Lobopodia

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Como ler uma caixa taxonómicaLobopodia
Ocorrência: Ediacarano - Siluriano
Lobopodia.PNG

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Subreino: Eumetazoa
Superfilo: Ecdysozoa
(sem classif.) Panarthropoda
Filo: Lobopodia
Snodgrass, 1938[1]
Classes
Dinocarida

Xenusia

Lobopodia é um filo de animais extinto pouco conhecidos. Inicialmente foram interpretados como tendo evoluído de animais como os priapúlidas ou palaeoscolecidas[2] , no entanto, em 1994, passaram a ser interpretados como parentes dos artrópodes, tardigrados e onicóforos (que eram considerados como um subgrupo dos artrópodes),[3] embora sejam considerados parafiléticos em relação aos artrópodes.[4] Além disso, em 1998, foram adicionados aos lobopódios os pentastomidas, priapúlidas, onicóforos e outras formas do cambriano.[5]

Seu registro fóssil remonta do final do ediacarano[6] ao carbonífero. Os lobopódios são segmentados e suas patas possuem unhas nas extremidades.[7] O mais antigo fóssil completo destes animais corresponde ao ediacarano superior ou cambriano inferior. Possuem numerosas pernas nos xenúsios, ou carecem delas, e lóbulos laterais nos dinocaridos. Possuem numerosas placas blindadas, "sclerita", que frequentemente cobrem todo o corpo e a cabeça. Uma vez que as placas reduzem sua flexibilidade, alguns gêneros deste filo possuíam espinhos, provavelmente para proteção contra predadores. Escleritas individuais são encontradas entre a chamada "Fauna Tomotiana" do inicio do cambriano.[7]

Táxons representativos[editar | editar código-fonte]

Os gêneros mais conhecidos são, por exemplo, o Aysheaia, que foi descoberto entre os estratos canadenses do Folhelho Burgess além de ser o lobopódio que mais se assemelha em aparência aos modernos vermes aveludados; um par de antenas em sua cabeça foi considerado o precursor das antenas. [carece de fontes?] O Xenusion aparentemente era capaz de rolar sobre si deixando visíveis seus espinhos, dando a ideia de que esta fosse a estratégia de defesa comum dos lobopodios. No entanto, de longo, o mais famoso lobopodio [carece de fontes?] é o Hallucigenia, chamado assim por sua estranha aparência. Originalmente foi reconstruído com as pernas similares a zancos e misteriosas protuberâncias carnosas em sua parte traseira. Durante muito tempo foi considerado um exemplo de como a natureza experimentou os mais diversos desenhos e corpos estranhos no cambriano.[8] No entanto, novas descobertas demonstraram que esta reconstrução do animal estava de cabeça para baixo: a interpretação das "protuberâncias" similares a espinhos eram na realidade as pernas. Esta segunda reconstrução também trocou de lado a dianteira e a traseira do animal, que com investigações mais recentes se demonstrou estar errada.[9]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

A maioria dos lobopodios mede apenas alguns centímetros de comprimento (com exceção dos gêneros pertencentes à classe Dinocarida). São anelados, embora sua anelação seja difícil de discernir devido a seu estreito espaçamento (0,2 mm) e seu baixo relevo.[10] Os lobopodios e suas patas são circulares em seções transversais.[10] Suas pernas, tecnicamente chamadas lobopodas, são vagamente cônicas, afinando do corpo para suas garras.[10] As pernas mais longas e robustas se encontram no centro do tronco, sendo as próximas a cabeça e a cauda mais finas.[10] Possuem garras ligeiramente curvadas. Seu comprimento é vagamente proporcional ao comprimento das pernas ao qual estão ligados.[10] Os olhos são similares ao de artrópodes modernos como demonstrado no gênero Miraluolishania.

Seu intestino é reto, um tubo indistinto, que em alguns fósseis possui em seu interior sedimentos.[10] O intestino do gênero Paucipodia possui largura variável, sendo maior para o centro do corpo. Sua posição na cavidade do corpo é apenas vagamente fixo e certa flexibilidade é possível.

