Louis Mountbatten, 1.º Conde Mountbatten da Birmânia

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Louis Mountbatten
Conde Mountbatten da Birmânia
Vice-rei da Índia
Lord Mountbatten, em 1976, por Allan Warren.
Cônjuge Edwina Ashley
Descendência
Patrícia
Pamela
Nome completo
Louis Francis Albert Victor Nicholas Mountbatten
Casa Battenberg
Pai Luís Mountbaten
Mãe Vitória de Hesse
Nascimento 25 de junho de 1900
Windsor, Inglaterra
Morte 27 de agosto de 1979 (79 anos)
Baía de Donegal, Irlanda
Enterro Abadia de Romsay, Hampshire, Inglaterra

Louis Francis Albert Victor Nicholas Mountbatten, 1.º Conde Mountbatten da Birmânia KG, DSO GCB, OM, GCSI, GCIE, GCVO, PC (25 de junho de 1900 - 27 de agosto de 1979), foi um almirante britânico, estadista e um tio materno do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo. Ele foi o último vice-rei e o primeiro Governador-geral da Índia independente, e First Sea Lord, assim como seu pai, o Príncipe Louis de Battenberg. Mountbatten foi assassinado com a explosão de uma bomba, colocada em seu bote pelo IRA, na baía de Donegal, na República da Irlanda[1] .

Vida familiar[editar | editar código-fonte]

Mountbatten nasceu em Frogmore House, Windsor, Inglaterra, como Sua Alteza Sereníssima Príncipe Louis de Battenberg. Ele era o segundo filho do Príncipe Louis de Battenberg e de sua esposa, a princesa Vitória de Hesse-Darmstadt. Seus avós maternos foram Luís IV, Grão-Duque de Hesse e de Reno e a Princesa Alice do Reino Unido. Seus avós paternos foram o príncipe Alexandre de Hesse e Reno e a princesa Julia de Battenberg[2] .

Ele tinha três irmãos mais velhos: a princesa Alice (mãe do príncipe Filipe), a rainha Louise da Suécia e George Mountbatten, 2.º Marquês de Milford Haven.

Seu pai era First Sea Lord durante a explosão da Primeira Guerra Mundial, mas o predominante e extremo sentimento antigermânico o obrigaram a renunciar. Em 1917, quando a família real aboliu o uso de nomes e títulos germânicos, o príncipe Louis de Battenberg (seu pai) passou a se chamar Louis Mountbatten, 1.º Marquês de Milford Haven. Como filho de um marquês, Louis adquiriu o título de cortesia de "Lord", passando a ser lord Louis Mountbatten. Durante a infância, ele visitou a Corte Imperial da Rússia, em São Petersburgo, Rússia.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Mountbatten serviu à Marinha Real durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1922, ele acompanhou Eduardo, Príncipe de Gales numa viagem real à Índia (onde ele conheceu sua futura esposa, Edwina Ashley) e consolidou uma firme amizade com o príncipe. Suas relações com Edward decaíram durante o final de 1936, isto é, quando o príncipe assumiu como Eduardo VIII, e durante a crise da abdicação, provocada pelo desejo do príncipe de casar-se com a norte-americana divorciada Wallis Simpson. Com o intuito de salvar a monarquia, Mountbatten apoiou o irmão de Eduardo, o Duque de York, que foi obrigado a ascender ao trono como Jorge VI.

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Segunda Guerra Mundial, Mountbatten comandou o 5.º contratorpedeiro Flotilla. Seu navio, o contratorpedeiro HMS Kelly, ficou famoso por suas muitas e ousadas façanhas. Em maio de 1940, Mountbatten liderou uma escolta em pleno nevoeiro para evacuar as forças aliadas participando na campanha de Namsos. Seu navio afundou durante a campanha de Creta. Ainda em 1940, ele inventou a Mountbatten Pink, um pigmento de camuflagem naval.

Em agosto de 1941, Mountbatten foi designado Capitão de HMS Illustrious, o qual atracou em Norfolk, Virginia, Estados Unidos, para reparos devido às operações realizadas em janeiro no Mediterrâneo. Durante este período de relativa inatividade, ele visitou Pearl Harbour, onde não ficou satisfeito com o pobre estado de presteza e falta geral de cooperação entre Armada e Marinha.

