Literatura da Suécia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Literatura sueca engloba as obras literárias escritas em sueco, tanto na Suécia como na Finlândia de expressão sueca ou nas ilhas de Åland.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A pedra de Rök
Photo : Bengt O Åradsson

A Pedra de Rök, é considerada a peça literária mais antiga da Suécia. Esta pedra rúnica contém um texto composto por 760 caracteres rúnicos, gravados nos dois lados da referida pedra. O texto está escrito em nórdico antigo, e é enigmático, tendo várias interpretações. Está localizada em Ödeshög, na província histórica da Östergötland, e foi datada para o século IX.

A estrofe de Teoderik - uma passagem da Pedra de Rök


A pedra é um bloco de granito cinzento claro, com cerca de 382 cm de altura (dos quais 125 debaixo do chão), 138 cm de largura, e uma espessura que varia entre 19 e 43 cm.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

A Antiga Lei da Västergötland escrita em 1220 por Eskil Magnusson

As Leis Provinciais (landskapslag) são os mais antigos textos em sueco. Foram escritas nos séc. XI e XII, e refletem a sociedade medieval e as suas normas. A Antiga lei da Västergötland - Västgötalagen - foi escrita por Eskil Magnusson por volta de 1220. A Lei da Uppland foi decretada em 1296, tendo como provável autor Birger Persson.

Apesar de estes documentos serem em sueco, a maior parte da literatura medieval da Suécia era escrita em latim, e tinha caráter religioso.

O Convento de Vadstena, foi um importante centro cultural, e foi lá que a Santa Brígida escreveu as suas Visões celestiais.

Algumas obras[editar | editar código-fonte]

Época de Vasa e Época Do Império[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado de Gustavo Vasa, surgiu a primeira tradução sueca da Bíblia conhecida como Bíblia de Gustavo Vasa, publicada em 1541, e provavelmente da autoria de Laurentius Andreæ e Olaus Petri. A ortografia ainda não estava normalizada e os vocábulos alemães dominavam. Graças a esta obra estava iniciada a normalização da língua e ortografia suecas.

Em 1668, Georg Stiernhielm publicou a coleção de poemas Musæ Suethizantes, que é considerada a primeira obra poética de vulto em língua sueca. Graças a isso, Georg Stiernhielm é apelidado de ”o pai da arte poética sueca”.

No campo da prosa, Olof Johannis Rudbeck, escreveu o épico imperial sueco Atlantica, que reflete a ideia de grandiosidade nacional.

Alguns nomes de obras e de escritores[editar | editar código-fonte]

Era da Liberdade e Época Gustaviana[editar | editar código-fonte]

Academia Sueca em Estocolmo

A Era da Liberdade foi marcada pela revista semanal "O Argus Sueco" publicada por Olof von Dalin em 1732-1734 e pelo Decreto da Liberdade de Imprensa em 1766. Todavia Gustavo III tomou o poder por um golpe de estado em 1771, pondo fim a esse período.

Apesar de ter asfixiado a relativa liberdade existente no país, o rei Gustavo III deu um contributo importante para a literatura e língua suecas ao fundar a Academia Sueca em 1786.

Uma referência importante[editar | editar código-fonte]

Romantismo[editar | editar código-fonte]

Capa da revista literária Phosphoros

O romantismo sueco partiu essencialmente da associação Auroraförbundet e da sua revista Phosphoros, publicada em 1810-1813.

Esaias Tegnér e Gustav Geijer representam a corrente do romantismo nacionalista, impulsionada pela associação Götiska förbundet.

No romance, a figura central é Carl Jonas Love Almqvist, que escreveu Törnrosens bok, e mais tarde Det går an, já a caminho do realismo, com um posicionamento muito moderno - universalista e a favor da igualdade entre os sexos.

Na Finlândia, Johan Ludvig Runeberg é o poeta nacional do país, autor do poema "Nossa Terra" (Vårt land em sueco, Maamme em finlandês), letra do hino nacional da Finlândia.


Realismo e Naturalismo[editar | editar código-fonte]

August Strindberg

O realismo na Suécia foi marcado pelo aparecimento do jornal Aftonbladet em 1830. A corrente realista sueca estava ligada à corrente política do liberalismo. Foi nesta época que a imprensa e o romance atingiram o grande público, e a escola pública e obrigatória foi introduzida. [1]

O realismo literário está representado por escritores como Fredrika Bremer e August Strindberg, e ainda por Carl Jonas Love Almqvist e Erik Gustaf Geijer.

