Luís XVI de França

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Luís XVI
Rei da França e Navarra
Reinado 10 de maio de 1774
a 21 de setembro de 1792
Coroação 11 de junho de 1775
Predecessor Luís XV
Sucessor Monarquia abolida
Esposa Maria Antonieta da Áustria
Descendência
Maria Teresa de França
Luís José, Delfim de França
Luís XVII de França
Maria Sofia de França
Nome completo
Luís Augusto
Casa Bourbon
Pai Luís, Delfim de França
Mãe Maria Josefa de Saxônia
Nascimento 23 de agosto de 1754
Palácio de Versalhes, Versalhes, França
Morte 21 de janeiro de 1793 (38 anos)
Praça da Revolução, Paris, França
Enterro 21 de janeiro de 1815
Basílica de Saint-Denis,
Saint-Denis, França
Assinatura

Luís XVI (Versalhes, 23 de agosto de 1754Paris, 21 de janeiro de 1793) foi rei da França e Navarra de 1774 até 1792, antes de sua deposição e execução durante a Revolução Francesa. Seu pai, Luís, Delfim de França, era o filho e herdeiro de Luís XV de França. Como resultado da morte de seu pai, em 1765, Luís sucedeu seu avô em 1774. Era irmão mais velho dos futuros reis Luís XVIII e Carlos X.

A primeira parte do reinado de Luís foi marcada por tentativas de reformar a França, de acordo com os ideais iluministas. Estes incluíram esforços para abolir a servidão, remover a taille, e aumentar a tolerância em relação aos não-católicos. A nobreza francesa reagiu com hostilidade às reformas propostas, e com uma oposição bem sucedida à sua implementação. Em seguida ocorreu o aumento do descontentamento entre as pessoas comuns. Em 1776, Luís XVI apoiou ativamente os colonos norte-americanos, que buscavam sua independência da Grã-Bretanha, que foi realizada no Tratado de Paris de 1783.

A dívida e crise financeira que vieram em seguida contribuíram para a impopularidade do Antigo Regime, que culminou no Estado Geral de 1789. O descontentamento entre os membros das classes média e baixa da França resultou em reforçada oposição à aristocracia francesa e à monarquia absoluta, das quais Luís e sua esposa, a rainha Maria Antonieta, eram vistos como representantes. Em 1789, a tomada da Bastilha, durante os distúrbios em Paris, marcou o início da Revolução Francesa. A indecisão e conservadorismo de Luís levaram algumas percepções ao povo da França em vê-lo como um símbolo da tirania percebido do Antigo Regime, e sua popularidade se deteriorou progressivamente. Sua desastrosa fuga de Varennes, em junho de 1791, quatro meses antes da monarquia constitucional ser declarada, parecia justificar os rumores de que o rei amarrou suas esperanças de salvação política nas perspectivas de alguma invasão estrangeira. A credibilidade do rei foi extremamente comprometida. A abolição da monarquia e a instauração da república tornaram-se possibilidades cada vez maiores.

Em um contexto de guerra civil e internacional, Luís XVI foi suspenso e preso na época da insurreição de 10 de agosto de 1792, um mês antes da monarquia constitucional ser abolida e a Primeira República Francesa ser proclamada em 21 de setembro do mesmo ano. Foi julgado pela Convenção Nacional (auto-instituída como um tribunal para a ocasião), considerado culpado de alta traição e executado na guilhotina em 21 de janeiro de 1793 como um cidadão francês dessacralizado conhecido como "Cidadão Luís Capeto", um apelido em referência a Hugo Capeto, o fundador da dinastia capetiana – que os revolucionários interpretavam como o nome de família do rei. Depois de inicialmente considerado tanto um traidor como um mártir, historiadores franceses têm adotado uma visão geral diferente de sua personalidade e papel como rei, descrevendo-o como um homem honesto impulsionado por boas intenções, mas que não estava à altura da tarefa hercúlea que teria sido uma profunda reforma da monarquia. Foi o único rei da França na história a ser executado, e sua morte pôs fim a mais de mil anos de monarquia francesa contínua.

Infância e educação[editar | editar código-fonte]

À direita o duque de Berry, futuro Luís XVI, à esquerda o Conde de Provença, futuro Luís XVIII, em trajes suntuosos da corte.

Luís Augusto de França nasceu no Palácio de Versalhes, em 23 de agosto de 1754, recebendo o título de duque de Berry no nascimento. Dentre oito filhos era a quarta criança e primeiro menino varão de Luís, Delfim de França, e, portanto, neto de Luís XV de França e de sua consorte, Maria Leszczyńska. Sua mãe era Maria Josefa de Saxônia, filha de Frederico Augusto II da Saxônia, o príncipe-eleitor da Saxônia e rei da Polônia.[1]

Teve uma infância difícil, pois seus pais esqueceram-no em favor de seu – que diziam ser – brilhante e bonito irmão mais velho, Luís, duque de Borgonha, que morreu aos nove anos de idade em 1761.[2] Diante da insistência de seu pai, sua educação foi supervisionada pelo Comte de La Vauguyon e pelo bispo de Limoges, que eram conservadores, religiosos e, mais importante, anti-filósofos, opondo-se firmemente a uma tendência intelectual que a família real desprezava.[1] Luís Augusto, um menino forte e saudável, mas muito tímido, destacou-se em seus estudos e tinha um gosto forte pelo latim, história, geografia e astronomia, e tornou-se fluente em italiano e inglês. Gostava de atividades físicas, tais como a caça com seu avô, e jogos brutos com seus irmãos mais novos, Luís Estanislau, conde de Provença, e Carlos Filipe, conde de Artois. Desde tenra idade, o duque de Berry havia sido incentivado à prática de outro de seus passatempos: serralharia, que foi visto como um exercício 'útil' para uma criança.[2]

Após o falecimento de seu pai, que morreu de tuberculose em 20 de dezembro de 1765, os onze anos de idade, tornou-se o novo Delfim. Sua mãe nunca se recuperou da perda de seu marido, e morreu em 13 de março de 1767, também de tuberculose.[3] A educação rígida e conservadora que recebeu do duque de La Vauguyon, des Enfants gouverneur de France (o governador dos Filhos de França), a partir de 1760 até seu casamento, em 1770, não o preparou para o trono que viria a herdar em 1774 após a morte de seu avô, Luís XV. Ao longo de sua educação, recebeu uma combinação de estudos específicos com religião, moral e humanidade.[4] Seus instrutores também podem ter contribuído para moldá-lo como o rei indeciso que se tornaria. Abbé Berthier, seu instrutor, ensinou-lhe que a timidez era um valor em monarcas fortes, e Abbé Soldini, seu confessor, o instruiu a não deixar que as pessoas lessem sua mente.[5]

Vida em família[editar | editar código-fonte]

Louis16-1775.jpg
Luís XVI, com 20 anos de idade.
Marie Antoinette 1767.jpg
A Arquiduquesa Maria Antonieta, aos 12 anos de idade.

