Luise Rainer

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Luise Rainer
Luise Rainer em 1936; foto de publicidade
Nome completo Luise Rainer
Outros nomes "The Viennese Teardrop"
(A lágrima vienense, em tradução)
Nascimento 12 de janeiro de 1910 (104 anos)
Düsseldorf, Alemanha
Nacionalidade Alemanha Alemã
Áustria Austríaca
Estados Unidos Americana
Reino Unido Britânica
Ocupação Atriz
Cônjuge Clifford Odets (1937-1940)
Robert Knittel (1945-1989)
Atividade 1926-1997
Oscares da Academia
Melhor Atriz
*Ziegfeld, o criador de estrelas (1936)
*Terra dos deuses (1937)
Outros prêmios
Melhor Atriz pelo Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
*Ziegfeld, o criador de estrelas
Página oficial
IMDb: (inglês)

Luise Rainer (Düsseldorf, Alemanha, 12 de janeiro de 1910) é uma premiada atriz teuto-austro-americana atualmente radicada no Reino Unido, vencedora de dois prêmios Oscar, na categoria Melhor Atriz, por suas performances em Ziegfeld, o criador de estrelas ("The Great Ziegfeld", 1936) e Terra dos deuses ("The Good Earth", 1937).

Conhecida como "The Viennese Teardrop" (A lágrima vienense), em razão de sua intensa habilidade dramática, Rainer foi a primeira atriz a vencer dois Oscars e a primeira também a tê-los ganho em anos consecutivos. Das atrizes premiadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas durante a década de 30 ela é a única ainda viva nos dias de hoje; é a atriz que mais viveu após ganhar um Oscar, e também a única alemã / austríaca a vencer o prêmio.

Abandonou Hollywood em pleno apogeu por sua relutância em manter-se numa carreira dominada pelos chefes de estúdios. Ela chegou a ser considerada para o papel principal em A dama das camélias ("Camille", 1936), que acabou sendo interpretado por Greta Garbo - de quem logo Rainer arrebataria o Oscar, tendo sido considerada também para o papel de Scarlett O'Hara em E o vento levou ("Gone with the Wind", 1939), que coube à Vivien Leigh, e Federico Fellini, que nos anos 60 esteve interessado em promover um retorno da atriz às telas, escrevera para ela uma cena em A doce vida ("La dolce vita", 1960) que acabou nunca sendo filmada.[1]

Rainer atualmente reside na Inglaterra, na cidade de Londres, capital do Reino Unido. Por sua contribuição à indústria do cinema, ela recebeu uma estrela na Calçada da Fama, que encontra-se localizada no número 6300 da Hollywood Boulevard.

A vida antes da fama[editar | editar código-fonte]

Luise Rainer nasceu em Düsseldorf, Alemanha, e foi criada em Hamburg, ainda na Alemanha, e depois em Viena, na Áustria. Várias fontes afirmavam que ela nascera em Viena,[2] [3] talvez pelo fato de ter sido lá onde Luise passara boa parte de sua infância e juventude. Certa vez, ela comentou com um repórter: "Nasci num mundo de destruição. A Viena de minha infância era uma Viena de fome, pobreza e revolução".[4]

Seus pais eram Heinrich e Emilie (nascida Königsberger) Rainer, familiarmente conhecidos como "Heinz" e "Emmy" (ambos, respectivamente, falecidos em 1956 e 1961). Heinz era um negociante bem-sucedido estabelecido na Europa que havia passado boa parte da infância no Texas, EUA, para onde fora enviado na idade de seis anos como órfão (Luise uma vez afirmou que, graças ao seu pai, ela é uma cidadã americana "de nascimento").[5] A família Rainer pertencia à alta sociedade e era judia.[6] [7]

A biógrafa Margaret Brenman-Gibson escreveu que Luise Rainer nascera quando sua mãe ainda estava no sétimo mês de gestação. Rainer, que teve dois irmãos, afirmou que seu pai era "possessivo" e "tempestuoso", mas com o afeto e a atenção nela sempre centrados. Para ele, a filha era uma "eterna distraída" (por parecer estar sempre distante do mundo real) e "muito diferente". Segundo ela, seu pai era "tiranicamente possessivo", o que a deixava entristecida em ver a sua mãe, a quem descrevera como "uma bela pianista" e como "uma cordial e inteligente mulher profundamente apaixonada pelo marido", em constante sofrimento.[6]

Embora geralmente tímida em casa, Rainer era intensamente atlética na escola, tornando-se campeã de corrida e uma intrépida escaladora de montanhas. Ela afirmaria mais tarde que só se tornou atriz porque sentia que precisava encontrar algo que a permitisse sentir a emoção de estar se mantendo ininterruptamente ativa - emoção essa que, nos tempos do colégio, por ela era obtida enquanto gastava as suas energias com o atletismo. Seu pai desejava que ela terminasse os estudos numa boa escola e encontrasse o "homem certo". No entanto, a sua natureza "rebelde" a fazia parecer mais com uma "moleca", o que, de qualquer forma, a deixava feliz por ser independente, embora ela temesse desenvolver algum complexo por se sentir inferior à sua mãe.[6]

Foi na idade de seis anos que ela passou a desejar tomar parte no mundo das artes, enquanto assistia a um espetáculo de circo: "Achei o equilibrista maravilhoso, com suas lantejoulas e collants. Eu quis fugir e casar-me com ele, mas não tive a oportunidade. Mas estou certa de que essa foi a primeira experiência que me revelou o mundo do entretenimento" - relembraria Luise, mais tarde. "Durante anos eu desejei poder caminhar sobre um fio, também" - bricou a atriz, na ocasião.[8]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início na Europa[editar | editar código-fonte]

Rainer em foto de publicidade, década de 30.

