Luísa Mahin

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Luísa Mahin (nascida no início do século XIX) foi uma ex-escrava africana, radicada no Brasil, mãe do abolicionista Luís Gama.[1]

Pertencia à tribo Mahi (daí seu sobrenome), integrante da nação africana Nagô. Praticantes da religião islâmica, os Mahin eram mais conhecidos no Brasil como malês,[1] denominação genérica atribuída, especialmente na Bahia, aos negros islamizados - hauçás, tapas, bornus, etc. -trazidos do Golfo do Benin, noroeste da África, que no final do século XVIII foi colonizado por muçulmanos, vindos do Oriente Médio.

A origem de Luísa Mahin é, no entanto, incerta. Não se sabe teria nascido na Costa da Mina, na África, ou na Bahia. Segundo seu filho, Luiz Gama, ela dizia ter sido princesa na África. Alforriada em 1812, daí em diante teria vivido do seu trabalho como quituteira em Salvador.[1] De sua união com um fidalgo português, nasceu Luís Gama. Aos cuidados do pai, dissipador, a criança, então com dez anos de idade, acabou sendo vendida ilegalmente como escrava, para quitar uma dívida de jogo.

Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. Quituteira de profissão, de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes.[1] Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838). Caso o levante dos malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.[1]

Descoberta, foi perseguida, logrando evadir-se para o Rio de Janeiro onde foi encontrada, detida e, possivelmente, degredada para Angola, na África.[1] Não existe, entretanto, nenhum documento que comprove essa informação.

Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir, vindo a instalar-se no Maranhão, onde, com a sua influência, desenvolveu-se o chamado tambor de crioula.

Em suas notas biográficas, o poeta e abolicionista Luís Gama, registrou acerca de sua mãe:

"Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa."

Em outros versos do autor indica-se que Luísa Mahin teve mais um filho, cujo destino é ignorado.[2]

Referências

  1. a b c d e f Entrevista: Sem grilhões, a resistência negra. Entrevista de Alzira Rufino concedida a Flávia Mattar. Ibase.br.
  2. Herois de todo mundo. Luiza Mahin

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LUNA, Luís. O negro na luta contra a escravidão.
  • MONTEIRO, Antônio. Notas sobre negros malês na Bahia.
  • OLIVEIRA, Nélson Silva de. Vultos negros na história do Brasil.
  • REIS, João José. O rol dos culpados: notas sobre um documento da rebelião de 1835. Anais do Arquivo Público do estado da Bahia, v. 48.
  • RUFINO, Alzira; PEREIRA, Maria Rosa; IRACI, Nilza. A mulher negra tem história.
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.