Em 16 de maio de 1770, Luís Augusto, com quinze anos de idade, casou-se com a arquiduquesa de Habsburgo Maria Antônia (mais conhecida pela forma francesa de seu nome, Maria Antonieta) de quatorze anos, sua prima em segundo grau e filha mais nova do imperador do Sacro Império Romano-Germânico Francisco I e sua esposa, a imperatriz Maria Teresa da Áustria.[6] Este casamento foi recebido com certa hostilidade por parte do povo francês. A aliança da França com a Áustria tinha puxado o país para a desastrosa Guerra dos Sete Anos, em que foi derrotado pelos britânicos, tanto na Europa como na América do Norte. No momento em que Luís Augusto e Maria Antonieta se casaram, o povo francês no geral considerou a aliança austríaca com desagrado, e Maria Antonieta foi vista como uma estrangeira indesejável.[7] Para ambos, o casamento foi inicialmente amigável, mas distante. A timidez do delfim e, entre outros fatores, a pouca idade e inexperiência dos recém-casados​​, que estavam totalmente estranhos um com o outro — tendo se conhecido apenas dois dias antes de seu casamento —, significava que o noivo de 15 anos não conseguia consumar a união com sua noiva um ano mais nova. Seu medo de ser manipulado por ela para fins imperiais fez com que ele se comportasse friamente em direção a ela em público.[8] Com o tempo, o casal tornou-se mais próximo, porém, enquanto o casamento teria sido consumado em julho de 1773, de fato, não foi realmente assim até 1777.[9] No entanto, o casal real não conseguiu gerar filhos por vários anos após o seu casamento, colocando uma pressão sobre a união,[10] enquanto isso a situação agravou-se com a publicação de panfletos obscenos (libelles) que satirizavam a infertilidade do casal, um deles perguntava: "Pode o Rei fazê-lo? Não pode o Rei fazê-lo?"[11]

As razões por trás do fracasso inicial do casal em ter filhos foram debatidas naquela época, e elas continuaram a ser debatidas desde então. Uma sugestão é que Luís Augusto sofria de uma disfunção fisiológica, na maioria das vezes pensada como fimose,[12] uma sugestão feita pela primeira vez no final de 1772 pelos médicos reais.[13] Os historiadores que aderiram a essa visão sugerem que ele tenha sido circuncidado[14] (um tratamento comum para fimose) para aliviar a condição de sete anos após seu casamento. Os médicos do delfim não eram a favor da cirurgia — a operação foi delicada e traumática, e capaz de fazer "tanto mal quanto bem" para um homem adulto. O argumento para a fimose e uma operação resultante é vista principalmente se originalizando de Stefan Zweig, que hoje é conhecido por ter dado destaque indevido a dados que sugerem que Luís tinha fimose, e suprimiu outras provas que contradiziam essa interpretação. Zweig, um escritor não historiador, foi influenciado pelas teorias de seu amigo Sigmund Freud, e argumentou que a frivolidade notória de Antonieta e formas perdulárias resultaram em sua frustração sexual nos sete primeiros anos de casamento.[15]

Luís Carlos, o delfim de França e futuro Luís XVII (de jure). Por Marie Louise Élisabeth Vigée-Lebrun;

A maioria dos historiadores modernos concordam que Luís não fez a cirurgia[nota 1] — por exemplo, tão tarde quanto 1777, o enviado da Prússia, barão Goltz, informou que o rei da França tinha definitivamente recusado a operação.[16] O fato é que Luís era frequentemente declarado perfeitamente adequado à relação sexual, confirmada por José II, e durante o tempo em que era suposto ter feito a operação, ele saiu para caçar quase todos os dias, de acordo com seu diário. Isso não teria sido possível se tivesse passado por uma circuncisão; pelo menos, ele não teria sido capaz de andar à caça por algumas semanas depois. Os problemas da consumação do casal hoje são atribuídos a outros fatores. A biografia de Antonia Fraser sobre a rainha discute a carta de José II sobre o assunto a um de seus irmãos depois que ele visitou Versalhes, em 1777.[17] Na carta, José descreve em detalhes francos o desempenho surpreendentemente inadequado de Luís no leito conjugal e o desinteresse de Antonieta em atividades conjugais. José descreveu o casal como "perfeitos confusos",[17] mas com o seu conselho, Luís começou a aplicar-se de forma mais eficaz aos seus deveres como marido, e, por vezes, na terceira semana de agosto de 1777, Maria Antonieta, finalmente, tornou-se a verdadeira rainha da França, consumando seu casamento.[18]

Apesar de toda a sua dificuldade no início, o casal real teve quatro filhos. A camareira de Maria Antonieta, Madame Campan, observou um aborto que a rainha sofreu após o nascimento de seu primeiro filho, um incidente datado de julho de 1779[19] por uma carta da imperatriz de Áustria à rainha. Madame Campan afirma que Luís passou uma manhã inteira consolando sua esposa ao seu lado, e jurando-lhe segredo de todos que soubessem do incidente. Maria Antonieta sofreu um segundo aborto espontâneo no início de novembro de 1783.[20] Antes de seu aborto, em 19 de dezembro de 1778 a rainha da França deu à luz a primeira criança do casal, uma menina, Maria Teresa. Ambos tinham grandes expectativas por um varão herdeiro. Luís José nasceu em 22 de outubro de 1781 e foi o Delfim, não por muito tempo, até morrer em 4 de junho de 1789.[21] [22] Luís Carlos, por vezes dito Luís XVII, nasceu em 27 de março de 1785, porém morreu na prisão e sua irmã caçula Maria Sofia, nascida em 9 de julho de 1786, viria a morrer de varíola ainda na infância, um ano depois. Apenas Maria Teresa sobreviveu à infância e isso trouxe sofrimento aos seus pais.[23] [24]

Monarca absoluto da França, 1774–1788[editar | editar código-fonte]

Luís XVI por Antoine-François Callet, 1786.