Aos 16 anos, Rainer passou a seguir o grande sonho de se tornar atriz. Com o pretexto de visitar sua mãe, ela regressou à sua cidade-natal, Düsseldorf, e se registrou no Dumont Theater, tendo conseguido um teste para o mesmo dia.[9] Rainer, mais tarde, começou a ter aulas de interpretação com Max Reinhardt, e, aos 18 anos, já possuía uma legião de críticos que achavam que ela tinha um talento extraordinário para uma jovem atriz[6] - talento esse que a permitiu se tornar uma distinta intérprete dos palcos de Berlim, na Companhia Teatral de Max Reinhardt. Sua estreia nos palcos se deu no Dumont Theater em 1928, aparecendo mais tarde em vários teatros como estrela das peças "Mademoiselle", de Jacques Deval, "Men in White", de Sidney Kingsley, "Saint Joan", de George Bernard Shaw, "Measure for Measure", de William Shakespeare, e "Six Characters in Search of an Author", de Luigi Pirandello.

De volta à Áustria, Rainer apareceria em alguns filmes de língua alemã, o que eventualmente levou a crítica ao delírio. Enquanto atuava na peça "Six Characters in Search of an Author", ela foi vista pelo caça-talentos da MGM Phil Berg,[9] que sentiu que Rainer poderia se tornar uma outra Greta Garbo, que era uma das maiores estrelas da produtora.[10] A princípio Rainer não tinha o interesse de construir uma carreira cinematográfica, como explicaria, anos mais tarde, numa entrevista em 1995: "Eu nunca quis fazer filmes. Só teatro. Então eu assisti Adeus às armas ('A Farewell to Arms', 1932), e quis entrar para o cinema. Foi lindo!".[9]

Ela, então, foi passar o verão nos EUA, no Pine Brook Country Club, localizado na zona rural de Nichols, Connecticut, juntamente com Clifford Odets (dramaturgo, com quem viria a se casar), Elia Kazan e Harold Clurman, entre outros. Lá encontrava-se a sede para os ensaios de verão do Group Theatre de Nova York, durante as décadas de 30 e 40.[11]

Chegada à Hollywood[editar | editar código-fonte]

Ao chegar aos EUA, a MGM propôs à Rainer um contrato de três anos, o que a fez se mudar para Hollywood, passando a ser vista como uma promissora estrela[12] mediante às grandes da produtora, como Greta Garbo, Norma Shearer e Joan Crawford. Segundo o biógrafo Charles Higham, tanto o chefe da MGM, Louis B. Mayer, quanto o produtor Samuel Marx tinham visto fotografias de Rainer antes de sua chegada à Hollywood, e ambos sentiam que ela tinha o charme e especialmente a delicadeza que Mayer admirava em suas estrelas.[13] O inglês de Rainer precisava ser melhorado, e, para tanto, Mayer contratou a atriz Constance Collier para treiná-la e ensiná-la modulação dramática; Rainer rapidamente apresentou bons resultados.[13]

Ao chegar em Hollywood, Rainer passou oito semanas no estúdio sem que propostas para filmes lhe fossem feitas.[9] Seu primeiro filme lá foi Flerte ("Escapade", 1935), que era o remake de um dos filmes austríacos por ela estrelados,[14] num papel antes dado à Myrna Loy. Quando Rainer foi escalada, metade do filme já havia sido filmada.[9] Durante a pré-estreia do filme, Rainer, que saíra correndo do cinema, comentou, posteriormente, sobre o ocorrido: "Na tela, eu parecia enorme e com uma cara tão cheia... foi horrível!".[15] Após o lançamento do filme, Rainer teve enorme publicidade, sendo aclamada pela imprensa como "a Elisabeth Bergner da light comedy".[9] Ela foi saudada como "a nova sensação de Hollywood", passando a conceder várias entrevistas.[16]

Desde o início de sua carreira em Hollywood ela afirmou não gostar do estrelato ou de ter de dar entrevistas, explicando: "Estrelas não são importantes, só o que elas fazem como parte de seu trabalho que é importante. Artistas precisam de tranquilidade para que possam evoluir. Parece que Hollywood não gosta de dar esta tranquilidade. O estrelato é ruim porque Hollywood faz muito disso, passa a ideia de que é preciso curvar-se ante as estrelas. O estrelato é o peso a pressionar a sua cabeça para baixo - e é para cima que se cresce, ou então nada feito.[16]

Ziegfeld, o criador de estrelas (1936)[editar | editar código-fonte]

Rainer em foto de publicidade do filme Ziegfeld, o criador de estrelas ("The Great Ziegfeld", 1936).

