Livro de Oseias

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O Livro de Oseias (FO 1943: Oséias) é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Daniel e antes do Livro de Joel.[1] [2] Possui 14 capítulos.

O profeta Oséias exerceu sua atividade no Reino de Israel Setentrional, entre o final do reinado de Jeroboão II e a queda de Samaria[3] (750-722 AC). Este foi um período sombrio para Israel : conquistas assírias entre 734 e 732 AC, quatro reis assassinados, corrupção religiosa e moral[4] .

A pregação de Oséias tem como ponto de partida uma experiência pessoal tão profunda, que se tornou para ele um símbolo (caps. 1 e 3). Ele amava de todo coração a sua esposa, mas ela o deixou para se entregar a outros amantes. Esse amor não correspondido ultrapassou o nível de frustração pessoal para ser uma enorme força de anúncio: o profeta apresenta a relação entre o Deus, sempre fiel e cheio de amor, e seu povo, que o abandonou e preferiu correr ao encontro dos ídolos.

Oséias passa, então, a denunciar todo tipo de idolatria, que ele chama de prostituição. Essa comparação será, a partir de então, uma constante nos escritos bíblicos. Tais prostituições, segundo Oséias, não consistem somente em adorar imagens de ídolos, mas inclusive em fazer alianças políticas com potências estrangeiras que provocam dependência, exploração econômica e opressão (7:8-12; 8:9-10). Prostituições são também os golpes de Estado que preservam interesses de uma pequena minoria (7:3-7), a confiança no poder militar e nas riquezas (8:14; 12:9) e todo tipo de injustiças (4:1-2; 6:8-9; 10:12-13)[5] .

Oséias repreende principalmente as classes dominantes da sociedade:

  • os reis escolhidos contra a vontade de Javé, que rebaixaram o povo eleito ao nível dos outros povos; e
  • os sacerdotes ignorantes e cobiçosos, que levaram o povo a ruína.

Do mesmo modo que seu contemporâneo Amós, Oséias condena as injustiças e as violências, denuncia uma corrupção moral profunda em Israel (4:1-2; 6:7-10; 7:1), a falta absoluta de justiça social, a responsabilidade culposa das elites[6] . Sua pregação teve eco nos profetas seguintes quando exorta a uma religião do coração, inspirada no amor de Deus[4] .

Oséias é também o profeta que polemiza contra a religião exterior: os sacrifícios, os ritos do culto[7] (6:6).

Oséias, porém, não apenas acusa, mas também anuncia o amor fiel e misericordioso de Deus para com seu povo, se este se converter e voltar a conhecê-lo. Para o profeta, o conhecimento de Deus não é uma atitude intelectual, mas uma adesão amorosa, através de uma prática que corresponda ao projeto de Deus, elaborado no deserto por ocasião do êxodo, deste modo, Javé receberá novamente seu povo como esposa, dispensando-lhe todo o carinho (2:4-25); ou tratando-o como filho (cap. 11)[5] .

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vol. ISBN 978-85-276-0347-8
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6
  3. A Bíblia de Jerusalém (Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.247), observa que foi contemporâneo do profeta Amós, mas que não deve ter presenciado a ruína de Samaria em 721 AC
  4. a b Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.247
  5. a b Oséias, Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 24 de agosto de 2010
  6. Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 876
  7. Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 877


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