Mountbatten era um favorito de Winston Churchill, embora este tenha ficado aborrecido com o papel de Mountbatten na Independência da Índia. Em 27 de outubro de 1941, ele substituiu Roger Keyes como Chefe das Operações Combinadas. Ele promoveu pessoalmente a desastrosa Dieppe Raid (Batalha de Dieppe, 19 de agosto de 1942). Alguns membros do exército aliado, dentre eles o notável Bernard Montgomery, acharam que a batalha tinha sido mal concebida desde o início. As consequências foram a captura e o ferimento de milhares de soldados, cuja maioria era canadense.

Consequentemente, Mountbatten tornou-se uma figura litigiosa no Canadá, fazendo com que suas relações com veteranos canadenses ficassem frígidas até sua morte (1979) e com que aumentasse o distanciamento do Canadá do Reino Unido nos anos pós-guerra. Apesar disso, em 1946, um corpo de cadetes foi nomeado a partir dele, em Sudbury, Ontário.

No final de 1942, Mountbatten propôs o Projeto Habakkuk para Churchill, mas nunca foi executado. Em outubro de 1943, o primeiro-ministro designou Mountbatten como Comandante Supremo Aliado nas campanhas da Guerra do Pacífico em Índia, Birmânia, Tailândia, Indonésia, Malásia e Singapura, um posto que ele ocupou até que o comando do sudeste da Ásia fosse dispersado em 1946. Durante o seu comando, supervisionou-se a recaptura da Birmânia aos japoneses pelo general William Slim.

O último vice-rei[editar | editar código-fonte]

Sua experiência na região e particularmente suas simpatias com o Partido Trabalhista fizeram com que o primeiro-ministro Clement Attlee o apontasse Vice-Rei da Índia, depois da Segunda Guerra. Mountbatten supervisionou a concessão da independência para um Índia dividida entre Índia e Paquistão (nos anos seguintes, a Índia pré-independência com frequência era chamada de "Índia Britânica". Antes da divisão e da independência, a "Índia Britânica" referia-se àquelas partes da Índia que eram diretamente administradas pelos britânicos; em oposição àquelas porções da Índia pré-independência que estavam sob controle de príncipes indianos).

Ele desenvolveu uma forte relação com príncipes indianos, que tiveram uma forte confiança nele. Com base nessa relação e com a monarquia britânica, Mountbatten persuadiu a maioria deles a aceder aos novos estados de Índia e Paquistão. Isso era muito importante para chegar a independência da Índia, embora ultimamente a Índia pós-independência e o Paquistão tenham abolido suas prerrogativas. As províncias da "Índia Britânica" estiveram em geral automaticamente loteadas de modo idêntico à Índia pós-divisão ou ao Paquistão, em base na religião da maioria de tais províncias. A acessão dos principados para um ou para outro dos dois países esteve à vontade de seus respetivos príncipes. Um hindu, o marajá, Hari Singh, escolheu aceder a Índia apesar da maioria dos cidadãos de Jammu e Caxemira ser de religião muçulmana.

Jawaharlal Nehru, o líder do Partido do Congresso Nacional Indiano, era um hindu de Jammu e Caxemira que tinha o interesse de reter Jammu Caxemira para a Índia. Mountbatten se dava extremamente bem com Nehru, mas não com Muhammad Ali Jinnah, líder da Liga Islâmica, que era a favor da divisão da Índia, um fator que complicou a questão.

Com a amizade de Nehru e com as relações amigáveis com Mahatma Gandhi, mas incapaz de exercer seu famoso charme em Jinnah, Mountbatten rapidamente desistiu da esperança de salvar uma Índia unificada e independente, conformando-se com a divisão num Paquistão pós-independência e em Bharat (Índia). Depois da independência (ocorrida na madrugada entre 14 e 15 de agosto de 1947, celebrada no dia 14 no Paquistão e no dia 15 na Índia), Mountbatten permaneceu em Nova Deli durante dez meses, servindo como o primeiro dos dois governadores gerais da Índia independente até junho de 1948 (a monarquia foi abolida em 1950 e o ofício de governador-geral da Índia, suplantado pela presidência não-executiva).

Carreira depois da Índia[editar | editar código-fonte]

Depois de seus compromissos na Índia, Mountbatten serviu à Esquadrilha Mediterrânea e como oficial de estado-maior no Supremo Tribunal da Marinha. Ele tinha orgulho e prazer em servir como First Sea Lord e como Chief of the Defence Staff (1959-1965).