O próximo papel que Rainer interpretaria em Hollywood seria o de Anna Held na cinebiografia musical Ziegfeld, o criador de estrelas ("The Great Ziegfeld", 1936), papel que ela obteve em agosto de 1935.[17] O filme a reuniu novamente com William Powell, com quem havia contracenado em seu último filme, Flerte. Powell ficou tão impressionado com Rainer que já previa que ela fosse ser igualmente aclamada como já o fora antes, no filme anterior.[16]

A Srta. Rainer é uma das pessoas mais naturais que eu já conheci. Mais que isso, ela é deslumbrante, paciente e possui um magnífico senso de humor. Ela é um ser extremamente sensível e possui uma grande compreensão da natureza humana. Ela tem um bom senso e uma compreensão que a tornam capaz de retratar a emoção humana de forma comovente e verdadeira. É uma artista definitivamente criativa, que compreende a vida e o seu significado. Tudo o que ela faz é submetido a uma análise minuciosa. Ela pensa em cada tom de emoção para fazê-lo soar verdadeiro. Na Europa ela é uma grande estrela do teatro. Ela merece ser uma estrela. Inquestionavelmente, ela possui todas essas qualidades.[15]
William Powell sobre Luise Rainer

O biógrafo Charles Higham conta que o produtor do filme, Irving Thalberg, dizia que apenas ela poderia interpretar Anna Held. Contudo, Rainer afirmou que Louis B. Mayer não queria que ela fizesse o longa porque a personagem sairia de cena antes mesmo de o filme chegar em sua metade; "Você agora é uma estrela, e não pode fazê-lo!"[4] - teria dito Mayer à atriz. Pouco depois do início das filmagens, no final de 1935, as dúvidas sobre Rainer ser capaz de interpretar a personagem começaram a pairar sobre a imprensa,[18] devido ao fato de ela não possuir semelhança com a verdadeira Anna Held (que era polonesa de nascimento). O diretor do filme, Robert Z. Leonard, chegou a responder que "qualquer semelhança que houvesse entre ambas tornaria o filme menos crível do que as comparaçôes que estavam sendo constantemente feitas pela crítica".[18] O diretor admitiu que a principal razão para Rainer ter sido escolhida foram os olhos dela, por serem largos, brilhantes e tentadores[18] .

Tal como Thalberg esperara, Rainer conseguiu fazer um excelente trabalho interpretando o papel, que exigia "faceirice, charme com olhos arregalados e vulnerabilidade".[13] O biógrafo Charles Affron escreveu que Rainer "impressionou tanto com a sua cena altamente emotiva" que essa foi a razão para ela ter vencido o Oscar de melhor atriz. Na cena, uma das mais famosas do cinema (intitulada por Jean Cocteau como "conversação ao telefone"), Anna Held, durante um telefonema, parabeniza o seu ex-marido Florenz Ziegfeld por seu novo casamento com a atriz Billie Burke. Segundo Affrom: "A câmera grava sua agitação. Ziegfeld ouve uma voz que paira entre a falsa alegria e o desespero; quando ela desliga, se dissolve em lágrimas". Por esta profunda interpretação dramática ela passou a ser conhecida como "The Viennese Teardrop", que significa A lágrima vienense.

Na noite da cerimônia de entrega do Oscar, Rainer, que não esperava vencer quaisquer prêmios, ficou em casa. Quando Mayer então soube que ela seria a vencedora, enviou o chefe de publicidade da MGM Howard Strickling até a casa dela para buscá-la. Quando ela finalmente chegou, o apresentador da cerimônia, o ator George Jessel, durante o tumulto, cometeu o erro de anunciar a vitória de Rainer, algo que Bette Davis fora escalada para fazer.[13] Rainer também recebeu o prêmio de melhor atriz do New York Film Critics Circle (ou NYFCC Award, o prêmio do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York) por seu brilhante desempenho no filme.

Terra dos deuses (1937)[editar | editar código-fonte]

Rainer no trailer de Terra dos deuses ("The Good Earth", 1937), filme no qual apareceu num papel completamente desprovido de glamour, provando, com uma brilhante atuação, a sua versatilidade como atriz.

Seu próximo filme seria Terra dos deuses ("The Good Earth", 1937), estrelado por ela e Paul Muni. Ela fora classificada em primeiro lugar para o papel principal nesta adaptação cinematográfica em setembro de 1935,[19] tendo sido escalada dois meses mais tarde, em novembro.[20] O papel era completamente o oposto da Anna Held que ela havia interpretado em seu filme anterior, sendo ela agora a chinesa O-Lan, esposa de um humilde camponês cuja família enfrenta todos os percalços causados durante a época da chamada Revolução Chinesa. Para o papel, ela atuou quase que sem dialogar durante todo o filme, sendo totalmente subserviente ao personagem de Paul Muni, que vivia o marido da personagem de Rainer.