Quando Luís XVI subiu ao trono em 1774, tinha 19 anos.[25] Sua coroação foi realizada cerca de um ano mais tarde, em 11 de junho de 1775, na Catedral de Notre-Dame de Reims, pelo cardeal Charles-Antoine de la Roche-Aymon.[26] O rei possuía uma enorme responsabilidade, pois o governo estava profundamente endividado,[27] e o ressentimento à monarquia "despótica" estava em ascensão. O novo rei também sentia-se lamentavelmente não qualificado para o trabalho. Como rei, focou-se principalmente na uniformidade religiosa e política externa. Embora ninguém duvidasse da habilidade intelectual do rei em governar a França, estava bastante claro que, embora criado como o Delfim desde 1765, faltava-lhe firmeza e determinação. Seu desejo de ser amado por seu povo é evidente nos prefácios de muitos de seus decretos que muitas vezes explicavam a natureza e a boa intenção de suas ações em beneficiar as pessoas. Pretendia ganhar o amor de seu povo através do restabelecimento dos parlamentos. Quando questionado sobre sua decisão, ele disse: "Pode ser considerado politicamente insensato, mas parece-me ser a vontade geral, e eu quero ser amado."[28] Apesar de sua indecisão, Luís XVI estava determinado em ser um bom rei, afirmando que ele "deve sempre consultar a opinião pública; eles nunca estão errados."[29] Portanto, nomeou um conselheiro experiente, Jean-Frédéric Phélypeaux, Conde de Maurepas que, até sua morte, em 1781, se encarregaria de muitas funções ministeriais importantes.[30]

Um dos principais acontecimentos do reinado de Luís XVI foi sua assinatura do Édito de Versalhes, também conhecido como o Édito de Tolerância, em 7 de novembro de 1787,[31] que foi registrado no parlamento em 29 de janeiro de 1788. Este edital efetivamente anulou o Édito de Fontainebleau, que tinha sido lei durante 102 anos. Concedeu aos não-católicos — calvinistas huguenotes, luteranos, assim como judeus — estado civil e legal na França, e deu-lhes o direito de praticar abertamente sua fé. O Edito de Versalhes não proclamou legalmente a liberdade de religião na França — isso levou mais de dois anos, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 — no entanto, foi um passo importante para eliminar tensões religiosas e terminou oficialmente com a perseguição religiosa dentro de seu reino.[32]

As reformas financeiras radicais de Jacques Turgot e Lamoignon de Malesherbes irritaram os nobres e foram bloqueadas pelos parlamentos que insistiam que o rei não tinha o direito legal de cobrar novos impostos. Então, em 1776, Turgot foi demitido e Malesherbes renunciou, sendo substituído por Jacques Necker. Necker apoiou a Revolução Americana, e ele levou a cabo uma política de contratar grandes empréstimos internacionais, em vez de aumentar os impostos. Tentou ganhar o favor do público em 1781, quando publicou a primeira declaração de despesas e contas da história da coroa francesa, a Compte rendu au roi. Isso permitiu que o povo da França pudesse ver as contas do rei no modesto excedente.[33] Quando esta política falhou miseravelmente, Luís o despediu, em seguida, o substituiu em 1783 por Charles Alexandre de Calonne, que aumentou os gastos públicos para "comprar" o caminho do país para sair da dívida. Mais uma vez isto falhou, assim Luís convocou a Assembleia dos Notáveis, em 1787, para discutir uma nova reforma fiscal revolucionária proposta por Calonne. Quando os nobres foram informados da importância da dívida, eles ficaram chocados em rejeitar o plano. Estes acontecimentos negativos, por sua vez, sinalizaram que Luís tinha perdido a capacidade de governar como um monarca absoluto, e ele caiu em depressão.[34]

Abertura da Assembleia dos Estados Gerais em 5 de maio de 1789, no Grands Salles des Menus-Plaisirs em Versalhes.

Como o poder derivava dele, houve apelos cada vez mais fortes para que convocasse a Assembleia dos Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614, no início do reinado de Luís XIII. Como uma última tentativa de obter novas reformas monetárias aprovadas, Luís XVI convocou os Estados Gerais em 8 de agosto de 1788, a definição da data de sua abertura seria em 1° de maio de 1789. Com a convocação dos Estados Gerais, como em muitos outros casos, durante seu reinado, Luís colocou sua reputação e imagem pública nas mãos daqueles que não fossem, talvez, tão sensíveis aos desejos do povo francês como ele era. Por ser tão longo desde que os Estados Gerais tinham sido convocados, houve alguns debates sobre quais procedimentos deveriam ser seguidos. Em última análise, o Parlamento de Paris concordou que "todas as observâncias tradicionais deveriam ser cuidadosamente mantidas para evitar a impressão de que os Estados Gerais poderiam fazer as coisas como se fosse junto." De acordo com esta decisão, o rei concordou em manter muitos dos costumes divisionistas que estavam em norma desde 1614, mas que eram intoleráveis ​​para um Terceiro Estado impulsionado pelas recentes declarações de igualdade. Por exemplo, o Primeira e o Segundo Estado procederam à montagem vestindo suas melhores roupas, enquanto o Terceiro Estado era obrigado a se vestir de forma simples, opressivamente sombria e negra, um ato de alienação que Luís provavelmente não tolerava. Parecia considerar os deputados dos Estados Gerais com pelo menos respeito: em uma onda de patriotismo auto-importante, os membros dos Estados se recusaram a remover seus chapéus na presença do rei, por isso Luís o tirou a eles.[35]

Esta convocação foi um dos eventos que transformaram o mal-estar econômico e político geral do país na Revolução Francesa. Em junho de 1789, o Terceiro Estado declarou-se unilateralmente a Assembleia Nacional. As tentativas de Luís em controlá-la resultaram no Juramento do Jogo da Péla (serment du jeu de paume), em 20 de junho, a declaração da Assembléia Nacional Constituinte em 9 de julho, e, posteriormente, levaram à tomada da Bastilha em 14 de julho, que é considerado o evento inicial da Revolução Francesa (a entrada do "diário" de Luís para 14 de julho, a única palavra "rien (nada)" tem sido usada para mostrar como fora de contato com a realidade estava, mas o documento era mais um registro de ​​caça do que um diário pessoal. Quando não foi caçar, escreveu: "rien". Ele não queria dizer que nada de importante tinha acontecido naquele dia).[36] Durante o período de 1789 até 1791, a Assembleia Nacional gradualmente transferiu os poderes do rei para a própria assembleia ou seus ministros. Ele temia por sua alma; Deus lhe deu o trono; Deus esperava que ele governasse.[37]

Política externa[editar | editar código-fonte]

Guerra dos Sete Anos e a Grã-Bretanha[editar | editar código-fonte]

Luís XVI recebendo os embaixadores do Sultão Tipu em 1788, Voyer após Emile Wattier, no século XIX.

