Lúculo

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Lúculo
Desenho de um busto de Lúculo conservado no museu Hermitage (São Petersburgo).
Nome completo Lúcio Licínio Lúculo
Nascimento ca. 118 a.C.
Morte 56 a.C. (62 anos)
Nacionalidade Romano
Ocupação Político e general

Lúcio Licínio Lúculo (Roma, ca. 118 a.C. — Roma, 56 a.C.) foi um importante político e general da República Romana, partidário de Lúcio Cornélio Sula, combatendo sob seu comando na Guerra Social (91–88 a.C.). Desenvolveu uma importante acção no Oriente, sendo vencedor da Terceira Guerra Mitridática, na Ásia Menor. No entanto, no fim da campanha foi substituído por Pompeu, o Grande, que a terminou rápida e eficientemente, tendo regressado a Roma coberto de glória e com enormes quantidades de despojos que vieram encher os tesouros de Roma. Após a campanha do Oriente, Lúculo, foi progressivamente perdendo a outrora grande influência que possuíra, tendo ficado seriamente debilitado pelas substâncias tóxicas que gostava de consumir.

Foi cônsul em 74 a.C.

Vida[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Era neto do cônsul Lúcio Licínio Lúculo e sobrinho de Quinto Cecílio Metelo Numídico.[1] Seu pai fora condenado por aceitar um suborno e a sua mãe, Cecília, era conhecida pelo pouco recato da sua vida.[1] A primeira obra pela qual Lúculo se tornou conhecido, antes de pedir magistratura nenhuma e antes de participar do governo, foi a de fazer julgar o acusador do seu pai, Quinto Servílio o áugure, que malversara os caudais públicos;[1] porém, finalmente foi absolto.[2]

Falava corretamente as línguas grega e latina. Iniciou a sua carreira como tribuno militar em 89 a.C., durante a chamada Guerra Social, sendo nomeado um ano depois questor às ordens de Sula, quem tinha a melhor opinião do seu talento e integridade, encarregando as mais importantes empresas apesar da sua juventude. Foi o único oficial que o apoiou na sua marcha sobre Roma.

Durante a Primeira Guerra Mitridática, como proquestor, em 86 a.C., recebeu o encarrego de organizar uma frota para contra-arrestar o domínio marítimo da armada do Ponto, pelo qual visitou várias ilhas e cidades do Mediterrâneo oriental. Conseguiu reunir uma frota considerável, auxiliando Sula no assédio de Atenas e derrotando a frota pôntica dirigida por Neoptólemo na Batalha de Tenedos (86 a.C.), o qual permitiu que Sula cruzasse para a Ásia Menor.

De 85 a 80 a.C. permaneceu na Ásia, sempre como proquestor, arrecadando dinheiro para financiar a guerra de Sula contra os populares. Nomeado edil em 79 a.C., com o seu irmão Marco Terêncio Varrão Lúculo, financiou uns jogos esplendorosos. O moribundo Sula dispensou-lhe o máximo afeto, dedicando-lhe as suas Memórias e encarregando-lhe a tutoria do seu filho Fausto.

Pretor em 78 a.C. e propretor de 77 a 76 na África, foi finalmente eleito cônsul em 74 a.C., sendo encomendada a nova guerra contra Mitrídates VI do Ponto, que invadira o território do antigo Reino da Bitínia (recém legado a Roma pelo seu último rei, Nicomedes IV) e avançara para a vizinha Ásia.

A Terceira Guerra Mitridática[editar | editar código-fonte]

Lúculo, estrategista e um tático de extraordinário talento, logrou impor-se aos exércitos pônticos apesar da sua inferioridade, e conseguiu derrotá-los no campo de batalha e rendê-los por fome. Mitrídates foi expulso de território romano e teve de procurar ajuda do seu aliado Tigranes II de Armênia para defender o seu reino. Entre ambos recrutaram uns enormes contingentes, mas contavam com poucos profissionais capacitados.

Lúculo efetuou um monumental trabalho de saneamento econômico da Província da Ásia, sumida numa grave crise financeira provocada pela brutal exploração à que a sometiam os publicanos que tinham arrendada a arrecadação de impostos. Isso valiou-lhe a hostilidade dos equites e de numerosos senadores que tiravam grandes benefícios com as depredações dos publicanos.

Então penetrou profundamente no reino de Tigranes, derrotando-o na Batalha de Tigranocerta (69 a.C.) e tomando a sua capital, a cidade de Tigranocerta, com um imensa pilhagem. Dizia-se que Tigranes burlara-se de Lúculo porque os seus homens "eram escassos demais para formar um exército, mas demasiados para uma embaixada", pouco antes que os romanos aniquilassem as suas ostes.