O enorme contraste que havia com o papel por ela interpretado em Terra dos deuses em relação ao do filme anterior, Ziegfeld, o criador de estrelas, mostrou que Rainer buscara provar ser uma atriz extremamente versátil e também contribuiu para sua vitória sobre outro Oscar de melhor atriz. Ela se tornou a primeira atriz a vencer dois Oscars - tendo sido também a primeira a ganhá-los em anos seguidos, façanha que apenas Katharine Hepburn conseguiria repetir trinta anos mais tarde, além de até hoje ser a única alemã / austríaca a vencer uma estatueta do prêmio. O historiador de cinema Andrew Sarris fez uma comparação, afirmando que a "quase mudez de Rainer no decorrer de Terra dos deuses foi contada como um tour de force surpreendente depois de sua histérica cena da conversa ao telefone em Ziegfeld, o criador de estrelas".[21]

Rainer depois relembraria que, mais uma vez, Louis B. Mayer esteve oponente em relação ao projeto; e dessa vez ele simplesmente não quis que ela interpretasse O-Lan, como também não queria que o filme fosse produzido: "Ele ficou horrorizado com a insistência de Irving Thalberg para que eu interpretasse O-Lan. Eu mesma, com os poucos diálogos que foram dados a mim, temia que o filme fosse um furo hilário!"[22] - relembrou. Rainer afirmou que Mayer chegara a comentar com Thalberg: "Ela tem de parecer uma escrava sombria e envelhecer, mas Luise é jovem, apenas temos de fazê-la glamourosa - e o que você está fazendo?".[4] No entanto, Rainer considera o papel uma das maiores conquistas de sua carreira, para o qual expressou o máximo de realismo, mesmo tendo se recusado a usar a máscara de borracha que lhe conferiria um visual "mais chinês", que fora sugerida pelo departamento de maquiagem.

Contudo, haviam sérios problemas durante a produção. George W. Hill, um diretor de cinema de peso na época, fora escolhido para a direção do filme, e passou vários meses na China filmando as terras ao redor da Muralha da China e também de Pequim. Porém, assim que voltou aos EUA, Hill cometeu suicídio e o filme teve de ser adiado até Sidney Franklin finalmente assumir sua direção.[14]

Então, antes de o filme ser concluído, o produtor do longa, Irving Thalberg, grande admirador de Rainer, morreu subitamente vitimado por uma pneumonia aos 37 anos de idade. Rainer comentou anos mais tarde que a morte de Thalberg fora um terrível choque para todos: "Ele era tão jovem e sempre tão prestativo... se ele não tivesse morrido, talvez eu tivesse feito mais filmes".[22]

Rainer descreveu que ganhar pela segunda vez o Oscar havia sido a pior coisa que se abatera sobre sua carreira.[23] Numa entrevista em 1938, ela exclamou que ter vencido mais uma vez o prêmio a estava fazendo trabalhar muito mais agora, pois ela tinha de provar que a Academia estava certa em tê-la premiado.[24] Na época, a vitória de Rainer sobre o Oscar por Terra dos deuses havia causado uma enorme agitação entre a crítica, havendo os que não concordassem com a vitória dela como melhor atriz do ano - Max Breen estava entre os críticos indignados com o fato de a performance de Greta Garbo em A dama das camélias ("Camille", 1936) ter sido ofuscada pela de Rainer[10] - e havendo, também, críticos que estiveram veementemente posicionados a favor de Rainer, como James Agate, que admirava energicamente a performance da atriz, tendo Agate, inclusive, descrito a atuação dela como "uma rendição requintada" e como "simplesmente perfeita em tudo".

Luise Rainer havia chegado a ser considerada para o papel principal em A dama das camélias. A MGM tinha, no final de 1936, um script chamado "Maiden Voyage" concebido especialmente para ela.[25] O projeto foi arquivado e, eventualmente, lançado como Não se ama por encomenda ("Bridal Suite", 1939), estrelando a atriz Annabella como "Luise". Outro projeto de 1936 nunca realizado em que Rainer esteve envolvida fora "Adventure for Three", que a reuniria mais uma vez com o colega William Powell.

Em cena do filme Escola dramática ("Dramatic School", 1938), com Paulette Goddard.

Mais tarde, ela estrelaria a bem-sucedida produção musical da MGM vencedora do Oscar A grande valsa ("The Great Waltz", 1938), seu último grande sucesso. Os outros quatro filmes que Rainer estrelou na MGM, Os castiçais do imperador ("The Emperor's Candlesticks", 1937, também com William Powell), Labirintos do destino ("Big City", 1937, com Spencer Tracy), Mademoiselle Frou-Frou ("The Toy Wife", 1938, com Melvyn Douglas) e Escola dramática ("Dramatic School", 1938, com Paulette Goddard), não correspondiam ao perfil de uma atriz no nível dela, tendo ela os aceitado apenas por pressão do estúdio, e porque o seu marido na época, o dramaturgo Clifford Odets, teria achado melhor que ela não contrariasse a vontade de seus chefes - o que fora um péssimo conselho, uma vez que esse foi um dos agravantes que terminariam por contribuir para o rápido declínio da atriz. Quando lançados, os filmes acabaram não sendo bem recebidos pela crítica, embora Rainer continuasse a receber elogios. Os castiçais do imperador, para o qual fora escalada em novembro de 1936, a reuniu com William Powell pela última vez. Para o filme, ela usava uma peruca vermelha e figurinos feitos pelo figurinista Adrian (que fora o segundo marido de Janet Gaynor), que alegava que Rainer, até o final de 1937, se tornaria uma das mais influentes personalidades na moda de Hollywood.[26] No set ela recebia tratamento de estrela, tendo o seu próprio camarim, professor de dicção, secretária, guarda-roupa, cabeleireiro e maquiador.[26]

