Luiz Antonio Gasparetto

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Luiz Antonio Gasparetto
Nome completo Luiz Antonio Alencastro Gasparetto
Nascimento 16 de agosto de 1949 (65 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Psicólogo, psicopictográfico, escritor e locutor
Principais trabalhos Encontro Marcado

Luiz Antonio Alencastro Gasparetto (São Paulo, 16 de agosto de 1949) é um psicólogo de formação, médium psicopictográfico, escritor e locutor brasileiro. Durante quase três anos, foi apresentador de televisão do programa Encontro Marcado da RedeTV!, que propunha ajudar casos comuns em família ou sociedade.

Gasparetto obteve reputação mundial no final da década de 1970 e durante quase toda a década de 1980 por excursionar a Europa com Elsie Dubugras a fim de mostrar os trabalhos que, supostamente, famosos artistas plásticos — como Renoir, Da Vinci, Rembrandt, Toulouse-Lautrec, Modigliani, Picasso, Monet,[1] entre outros — realizavam através de sua mediunidade.[2]

A partir da década de 1980, rompe com a doutrina espírita e empenha-se em projetos ligados à psicologia, auto-ajuda e espiritualidade, escrevendo livros e ministrando cursos com o objetivo do desenvolvimento do ser. Mais recentemente, porém, em 2009, realizou algumas pinturas mediúnicas em seu Espaço Vida e Consciência. Atualmente, mantém suas atividades ligadas à Nova Era com uma literatura metafísica e com a criação do "teatro de auto-ajuda"[3] ampliando, também, seu veículo de comunicação com o programa de rádio Gasparetto Conversando Com Você na Rádio Mundial.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Luiz Gasparetto nasceu no Bairro do Ipiranga, São Paulo, em 16 de agosto de 1949, de uma família de imigrantes italianos. Seus pais, Aldo e Zíbia Gasparetto, educaram-no dentro da doutrina espírita, que os permitiram entender as preliminares capacidades mediúnicas da criança.[4] Aos treze anos, os biógrafos anotam que Luiz teria pintado um belo quadro que havia sido influenciado pelo espírito de Claude Monet.[4] Com tal demonstração, foi levado até o famoso Chico Xavier que lhe deu certas instruções e que lhe deu o nome de vários espíritos que pintavam por seu intermédio.[4] Elsie Dubugras levou-o a uma viagem de dois meses pela Europa, onde Luiz passou a assinar quadros com os nomes de Renoir, Da Vinci, Rembrandt, Toulouse-Lautrec, Modigliani, Picasso, Monet, entre outros.[5]

Disse numa entrevista, já adulto: "As pessoas pensam que quando você morre, você se transforma, mas isto não é verdade, permanecemos os mesmos: apenas evoluimos com base nas experiências que fizemos… No entanto, na dimensão em que eles [os pintores falecidos] estão, eles assemelham-se diferentes na forma física. Toulouse-Lautrec, por exemplo, quando se aproxima de mim, não tem nenhum problema nas pernas. Parece-me uma pessoa muito alegre e cheia de humor."[6]

Espaço Vida e Consciência[editar | editar código-fonte]

O descontentamento com o que acreditava ser uma tradição imutável, levou-o, afinal, a conjugar dois caminhos trilhados a princípio de forma independente: a carreira profissional e o exercício da atividade mediúnica. Formado em Psicologia e tendo freqüentado alguns cursos em Esalen (EUA), um dos centros mais famosos de irradiação das chamadas "terapias alternativas", acabou redefinindo o rumo de sua carreira.

A criação do Espaço Vida e Consciência, na década de 1980, definiu essa nova etapa. A partir de então, distanciando-se da prática clínica convencional e da moral espírita cristã, as suas atividades passaram a integrar o chamado circuito "neo-esotérico", através da promoção de cursos, palestras e workshops com temas relativos à espiritualidade, à saúde e a problemas que envolvem as relações cotidianas - afetivas, familiares e de trabalho.

Por mais de uma década, as suas atividades espiritualistas mantiveram-se em paralelo àquelas desenvolvidas no Centro Espírita dirigido por sua família. Gradativamente, porém, também as atividades deste último começaram a ser modificadas. O distanciamento começou com a mudança de sua denominação para Centro de Desenvolvimento Espiritual "Os Caminheiros", mais adequada às práticas terapêuticas que passou a desenvolver, e que fogem ao repertório espírita, como o "passe com luzes" (prática que associa o passe espírita à cromoterapia) e sessões de "visualização criativa". Oriundas do universo das "terapias alternativas", essas técnicas introduzem a abordagem de questões psicológicas.