A participação francesa na Guerra dos Sete Anos tinha deixado a Luís XVI uma herança desastrosa. Vitórias da Grã-Bretanha tinham visto a captura da maioria dos territórios coloniais da França. Enquanto algumas foram devolvidas à França no Tratado de Paris de 1763, uma vasta parte da América do Norte foi cedida aos britânicos. Isto levou a uma estratégia entre a liderança francesa de tentar reconstruir suas forças armadas, a fim de travar uma guerra de vingança contra a Inglaterra, na qual esperava-se que as colônias perdidas pudessem ser recuperadas. A França ainda mantinha uma forte influência nas Índias Ocidentais, e na Índia mantinha cinco postos comerciais, deixando oportunidades para disputas e jogos de poder com a Grã-Bretanha.[38] [39] [40]

Em relação à Revolução Americana[editar | editar código-fonte]

Rendição de Cornwallis para tropas francesas (à esquerda) e americanas (à direita), no cerco de Yorktown, em 1781, por John Trumbull.

Na primavera de 1776, Vergennes, o ministro das Relações Exteriores, viu uma oportunidade de humilhar o antigo inimigo da França, a Grã-Bretanha, assim como recuperar territórios perdidos durante a Guerra dos Sete Anos, apoiando a Revolução Americana.[41] Luís XVI foi convencido por Pierre Beaumarchais a enviar secretamente suprimentos, munições e armas a partir de 1776, assinando um tratado formal de aliança no início de 1778, e ir para a guerra contra a Grã-Bretanha. Ao decidir a favor da guerra, apesar de grandes problemas financeiros em seu país, o rei foi materialmente influenciado por relatórios alarmistas, após a batalha de Saratoga, que sugeriam que a Grã-Bretanha estaria preparando-se para fazer grandes concessões às colônias e, em seguida, aliando-se com eles, atacando possessões francesas e espanholas nas Índias Ocidentais.[42] Espanha e Países Baixos logo se juntaram aos franceses em uma coalizão anti-britânica.[43] Depois de 1778, a Grã-Bretanha mudou seu foco para as Índias Ocidentais, como a defesa das Ilhas de Açúcar sendo considerada mais importante do que tentar recuperar as treze colônias. França e Espanha planejavam invadir as Ilhas Britânicas com a armada de 1779, mas a operação não foi adiante.[44]

A assistência militar inicial da França aos rebeldes americanos foi uma decepção com derrotas em Rhode Island e Savannah. Em 1780, a França enviou Rochambeau e François de Grasse para ajudar os norte-americanos, junto com grandes forças terrestres e navais. A força expedicionária francesa chegou à América do Norte em julho de 1780. O aparecimento de frotas francesas no Caribe foi seguido pela captura de um certo número de ilhas de Açúcar, incluindo Tobago e Granada.[45] Em outubro de 1781, o bloqueio naval francês foi importante para forçar um exército britânico liderado pelo Lorde Cornwallis a render-se no cerco de Yorktown.[46] Quando tal notícia chegou a Londres, o governo de Lorde North caiu em março de 1782 e a Grã-Bretanha imediatamente entrou em processos e termos de paz; no entanto, a França retardou o fim da guerra até setembro de 1783, na esperança de invadir mais colônias britânicas na Índia e nas Índias Ocidentais.[47] [48]

A Grã-Bretanha reconheceu a independência das treze colônias como os Estados Unidos da América, e o Ministério da Guerra da França reconstruiu o exército. No entanto, os britânicos derrotaram a principal frota francesa em 1782 e defenderam com sucesso Jamaica e Gibraltar. O país de Luís ganhou pouco no Tratado de Paris de 1783, que terminou a guerra, exceto as colônias de Tobago e Senegal. O monarca ficou totalmente decepcionado com seus objetivos de recuperar o Canadá, a Índia e outras ilhas nas Índias Ocidentais da Grã-Bretanha, como elas foram muito bem defendidos e a Marinha Real Britânica fez qualquer tentativa de invasão impossível. A guerra custou 1,0666 milhões de libras, financiadas por novos empréstimos a juros altos (sem novos impostos). Necker ocultou a crise do público, explicando apenas que as receitas ordinárias ultrapassaram as despesas comuns, e não mencionou os empréstimos. Depois que ele foi retirado do cargo em 1781, novos impostos foram cobrados.[49]

Em relação a Índia, Cochinchina e exploração do mundo[editar | editar código-fonte]

Luís XVI esperava usar a guerra revolucionária americana como uma oportunidade para expulsar os ingleses da Índia.[40] Em 1782, ele selou uma aliança com o peshwa Madhu Rao Narayan. Como consequência, Charles Joseph Patissier, Marquês de Bussy-Castelnau, moveu suas tropas para a Isle de France (hoje Maurício) e, mais tarde contribuiu para o esforço francês na Índia em 1783.[40] [50] Pierre André de Suffren se tornou o aliado de Hyder Ali na Segunda Guerra Anglo-Mysore contra o domínio britânico na Índia, em 1782-1783, a luta contra a frota britânica ao longo das costas da Índia e Ceilão.[51] [52]

Luís XVI dando suas instruções a La Pérouse.

A França também interveio na Cochinchina, após a intervenção do missionário católico Dom Pigneau de Behaine para obter ajuda militar. Uma aliança entre a França e a Cochinchina foi assinada através do Tratado de Versalhes de 1787, entre Luís XVI e o Príncipe Nguyễn Ánh.[53] À medida que o regime francês estava sob pressão considerável, a França não foi capaz de seguir com a aplicação do tratado, mas Dom Pigneau de Behaine persistiu em seus esforços e com o apoio de indivíduos e comerciantes franceses montaram uma força de soldados e oficiais franceses que contribuiu para a modernização dos exércitos de Nguyễn Ánh, contribuindo para a sua vitória e reconquista de todo o Vietnã, em 1802.[54]

O rei também incentivou grandes viagens de exploração. Em 1785, nomeou Jean-François de La Pérouse para liderar uma expedição para velejar ao redor do mundo. A expedição foi parte da rivalidade nacional com a Grã-Bretanha e, em particular, foi uma tentativa de imitar o capitão James Cook, cujas viagens ao redor do mundo foram um sucesso, a primeira de 1768 a 1771, e a segunda de 1772 a 1775, e fizeram muito para reescrever a ciência, reposicionar alinhamentos geográficas e promover os interesses britânicos.[55]