A Fredrika Bremer devemos os primeiros romances realistas da literatura sueca, nos quais a autora afirma um radicalismo feminista e uma revolta contra a sociedade machista do seu tempo. [2]

Carl Jonas Almqvist escreveu simultaneamente em estilo romântico e realista, tendo explorado a condição da mulher de uma forma que ainda hoje é sentida como atual. [3]

A alma inquieta e buscadora da verdade de August Strindberg dominou a cena literária sueca da época, introduzindo o naturalismo no país. As suas obras Röda rummet, Svenska folket och August Strindbergs lilla katekes för underklassen combinam realismo com crítica socialista, aliados a uma verdadeira renovção plástica do idioma sueco. [4]
No romance Gente de Hemsö (Hemsöborna) é o naturalismo e o evolucionismo que estilizam a obra.
No género dramático, Fadren e Fröken Julie, assumem plenamente o naturalismo.

Strindberg exerceu influência sobre escritores como Jan Myrdal, Franz Kafka, Eugene O’Neil, Lars von Trier, e cineastas como Ingmar Bergman.

Fim de século[editar | editar código-fonte]

O Fim de século, na Suécia designado de Nittiotalet, marca o regresso do culto da fantasia e da beleza, numa revolta contra a atmosfera pesada, o cansaço, a decadência de expectativas e o "realismo de sapateiro" da década anterior. [5] [6] [7]

Através da da sua obra Vallfart och vandringsår (1888), carregada de romantismo, individualismo e sensualismo, Verner von Heidenstam marca o rompimento com o realismo e o naturalismo.

Gustaf Fröding confirma a nova época com seu livro Guitarr och dragharmonika (1891), um regresso romântico aos motivos provinciais imbuído de calor humano.

O simbolismo na Suécia assinala uma revolta contra a moral social, e tem alguma ressonância na obra de Strindberg, e mais tarde, Sven Lidman e Vilhelm Eklund.

Selma Lagerlöf, Nobel da Literatura, rompe também com o ideal da objetividade realista no seu clássico Gösta Berlings saga, publicado em 1891.

Outra obra clássica da sua autoria é A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia (Nils Holgerssons underbara resa genom Sverige).

Já na viragem do século, o poeta Karlfeldt traz a Dalecárlia folclórica ao salão eterno da poesia.

O Prémio Nobel é instituído em 1901, passando a ser atribuído anualmente pela Academia Sueca. Entre os galardoados estão três escritores desta época: Verner von Heidenstam, Selma Lagerlöf e Erik Axel Karlfeldt.

Novo século[editar | editar código-fonte]

O período 1914-1945 foi marcado por guerras mundiais e revoluções europeias. A Suécia aprofundou a democracia introduzindo o voto universal para homens e mulheres. A economia proporcionou um crescente bem-estar. A escolaridade e os hábitos de leitura aumentaram.

As décadas iniciais[editar | editar código-fonte]

Perfil de Hjalmar Bergman, em estátua de aço, na reserva cultural de Wadköping em Örebro.

Na década inicial do novo século, o romancista Hjalmar Bergman trouxe algo de novo, rompendo com o pessimismo do século passado e acentuando o papel da vontade e da responsabilidade social. Os seus romances da pequena cidade provincial, povoada de personagens quase caricaturais, movidas pelo seus sonhos e temores exprimem um realismo literário burguês.

Na lírica, o grande nome foi a poetisa sueco-finlandesa Edith Södergran, uma experimentalista modernista arrasando a métrica regular.
E no lado sueco, o poeta e prosador Pär Lagerkvist assumiu definitivamente uma tonalidade realista e expressionista, ventilando as grandes questões existenciais.

Alguns anos mais tarde, Gunnar Ekelöf enveredou pelo surrealismo, enquanto Artur Lundkvist e Harry Martinson fizeram escola realista entre os escritores suecos do seu tempo.

A literatura proletária[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, surge uma série de escritores – muitas vezes auto-didatas – que descrevem a situação das classes sociais desfavorecidas, com destaque para o mundo agrícola. Nesta literatura proletária sueca há a destacar, entre outros, Harry Martinson, Eyvind Johnson, Ivar Lo-Johansson, Jan Fridegård e Vilhelm Moberg.
Mais recentemente, nos anos 60, com o aumento do ativismo político, novos escritores se afirmam dando uma certa continuidade à literatura proletária: Jan Myrdal e PC Jersild.

Três escritores desta época foram recompensados com o Prémio Nobel: Harry Martinson, Eyvind Johnson, e Pär Lagerkvist.

O romance policial[editar | editar código-fonte]

O romance policial tem tido grande sucesso na Suécia e no estrangeiro, especialmente na Alemanha.