O passo seguinte, envolvendo o fechamento do centro em 1995, marcou o rompimento definitivo da família Gasparetto com a doutrina espírita, principalmente no que se refere ao exercício da mediunidade como prática de doação. Desde meados da década de 1980 os livros de Zíbia e Luiz Gasparetto passaram a ser editados por uma editora de propriedade da família, transferindo-se assim a renda das atividades filantrópicas para a apropriação pessoal dos direitos autorais.

Uma vez fechado o centro "Os Caminheiros", a entidade "Calunga" teria passado a protagonizar cursos e palestras no Espaço Vida e Consciência, que, como as demais atividades ali desenvolvidas, se destinam a grandes platéias e são pagos.

Atualmente o Espaço Vida e Consciência teve o nome do teatro alterado para "Espaço da Espiritualidade Independente".

O comportamento[editar | editar código-fonte]

De modo geral, as suas atividades se desenvolvem em clima de espetáculo. Combinando técnicas de terapia com encenação, improvisação retórica e referências que remetem a uma espiritualidade difusa, os seus cursos, palestras e shows não deixam de ter feições próprias. Engraçado, histriônico, Gasparetto é dono de uma extraordinária habilidade de comunicação e de sedução. Propositadamente, fala errado. Usa palavrões. Faz trejeitos, recorre ao sotaque Ítalo-paulistano para construir "tipos", em geral personagens do universo cotidiano, identificados com o seu público.

Gasparetto cria situações de interpelação direta da platéia jogando com a ironia, a surpresa, o medo do ridículo como a do garoto chorão, Gabriel Silas Campelo Martins. O ambiente, porém, é descontraído. Ri-se muito durante as suas palestras, cursos e shows à medida que se constroem, em geral por meio de diálogos imaginários, os estereótipos que retratam o público que o freqüenta: a "dona de casa", os "filhos", o "marido", a "sogra", a "vizinha", o "chefe", a "colega de trabalho", etc.

Midia[editar | editar código-fonte]

ENCONTRO MARCADO Em 2005 a RedeTV! concedeu-lhe um programa de auditório onde apresentava um jogo de idéias e confrontação. No programa, decidia o rumo e a solução que seria aplicada em cada caso de problema espiritual ou emocional, com base nas respostas que obtém de cada um dos seus entrevistados.O programa acabou em 2008.

REVISTA ANA MARIA Costumava semanalmente ter uma coluna na revista Ana Maria com textos motivacionais, porém essa coluna se encerrou em 19/04/2011.

Cia das Luzes[editar | editar código-fonte]

No inicio dos anos 2000 fundou a Cia das Luzes, com frequentadores do Espaço Vida e Consciência. Essa Companhia de "amadores" desenvolvia espetáculos grandiosos que misturavam teatro, dança e música, roteirizados pelo próprio Gasparetto. Entre os espetáculos estão É do Babado, Mama Mia Brasil, Calunga um Espirito de luz, Para viver sem Sofrer, Concerto Para uma Alma Só, Babalu, Infinito, Infinito 2, onde reencarnar é uma lei, Faça dar Certo,Bion o circo das mascaras, entre outros...

Seu trabalho[editar | editar código-fonte]

Novidades também foram introduzidas no campo dos estudos: além das atividades tradicionais - ensino da doutrina e escola de desenvolvimento mediúnico -, passou-se a promover a atualização das equipes de voluntários por meio da promoção de palestras semanais. Realizadas por profissionais convidados, estas abordavam temas que remetem ao universo "neo-esotérico": ufologia, astrologia, tarô, cristais, etc. À clientela, por sua vez, também passaram a ser oferecidos cursos rápidos, em média de quatro semanas, voltados aos temas da auto-ajuda.

Alguns anos mais tarde essas mudanças foram complementadas pela transferência formal da direção do Centro para Luiz Gasparetto. Ritualmente, o processo foi sinalizado pela mudança da tutela da casa, cujo dirigente-espiritual passou a ser a entidade "Calunga (Gasparetto)", que se diz um Exu, figura que remete ao universo da umbanda. Este é, portanto, um personagem excluído do panteão espírita, já que são oriundos do meio "erudito" aqueles que figuram, de modo geral, como "guias espirituais" - pintores e escritores brasileiros e estrangeiros e, dentre os profissionais liberais, especialmente médicos.