Reinado constitucional revolucionário, 1789–1792[editar | editar código-fonte]

Revoltas populares, período no Tulherias e reforma administrativa[editar | editar código-fonte]

Em 5 de outubro de 1789, uma multidão enfurecida de mulheres parisienses que trabalhavam foi incitada pelos revolucionários e marcharam em direção ao Palácio de Versalhes, onde a família real vivia.[56] Ao amanhecer, se infiltraram no palácio e tentaram matar a rainha, que era associada a um estilo de vida frívolo que simbolizava muito do que foi desprezado pelo Antigo Regime.[56] Depois que a situação tinha sido neutralizada por La Fayette, que liderava a Guarda Nacional, o rei e sua família foram levados pela multidão ao Palácio das Tulherias, em Paris. O raciocínio por trás dessa saída forçada de Versalhes foi a opinião de que o rei seria mais responsável perante o povo, se ele vivesse entre eles, em Paris.[57]

Gravura matizada de Luís XVI, em 1792. A legenda refere-se à data do juramento do Jogo da Péla e conclui: "O mesmo Luís XVI que bravamente espera até que seus concidadãos retornem aos seus lares planeja uma guerra secreta e executar sua vingança."

Os princípios da revolução da soberania popular, embora centrais para os princípios democráticos de épocas posteriores, marcaram uma ruptura decisiva do princípio monárquico absoluto que estava no coração do tradicional governo francês. Como resultado, a revolução foi contestada por muitas das pessoas rurais da França e por praticamente todos os governos dos países vizinhos da França. Como a revolução tornou-se mais radical e as massas tornaram-se mais incontroláveis, várias figuras de destaque na formação inicial da revolução começaram a duvidar de seus benefícios. Alguns, como Honoré Mirabeau, secretamente conspiraram com a coroa para restaurar seu poder em uma nova forma constitucional.[58]

A partir de 1791, Montmorin, o ministro das Relações Exteriores, começou a organizar a resistência encoberta pelas forças revolucionárias.[59] Assim, os fundos da Lista Civil (la Liste civile), votada anualmente pela Assembleia Nacional Constituinte, foram parcialmente atribuídos a despesas secretas a fim de preservar a monarquia. Arnault de Laporte estava no comando da Lista Civil e colaborou com Montmorin e com Mirabeau. Após a morte repentina de Mirabeau, Maximilien Radix de Sainte-Foix, um financista notável, tomou o seu lugar. Com efeito, ele liderou um conselho secreto de conselheiros do rei que tentou preservar a monarquia; estes esquemas não foram bem sucedidos, e foram expostos mais tarde, como o escândalo do Armário de Ferro.[60]

A morte de Mirabeau e a indecisão de Luís fatalmente enfraqueceram negociações entre a Coroa e os políticos moderados. Por um lado, o rei estava longe de ser tão reacionário como seus irmãos, o conde de Provença e o conde de Artois,[61] e ele repetidamente enviou mensagens a eles pedindo a suspensão de suas tentativas para lançar contra-golpes. Isto foi muitas vezes feito através de seu regente secretamente nomeado, o Cardeal Loménie de Brienne.[62] Por outro lado, Luís estava alienado do novo governo democrático, tanto pela sua reação negativa ao papel tradicional de monarca e no seu tratamento dele e de sua família. O rei já havia sido humilhado quando em 6 de outubro invadiram Versalhes e obrigaram-no a vestir o barrete frígio — símbolo da república e dos que se libertaram de qualquer jugo — e voltar aos Palácio das Tulherias, onde ficou particularmente irritado por ter sido mantido sob vigilância popular, essencialmente como um prisioneiro.[63] [64]

Fuga de Varennes, 1791[editar | editar código-fonte]

Detenção de Luís XVI e sua família, Varennes-en-Argonne, 1791.

Em 21 de junho de 1791, Luís XVI tentou fugir secretamente com sua família de Paris à cidade-fortaleza monarquista de Montmédy na fronteira nordeste da França, onde iria se juntar aos émigrés [emigrantes, ou emigrados] e ser protegido pela Áustria. Enquanto a Assembleia Nacional trabalhava meticulosamente no sentido de uma constituição, Luís e Maria Antonieta estavam envolvidos em seus próprios planos. O rei tinha nomeado o barão de Breteuil para atuar como plenipotenciário, lidando com outros chefes de Estado estrangeiros em uma tentativa de trazer uma contra-revolução. O próprio Luís realizou reservas contra dependência de ajuda externa. Como sua mãe e seu pai, pensou que os austríacos eram traiçoeiros e os prussianos eram excessivamente ambiciosos.[65] Como as tensões em Paris aumentassem e o rei fora pressionado a aceitar medidas da assembleia contra a sua vontade, Luís XVI e a rainha conspiraram para escapar secretamente da França. Além da fuga, esperavam levantar um "congresso armado" com a ajuda dos émigrés, assim como o apoio de outras nações com as quais poderiam voltar e, em essência, reconquistar a França. Este grau de planejamento revela a determinação política de Luís; infelizmente, foi por esta trama determinada que acabou sendo condenado por alta traição.[66] Ele deixou para trás um longo manifesto explicando sua rejeição ao sistema constitucional como ilegítimo, o que foi impresso nos jornais. No entanto, a sua indecisão e incompreensão da França foram responsáveis pelo fracasso da fuga. A família real foi presa em Varennes-en-Argonne pouco depois de Jean-Baptiste Drouet, que reconheceu o rei de seu perfil em um assignat[67] (dinheiro de papel) de 50 francos, ter dado o alerta. Luís XVI e sua família foram levados de volta a Paris, onde chegaram no dia 25 de junho. Vistos com desconfiança como traidores, foram colocados em uma firme prisão domiciliar após o seu regresso ao Tulherias.[68]

Em um nível mais detalhado, o fracasso dos planos de fuga foi devido uma série de desventuras, atrasos, erros de interpretação e julgamentos pobres.[69] Numa perspectiva mais ampla, a falha foi atribuída a indecisão do rei — ele repetidamente adiou o cronograma, permitindo que problemas menores se tornassem graves. Além disso, mal compreendia totalmente a situação política. Pensou que apenas um pequeno número de radicais em Paris estavam promovendo uma revolução que o povo como um todo rejeitava. Pensou, equivocadamente, que era amado pelos camponeses e o povo comum.[70] A fuga do rei a curto prazo foi traumático para a França, incitando uma onda de emoções que variavam de ansiedade à violência a entrar em pânico. Todo mundo percebeu que a guerra era iminente. A compreensão mais profunda que o rei de fato repudiava a revolução foi um choque ainda maior para as pessoas que até então o consideravam como um bom rei que governava como uma manifestação da vontade de Deus. Eles se sentiram traídos. O republicanismo agora tinha explodido das casas de café e tornou-se uma filosofia dominante da Revolução Francesa rapidamente radicalizada.[71]

Intervenção de forças estrangeiras[editar | editar código-fonte]

O retorno da família real a Paris em 25 de junho de 1791, em cobre colorido após um desenho de Jean-Louis Prieur.

