Louise de Stolberg-Gedern

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Louise de Stolberg-Gedern
Condessa de Albany
Cônjuge Carlos Eduardo Stuart
Nome completo
Louise Maximilienne Caroline Emmanuele de Stolberg-Gedern
Pai Gustav Adolf de Stolberg-Gedern
Mãe Isabel de Hornes
Nascimento 20 de setembro de 1752
Mons
Morte 29 de janeiro de 1824 (71 anos)
Florença, Itália
Enterro Basílica de Santa Cruz

Princesa Louise Maximilienne Caroline Emmanuele de Stolberg-Gedern (Mons, 20 de setembro de 1752Florença, 29 de janeiro de 1824) foi a esposa do pretendente jacobita ao trono inglês e escocês, Carlos Eduardo Stuart ("Bonnie Prince Charlie") e amante do poeta e dramaturgo italiano, conde Vittorio Alfieri. É comumente chamada de Condessa de Albany.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Louise nasceu em Mons, Hainaut, nos Países Baixos Austríacos (atual Bélgica), filha mais velha do príncipe Gustav Adolf de Stolberg-Gedern e de sua esposa, a princesa Isabel de Hornes, filha de Maximiliano, Príncipe de Hornes. Quando tinha apenas quatro anos de idade, seu pai foi morto na batalha de Leuthen. Quando tinha sete anos, foi enviada para ser educada na escola anexa ao convento de São Waudru em Mons. A missão deste convento era a de dar abrigo para jovens senhoras da nobreza que tinham meios financeiros insuficientes para viverem solteiras no mundo. Em 1766 a imperatriz Maria Teresa arranjou para que o convento concedesse a Louise uma de suas prebendas (rendimento eclesiástico pertencente a um canonicato). Embora tecnicamente Louise fosse uma cônega (um tipo de freira), não era obrigada a ficar no claustro do convento e ainda estava autorizada a viajar na sociedade. Com efeito, para a maioria das cônegas, a aceitação de uma prebenda era apenas uma fase temporária, até encontrarem apropriados maridos nobres.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Em 1771, a irmã mais nova de Louise (também uma cônega em São Waudru) se casou com o Marquês da Jamaica, filho único do 3º Duque de Berwick (bisneto do rei Jaime II da Inglaterra e VII da Escócia). O tio do duque de Berwick, o duque de Fitz-James, iniciou negociações com a mãe de Louise para um casamento entre Louise e Carlos Eduardo Stuart, o pretendente jacobita ao trono inglês e escocês. Embora o rei Luís XV da França reconhecesse a sucessão da Casa de Hanôver, ele também esperava que a legítima linha de Stuart não se extinguisse e fosse uma ameaça permanente aos membros da Casa de Hanôver.

As negociações eram delicadas uma vez que a família de Louise não tinha dinheiro próprio e dependia totalmente da boa vontade da imperatriz Maria Teresa (que era aliada da Casa de Hanôver). Em 28 de março de 1772, Louise se casou por procuração com Carlos Eduardo em Paris. O casal se conheceu pela primeira vez em 14 de abril de 1772, quando renovou seus votos de casamento pessoalmente na cidade de Macerata, Itália. Louise foi doravante reconhecida pelos jacobitas como Rainha Louise da Inglaterra, Escócia, França e Irlanda.

Carlos e Louise passaram os primeiros dois anos de suas vidas de casados em Roma. Apesar da diferença de idade (ele tinha 52, e ela 20), o casal no princípio estava feliz junto. Mas existiam várias sombras no relacionamento. Não havia nenhum sinal de Louise conceber uma criança. Carlos foi levado a crer que, quando casasse, o papa iria reconhecê-lo como rei da Inglaterra e da Escócia, e a França poderia disponibilizar recursos financeiros para outro levante jacobita. Louise tinha praticamente sido prometida ser tratada como rainha. Em vez disso, Carlos estava decepcionado com a espera por um filho e pelo reconhecimento diplomático, enquanto que Louise encontrava-se casada com um velho príncipe, sem perspectivas.

Conde Vittorio Alfieri[editar | editar código-fonte]

Em 1774, Carlos e Louise mudaram-se para Florença. Foi aí que começaram a usar o título de "Conde e Condessa de Albany". Em 1776, o poeta italiano, Conde Vittorio Alfieri foi apresentado em seu palácio; ele se tornou um visitante frequente. Em Roma, Louise teve vários jovens a lhe cortejar, mas essas relações provavelmente não tinham sido adúlteras. Mas, em algum momento de 1778, Louise e Alfieri se tornaram amantes.

Enquanto isso, o marido de Louise, Carlos, tinha se tornado um bêbado novamente, como já fora alguns anos antes. Em dezembro de 1780, Louise deixou Carlos e se refugiou em um convento. Alegou, e acredita-se amplamente ser verdade, que Carlos tinha-se tornado fisicamente abusivo para com ela. Louise recebeu o apoio da Grã-Duquesa da Toscana, do papa, e de seu cunhado, o Cardeal Duque de York, os quais não estavam cientes do contínuo relacionamento adúltero de Louise com Alfieri.

Dentro de algumas semanas, Louise retornou a Roma. Viveu por um breve tempo no convento das ursulinas antes de se mudar para a residência oficial de seu cunhado, o Palazzo della Cancelleria. Alfieri seguiu Louise até Roma, onde durante dois anos, mantiveram o seu caso em segredo. Em abril de 1783, o Cardeal Duque de York finalmente descobriu a verdade. No início de maio, Alfieri deixou Roma a fim de evitar ser expulso à força.

