Livro das Lamentações

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O Livro das Lamentações ( איכה ʾēḫā(h), Eikha ou Eiká, cuja tradução literal é "Como!", ou ainda "Oh!"[1] ) é um livro que faz parte da subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Maiores, na Bíblia vem depois do Livro de Jeremias e antes do Livro de Ezequiel ou depois do Livro de Baruque nas Bíblias utilizadas das Igrejas Católicas e Ortodoxas.

Livro cuja autoria é tradicionalmente atribuída ao profeta Jeremias, quando com os próprios olhos via a destruição da cidade de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia[2] , por volta do ano 589 a.C..

São cantos fúnebres que descrevem, de modo doloroso e poético, a destruição de Jerusalém pelos babilônicos em 586 a.C., e os acontecimentos que se sucederam a essa catástrofe nacional: fome, sede, matanças, incêndios, saques e exílio forçado (cf. 2Rs 24-25).

As Lamentações são usadas na Liturgia da Igreja Católica por ocasião da Semana Santa, para lembrar o sofrimento de Jesus. A tradição popular conservou, durante a procissão da Sexta-feira Santa, no canto de Verônica, em que Verônica canta um trecho das Lamentações, posto na boca de Jesus: "Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?" (1,12)[3] .

Os judeus recitam o livro no grande jejum que lembra a destruição do Templo de Jerusalém[4] , no dia 9 do quinto mês do Calendário judaico (ab)[1] .

Estilo Literário[editar | editar código-fonte]

Os caps. 1, 2 e 4 são cantos fúnebres, semelhantes a 2Sm 1,17ss[1] , o cap. 3 é uma lamentação individual e o cap. 5 é uma lamentação coletiva, também conhecida como Oração de Jeremias[4] .

Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, as primeiras letras dos 22 versículos correspondem às 22 letras do Alfabeto hebraico colocadas em ordem, havendo uma pequena diferença na ordem do alfabeto observada no primeiro capítulo e a ordem observada nos três capítulos seguintes. Merecendo destaque o fato de que no terceiro poema, o alfabetismo é tríplice, ou seja, a letra correspondente a cada verso é empregada no início das três primeiras palavras de cada verso[1] .

Autoria[editar | editar código-fonte]

A atribuição da autoria à Jeremias é questionada, pois Jeremias, tal como é conhecido por seus oráculos autênticos, não poderia ter dito que a inspiração profética tinha se esgotado (2,9), nem louvar Sedecias (4,20 x Jr 24,8), nem esperar auxílio do Egito (4,17 x Jr 37,5-7), nem apoiar a doutrina da dívida pelos pecados dos pais (5,7 x Jr 31,29-30; 5,6 x Jr 2,18)[1] além disso seu gênio espontâneo é incompatível com o estilo erudito dos poemas que estão no Livro das Lamentações[4] , havendo quem sustente que foram escritas por adversários de Jeremias[1] .

Referências

  1. a b c d e f Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.324
  2. Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia, sustenta que há indícios de que esta atribuição de autoria é artificial em Lamentações, acessado em 15 de agosto de 2010
  3. Lamentações, Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 15 de agosto de 2010
  4. a b c Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.241
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