa durante a vida;
  • US$ 1 a 10 bilhões/ano são gastos com estes casos;
  • Uma das causas mais comuns de mortalidade em países em desenvolvimento.

Estudos relacionados ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 2003, Schwab & Edelweiss confirmaram a presença da listéria em 33% das placentas que apresentavam alterações anatomopatológicas, índices também encontrados por outros autores no Brasil e no mundo. A literatura médica também afirma que em casos de diagnóstico precoce e emprego de antibioticoterapia, há a melhora clínica e laboratorial dos portadores da doença.

Algumas dificuldades no controle e no estudo da listeriose no Brasil, bem como na intervenção em situações de emergência, incluem: a recuperação de organismos envolvidos nos surtos, a falta de notificação e a demora na realização de análises clínicas convencionais, que já são suficientes para a detecção da bactéria.

Essas características, associadas ao fato de que a bactéria apresenta alta virulência a partir de baixa dose infectante, dificultam o controle e prevenção da listeriose. Esses fatores somados colocam a doença na condição de relevância para a saúde pública, nas esferas das vigilâncias sanitária e epidemiológica, envolvendo a investigação de surtos, o desenvolvimento de novas técnicas de garantia da qualidade e inocuidade de alimentos, consolidação do comércio exterior de alimentos, entre outros.

Durante três décadas, um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) analisou a ocorrência de Listeria monocytogenes, bactéria causadora da listeriose, em várias fontes de infecção e vias de transmissão provenientes de diversas regiões do país. O resultado revela um panorama da doença bacteriana de origem alimentar que por muito tempo permaneceu pouco estudada.

Foram analisadas 266 amostras de material clínico humano, coletadas entre 1969 e 2000 em Pernambuco, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Estas amostras tinham diagnóstico presuntivo para a presença de Listeria, agente da listeriose humana e animal. Em 245 amostras foram confirmadas a presença Listeria monocytogenes, predominando os isolamentos em indivíduos com meningite purulenta e, em segundo plano, pacientes com septicemia (presença na corrente circulatória). O estudo foi publicado em artigo na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, na edição de janeiro/fevereiro de 2006.

Na distribuição geográfica dos isolados, houve uma predominância de Listeria monocytogenes nas regiões sudeste e sul do país (87,8%), embora tenha sido também detectada em estados do centro-oeste e nordeste (10,9%).

Para alguns autores, a listeriose compromete mais as populações de regiões industrializadas. Mesmo em regiões desenvolvidas, existe uma diferença da incidência de listeriose nas classes sociais: aquelas mais elevadas foram as mais comprometidas. Em grande parte, isso se deve ao consumo de alimentos prontos, cujos ingredientes por vezes são estocados à temperatura de refrigeração, que favorece a multiplicação da Listeria.

Referências

  1. a b Murray 2009, p. 256
  2. Murray 2009, p. 257

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Murray, Patrick; Rosenthal, Ken; Pfaller, Michael. Microbiologia médica (em português). 6ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 948 pp. ISBN 9788535234466

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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