Livramento de Nossa Senhora

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Município de Livramento de Nossa Senhora
""Oásis do Sertão Baiano""
Bandeira de Livramento de Nossa Senhora
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 6 de outubro de 1921-92 anos de emancipação política
Fundação 1715
Gentílico livramentense
Prefeito(a) Paulo César Cardoso de Azevedo (PRP)
(2013–2016)
Localização
Localização de Livramento de Nossa Senhora
Localização de Livramento de Nossa Senhora na Bahia
Livramento de Nossa Senhora está localizado em: Brasil
Livramento de Nossa Senhora
Localização de Livramento de Nossa Senhora no Brasil
13° 38' 34" S 41° 50' 27" O13° 38' 34" S 41° 50' 27" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Livramento do Brumado IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Rio_de_Contas_(Bahia), Brumado, Caetité,Lagoa Real, Dom Basílio, Paramirim e Érico Cardoso.
Distância até a capital 658 km
Características geográficas
Área 2 267,021 km² [2]
População 45 236 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 19,95 hab./km²
Altitude 500m m
Clima Semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,611 médio PNUD/2010
PIB R$ 174 699,689 mil IBGE/2008[4]
PIB per capita R$ 3 970,99 IBGE/2008[4]
Página oficial

Livramento de Nossa Senhora é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população estimada em 2013 é de 45.236 habitantes.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Livramento de Nossa Senhora possui uma área de 2.291 quilômetros quadrados. Está localizado a sudoeste da capital Salvador, distante cerca de 606 quilômetros por via rodoviária de pavimentação asfáltica. Situa-se entre 13° 17' a 15° 20' de latitude sul e entre 41° 05' a 43° 36' de longitude W. Limita-se ao norte com o município de Rio de Contas, ao sul com os municípios de Brumado e Caetité, a leste com o município de Dom Basílio, a oeste com o município de Paramirim e a noroeste com o atual município de Érico Cardoso (antigo Água Quente).

História[editar | editar código-fonte]

A Serra Geral da Bahia foi desbravada em meados do século XVII, quando Antônio Guedes de Brito, fundador da Casa da Ponte, expandiu seus currais até as nascentes do rio da Velhas, em Minas Gerais. Possuía uma sesmaria, que lhe foi encartada pelo conde de Óbidos, d. Vasco de Mascarenhas, desde o rio Itapicuru até o rio São Francisco e daí até o rio Paraguaçu.

No fim do século XVII, 1681, quando o sargento-mor Francisco Ramos, o cônego Domingos Vieira de Lima, Manuel O. Porto e o vigário Antônio Filgueiras subiram o rio das Contas até a serra do Sincorá, á existiam negros mocambados na margem esquerda do rio de Contas Pequeno (rio Brumado). Esse povoado era chamado de Arraial dos Crioulos, que se transformou em ponto de pouso para os viajantes do norte de Minas Gerais e Goiás para Salvador.

Em 1710, a bandeira paulista de Sebastião Raposo subiu o rio das Contas Pequeno (rio Brumado) até as nascentes, onde, em decorrência da descoberta de ouro, surgiu a Aldeia de Mato Grosso. Novas pepitas foram achadas rio abaixo, surgindo um assentamento humano no local da atual cidade de Livramento em 1715, onde foi construída uma capela de pau-a-pique pelos padres jesuítas sob a invocação de Nossa Senhora do Livramento, tradição portuguesa. Ao redor dessa primitiva capela e nas cercanias do Tomba, aos poucos surgiram assentamentos humanos. Com a descoberta de ouro no Passa-Quatro, grande assentamento humano se fez na rua do Areão e rua do Fogo (Tabimã), sendo construída uma capela na rua do Areão sob a invocação de São João Batista. Nessa região, as baixadas permitiam melhor agricultura de subsistência (arroz, feijão, milho, mandioca).

Por alvará de 11 de abril de 1718, o povoado de Mato Grosso foi erigido à primeira freguesia do Sertão de Cima sob a invocação de Santo Antônio do Mato Grosso. Por resolução de 9 de fevereiro de 1724, do 4º vice-rei do Brasil d. Vasco Fernandes César de Meneses, conde de Sabugosa, foi criada a Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas, pelo sertanista coronel Pedro Barbosa Leal, com sede no sítio da atual cidade de Livramento. Em 1725, o mesmo sertanista ligou a vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas de Rio das Contas até a vila de Jacobina por uma estrada que incluiu a construção de uma ladeira calçada de pedras para escoamento do ouro da região para Salvador e daí para Lisboa, trabalho esse executado por escravos.