Depois do sucesso do par Sjöwall/Wahlöö - composto por Maj Sjöwall e Per Wahlöö - nos anos 70, surgiu uma série de escritores de projeção internacional: Jan Guillou, Henning Mankell, Liza Marklund, Stieg Larsson e Camilla Läckberg.

A dupla Sjöwall/Wahlöö criou o inspetor Beck e inseriu-o em ambientes sociais cuidadosamente retratados.

Por sua vez, Henning Mankell criou o inspetor Kurt Wallander, em atividade na cidade de Ystad.

Jan Guillou deu vida a um espião sueco chamado Carl Hamilton, na sua série de romances de espionagem Coq Rouge. Além disso Jan Guillou escreveu uma série de romances históricos, inventando uma personagem de nome Arn Magnusson. Os romances de Arn tiveram um enorme impacto na Suécia dos nossos dias.

Por seu lado, Liza Marklund deu-nos a jornalista Annika Bengtzon, mergulhada em debate político e social. Dois dos seus romances foram filmatizados por Colin Nutley.

Um cometa literário entre 2005 e 2007 é o controverso Stieg Larsson e a sua Trilogia Millenium com o par de detetives Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist, em que Lisbeth faz pensar na Pippi de Astrid Lindgren.

A literatura infantil[editar | editar código-fonte]

Píppi Meialonga num selo alemão.

Outro campo de sucesso internacional foi a literatura infantil, com as suas estórias fantásticas, imbuídas de realismo social.
Astrid Lindgren tem tido uma projeção mundial através dos livros com a Pippi Långstrump - conhecida como Píppi Meialonga ou Pipi das Meias Altas - o Emílio, a Madicken e a Ronja.
Tove Jansson construiu um universo fictício à volta da Família Mumin, uma família de trolls nórdicos.

Esta geração, foi precedida na passagem de século pelas obras inesquecíveis de Elsa Beskow e Selma Lagerlöf.

Referências

  1. Litteraturhistoria – Realismen (em sueco) Lär dig något nytt idag!. Visitado em 14 de maio de 2015.
  2. Thomas Magnusson e Peter A. Sjögren. Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB, 2004. Capítulo: Litteratur. , 654 p. p. 330. ISBN 91-0-010680-1
  3. Thomas Magnusson e Peter A. Sjögren. Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB, 2004. Capítulo: Litteratur. , 654 p. p. 325. ISBN 91-0-010680-1
  4. Thomas Magnusson e Peter A. Sjögren. Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB, 2004. Capítulo: Litteratur. , 654 p. p. 359. ISBN 91-0-010680-1
  5. Bonniers Compact Lexikon (em sueco). Estocolmo: Bonnier lexikon, 1995-1996. Capítulo: Nittiotalismen. , 773 p. ISBN 91-632-0067-8
  6. Olof Nordberg; Ulf Wittrock. Dikt och data (em sueco). Estocolmo: LiberLäromedel, 1980. Capítulo: Åttiotal och nittiotal. , 515 p. p. 230-265. ISBN 91-40-20190-2
  7. Thomas Magnusson e Peter A. Sjögren. Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB, 2004. Capítulo: Litteratur. , 654 p. p. 351. ISBN 91-0-010680-1 Página visitada em 12 de maio de 2015.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Enciclopédia Nacional Sueca (em sueco) Enciclopédia Nacional Sueca. Visitado em 30 de junho de 2013.
  • Olsson, et al, Svensk litteratur (Literatura sueca), Estocolmo, Norsteds Akademiska förlag, 2002.
  • Gustavson, Helmer, Svenska kulturminnen 23: Rökstenen (Memórias culturais suecas 23: Pedra de Rök), Estocolmo, Riksantikvarieämbetet, 1992.
  • Nordberg, Olof; Ulf Wittrock. Dikt och data (em sueco). Estocolmo: LiberLäromedel. Capítulo: Åttiotal och nittiotal. , 515 p. p. 230-265. ISBN 91-40-20190-2
  • Hägg, Göran. 1001 böcker du måste läsa innan du dör (1001 livros para ler antes de morrer) (em sv). Estocolmo: Wahlström & Widstrand, 2008. ISBN 9146216499</ref>
  • Bonniers Compact Lexikon (em sueco). Estocolmo: Bonnier lexikon, 1995-1996. ISBN 91-632-0067-8
  • Litteraturbanken (em sueco) Litteraturbanken. Visitado em 30 de junho de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


---Sidenote START---

Literatura nórdica

Flag of Denmark.svg Literatura dinamarquesa Flag of the Faroe Islands.svg Literatura feroesa Flag of Finland.svg Literatura finlandesa Flag of Iceland.svg Literatura islandesa Flag of Norway.svg Literatura norueguesa Flag of Sweden.svg Literatura sueca