As outras monarquias da Europa olharam com preocupação os acontecimentos na França, e consideraram que, se deviam intervir, que fosse em apoio a Luís ou para tirar proveito do caos no país. A figura-chave era o irmão de Maria Antonieta, o imperador Leopoldo II. Inicialmente, tinha olhado a revolução com equanimidade.[72] No entanto, se tornou mais e mais perturbado assim como se tornou mais e mais radical. Apesar disso, ainda esperava evitar a guerra.

Em 27 de agosto, Leopoldo e o rei Frederico Guilherme II da Prússia, em consulta com os nobres emigrados da França, emitiram a Declaração de Pillnitz, que declarou o interesse dos monarcas da Europa no bem-estar de Luís e sua família,[73] e ameaçaram consequências vagas, mas graves, se alguma coisa acontecesse a eles. Embora Leopoldo tenha visto a Declaração de Pillnitz como uma maneira fácil de se mostrar preocupado com os acontecimentos na França, não apresentou nenhum soldado ou finanças para mudá-las, os líderes revolucionários em Paris a viram com medo como uma tentativa estrangeira perigosa de minar[74] a soberania da França.

Além das diferenças ideológicas entre a França e os poderes monárquicos da Europa, houve disputas contínuas sobre o estado das propriedades austríacas na Alsácia, e a preocupação dos membros da Assembleia Nacional Constituinte sobre a agitação dos emigrantes nobres no exterior, especialmente nos Países Baixos Austríacos e os estados menores da Alemanha. No final, a Assembleia Legislativa, apoiada por Luís, primeiro declarou guerra ao Sacro Império Romano-Germânico, a votação para a guerra em 20 de abril de 1792, depois de uma longa lista de queixas foi apresentada a ele pelo ministro das Relações Exteriores, Charles François Dumouriez. Dumouriez preparou uma invasão imediata dos Países Baixos Austríacos, onde esperava que a população local se levantasse contra o governo austríaco. No entanto, a revolução tinha desorganizado completamente o exército e as forças levantadas eram insuficientes para a invasão. Os soldados fugiram ao primeiro sinal de batalha e, em um caso, em 28 de abril de 1792, assassinaram seu general, o conde de origem irlandesa Théobald de Dillon, a quem acusavam de traição.[75]

O assalto ao Palácio das Tulherias, em 10 agosto de 1792.

Enquanto o governo revolucionário freneticamente levantou novas tropas e reorganizou seus exércitos, um exército prussiano-austríaco, sob Carlos Guilherme Fernando, duque de Brunswick marchou em Coblença, no Reno. Em julho, a invasão começou, com o exército de Brunswick tomando facilmente as fortalezas de Longwy e Verdun. O duque então emitiu em 25 de julho uma proclamação chamada de Manifesto de Brunswick, escrito pelo primo emigrante do rei, o Príncipe de Condé,[76] declarando a intenção dos austríacos e prussianos em restaurar o rei aos seus plenos poderes e tratar qualquer pessoa ou cidade que se opusesse como rebeldes a serem condenados à morte por lei marcial.[77]

Ao contrário de sua finalidade de fortalecer a posição do rei contra os revolucionários, o Manifesto de Brunswick teve o efeito oposto de prejudicar muito a posição já muito tênue de Luís XVI em Paris. Foi tomado por muitos como a prova final de um conluio entre o rei e potências estrangeiras em uma conspiração contra o seu próprio país. A raiva da população transbordou em 10 de agosto, quando uma multidão armada – com o apoio de um novo governo municipal de Paris, que veio a ser conhecido como a Comuna Insurrecional de Paris – sitiou o Palácio das Tulherias. A família real se abrigou com a Assembleia Legislativa.[78] [79]

Prisão e execução, 1792–1793[editar | editar código-fonte]

Luís XVI preso na Torre do Templo, por Jean-François Garneray (1755-1837)

O rei foi oficialmente preso em 13 de agosto de 1792, e enviado à Torre do Templo, uma antiga fortaleza em Paris, que foi usada como prisão. Em 21 de setembro, a Assembleia Nacional declarou a França como uma república e aboliu a monarquia. Luís foi despojado de todos os seus títulos e honrarias, e a partir desta data ficou conhecido simplesmente como Cidadão Luís Capeto.[80]

Os girondinos foram parciais em manter o rei deposto sob prisão, ambos como um refém e uma garantia para o futuro. Os Membros da Comuna de Paris e os deputados mais radicais, que logo formaram o grupo conhecido como Montanha, argumentaram para execução imediata de Luís. A experiência legal de muitos dos deputados tornaram difícil para um grande número deles aceitarem uma execução sem algum tipo de devido processo legal, e foi votado que o monarca deposto fosse julgado antes da Convenção Nacional, órgão que abrigava os representantes do povo soberano. De muitas maneiras, o julgamento do ex-rei representava o julgamento da revolução. O julgamento foi considerado como tal, com a morte de um veio a vida do outro. Michelet argumentou que a morte do ex-rei levaria à aceitação da violência como instrumento para a felicidade. Ele disse: "Se aceitarmos a proposição de que uma pessoa pode ser sacrificada para a felicidade de muitos, em breve será demonstrada que dois ou três ou mais também podem ser sacrificados para a felicidade de muitos. Pouco a pouco, vamos encontrar razões para sacrificar a muitos para a felicidade de muitos, e vamos pensar que foi um bom negócio."[81]

Em novembro de 1792, o incidente do Armário de Ferro teve lugar no Palácio das Tulherias, quando a existência, no quarto do rei, de um cofre escondido contendo documentos e correspondências comprometedoras, foi revelado por François Gamain, o serralheiro de Versalhes que o tinha instalado, foi para Paris em 20 de novembro e contou a Jean-Marie Roland, o ministro girondino do Interior. O escândalo resultante serviu para desacreditar o rei.[82] [83]

Em 11 de dezembro, entre as ruas lotadas e silenciosas, o rei deposto foi trazido do Templo para ficar diante da Convenção e ouvir sua acusação, uma acusação de alta traição e crimes contra o Estado.[84] Em 26 de dezembro, seu advogado, Raymond Desèze, entregou a resposta do rei para as acusações, com o apoio de François Denis Tronchet e Malesherbes.[85]

Execução de Luís XVI, na Place de la Révolution. O pedestal vazio na frente dele tinha apoiado uma estátua de seu avô, Luís XV, agora demolida durante a revolução.
Paul Wranitzky: "Funeral de Março para a Morte do Rei Luís XVI" da Sinfonia Op. 31 "A Revolução" ou "La Paix", Mov. 2 Pt. 2.