A "mistura" do ideário e de práticas da auto-ajuda com uma personagem que tem por referência o universo mítico da umbanda resulta numa alternativa imprevista. Porém, não implica neste caso a adesão a prescrições rituais e doutrinárias desse sistema religioso. Embora sua "manifestação" seja marcada pela performance corporal e o linguajar típico desse personagem, "Calunga (Gasparetto)" constitui, na verdade, uma figura metafórica. Sua condição de outsider do panteão espírita serve à ritualização do afastamento da "tradição" espírita, autorizando, dessa forma, a incorporação de idéias e de práticas de outros sistemas simbólicos, seculares (como é o caso da "auto-ajuda") e/ou religiosos.

Fase atual[editar | editar código-fonte]

Atualmente, apresenta um programa semanal de rádio, na Rádio Mundial FM 95.7, de São Paulo/SP nos seguintes dias: quartas-feiras das 10 às 11hs e reprises aos domingos das 16h às 17hs.

Em 2012 lança seu site pessoal e um aplicativo para download que exibe mensagens (em vídeo) diárias.

É um dos fundadores e mantenedores da ONG Pró-Cães.

Além de continuar ministrando suas palestras no Espaço Vida e Consciência filiais Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2012 nos apresenta a novos guias desencarnados como Tibirias, Pai João, Naná,Mauá e sua equipe ( Inácio de Loyola, John Rockfeller, Rei Salomão, Lourenço Prado, Thomas More, etc) que fazem parte do colegiado Filhos da Luz.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Doutrina espírita[editar | editar código-fonte]

Tendo se dedicado inicialmente à Doutrina espírita, Gasparetto redefiniu o curso de sua trajetória religiosa na década de 1980. O marco inicial desse processo remonta à década anterior, período em que realizou uma série de viagens ao exterior (Europa e Estados Unidos) com o objetivo de conhecer melhor outras doutrinas espiritualistas. Estas lhe propiciaram o contato com novas idéias e práticas religiosas e espiritualistas, além da observação de outros valores e formas de se praticar a mediunidade. De volta ao Brasil, passou a manifestar publicamente suas opiniões acerca da prática da doutrina espírita tradicional.

A crítica de Gasparetto ao Espiritismo refere-se ao "moralismo espírita" derivado da tradição do Catolicismo no Brasil que, segundo ele, inibe a discussão sobre sexo ou dinheiro em meios espíritas.[7] Segundo ele, "em sociedades liberais como os Estados Unidos, por exemplo, as coisas são mais abertas e existe a possibilidade de se entender e discutir abertamente essa etapa da vida que, no nosso país, se vê escondida pela falsa moralidade."[8] Gasparetto vê na postura conservadora da doutrina espírita um meio de transmitir uma mensagem libertadora que não possui maior chance de aproveitamento em seus ensinamentos porque os espíritos são contundamente crentes nas normas católicas.[8]

Para ele, o Kardecismo "é muito antiquado [...] não sai daquela caminhada, sempre igual: não muda o jeito do passe, não muda a forma de tratamento, não se conhece nada de energia eletromagnética [...]"[9] Críticas da mesma ordem são dirigidas às obras publicadas pelo francês Allan Kardec, as quais, segundo ele, são ultrapassadas: "Quando digo que sou kardecista é por causa da pesquisa, do questionamento, da comparação, da busca e do método utilizado por Kardec [...] Agora, o conteúdo é coisa de época [...]."[10]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

Todos publicados pela Editora Vida e Consciência:

Notas

  1. Braude, 2003, p.168.
  2. Leão, 2005, p.418.
  3. Sandra Jacqueline Stoll, "Encenando o Invisível". Acessado em 21 de Novembro, 2009.
  4. a b c Encyclopédie de l’Au-delà, Jean Pierre Girard, Editions Trajectoires, 2006. Página 524 à 527
  5. Encyclopédie de l’Au-delà, Jean Pierre Girard, Editions Trajectoires, 2006. Página 526
  6. Encyclopédie de l’Au-delà, Jean Pierre Girard, Editions Trajectoires, 2006. Page 527
  7. STOLL, 2004, p. 193/194
  8. a b O assunto é... Espiritismo, n° 21, s/d, p. 43.
  9. Revista Planeta, 1990, p.11
  10. Revista Planeta, 1990, p.11

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]