Lúculo perseguiu então a Mitrídates até o mais profundo das montanhas de Armênia derrotando-o de novo na Batalha de Artajata (68 a.C.). Parecia que a guerra estava ganha, mas interveio então um fator inesperado. Embora fosse um grande general, Lúculo era um aristocrata incapaz de se ganhar o afeto dos seus soldados. Para colmar, as suas legiões eram as chamadas fimbrianas, que foram recrutadas por Lúcio Cornélio Cina para combater a Sula. Lúculo submeteu-as a uma dura disciplina, o qual, unido à sua condição de aristocrata e amigo pessoal de Sula, fizeram-no enormemente impopular. Assim, as suas tropas rebelaram-se, dirigidas pelo seu cunhado Públio Clódio Pulcro, o qual permitiu Mitrídates e Tigranes repor-se da catástrofe e voltar para os seus respectivos reinos.

Para além dos seus soldados, Lúculo tinha poucos amigos em Roma. Em 69 cessou no governo da Ásia, e um ano depois também ficou sem Cilícia. A ponto de conseguir uma vitória total, foi-lhe restringido o envio de tropas e recursos, enquanto continuavam os motins dos seus próprios soldados. Ao tempo que a pressão de Lúculo ia enfraquecendo, aumentavam os contra-ataques do inimigo. Em 67, Mitrídates derrotou o legado Triário, causando 7.000 mortos. Ao término de 67, tanto Mitrídates como Tigranes recuperaram boa parte dos seus respectivos reinos, enquanto que Lúculo apenas tinha uma fração das suas anteriores forças.

Em 66 Pompeu tomou o comando de uma guerra já ganha, enquanto que Lúculo foi abandonado pelos seus últimos homens. Seu sucessor apenas lhe permitiu levar, de volta para Roma, uma escolta de mil seiscentos soldados, um grupo de homens tão proclive ao motim que Pompeu considerava-os inúteis por completo para o serviço militar.

Retiro[editar | editar código-fonte]

De volta a Roma, privado do comando e do seu triunfo (que se atrasou até o 63 a.C.) pelas maquinações dos seus inimigos -mas não de um quantiosíssima pilhagem- Lúculo buscou consolo nas artes e nas satisfações do lazer, retirando-se da vida política. Construiu uma espetaculosa mansão no monte Píncio, da qual hoje apenas ficam os chamados Horti Lucullani (como parte da Villa Borghese), um lugar tão fastuoso que não seria igualado até os tempos de Nero e o seu Domus Aurea. Assim foi que, tendo visto Tuberão, o Estoico a sua grande vila na costa perto de Nápoles, os pegados suspendidos no ar por meio de dilatados arcos, as cascatas precipitando-se no mar, os canais e tanques para a piscicultura e os mil e um luxos dos quais dispunha, chamou-o de "Xerxes togado".

Tinha em Túsculo diferentes cômodos e miradouros de formosas vistas, e, além disso, certos claustros abertos e dispostos para passeios; Cneu Pompeu Magno, ao vê-lo, censurou que, havendo disposto aquela vila com tanta comodidade para o verão, a tivesse feito inabitável para o Inverno, ao qual, sorrindo, respondeu Lúculo que por que ia ele ser menos do que os grous e as cegonhas e não poder mudar de casa com as estações.

Nos seus últimos anos de vida foi perdendo progressivamente o julgamento, embora Cornélio Nepote indicasse que isso não foi devido à velhice ou a doença, senão à brevagem que lhe ofereceu um dos seus libertos, um tal Calístenes. Seu irmão, que aparentemente sentia grande afeto para ele, encarregou-se do seu cuidado e do da sua quantiosa fazenda, seguindo à tumba pouco depois.

Esboço[editar | editar código-fonte]

Descrito por Plutarco como "de galharda estatura, de boa presença e elegante no dizer", Lúculo passaria à História por extravagâncias como as mencionadas, tornado no protótipo eterno do luxo desmedido, apesar do seu inegável talento, a sua inteligência e a sua honestidade. Encerrado como um monstro indolente nos seus fastuosos palácios e jardins, fadigado de tantas contendas, dedicou-se por inteiro ao exercício e recreio da filosofia, entregue à pesquisa da verdade e da meditação sobre as plácidas doutrinas de Epicuro, confirmando com o exemplo da sua própria carreira a loucura da ambição e da vanidade da virtude.

Recordado como homem de vastíssima cultura, protetor das artes e as letras, foi o único romano notório na República tardia que expressou interesse pela ideia de construir uma biblioteca pública. A respeito da sua afeição às letras refere Plutarco[3] que sendo ainda moço, por ocasião de certa disputa que teve com o jurisconsulto Horténsio e o historiador Sisena, comprometeu-se a escrever a história da Guerra Social ou Mársica, em verso ou em prosa, em grego ou em latim, e parece que finalmente foi em prosa grega. Porém, esta obra é hoje perdida.

Biografias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Lúculo, 1.1
  2. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Luculo, 1.2
  3. Vida de Lúculo, 1.