Em abril de 1784, Carlos foi convencido, pelo rei Gustavo III da Suécia, a conceder a Louise um decreto de separação. O casal não se divorciou (uma vez que não existia tal procedimento legal nos Estados Pontifícios), mas foi permitido a Luísa viver separada de seu marido.

Em junho de 1784 Louise saiu de Roma, supostamente para passar o verão nos banhos de Baden. Em agosto, esteve reunida com Alfieri em Colmar. Passaram os próximos dois meses juntos no castelo de Martinsburg. A fim de continuar a manter seus encontros sem o conhecimento do cardeal-duque de York (que era a principal fonte de renda de Louise), se separaram novamente, e Louise passou o inverno de 1784/1785 em Bolonha. Passou o verão em Paris, antes de voltar para Martinsburg, onde se encontrou novamente com Alfieri em setembro. Após dois meses, Louise retornou a Paris.

Em 1786, o cardeal-duque de York tomou conhecimento da relação existente entre Louise e Alfieri. Isso causou uma ruptura completa entre Louise e seu cunhado. Doravante, ela não fez mais nenhuma tentativa de esconder seu relacionamento com Alfieri. De dezembro de 1786 em diante, viveram juntos como um casal com apenas, ocasionalmente, breves separações.

No último dia de janeiro de 1788, morreu Carlos, o marido de Louise. Isto resultou em uma melhora substancial em sua situação financeira graças a uma pensão anteriormente acordada do rei da França. Embora Louise agora tivesse a liberdade para se casar com Alfieri, eles não regularizaram a relação, uma vez que Alfieri sempre se opôs à instituição do casamento. Viveram inicialmente em Paris. Lá Louise fundou um famoso salão literário em sua casa para onde convidava os mais importantes escritores, artistas e intelectuais.

Em 1791 Louise e Alfieri, realizaram uma visita de quatro meses à Inglaterra. Em 1792, a insurreição de 10 de agosto encorajou-os a fugir de Paris, apenas dois dias antes das autoridades republicanas irem até sua casa para prendê-los.

Louise e Alfieri estabeleceram-se em Florença. Em 1793 Alfieri adquiriu o Palazzo Gianfigliazzi, uma mansão com vista para o rio Arno. Lá, Louise restabeleceu o seu famoso salão, embora talvez, em escala um pouco menor do que em Paris.

Louise continuou a viver com Alfieri até a morte deste em 1803.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Alfieri, o companheiro de Louise foi o artista François-Xavier Fabre; parece improvável que o relacionamento deles fosse romântico. Louise continuou a viver em Florença, até que em 1809 foi chamada a Paris por Napoleão Bonaparte, que perguntou se ela e Carlos Eduardo tinham dado à luz uma criança na esperança de que poderia ser usada para tentar atiçar a insurreição na Grã-Bretanha com a qual a França estava em guerra. Quando ela respondeu que "não", a reunião foi encerrada abruptamente.[1] . Um ano depois, foi autorizada a retornar a Florença.

Louise está sepultada na Basílica de Santa Cruz, em Florença (na Capela Castellani); Alfieri está também enterrado na basílica (entre os túmulos de Maquiavel, e Michelangelo).

Descendência[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ludwig Christian, Conde de Stolberg-Gedern
 
 
 
 
 
 
 
Friedrich Karl, Príncipe de Stolberg-Gedern
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Duquesa Christine de Mecklenburg-Güstrow
 
 
 
 
 
 
 
Príncipe Gustav Adolf de Stolberg-Gedern
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ludwig Kraft, Conde de Nassau-Saarbrücken
 
 
 
 
 
 
 
Condessa Louise de Nassau-Saarbrücken
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Princesa Philippine Henriette de Hohenlohe-Langenburg
 
 
 
 
 
 
 
Princesa Louise de Stolberg-Gedern
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Philippe Emmanuel, Príncipe de Hornes
 
 
 
 
 
 
 
Maximilian, Príncipe de Hornes]]
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Princesa Marie Anne de Ligne
 
 
 
 
 
 
 
Princesa Isabel Philippine de Hornes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Thomas Bruce, Conde de Elgin e de Ailesbury
 
 
 
 
 
 
 
Marie Therese Bruce
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Charlotte d'Argenteau, Condessa de Esneaux
 
 
 
 
 
 

Referências

  1. Douglas p.249

Wikisource  "Albany, Louise, Countess of". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Douglas, Hugh. Bonnie Prince Charlie in love. Sutton Publishing, 2003.

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Crosland, Margaret. Louise of Stolberg, Countess of Albany. Edimburgo: Oliver & Boyd, 1962.
  • Lee, Vernon (i.e. Violet Paget). The Countess of Albany. Londres: W.H. Allen, 1884. Texto completo.
  • Mitchiner, Margaret. No Crown for the Queen: Louise de Stolberg, Countess of Albany, and Wife of the Young Pretender. Londres: Jonathan Cape, 1937.
  • Vaughan, Herbert. The Last Stuart Queen. Londres: Duckworth, 1910.


Títulos pretendidos
Precedido por:
Maria Clementina Sobieska
— TITULAR —
Rainha consorte da Inglaterra
Rainha consorte da Irlanda
Rainha consorte da Escócia

1772–1788
Motivo para a sucessão falhar:
Revolução Gloriosa
Vago
Próximo detentor do título:
Maria Teresa de Áustria-Este