Em 13 de maio de 1726, uma provisão do Conselho Ultramarino determinou que se estabelecessem casas de fundição nas vilas de Livramento de Nossa Senhor e Jacobina para evitar a evasão do quinto do ouro. Funcionaram até 1752, quando a fundição passou a ser feita em Araçuaí, Minas Gerais. E, em 1755, toda a fundição foi centralizada em Salvador.

Devido às febres que grassavam durante as cheias, uma provisão de d. João V, Rei de Portugal, ao conde das Galveias, 5º vice-rei do Brasil André de Melo e Castro, de 2 de outubro de 1745, autorizou a transferência da Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas para outro local, duas léguas rio acima, de maior altitude e salubridade. A mesma provisão determinou a transferência da freguesia de Santo Antônio do Mato Grosso para a nova vila. A instalação da nova vila (equivalente ao atual termo cidade) se deu em 28 de julho de 1746 próxima ao Arraial dos Crioulos com o nome de Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas. A freguesia (equivalente ao atual município) passou a se chamar Santíssimo Sacramento das Minas do Rio das Contas. O novo sítio da vila era rico de ouro de aluvião. A provisão determinou a construção de casa da Câmara e cadeia, edifício para a igreja para onde foi transferido o tabernáculo da freguesia do Mato Grosso, abertura de rua e praças e construção de casas com largos quintais.

Essa vila seria elevada a cidade em 28 de agosto de 1785 com o nome de Minas de Rio de Contas (atual município de Rio de Contas). A antiga vila passou a se chamar Vila Velha, sofrendo grande decréscimo da população e grande estagnação com a queda da produção do ouro. Em 1755, a vila de Rio de Contas teve que contribuir com Rs.400$000 (quatrocentos mil réis) por ano para a reconstrução de Lisboa, arrasada por um terremoto.

Em 1765, aporta a cidade do Salvador, Bahia, o fidalgo português Joaquim Pereira de Castro, vindo da região do Minho, do norte de Portugal. Obteve procuração dos herdeiros da Casa da Ponte para vender as terras do alto sertão da Bahia, outrora chamado Sertão de Cima. Em 1770, Joaquim Pereira de Castro casou-se com a filha de uma índia da região da Tapera em Vila Velha, batizada com o nome de Francisca Joaquina de Jesus, passando a residir na localidade de Engenho em Vila Velha, próxima ao Recreio. Constituíram numerosa prole e possuíram grande parte das terras onde se encontra a cidade de Livramento hoje daí descendo o vale do rio Brumado. Também no final do século XVIII e começo do século XIX, várias famílias fixaram residência em Vila Velha. Dentre elas, as famílias: Meira, Tanajura, Vilas-Boas, Matias, Guimarães, Machado, Spínola, Alcântara, Rego, Lima, Cambuí, Fernandes e outras.

Em 1868, a capela de Nossa Senhora do Livramento foi erigida a freguesia pela resolução n.º 1.004 de 16 de março, assinada pelo presidente da província da Bahia, José Bonifácio Nascente de Azambuja, sendo o primeiro vigário o cônego, doutor Tibério Severino Rio de Contas.

Em 3 de julho de 1880, foi restaurada a vila com o nome de Vila Nova do Brumado, porém não chegou a ser instalada. Somente em 26 de julho de 1921, pela Lei Estadual n.º 1.496, o distrito de Vila Velha foi desmembrado do município de Minas do Rio de Contas, emancipando-se administrativamente. As primeiras eleições foram realizadas em 4 de setembro de 1921, sendo eleitos o primeiro intendente municipal, Ursino de Sousa Meira Júnior, e o conselho municipal, formado por: Gil Cambuí (presidente), Manuel Pedro de Lima, Gentil de Castro Vilas Boas, Gonçalo Pereira e Silva, Tibério Ferreira Pessoa, Antônio Cândido de Castro, Manuel Pires Gonçalves de Aguiar e Augusto Silvério de Alcântara. O município começou a funcionar em 6 de outubro de 1921. Tomou a denominação de Livramento pela Lei Estadual n.º 1.612 de 21 de maio de 1923.