É dito que, em 1967, Mountbatten atendeu a um encontro com o barão da imprensa e agente do M15 Cecil King e o conselheiro científico do Governo, Solly Zuckerman. King queria organizar um golpe contra o governo trabalhista de Harold Wilson, então em crise, e incitou que Mountbatten se tornasse o líder de um governo de salvação nacional. Aparentemente, ele considerou a ideia do golpe, mas Zuckerman chamou-lhe a atenção de que isto era traição. Mountbatten então ficou relutante. Alegações a respeito de uma conspiração do M15 contra Wilson tem sido investigadas há muito tempo, mas nenhuma evidência confiável foi descoberta.

Em 1974, a rainha o titulou lorde-tenente da Ilha de Wight, posição que manteve até sua morte. De 1967 até 1978, Mountbatten tornou-se presidente da United World Colleges, um grupo de 12 escolas internacionais que proporciona interação entre jovens de diferentes países, trabalhando e vivendo juntos. A presidência foi passada para Charles, Príncipe de Gales, posteriormente.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Broadlands, a residência do conde Mountbatten da Birmânia.

Em 18 de julho de 1922, Mountbatten casou-se com Edwina Cynthia Annette Ashley, filha de Wilfred Ashley, depois 1.º Barão Mount Temple. Ela era a neta favorita do magnata britânico sir Ernest Cassel e principal herdeira de sua fortuna. Eles tiveram duas filhas:

  1. Lady Patricia Edwina Victoria Mountbatten (1924), agora titulada como 2.º Condessa Mountbatten da Birmânia e casada com Lord John Knatchbull, 7.º Barão Brabourne.
  2. Lady Pamela Carmen Louise Mountbatten (1929), casada com o designer David Nightingale Hicks.

Edwina morreu aos 58 anos, em 21 de fevereiro de 1960, em Jesselton, no Bornéu. Segundo uma biografia oficial amplamente documentada de Philip Ziegler, o casamento estava completamente tempestuoso, com adúltera licenciosidade de ambos os lados. Particularmente, durante a Década de 1930, ambos admitiram muitos casos amorosos. Edwina teve um longo e conhecido relacionamento íntimo com Jawaharlal Nehru. Mountbatten, segundo muitas fontes documentadas, tinha relacionamentos com amantes de ambos os sexos e era conhecido como "Mountbottom" por certos colegas.[carece de fontes?]

Mentor de Charles, Príncipe de Gales[editar | editar código-fonte]

Mountbatten foi uma forte influência na educação de seu sobrinho-neto Carlos, Príncipe de Gales. Segundo a biografia de Carlos por Jonathan Dimbleby, eles chamavam um ao outro de "Honorável Avô" e "Honorável Neto". Mountbatten encorajou Carlos a curtir uma vida de solteiro enquanto podia e a casar-se com uma jovem inexperiente, para garantir uma vida de casado estável. Em 1981, Carlos casou-se com lady Diana Frances Spencer, uma aristocrata protestante.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 27 de agosto de 1979, enquanto estava de férias em sua propriedade de verão em Mullaghmore, County Sligo, na República da Irlanda, lord Mountbatten da Birmânia foi assassinado pela explosão de uma bomba, implantada em seu barco na baía de Donegal. O IRA admitiu ter sido o responsável pelo atentado. Outros mortos no local foram:

  • A baronesa-viúva Brabourne, a sogra de sua filha mais velha, lady Patricia Mountbatten. (83 anos)
  • Nicholas Brabourne, último filho de lady Patricia (14 anos)
  • Paul Maxwell, um garoto local que desempenhava algumas funções no barco (15 anos)

O assassinato de Mountbatten ocorreu no mesmo dia da morte de dezoito soldados britânicos, do Regimento Parachute (infantaria aerotransportada da Armada Britânica). O presidente da República da Irlanda, Patrick Hillery e o taoiseach (chefe de Estado) Jack Lynch, atenderam o serviço memorial de Mountbatten na Catedral de St. Patrick, em Dublin. Em 23 de novembro de 1979, Thomas McMahon foi sentenciado à prisão pelo assassinato, mas foi solto em 1998, pelo Acordo de Belfast. Mountbatten foi sepultado na Abadia de Romsay, em Hampshire, Inglaterra, e as cerimônias fúnebres, na Abadia de Westminster, foram transmitidas via televisão.

Brasão de armas do príncipe Louis Mountbatten, 1.º Conde Mountbatten da Birmânia.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Long War by Brendan O'Brien (ISBN 978-0-8156-0319-1), page 55
  2. Burke's Guide to the Royal Family: edited by Hugh Montgomery-Massingberd, pp. 303-304.