Luís Cristino da Silva
Luís Ribeiro C. Cristino da Silva (Lisboa, 1896 — 1976 (80 anos)), foi um arquitecto diplomado pela Escola de Belas Artes de Lisboa (1919), que depois de um período de estudo em Paris para se aperfeiçoar profissional e artisticamente (1920-1925) se fixou em Lisboa, tendo desenvolvido uma carreira notável, sendo autor de alguns dos edifícios mais marcantes do período do Estado Novo, incluindo o Pavilhão de Honra e o Pavilhão de Lisboa na Exposição do Mundo Português (1940). Foi o arquitecto-chefe do projecto da Cidade Universitária de Coimbra (1948) e dos projectos para a Praça do Areeiro (1941-1960) e para o prolongamento da Avenida da Liberdade (1932-1971, nunca construído), ambos em Lisboa[1]. A sua obra define a forma da arquitectura oficial do Estado Novo das décadas de 1940 e 1950. Foi, durante esse período, professor de Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
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[editar] Biografia
Luís Cristino da Silva nasceu em Lisboa, filho e neto de pintores: o avô foi o pintor romântico João Cristino da Silva (1820-1877); o pai foi o pintor João Ribeiro Cristino (1858-1948), professor e autor da obra Estética citadina.
No ano de 1919 formou-se em arquitectura pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, tendo nesse ano partido para Roma, onde fez investigação arqueológica. Em 1920 obteve uma bolsa de estudo que lhe permitiu ir para Paris estudar no atelier de Léon Azéma e depois no de Victor Laloux, que fora mestre do arquitecto Ventura Terra.
Em 1925 regressou a Lisboa, realizando nesse ano uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes na qual apresentou diversos projectos realizados durante a sua estadia em Paris. Os projectos foram bem acolhidos pela crítica, contribuindo para o arranque da sua carreira profissional. Nesse mesmo ano, projectou o edifício do Teatro Capitólio, hoje considerado uma referência arquitectónica do "primeiro modernismo" português.
A partir de 1927 elaborou diversos estudos urbanísticos para a Câmara Municipal de Lisboa, entre os quais os projectos de grande envergadura como a concepção da Praça do Areeiro (1941-1960) e do prolongamento da Avenida da Liberdade (1932-1971), este último nunca construído.
Também se dedicou ao projecto de obras públicas e particulares, entre as quais o edifício para o Liceu de Beja, obra marcante no funcionalismo conceptual [carece de fontes] da arquitectura portuguesa da década de 1930.
Durante a década de 1930, sob a égide do Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco, desenvolveu projectos de grande envergadura e visibilidade, entre os quais o Pavilhão de Honra e de Lisboa da Exposição do Mundo Português (1940), o traçado da Avenida António Augusto de Aguiar (1943) e os projectos do Palácio do Ultramar e da Zona Marginal de Belém (1953-1961), estes últimos nunca construídos.
Figura basilar do modernismo português, estilo que abandonou nos anos de 1930. A sua obra das décadas de 1940 e 1950 marcou o formulário arquitectura do Estado-Novo. Recebeu a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas Artes (1943), o Prémio Valmor, o Prémio Municipal (1944) e o Prémio Nacional de Arte do Secretariado Nacional de Informação (1961)[2].
Foi, desde 1933 e durante um longo período, professor de Arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Leccionava esta cadeira do curso de Arquitectura desde o 2º ano até ao fim do curso[3][4].
[editar] Projectos e obras
Destacam-se entre os seus projectos arquitectónicos, os seguintes:
- Cineteatro Capitólio.
- Pavilhão de Honra e de Lisboa na Exposição do Mundo Português
- Arquitecto-chefe da cidade universitária de Coimbra (1948).
- Praça do Areeiro (actual Praça Francisco Sá Carneiro) em Lisboa
- Moradia na Avenida Pedro Álvares Cabral, n.º 67 (Prémio Valmor, 1944).
- Plano de Urbanização de Nova Oeiras
Notas
- ↑ Espólio de Luís Cristino.
- ↑ Nota biográfica.
- ↑ Rodrigues, Francisco Castro e Dionísio, Eduarda em "Um cesto de cerejas", Lisboa 2009; edição Casa da Achada - Centro Mário Dionísio; ISBN 978-989-96341-1-4 (pp.51-64)
- ↑ FERNANDES, José Manuel - “Geração africana: arquitectura e cidades em Angola e Moçambique, 1925-1975”; 2002 (p. 14).