Tomou o nome de Livramento do Brumado pela Lei Estadual n.º 131 de 31 de dezembro de 1943. Em 14 de maio de 1966, pela Lei Estadual n.º 2.325, o governador Lomanto Júnior mudou o nome de Livramento do Brumado para Livramento de Nossa Senhora, assinando-a em praça pública e publicada no Diário Oficial do Estado em 17 de maio de 1966. Esta lei não foi regulamentada a nível federal, permanecendo a cidade com os dois nomes, sendo que o IBGE considera o segundo[5] . A comarca foi criada pelo Decreto-Lei n.º 16.253 de 7 de maio de 1955, assinado pelo governador Antônio Balbino. Foi instalada pelo presidente e juiz de direito José Soares Sampaio, sendo o prefeito José Meira Tanajura (Cazuza). Em 7 de setembro de 1956, foi criada a 101ª zona eleitoral, abrangendo Livramento e Dom Basílio.

Pela Lei Estadual n.º 1.657 de 5 de abril de 1962, foi desmembrado o distrito de Dom Basílio. Atualmente o município de Livramento tem quatro distritos: Sede, Iguatemi, Itanagé e São Timóteo. A altitude da sede é de 500 metros acima do nível do mar, segundo o marco do IBGE na Praça da Bandeira.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A diocese foi criada em 31 de março de 1966, desmembrada da diocese de Caetité, sendo o primeiro bispo d. Hélio Pascoal e os padres paroquiais: Daniel Stênico e o vigário José Dias Sobrinho. A catedral de Nossa Senhora do Livramento começou a ser construída quando foi criada a freguesia, em 1868, pelo cônego Tibério Severino Rio de Contas, e quando ele faleceu, em 1895, os alicerces estavam a um metro da superfície. Havia uma capela de pau-a-pique construída pelos padres jesuítas no século XVIII, rebocada e com tribunas em frente ao Sobradinho, no Jardim Velho. Havia uma antiga imagem de Nossa Senhora do Livramento, segundo a tradição oral. Existiu um cemitério ao lado dessa antiga capela. Depois, foi transferido para onde é a casa paroquial hoje e, em 1949, para onde é o atual cemitério do Campo Santo.

A igreja nova ficou pronta no fim do século XIX. Havia tribunas à direita e à esquerda do altar-mor, com o retábulo de madeira. As atuais imagens de Nossa Senhora do Livramento, Coração de Jesus e Nossa Senhora da Conceição foram doadas pela família Castro no fim do século XIX. A atual imagem de São José foi adquirida pela paróquia após a restauração do templo na década de 1950, que descaracterizou o estilo original da igreja com a retirada das tribunas e dos altares laterais de Nossa Senhora da Conceição e Coração de Jesus, abrindo três naves com altar-mor em alvenaria e altar lateral do Santíssimo Sacramento. Foi construída uma gruta em louvor a Nossa Senhora de Lourdes na parte de trás da igreja pelo pe. Sinval Medeiros. Os cônegos Tibério Severino Rio de Contas e Manuel Higino da Silveira estão sepultados na catedral. Muitas alfaias da igreja foram trazidas da igreja da Canabrava pelo pe. Altino do Espírito Santo e outras foram doadas pela família Castro Tanajura.

Feriados Municipais[editar | editar código-fonte]

  • 28 de janeiro: Romaria de São Gonçalo da Canabrava
  • 06 de agosto: Festa do Bom Jesus do Taquari
  • 15 de agosto: Festa da Padroeira, Nossa Senhora do Livramento
  • 06 de outubro: Emancipação Política do Município

Economia[editar | editar código-fonte]

Fruticultura (manga e maracujá)

Localizada no sopé da Chapada Diamantina, este pólo se beneficia de condições edafo-climáticas especiais para o cultivo da manga. Realizou rápidos e sistemáticos progressos tecnológicos, estruturais, comerciais e na organização dos produtores. Consolida-se como fornecedor de frutos de qualidade, colhidos em épocas específicas. A região se destaca também pela produção de maracujá, realizada por agricultores familiares em áreas de até 2 hectares. A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) realiza um trabalho de estímulo ao plantio de umbuzeiros, espécie nativa cujo fruto é muito apreciado na região Nordeste do Brasil. A adequada gestão dos recursos hídricos é uma tarefa vital neste território. Integram esse pólo de produção os municípios de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio.

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  5. IBGE - cidades@ - Histórico - LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA (ba). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 30 jun. 2012.
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