Em 15 de janeiro de 1793, a Convenção, composta por 721 deputados, votou sobre o veredicto.[86] Dada a evidência esmagadora de conluio de Luís com os invasores, o veredicto teve uma conclusão precipitada – com 693 deputados votando como culpado, nenhum para absolvição, e 23 abstenções. No dia seguinte, uma votação nominal foi realizada para decidir sobre o destino do ex-rei, e o resultado foi desconfortavelmente perto de uma decisão dramática. Votaram contra a morte e por alguma outra alternativa, principalmente alguns meios de prisão ou o exílio, 288 deputados. Votaram a favor da pena de morte, mas sujeito a uma série de condições dilatórias e reservas, 72 deputados. Votaram pela sua morte imediata 361 deputados.[87] Filipe Égalité, anteriormente o duque de Orléans e o próprio primo de Luís, votou por sua execução, uma causa de muita amargura futura entre os monarquistas franceses.[88]

No dia seguinte, uma moção para conceder a Luís XVI um indulto da sentença de morte foi rejeitado: 310 deputados pediram misericórdia, mas 380 votaram a favor da execução imediata da pena de morte. Esta decisão seria final. Na segunda-feira, 21 de janeiro de 1793, Luís XVI foi decapitado pela guilhotina na Place de la Révolution. O carrasco, Charles-Henri Sanson, testemunhou que o ex-rei tinha bravamente encontrado seu destino.[89] [90] Quanto Luís XVI subiu ao cadafalso, apareceu digno e renunciou a seus títulos. Proferiu um curto discurso em que reafirmou sua inocência: "Perdoo aqueles que são a causa de minha morte....".[91] Declarou-se inocente dos crimes de que era acusado, rezando para que seu sangue jamais recaísse sobre a França.[nota 2] Muitos relatos sugerem seu desejo em falar mais, mas Antoine Joseph Santerre, um general da Guarda Nacional, parou o discurso pedindo um rufar de tambores. O ex-rei foi então rapidamente decapitado.[91] Alguns relatos de sua decapitação indicam que a lâmina não rompeu seu pescoço inteiramente na primeira vez. Há também relatos de um grito horrível vindo de Luís após a lâmina cair mas isso é improvável, visto que a lâmina cortou sua coluna. Ficou acordado que, enquanto seu sangue pingava no chão muitos membros da multidão correram para mergulhar seus lenços nele.[92] Este relato foi provado em 2012, depois de uma comparação de ADN ligando o sangue que acreditava-se ser da decapitação de Luís XVI do ADN retirado de amostras de tecidos originários do que acreditava-se ser a cabeça mumificada de Henrique IV de França. A amostra do sangue foi tirada a partir de uma cabaça esculpida para comemorar os heróis da Revolução Francesa, que tinha, segundo a lenda, sido utilizada para abrigar o sangue de Luís.[93]

Sucessão[editar | editar código-fonte]

Luís XVIII, irmão mais novo do falecido rei.

Apenas duas semanas após o enterro das últimas vítimas dos massacres de Setembro, a Assembleia Legislativa criou um novo órgão de governo da França, conhecido como a Convenção Nacional. Seu primeiro ato, datado de 21 de setembro de 1792, foi a abolição formal da monarquia e a proclamação de uma república. Tendo abolido a monarquia, a Convenção foi abolida por sua lógica destrutiva em descartar o monarca ainda vivo.[94] A Primeira República Francesa nasceu em 21 de setembro daquele ano. Durou, oficialmente, até 18 de maio de 1804, quando Napoleão Bonaparte proclamou-se imperador como Napoleão I. O Primeiro Império Francês veio ao fim quando o imperador abdicou em 6 de abril de 1814. Este foi sucedido pela restauração da monarquia dos Bourbons, até que esta foi derrubada pela revolução de julho de 1830. Durante a restauração da monarquia francesa, os irmãos mais novos de Luís XVI, Luís XVIII e Carlos X, governaram a França como reis constitucionais. Luís Carlos, filho legítimo do falecido monarca jamais assumiu o trono e morreu na prisão em junho de 1795 como Luís XVII, título de jure. Nos 23 anos desde a abolição da monarquia, a França tinha sido transformada social e politicamente pela administração revolucionária e napoleônica. A "restauração" dos Bourbons foi um compromisso e o produto da derrota militar. Luís XVIII foi colocado no poder por inimigos antigos da França porque sentia-se que demonstrava a maior mudança de "curar as feridas da revolução". Em 1814, esperava-se que, se os Bourbons foram restaurados "em condições", iriam se demonstrar aceitáveis à França e proporcionar a paz e estabilidade política que todos ansiavam. Em 1830, essas expectativas se mostraram falsas.[95] [96]

Legado[editar | editar código-fonte]

Memorial a Luís XVI e Maria Antonieta, esculturas de Edme Gaulle e Pierre Petitot na Basílica de Saint-Denis.

O historiador do século XIX Jules Michelet atribuiu a restauração da monarquia francesa à simpatia que tinha sido gerada pela execução de Luís XVI. Histoire de la Révolution Française de Michelet e Histoire des Girondins de Alphonse de Lamartine, em particular, mostraram as marcas dos sentimentos despertados pelo regicídio da revolução. Os dois escritores não partilham a mesma visão sociopolítica, mas concordaram que, embora a monarquia foi justamente abolida em 1792, a vida da família real deveria ter sido poupada. A falta de compaixão, naquele momento, contribuiu para uma radicalização da violência revolucionária e para uma divisão maior entre os franceses. Para o romancista do século XX Albert Camus a execução sinalizou o fim do papel de Deus na história, pela qual ele lamentou. Para o filósofo do século XX Jean-François Lyotard o regicídio foi o ponto de partida de todo o pensamento francês, a lembrança que age como um lembrete de que a modernidade francesa começou sob o signo de um crime.[97]

Sua filha, Maria Teresa Carlota, a futura duquesa de Angoulême, sobreviveu à Revolução Francesa, e fez lobby energicamente em Roma para a canonização de seu pai como um santo da Igreja Católica.[98] Apesar de sua assinatura da "Constituição Civil do Clero", Luís havia sido descrito como um mártir pelo papa Pio VI em 1793. Em 1820, no entanto, um memorando da Congregação dos Ritos, em Roma, declarou a impossibilidade de provar se o rei tinha sido executado por razões religiosas, em vez de políticas, pondo fim às esperanças de sua canonização.

