Livro de Rute

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Julius Schnorr von Carolsfeld: Rute e Boaz, 1828

O Livro de Rute, na Bíblia Grega e Latina, é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia: vem depois do Livro dos Juízes e antes de I Samuel.[1] [2] , enquanto que na Bíblia Hebraica se situa entre os "Ketubim" ou Escritos[3] . Possui 4 capítulos onde é narrada uma história situada no período dos Juízes de Israel. O momento histórico exato não se conhece; todavia, Josefo, historiador judeu, opina que Rute é do tempo do sacerdote Eli (Antig. 5,9,1).

Este livro da Bíblia deriva seu nome de um dos seus personagens principais, Rute (cujo nome significa "amizade"), a moabita. A narrativa mostra como Rute se tornou uma ancestral de Davi por meio do casamento de cunhado com Boaz, em favor de sua sogra, Noemi. O apreço, a lealdade e a confiança em YHVH que Boaz, Noemi e Rute demonstraram permeiam o relato. — Rute 1:8, 9, 16, 17; 2:4, 10-13, 19, 20; 3:9-13; 4:10.

Excetuando-se a lista genealógica (Rute 4:18-22), os eventos relatados no livro de Rute abrangem um período de cerca de 11 anos no tempo dos juízes, embora não se declare exatamente quando ocorreram. — Rute 1:1, 4, 22; 2:23; 4:13.

A tradição judaica atribui a Samuel a escrita deste livro, e isto não discordaria da evidência interna. O fato de que o relato conclui com a genealogia de Davi sugere que o escritor estava a par do propósito de Deus com respeito a Davi. Isto se ajustaria a Samuel, pois foi ele quem ungiu a Davi para ser rei. Por isso, teria sido também apropriado que Samuel fizesse um registro dos ancestrais de Davi (I Samuel 16:1, 13).

Por outro lado a Edição Pastoral da Bíblia indica que o livro foi escrito em Judá, depois do Exílio na Babilônia, na metade do séc. V AC[4] .

A historicidade do livro de Rute fica confirmada pela genealogia de Jesus Cristo, apresentada por Mateus, a qual alista Boaz, Booz pai de Rute , Rute e Obed na linhagem de ascendentes. (Evangelho segundo Mateus 1:5; compare com Ru 4:18-22; II Crônicas 2:5, 9-15.) Ademais, é inconcebível que um escritor hebreu tivesse inventado deliberadamente um ancestral materno estrangeiro para Davi, o primeiro rei da linhagem real de Judá.

O registro histórico fornece matéria de fundo que ilustra e esclarece outras partes da Bíblia. Apresenta-se de forma vívida a aplicação das leis referentes à respiga (Levítico 19:9, 10; Deuteronômio 24:19-22; Rute 2:1, 3, 7, 15-17, 23) e ao casamento de cunhado. (De 25:5-10; Rute 3:7-13; 4:1-13) Há evidência da orientação de Jeová na preservação da linhagem que levava ao Messias, bem como na escolha dos indivíduos para essa linhagem. Às mulheres israelitas casadas com um homem da tribo de Judá apresentava-se a possível perspectiva de contribuir para a linhagem terrestre do Messias (Gênesis 49:10).

Também merece destaque o fato da protagonista do livro ser uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem fronteiras, e que o amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista[4] . No entanto devemos lembrar que Ruth era etnicamente vizinha dos que a assimilaram e portanto da mesma família semítica antiga, o que pode ser considerado um proto-nacionalismo regionalista antigo entre as duas margens longitudinais do Jordão.

Interpretação simbólica[editar | editar código-fonte]

Em uma abordagem totalmente inovadora, o psicanalista Antonio Farjani interpreta a história de Rute como um mito essencialmente grego com características agrárias, lunares e solares, associando-o a antigos rituais de Mistérios praticados por culturas pré-cristãs, mais particularmente aos Mistérios de Elêusis. O autor associa Boaz a Iásion, o consorte de Deméter, e fecundador da Deusa do Grão. As três viúvas protagonistas, Noemi, Orpah e Rute por sua vez representariam Hécate, a deusa triforme das encruzilhadas. Farjani vê na união entre Rute e Boaz um símbolo do Matrimônio Sagrado ou Hieros gamos, que, do ponto de vista astronômico, se expressa no surgimento da primeira lua cheia após o equinócio de primavera, época de colheita da cevada. A primeira safra da cevada era colhida no tempo da Páscoa judaica, celebrada no dia 15 do mês de Nisan - entre março e abril no Calendário Gregoriano[5] .

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vol. ISBN 978-85-276-0347-8
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6
  3. Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.285
  4. a b Rute, acessado em 27 de julho de 2010
  5. Antonio Farjani, 2012 Mistérios da Lua, Editora Hemus, ISBN 978-85-289-0626-4, cap. 2.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Eva, Sara (Bíblia), Rebeca, Lia, Bila, Raquel, Miriã, Débora (juíza), Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester, Abigail (Bíblia), Agar, Bate-Seba, Diná, Lea, Mical, Tamar, Zípora, Azenate, Zilpa, Joquebede, Helá, Naará, Ainoã, Maaca, Zeruia, Eglá, Quézia, Ada, Besemate.

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