Mesmo tendo recebido, na maioria das revisões, críticas amáveis por sua performance em Labirintos do destino, alguns críticos concordavam que Luise não fora uma boa escolha para um papel moderno e que ela parecia muito exótica como a esposa de Tracy.[27] Apesar de os filmes que estava estrelando não estarem sendo geralmente bem recebidos pelos críticos e dos boatos de que estaria deixando Hollywood, Rainer renovou seu contrato por sete anos logo após o lançamento do filme.[28]

A maioria dos críticos concordaram que o melhor desempenho de Rainer poderia ser conferido em Mademoiselle Frou-Frou, filme para o qual ela fora escalada em abril de 1938.[24] O último filme feito por Rainer na MGM foi Escola dramática, para o qual havia sido escalada em maio de 1938.[29]

Rainer recusava a se tornar estereotipada ou a ter de ceder ao chamado studio system (o sistema dos estúdios vigente à época), por meio do qual um artista de cinema não possuía o domínio sobre a sua própria carreira, cabendo a escolha de seus papéis aos chefes dos estúdios, que não permitiam o direito de recusa. Atores que recusassem papéis em filmes estariam sujeitos a suspensões contratuais por tempo indeterminado. Embora alguns atores aceitassem tal sistema, outros, como a própria Rainer, ficavam inconformados, pois isso não garantia a liberdade artística necessária a quem visava crescer profissionalmente.

Foto de publicidade nos anos 30.

Alguns atores foram além de sua inconformação e ousaram tentar mudar o sistema. Um dos casos mais notáveis havia sido o de Bette Davis, que abriu um processo mal-sucedido contra os abusos da Warner Bros. perto do final dos anos 30; a situação, porém, só iria se reverter em meados dos anos 40, quando Olivia de Havilland finalmente obteria a vitória sobre um processo aberto contra a Warner, sendo assim criada a Lei De Havilland, por meio da qual atores e atrizes deixaram de ser tratados como "gado" nas mãos dos poderosos dos grandes estúdios. Mas, na metade da década de 40, quando Olivia de Havilland obteve tal vitória, isso em nada pode ajudar a Rainer, que a essa altura já havia decidido abandonar Hollywood...

O chefe da MGM, Louis B. Mayer, tornara-se antipático diante dos pedidos de Rainer por papéis sérios. Além disso, ela começou a lutar por salários mais altos e passou a ter fama de difícil e temperamental.[10] Desse modo ela acabou perdendo bons papéis, incluindo o papel principal feminino num filme de gângster estrelado por Edward G. Robinson chamado O último gângster ("The Last Gangster", 1937), que ficou a cargo de outra atriz vinda de Viena, Rose Stradner.[30] Ao falar sobre Mayer décadas mais tarde, Rainer comentou: "Ele disse, 'Nós fizemos você, e nós vamos destruir você'. Bem, ele tentou da melhor forma".[31] Como castigo, seu chefe começou a lhe escalar para filmes B, o que a desmotivou por completo, culminando num pedido de demissão.

O adeus à Hollywood[editar | editar código-fonte]

Rainer quis interpretar Madame Curie no filme homônimo, papel que esteve reservado para Greta Garbo, mas que acabou sendo feito só em 1943, por Greer Garson. Também foi uma das atrizes consideradas para interpretar Scarlett O'Hara em E o vento levou ("Gone with the Wind", 1939), mas a ideia não foi bem-recebida e a ela não foi concedida a chance de ser testada para o papel, que acabou sendo interpretado por Vivien Leigh. Após o lançamento de Escola dramática, seu último filme para a MGM, em 1938, ela decidiu abandonar a indústria do cinema. Numa entrevista em 1983, a atriz contou que havia ido ao escritório de Louis B. Mayer e o disse: "Sr. Mayer, eu devo parar de fazer filmes. Minha fonte de inspiração secou. Eu trabalho de dentro para fora, e não há nada de dentro para dar".[32]

Desencantada com Hollywood, onde mais tarde ela diria que era impossível ter uma conversa inteligente,[31] ela se mudou para Nova York com o seu marido, Clifford Odets, de quem fora esposa entre 1937 e 1940. Rainer nunca escondeu sobre a infeliz situação de seu casamento com Odets, tendo dito numa entrevista em 1938: "Minhas atuações nos palcos ou nas telas foram nada comparáveis às minhas atuações em Nova York, quando tentei fazer todo mundo pensar que eu era feliz enquanto meu coração estava se quebrando".[33] Ela pediu o divórcio em meados de 1938, mas os procedimentos seriam adiados até ​​"o próximo outubro", quando Odets fugiria para a Inglaterra, atrasando ainda mais o processo.[34] O divórcio acabou sendo concedido a 14 de maio de 1940.