Diferente dos lobopodios da classe Xenusia, os da classe Dinocarida podiam chegar de 60 cm a 1 m de comprimento. Esses lobopodios eram divididos em diversos lóbulos que serviam como nadadeiras natatórias. Possuíam uma boca circular munida de dezenas de dentes pontiagudos, dois apêndices raptores e enormes olhos. Não eram providos de pernas.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

O modo de vida dos lobopodios cambrianos ainda é em grande medida desconhecido; alguns gêneros da classe Dinocarida foram carnívoros ativos enquanto outras foram filtradoras de plâncton, assim como alguns gêneros da classe Xenusia podem ter sido carnívoros.

Durante o cambriano os lobopodios de suas duas classes apresentaram um elevado grau de biodiversidade. No entanto, apenas um gênero da classe Xenusia é conhecido no período Ordoviciano.[11] . A partir do Siluriano e começo do Devoninano se é conhecido uma gama maior de gênero que incluiu até a classe dinocarica que até então pensava-se ter se extinguido no final do cambriano por não existir fósseis procedentes do ordoviciano nem do siluriano.

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Os lobopodios estão intimamente relacionados com os artrópodes, deixando a possibilidade de os artrópodes terem surgido dos lobopodios. Eles possuem uma relação menor com os tardígrados; a classificação exata ainda esta em andamento.[7]

Referências

  1. Liu, J., Shu, D., Han, J., Zhang, Z., Zhang, X. (2006). A large xenusiid lobopod with complex appendages from the Lower Cambrian Chengjiang Lagerstätte. Acta Palaeontologica Polonica 51 (2): 215–222. Текст  v 
  2. Jerzy Dzik, Günter Krumbiegel. ({{{mês}}} 1989). "The oldest 'onychophoran' Xenusion: a link connecting phyla?.". Lethaia 22: 169-181. DOI:10.1111/j.1502-3931.1989.tb01679.x.
  3. Pavel Štys, Jan Zrzavý. ({{{mês}}} 1994). "Phylogeny and classification of extant Arthropoda: Review of hypotheses and nomenclature". European Journal of Entomology 91: 257–275.
  4. Liu, J., Steiner, M., Dunlop, J. A., Keupp, H., Shu, D., Ou, Q., Han, J., Zhang, Z., Zhang, X. (2011). An armoured Cambrian lobopodian from China with arthropod-like appendages. Nature 470: 526–530. doi:10.1038/nature09704
  5. Graham E. Budd, John S. Peel. ({{{mês}}} 1998). "A new xenusiid lobopod from the Early Cambrian Sirius Passet fauna of north Greenland". Palaeontology 41: 1201–1213.
  6. McMenamin, M. A. S. (1986). The Garden of Ediacara. PALAIOS 1 (2): 178–182. Аннотация и фрагмент текста  v 
  7. a b c Liu. ({{{mês}}} 2007). "Origin, diversification, and relationships of Cambrian lobopods". Gondwana Research 14: 277-283. DOI:10.1016/j.gr.2007.10.001.
  8. Gould, S.J.. ({{{mês}}} 1989). "Wonderful Life: The Burgess Shale and the Nature of History". W.W. Norton & Company, Inc..
  9. Para mais informações e referências: Veja Hallucigenia
  10. a b c d e f Hou, Xian-Guang. ({{{mês}}} 2004). "The lobopodian Paucipodia inermis from the Lower Cambrian Chengjiang fauna". Lethaia 37: 235. DOI:10.1080/00241160410006555.
  11. Whittle, R. J.; Gabbott, S. E.; Aldridge, R. J.; Theron, J.. ({{{mês}}} 2009). "An Ordovician Lobopodian from the Soom Shale Lagerstätte, South Africa". Palaeontology 52: 561-567. DOI:10.1111/j.1475-4983.2009.00860.x.
Wikispecies
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