Livro dos Números

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"A Punição de Corá" (Sandro Botticelli)

Números (no latim da Vulgata: Numeri, do grego bíblico Αριθμοί, Arithmoí; em hebraico: במדבר, Bəmidbar, "no deserto [de]") é o quarto livro da Bíblia, vem depois do livro de Levítico e antes de Deuteronômio.[1] [2] Faz parte do Pentateuco (conhecida pelos judeus como Torá), os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída ao patriarca Moisés. Um dos livros do Antigo Testamento da Bíblia, possui 36 capítulos e recebe esse nome por causa dos censos relatados. A época da escrita, segundo a crença religiosa, seria por volta de 1470 a.C.. Acadêmicos, no entanto, datam a escrita do livro bem mais recentemente. À luz da hipótese documental, que aborda a Torá como o compilado de diversas narrativas paralelas e não-correlatas, Julius Wellhausen concluiu que os números tem origem predominante na fonte sacerdotal e que foi escrito durante o sexto século d.C. com material adicional (incluindo a história de Balaam) do documento eloísta datado de 850 d.C. e javista de 950 d.C. Acadêmicos posteriores, seguindo os pressupostos de Wellhausen, tendem a ver o íntegro texto do Pentateuco como feito da sedimentação de numerosos textos acrescentados ao longo do tempo de difícil datação. Eles concordam, no entanto, que o Pentateuco não recebeu sua redação final antes do século quinto d.C.[3] Outros estudos modernos, no entanto, são cautelosos com a hipótese documental. Acadêmicos mais liberais afirmam que o livro possui muitos autores e é o produto dos períodos de exílio e do período persa (sexto e quinto século d.C.).[4] Acadêmicos mais conservadores, em contraste, tendem a aceitar a hipótese de que o livro foi escrito por um único autor, não necessariamente Moisés, e que foi escrito não muito tempo depois dos tempos de Moisés. Eles concordam que o livro foi sujeito a alterações posteriores.[5]

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

O quarto livro do Pentateuco deriva seu nome dos dois censos de Israel mencionados no livro. Narra eventos que ocorreram na região do monte Sinai, durante as peregrinações dos israelitas no ermo e Moabe. Este nome Números foi usado pela primeira vez na tradução grega da versão LXX, sendo bastante adequado, pois todo o livro esta repleto de números.

Mais de uma vez explica que Moisés se dedicou a registrar cada lugar onde os hebreus acampavam, todos os oásis e cada acampamento, e as palavras concludentes do livro também indicam ser ele o escritor do relato. — 36:13. Estas alusões explicam perfeitamente como estas antiqüíssimas descrições puderam chegar a nós, intactas.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Moisés tira água da rocha (de Nicolas Poussin)

A narrativa abrange um período de 38 anos, entre 1512 a 1473 a.C. (Números 1:1; Deuteronômio 1:3, 4) Estas descrições incluem os acampamentos das tribos (1:52, 53), a ordem de marcha (2:9, 16, 17, 24, 31) e os sinais de trombeta para a assembléia e o acampamento (10:2-6). A lei sobre a quarentena. (5:2-4) Diversas outras ordens são dadas: o uso de trombetas (10:9), a separação das cidades para os levitas (35:2-8), a ação contra a idolatria e os cananeus (33:50-56), a escolha das cidades de refúgio, instruções sobre como lidar com homicidas acidentais (35:9-33), e leis sobre heranças e o casamento. (27:8-11; 36:5-9).

O agrupamento dos elementos do livro foi elaborado em torno dos principais textos, tarefa esta extremamente difícil. Por isso historicamente tem-se buscado estabelecer uma divisão mais simples, como por exemplo, segundo a região onde sucederam os acontecimentos.

Assim, podem-se dividir Números em três partes principais:

  1. No Sinai: 1:1-10:10
  2. No deserto de Cades-Barnéia: 10:11-22:1
  3. Nas planícies de Moabe: 22:2-36:13

Natureza e organização[editar | editar código-fonte]

Como é habitual aos livros do Antigo Testamento, que pertencem a série de Livros históricos do Antigo Testamento, o tema principal é descrever os tempos passados e os atos do Deus de Israel e seu povo. A Respeito de Cades, nada se conta em Números sobre os 38 anos que passaram naquele lugar. Em todo o livro, Moisés mantém a narração, apenas a interrompendo-a para inserir textos jurídicos.

Sentido religioso[editar | editar código-fonte]

O grande criador dos pesos e medidas é YHVH. Números conta como Deus organizou o seu povo em Doze tribos de Israel, descendentes dos doze filhos varões de Jacó, e como este a transformou numa assembléia santificada.

Com o tempo, seriam reconhecidos como "filhos de Abraão" pela religião e a espiritualidade. A sociedade israelita e o autor não faziam distinção entre os israelitas e imigrantes: todos os que viviam na Terra Prometida em obediência e observação das leis de Deus deviam ser irmãos entre si.

As doze tribos de Israel são registradas e organizadas. Os israelitas recebem ordens relacionadas a sua adoração e seus tratos com outros, mas há falta de respeito para com os representantes Deus e desobedecem às suas ordens. YHVH abençoa Israel, mas insiste na adoração exclusiva ao passo que a nação se prepara para entrar em Canaã.

A Edição Pastoral da Bíblia destaca que o tempo em que o povo de Deus esteve no deserto foi um tempo de grande disciplina e pedagogia para aquele povo aprender que não basta estar livre: é preciso aprender a viver a liberdade e conquistá-la continuamente, para não voltar a ser escravo outra vez, e, que, no deserto o povo teve que superar muitas tentações: acomodação, desânimo, vontade de voltar para trás, desconfiança de Javé e dos líderes. Foi no confronto com essas situações que ele descobriu o que significa ser livre para construir uma sociedade justa e fraterna, alicerçada na liberdade e voltada para a vida, portanto, o Livro dos Números nos ensina que qualquer transformação profunda exige um longo período de educação e amadurecimento[6] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2. ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vols. ISBN 978-85-276-0347-8.
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23. ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6.
  3. Colin Humphreys, The Miracles of Exodus: A Scientist's Discovery of the Extraordinary Natural Causes of the Biblical Stories. New York: HarperCollins (2004): 109. "Many scholars have come to believe that there are four underlying sources of the Pentateuch. These sources are called J, E, D, and P, and they are usually dated from the tenth to the fifth centuries B.C."
  4. Rolf Rendtorff, "Directions in Pentateuchal Studies", CR:BS5 (1997), pp.43-65; and David M. Carr, "Controversy and Convergence in Recent Studies of the Formation of the Pentateuch", RSR23 (1997), pp.22-29
  5. "Introduction to the Old Testament", chapter on Numbers , by T. Longman and R. Dillard, Zondervan Books (2006)
  6. Livro dos Números, acessado em 22 de julho de 2010


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