Após sua morte recebeu diversas homenagens. O compositor italiano Luigi Cherubini compôs o Réquiem em C menor, encomendado para uma missa em janeiro de 1816, feita em honra e memória do antigo rei de França. Quando a dinastia Bourbon na pessoa de seu irmão Luís XVIII retornou ao poder após a queda de Napoleão, transformaram o dia de sua execução em uma ocasião de estado, com uma missa festiva de réquiem no centro da Basílica de Saint-Denis. Todos os anos (até a próxima revolução de 1830) uma nova composição de réquiem era encomendada a um compositor diferente (sendo Cherubini o primeiro) para realçar a grandeza e importância desta ocasião.[99]

Existem muitas cidades nomeadas após sua morte. Cidades norte-americanas adotaram o nome "Louisville" em sua memória, como Louisville, no Alabama, Louisville, Colorado, Louisville, Georgia, Louisville, Illinois, Louisville, Kansas, Louisville, Nebraska, Louisville, Nova Iorque, Louisville, Ohio, Louisville, Kentucky, e Louisville, Tennessee, todos localizados nos Estados Unidos.[100] Louisville, no Kentucky, foi nomeada em 1780, após a Assembleia Geral da Virgínia conceder este nome em homenagem ao rei francês, cujos seus soldados estavam ajudando o lado americano na Guerra da Independência. A Assembleia Geral da Virginia viu o rei como um homem nobre, mas muitos outros delegados continentais discordaram (naquela época, Kentucky era uma parte da Comunidade da Virgínia. Kentucky tornou-se o 15º estado dos Estados Unidos em 1792).[101]

No cinema e na literatura[editar | editar código-fonte]

Luís XVI foi retratado em vários filmes. Em Marie Antoinette (1938) de Van Dyke, foi interpretado por Robert Morley.[102] [103] Jean-François Balmer o retratou em 1989 na minissérie de duas partes La Révolution française.[104] Mais recentemente, foi retratado por Jason Schwartzman no filme Marie Antoinette (2006), de Sofia Coppola.[105] Em Si Versailles m'était conté (1954) de Sacha Guitry, o rei foi retratado por um dos produtores do filme, Gilbert Bokanowski, usando o pseudônimo Gilbert Boka.[106] Vários retratos têm lhe atribuído a imagem de um rei quase tolo e trapalhão, como Jacques Morel no filme francês Marie-Antoinette reine de France (1956) de Jean Delannoy, e Terence Budd no filme live-action Lady Oscar (1979), de Jacques Demy.[107] [108] Em Start the Revolution Without Me (1970), o rei é interpretado por Hugh Griffith como um corno risível.[109] Mel Brooks interpretou uma versão em quadrinhos de Luís XVI em History of the World, Part I (1981), o retratando como um libertino que tem um desgosto pelo campesinato que ele usa como alvos no tiro ao alvo. No filme Ridicule (1996), de Patrice Leconte, Urbain Cancelier atua no papel do monarca francês.[110] [111]

Também tem sido objeto de romances, assim como, incluindo duas das histórias alternativas coligidas em If It Had Happened Otherwise (literalmente Se Tivesse Acontecido de outra Forma; 1931): "Se o Carro de Drouet Tivesse Emperrado" por Hilaire Belloc e "Se Luís XVI Tivesse um Átomo de Firmeza" de André Maurois, que contam histórias muito diferentes, mas ambas imaginam o rei sobrevivendo e ainda reinando no início do século XIX.[112]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Foto Nascimento Falecimento Notas
Maria Teresa Caminade - Duchesse d'Angouleme.jpg 1778 1851 Madame real. Casou-se com seu primo, o duque d'Angoulême. Alguns autores consideram que Maria Teresa foi, durante 20 minutos, rainha-consorte de França e Navarra - período entre a abdicação de seu sogro, Carlos X e a abdicação de seu marido, cujo título de Luís XIX é contestado. Sem descendência.
Luís José Louis-Joseph, Dauphin de France - École française.jpg 1781 1789 Delfim de França. Morto na infância.
Luís Carlos Louis Charles of France5.jpg 1785 1795 Considerado pelos monarquistas franceses como Luís XVII. Morreu no cárcere.
Sofia Sophie Beatrice of France.jpg 1786 1787 Morta na infância.

Títulos, estilos, honras e armas[editar | editar código-fonte]

Estilo real de tratamento de
Luís XVI da França
France-Navarre Arms.svg
Estilo real Sua Majestade Cristianíssima
Estilo alternativo Senhor, o Rei

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 23 de agosto de 1754 – 20 de dezembro de 1765: "Sua Alteza Real, o Duque de Berry"
  • 20 de dezembro de 1765 – 10 de maio de 1774: "Sua Alteza Real, o Delfim de França"
  • 10 de maio de 1774 – 21 de setembro de 1792: "Sua Majestade Cristianíssima, o Rei"
  • 21 de setembro 1792 – 21 de janeiro de 1793': "Cidadão Luís Capeto"

Seu título e estilo formal antes da Revolução Francesa era: "Luís XVI, pela Graça de Deus, Rei da França e de Navarra".

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

Após sua ascensão ao trono, Luís assumiu o brasão real de França e Navarra.

Notas

  1. Entre os historiadores que compartilham a mesma ideia estão Antonia Fraser em sua biografia Marie Antoinette: The Journey (2001), Evelyne Lever na obra Marie Antoinette: Last Queen of France (2001), e Vincent Cronin em seu trabalho Louis and Antoinette (1974) (Weber 2007, p. 324.).
  2. As últimas palavras ouvidas de Luís XVI antes dos tambores cobrirem sua voz: Je meurs innocent de tous les crimes qu'on m'impute ; je pardonne aux auteurs de ma mort ; je prie Dieu que le sang que vous allez répandre ne retombe pas sur la France.

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