Numa entrevista de anos posteriores, Rainer comentaria sobre o seu auto-exílio da indústria cinematográfica:

Cquote1.svg Eu era muito jovem. Haviam muitas coisas para as quais eu não estava preparada. Eu era bastante honesta, mas em Hollywood não me levavam a sério. Eu trabalhei em sete superproduções em três anos. Eu tinha de estar inspirada para dar uma boa performance. Queixei-me a um executivo do estúdio que a minha fonte de inspiração secara. O executivo me disse: 'Por que se preocupar com a sua fonte? Deixe o diretor se preocupar com isso!'. Eu não fugi de ninguém em Hollywood. Eu fugi de mim mesma.[35] Cquote2.svg
Rainer.

Vida e carreira posteriores[editar | editar código-fonte]

Rainer no fim dos anos 30.

Rainer retornou aos palcos numa estreia no Palace Theatre, em Manchester (EUA), em de maio de 1939 na peça "Behold the Bride", de Jacques Deval, indo em seguida para Londres estrear no Shaftesbury Theatre com a mesma peça.

Quando de seu retorno à Europa, onde ajudaria crianças vítimas da Guerra Civil Espanhola,[32] Rainer estudou medicina e disse ter amado ser aceita mais como uma outra estudante do que como a famosa atriz.[36]

De volta à América, ela fez sua estreia no Music Box Theatre, em Nova York, em maio de 1942 na peça "A Kiss for Cinderella", de J. M. Barrie. Ela ainda voltaria a fazer mais uma aparição no cinema americano, desta vez no filme Reféns ("Hostages", 1943), explicando a razão de retorno: "Após meu breve retorno ao palco, comecei a perceber que todas as portas que tinham sido abertas para mim na Europa, e todo o trabalho que eu tinha sido capaz de realizar para ajudar as crianças refugiadas, deveu-se ao fato de as pessoas me conhecerem do meu trabalho no cinema. Comecei a sentir um senso de responsabilidade com um trabalho que eu tinha começado e nunca terminei. Quando me dei conta, depois dessa experiência em Dennis, de que tinha talento para tanto, e que o meu repentino estrelato não fora simplesmente um feliz incidente, eu decidi voltar".[36]

Quando Rainer voltou à Hollywood, seu contrato com a MGM já havia expirado há muito tempo e ela estava sem agente.[36] David Rose, chefe da Paramount Pictures, a ofereceu o papel principal num filme rodado na Inglaterra, mas as condições trazidas pela Segunda Guerra Mundial naquele momento a impediram de seguir adiante com o projeto.[36] Rose então sugeriu que ela fizesse o teste para o papel de Maria em Por quem os sinos dobram ("For Whom the Bell Tolls", 1943), mas Ingrid Bergman terminou sendo escalada.[2] Rainer acabou obtendo o papel principal em Reféns, tendo dito à imprensa sobre o então novo trabalho: "Certamente não é algo que vá me valer um Oscar, e, graças a Deus, meus chefes não esperam que eu ganhe algum prêmio por ele. [...] Não é algo espectacular, mas espero estar dando o passo na direção certa."[36]

Reféns encerraria por definitivo a sua carreira no cinema americano - embora 54 anos mais tarde tenha voltado a filmar, mas no cinema britânico, numa participação em O jogador ("The Gambler", 1997), que foi lançado quando a atriz tinha 87 anos de idade.[31] Este foi o seu último filme.

Em 1944 ela conheceu o editor Robert Knittel, de quem seria esposa de 1945 até 1989, quando ficou viúva[31] . Na década de 1940, Rainer havia feito o juramento de lealdade para se tornar cidadã americana, mas ela e Knittel acabariam indo morar na Europa, vivendo entre o Reino Unido e a Suíça[32] durante toda a sua vida de casados. Tiveram uma filha, Francesca Knittel, agora conhecida como Francesca Knittel-Bowyer em razão de seu casamento. Rainer tem duas netas, Luisa e Nicole, e dois bisnetos, Luca e Hunter.

Com Maurice Marsac na série de TV "Combat!" (1965), episódio "Finest Hour".

