Luis Carrero Blanco

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Luis Carrero Blanco
Presidente do governo da Flag of the Spain Under Franco.png Espanha
Período de governo 1973 a 1973
Antecessor(a) Francisco Franco
Sucessor(a) Torcuato Fernández Miranda
Vida
Nascimento 4 de março de 1903
Cantabria
Morte 20 de dezembro de 1973 (70 anos)
Madrid
linkWP:PPO#Espanha

Luis Carrero Blanco (Santoña, 4 de março de 1903 [1]Madrid, 20 de dezembro de 1973) foi um militar e político espanhol. Ocupou diversos cargos no governo franquista; foi assassinado em um atentado quando era presidente do governo de Espanha durante a etapa final dessa ditadura.

Formação[editar | editar código-fonte]

Ingressou na Escola Naval em 1918 contando com 14 anos e participou da campanha de Marrocos de 1924-1926.

A Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Ao começar a Guerra Civil fugiu por temor a ser executado por milícias republicanas e refugiou-se nas embaixadas do México e França, até conseguir em Junho de 1937 evadir-se para a zona sublevada. Situado no comando do destróier Huesca e, posteriormente, de um submarinho, chegou a ser chefe de Operações do Estado-Maior da Marinha.

Monumento a Luis Carrero Blanco em sua cidade natal.

Cargos de Governo[editar | editar código-fonte]

Em 1940 redigiu um informe recomendando a neutralidade espanhola na II Guerra Mundial. Desde então tornou-se homem de confiança de Franco, foi nomeado Subsecretário (1941) e Ministro da Presidência (1951), logo Vice-presidente (1967), o que implicou um acréscimo crescente do seu peso específico no governo do Estado. No seu trabalho procurou limitar a influência dos falangistas, promoveu a modernização econômica e administrativa do Estado, embora sempre dentro do franquismo, e apoiou o planejamento da sucessão monárquica do regime, na figura de Juan Carlos I.[2]

Em Junho de 1973 foi nomeado Presidente do governo, o que fazia pensar que se tornaria no homem forte do Estado à morte do ditador e no pilar sobre o qual se sustentaria o franquismo sem Franco, mas o seu falecimento a 20 de Dezembro de 1973 num atentado perpetrado por ETA em Madrid abortou essas expetativas.

Assassinato: a "Operação Ogro"[editar | editar código-fonte]

"Operação Ogro" foi o nome em chave com o que ETA denominou a este magnicídio. Os membros de ETA deslocaram-se até Madrid e alugaram um porão no número 104 da Rua Claudio Coello; a partir dali escavaram um túnel até o centro da quadra, onde colocaram cerca de 100 quilogramas de Goma-2 que fizeram explorar a 20 de Dezembro de 1973 ao passo do carro de Carrero Blanco, quinze minutos antes do começo do julgamento contra dez membros do então sindicato clandestino Comissões Operárias, conhecido como "Processo 1001".

A explosão, que acabou com a vida de Carrero Blanco,[3] foi tão violenta que o carro voou pelos ares e caiu na açotéia de um edifício anexo à igreja onde assistira à missa momentos antes. Também faleceram outras duas pessoas, o inspetor de Polícia José Antonio Bueno Fernández, e o condutor do veículo, José Luis Pérez Mogena.

Carrero Blanco, em que pese a ter sido advertido da possibilidade de sofrer um atentado[4] recusara aumentar as suas escassas medidas de segurança; o seu horário e os seus itinerários eram invariáveis e o carro no que se deslocava não estava blindado.

O objetivo do atentado, segundo indicava o comunicado no que ETA assumia a sua autoria, era intensificar as divisões então existentes no seio do regime franquista entre os "aberturistas" e os "puristas". Segundo declarações posteriores de Txikia, um dos membros do comando, Carrero Blanco era "uma peça fundamental" e "insubstituível" do regime e representava o "franquismo puro":

Cquote1.svg A execução em si tinha um alcance e uns objetivos claríssimos. A partir de 1951 Carrero ocupou praticamente a chefia do Governo no Regime. Carreiro simbolizava melhor que ninguém a figura do «franquismo puro» e sem se ligar totalmente a nenhuma das tendências franquistas, visava pujar solapadamente o Opus Dei ao poder. Homem sem escrúpulos, montou conscienciosamente o seu próprio Estado dentro do Estado: criou uma rede de informadores dentro dos Ministérios, do Exército, da Falange e mesmo dentro do próprio Opus Dei. Sua polícia conseguiu meter-se em todo o aparato franquista. Foi tornando-se assim no elemento chave do sistema e numa peça fundamental do jogo político da oligarquia. Por outro lado, chegou a ser insubstituível pela sua experiência e capacidade de manobra e porque ninguém conseguia como ele manter o equilíbrio interno do franquismo […] Cquote2.svg
Placa em honra a Carrero Blanco no lugar onde sofreu o atentado que acabou com a sua vida.

A complexidade do atentado fez suspeitar que talvez outras organizações estiveram implicadas, estando a CIA entre as mais mencionadas, o que foi desmentido pelos próprios autores do atentado.[5]

A única pessoa que supostamente viu o conhecido como "homem da gabardina branca" que entregou os horários e rotas de Carrero Blanco no "Hotel Mindanao" de Madrid, foi assassinado em 1978 por uma organização paramilitar, o (Batalhão Basco-Espanhol).[6] Assim mesmo, um dos supostos autores materiais do atentado foi assassinado pouco depois.

Consequências[editar | editar código-fonte]

O magnicídio teve grande repercussão na Espanha da época, sendo muito diversos os sentimentos que provocou e as suas conseqüências políticas posteriores.[7] [8]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AGIRRE, Julen (Eva Forest): Operación ogro: como y por que ejecutamos a Carrero Blanco, Hendaye [etc.], Mugalde / Ruedo Ibérico, 1974, 191 pp.
  • FERNÁNDEZ SANTANDER, Carlos: El almirante Carrero, Esplugas de Llobregat, Ed. Plaza & Janés, 1985, 1ª, 284 pp.
  • TUSELL, Javier: "Carrero, eminencia gris del régimen de Franco", Temas de Hoy, 1993, 478 pp. Série: Grandes temas; 18.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Francisco Franco
Presidentes do governo de Espanha
1973 - 1973
Sucedido por
Torcuato Fernández Miranda