Livro de Jonas

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O profeta Jonas pregando em Nínive, por Gustave Doré.

Jonas é o nome de um livro bíblico do Antigo Testamento, vem depois do Livro de Obadias e antes do Livro de Miqueias.[1] [2] Segundo a interpretação tradicional seria um relato biográfico do profeta Jonas, na qual o Deus de Israel o terá mandado profetizar ao povo de Nínive, grande capital do Império Assírio, para persuadi-los a se arrependerem ou seriam destruídos dentro de 40 dias. O Livro de Jonas fala foi tido como o profeta Jonas, filho de Amitai, que profetizou no Reino de Israel Setentrional, no 7Século A.C., no reinado de Jeroboão II. (Jonas 1:1; II Reis 14:25).

Jonas e a Baleia, por Gustave Doré.

A Assíria, inimiga do povo de Israel de longa data, era império dominante aproximadamente entre 885 A.C. a 665 A.C.. Segundo o relato, parece evidente que a agressividade militar assíria era mais fraca durante o tempo de Jonas. Além disso, o Rei Jeroboão II foi capaz de reivindicar áreas da Palestina desde Hamate até o Mar Morto, como teria sido profetizado por Jonas.

Por outro lado, outros estudos[3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] indicam que trata-se de um escrito posterior ao Exílio na Babilônia, escrito no séc V AC (ou mesmo posterior), e que o livro de Jonas é considerado profético unicamente porque em 2Rs 14:25 se menciona um profeta com o mesmo nome.

Tal tese baseia-se no fato de que seu estilo e tema diferem muito dos outros livros proféticos, que em geral são escritos em verso. Enquanto os profetas ameaçam as nações pagãs, o livro de Jonas relata a conversão dos ninivitas e anuncia a misericórdia a esse que foi um dos povos mais odiados por Israel. Os profetas estão solidamente enraizados na situação político-social; Jonas parece estar solto no ar.

Portanto, o livro de Jonas seria um escrito sapiencial, não pertencendo ao gênero histórico, mas ao gênero parabólico[12] , uma espécie de novela para ilustrar o tema da misericórdia de Javé, que não é um Deus nacional, mas um Deus de toda a humanidade; ele quer que todos se convertam, para que tenham a vida (4:2).

O livro rompe com uma interpretação estreita da profecia contra as nações feitas por outros profetas, afirmando que profecias são condicionais, pois Deus quer a conversão das nações e não sua destruição[13] .

A obra nasceu no pós-exílio, quando o povo judeu estava se fechando num exagerado nacionalismo exclusivista (cf. Esd 4:1-3; Ne 13:3), bem refletido na mesquinhez do justo Jonas. Por outro lado, os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens: Deus quer salvar também os inimigos, os pagãos de Nínive, capital da Assíria, modelo de crueldade e opressão contra o povo de Israel. Deus não quer que suas criaturas se percam (cf. Sb 1:12ss) e para ele ninguém está irremediavelmente perdido (cf. Ez 18:23.32; Lc 15).

A história do peixe tornou famoso o livro, pois os evangelhos celebrizam a figura e aventura de Jonas como sinal da morte e ressurreição de Jesus: assim como Jonas ficou três dias no ventre do peixe, Jesus vai ficar três dias no ventre da terra; depois ressuscitará, como Jonas voltou à luz do dia (cf. Mt 12:39-41 e paralelos)[3] .

Acréscimo Posterior[editar | editar código-fonte]

Segundo a Bíblia de Jerusalém os versículos 3 a 10 do capítulo 2 foram acrescidos posteriormente[4] .

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em ). 2. ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vols. ISBN 978-85-276-0347-8.
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em ). 23. ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6.
  3. a b Jonas, Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 04 de setembro de 2010
  4. a b Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.252
  5. Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 925
  6. Jonas, segundo o Centro Bíblico Verbo, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  7. Jonas, segundo Schökel e Sicre, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  8. Jonas, segundo o SAB, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  9. Jonas, segundo Nelson Kilpp, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  10. Jonas, segundo Balancin e Ivo, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  11. Mês da Bíblia 2010: texto-base, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  12. Jonas, segundo Mesters e Orofino, Observatório Bíblico, acessado em 05 de setembro de 2010
  13. Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.253

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cetáceo[editar | editar código-fonte]

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