Na década de 1960, Federico Fellini propôs à Rainer uma participação como "Dolores" no clássico italiano A doce vida ("La Dolce Vita", 1960); Luise chegou a viajar até Roma para as filmagens, mas acabou desistindo do papel, um fato que tem sido atribuído a sua resistência a uma cena de sexo não desejado ou a sua insistência em supervisionar seus próprios diálogos.[31] O papel acabou sendo retirado do roteiro, eventualmente. Ela fez aparições esporádicas na televisão e no teatro, tendo participado do episódio "Finest Hour" da série de televisão "Combat!", em 1965, uma série ambientada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1983, interpretou um papel duplo num episódio da série "The Love Boat" (O barco do amor), pelo qual foi ovacionada de pé por todo o elenco e equipe da série quando apareceu para realizar as filmagens.[32]

Ela apareceu nas cerimônias de entrega do Oscar de 1998 e de 2003, como um dos vencedores do prêmio que foram especialmente convidados para ambas as ocasiões. Grandes estrelas da era de ouro de Hollywood dentre as que estavam vivas compareceram às cerimônias e receberam homenagens, estando presentes nas duas ocasiões, além da própria Luise, Karl Malden, Jennifer Jones, Celeste Holm e Teresa Wright, entre outros. Na cerimônia de 2003, uma Olivia de Havilland de 86 anos de idade pode ser vista apresentando os convidados, num dos mais belos momentos da festa. Na premiação de 1998, Fay Wray, então com 90 anos, e Rainer, com 88, foram as mais idosas a comparecer; na de 2003, Rainer, então com 93 anos, fora apresentada como o mais antigo membro da Academia naquela noite.[37]

Em 1999 ela foi nomeada uma das 500 grandes lendas do cinema pelo American Film Institute.[38]

Em 12 de janeiro de 2010, Rainer celebrou o seu centenário em Londres.[39] O ator Ian McKellen foi um de seus convidados. No mesmo mês esteve presente no tributo que o British Film Institute a prestara no National Film Theatre, onde concedeu uma entrevista antes das exibições especiais de Terra dos deuses e A grande valsa. Ela também apareceu no palco do Royal National Theatre, no Reino Unido, onde também deu entrevistas. Em abril de 2010 ela regressou à Hollywood para apresentar o Turner Classic Movies Festival, que exibiu Terra dos deuses numa sessão especial; na ocasião, Rainer foi entrevistada por Robert Osborne, responsável pelo evento.[40]

Aos 101 anos, recebendo sua estrela no "Boulevard der Stars", na Alemanha.

Em 24 de fevereiro de 2011, na idade de 101 anos, concedeu uma entrevista à BBC Radio 4 onde disse que o Oscar não era algo tão pomposo quanto hoje o é. Ela também disse ter assistido ao filme O discurso do Rei ("The King's Speech", 2010), que havia vencido o Oscar de melhor filme, e o achou "maravilhoso".[37]

Rainer aos 101 anos no "Boulevard der Stars".

Em setembro de 2011, Rainer viajou para Berlim, capital da Alemanha, para receber uma estrela no "Boulevard der Stars". Rainer havia sido esquecida quando o Boulevard fora inaugurado em 2010, algo no mínimo curioso, uma vez que ela é a única atriz nascida na Alemanha a vencer o Oscar. Após uma campanha feita para a inclusão da estrela de Rainer no Boulevard, onde houve a mobilização de artistas, políticos e da própria imprensa para que Rainer e o seu trabalho fossem reconhecidos, por fim a estrela dela foi emitida como uma excessão, no dia 5 de setembro de 2011.[41] [42]

Rainer atualmente vive em Eaton Square, na cidade de Londres, num apartamento no mesmo prédio onde uma vez residiu Vivien Leigh, outra bicampeã do Oscar.[43] Das atrizes premiadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas durante a década de 30 ela é a única ainda viva nos dias de hoje; é também a atriz que mais viveu após ganhar um Oscar, seguida por Olivia de Havilland, nascida em 1916.

Sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood, referente à sua contribuição à indústria cinematográfica, encontra-se localizada no número 6300 da Hollywood Boulevard.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Cartaz de Os castiçais do imperador ("The Emperor's Candlesticks", 1937), estrelando William Powell e Luise Rainer.
Cartaz de Terra dos deuses ("The Good Earth", 1937), estrelando Paul Muni e Luise Rainer.
Ano Filme Personagem Notas
1932 "Sehnsucht 202" Kitty
"Madame hat Besuch"
1933 "Heut' kommt's drauf an" Marita Costa
1935 Flerte
("Escapade")
Leopoldine Dur
1936 Ziegfeld, o criador de estrelas
("The Great Ziegfeld")
Anna Held *Oscar de melhor atriz
*Prêmio de melhor atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
1937 Terra dos deuses
("The Good Earth")
O-Lan *Oscar de melhor atriz
Os castiçais do imperador
("The Emperor's Candlesticks")
Condessa Olga Mironova
Labirintos do destino
("Big City")
Anna Benton
1938 Mademoiselle Frou-Frou
("The Toy Wife")
Gilberte 'Frou-Frou' Brigard
A grande valsa
("The Great Waltz")
Poldi Vogelhuber
Escola dramática
("Dramatic School")
Louise Mauban
1943 Reféns
("Hostages")
Milada Pressinger
1997 O jogador
"The Gambler"
Avó

Notas e referências

  1. La mujer que dejó a Garbo sin Óscar. Fernando López: La Nación (27/09/2005)
  2. a b Turner Classic Movies Tcm.com. Visitado em 07/2010.
  3. International Dictionary of Films and Filmmakers – Actors and Actresses, St. James Press (1997) p. 997
  4. a b c Osborne, Robert A. Academy Awards Illustrated: A Complete History of Hollywood's Academy Awards, ESE California (1969) p. 71
  5. "Luise Rainer, retaining her Viennese vivacity at 73" by Bob Thomas, The Gettysburg Times (1983), p. 15
  6. a b c d Brenman-Gibson, Margaret. Clifford Odets, Applause Books (2002)
  7. "Luise Rainer profile", Spartacus Educational.
  8. "Circus Act Inspires Career for Rainer", Pittsburgh Press (1938), p. 8
  9. a b c d e f "How Hollywood 'Discovered' Its Latest Foreign Star" by Dan Thomas, Laredo Morning Times (1935), p. 13
  10. a b c Shipman, David (1970)The Great Movie Stars, The Golden Years New York: Bonanza Books LCCN 78-133803; pp. 450–51
  11. Clifford Odets: American Playwright: The Years from 1906 to 1940, p. 410
  12. Monush, Barry. Encyclopedia of Hollywood Film Actors, Hal Leonard Corp. (2003) p. 618
  13. a b c d Higham, Charles. Merchant of Dreams: Louis B. Mayer, M.G.M., and the Secret Hollywood, Donald I. Fine, Inc. (1993)
  14. a b Worsley, Sue Dwiggins, and Ziarko, Charles. From Oz to E.T.: Wally Worsley's Half-century in Hollywood, Scarecrow Press (1997) p. 16
  15. a b "Lady Puck Stirs a Tempest in Filmland" by Edith Dietz, The Oakland Tribune, August 25, 1935, p. 32
  16. a b c "Luise Rainer, Quick on English, Doesn't Talk Hollywood Language", La Crosse Tribune (1935), p. 2
  17. "Luise Rainer Will Portray Anna Held", Milwaukee Journal Sentinel, August 30, 1935, p. 4
  18. a b c "Tantalizing Eyes Chief Appeal of Beautiful Luise Rainer" by Dan Thomas, Pittsburgh Press, October 28, 1935, p. 14
  19. "Luise Rainer Rated Most Likely Choice for 'Good Earth' Feminine Lead", Los Angeles Times, September 17, 1935
  20. "Paul Muni, Luise Rainer, Slated for 'Good Earth'" by Eileen Percy, Milwaukee Journal Sentinel, November 21, 1935, p. 19
  21. Sarris, Andrew. You Ain't Heard Nothin' Yet: The American Talking Film History and Memory, 1927–1949, Oxford Univ. Press (1998) p. 388
  22. a b Verswijver, Leo. Movies Were Always Magical, McFarland Publ. (2003)
  23. Morgan, Kim.Curse of the Oscar. Special to MSN Movies . Retrieved November 2007.
  24. a b "Hardest Job for Luise Rainer Is to Avoid Overacting Roles; Playing Part Comes Naturally", Evening Independent, April 8, 1938, p. 9
  25. "Luise Rainer Resuming Gay Mood In 'Maiden Voyage'", Los Angeles Times, October 5, 1936
  26. a b "Luise Rainer Next Will Appear As Attractive Red-Haired Woman in Picture Now Before Cameras", Evening Independent, April 27, 1937, p. 11
  27. "Luise Rainer Teamed With Spencer Tracy in Her First Modern Role", The Lewiston Daily Sun, September 24, 1937, p. 21
  28. "Best Actress of the Year ... So she'll stick around after all" by Paul Harrison, The Palm Beach Post, October 11, 1937, p. 15
  29. Luise Rainer Will Be Star of MCM's Dramatic School' The New York Times (May 20, 1938). Visitado em April 23, 2010.
  30. "For Your Amusement by Eddie Cohen", The Miami News, September 26, 1937, p. 6
  31. a b c d e "Actress Luise Rainer on the glamour and grit of Hollywood's golden era", October 22, 2009. Página visitada em October 22, 2009.
  32. a b c d "Actress Luise Rainer stilt spunky at 73" by Bob Thomas, Daily Herald, November 13, 1983, p. 40
  33. "Luise Rainer To Go On Second Honeymoon", The Desert News, November 8, 1938
  34. "Divorce Delayed for Luise Rainer", Pittsburgh Press, July 5, 1938, p. 17
  35. "Luise Rainer Explains Her Movie Disappearance", Waterloo Daily Courier, March 11, 1951, p. 22
  36. a b c d e "Luise Rainer Resumes Her Film Career" by John Todd, The Port Arthur News, April 18, 1943, p. 21
  37. a b Ver Ligações externas
  38. http://www.afi.com/Docs/100years/stars500.pdf
  39. Walker, Tim. "Actress Luise Rainer celebrates centenary", January 11, 2010. Página visitada em January 12, 2010.
  40. King, Susan. "Luise Rainer's 100 years of fortitude", Los Angeles Times, May 1, 2010. Página visitada em May 1, 2010.
  41. "Boulevard der Stars: Warum fehlt die einzige deutsche Oscar-Siegerin?", Jüdische Allgemeine, December 23, 2010.
  42. http://boulevard-der-stars-berlin.de/and-the-oscar-goes-to-luise-rainer/
  43. BBC, Radio 4, Today programme, February 23, 2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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