Lupo Servato

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Lupo Servato
(805-862)
Data de nascimento 805
Local de nascimento Ferrières-en-Gâtinais[1] , Loiret,  França
Data de falecimento 862
Local de falecimento Ferrières-en-Gâtinais, Loiret,  França
Ocupação Humanista, teólogo e erudito francês.

Lupo Servato (sinonímia: Loup Servat, Lope de Ferrières, Loup de Ferrières, Lupus von Ferrières, Lupo Servato, Lupus Ferrariensis) (* Ferrières-en-Gâtinais, Loiret, diocese de Sens, por volta do ano 805 - † na mesma cidade no ano 862), foi humanista, eclesiástico, organizador da Igreja da França e abade de São Pedro e São Paulo[2] na cidade de Ferrières-en-Gâtinais, no Loiret.

Desempenhou papel relevante como téologo beneditino e organizador da Igreja da França, e participou do Concílio de Soissons[3] [4] [5] .

Em dezembro do ano 844, durante o sínodo dos bispos da França Ocidental[6] em Ver-sur-Launette, as decisões tomadas pelo abade Lupo de Ferrières, contra os nobres e saqueadores das propriedades da Igreja, não foram aceitas por Carlos , O Calvo, porque as achava muito radicais.

Lupo Servato foi estudioso e grande apaixonado por antiguidades, sendo muitas vezes considerado o precursor dos humanistas do Renascimento. Contribuindo grandemente com a cópia de textos antigo dos principais autores latinos e gregos, ele ajudou a reviver a literatura clássica. Foi aluno de Heiric d'Auxerre (841-876)[7] , um dos quatro grandes mestres da escola monástica da Abadia de São Germano, em Auxerre.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sua mãe se chamava Frotildis e seu pai era bávaro. Nascido por volta do ano 805, na diocese de Sens, foi criado e educado na Escola da Abadia de São Pedro de Ferrières. Com a idade de 25 anos, o abade Aldric o envia para estudar teologia pra longe do Reno. Na Abadia de Fulda, enquanto estudava, ele se dedica às letras que lhe trazem fama. Desse modo, fez relações de amizade com Rabanus Maurus (780-856)[8] , e Eginardo (770-814), biógrafo de Carlos Magno (742-814).

Sua boa reputação, que precedeu o seu retorno a Ferrières, conquistou-lhe os favores da Imperatriz Judite da Baviera (805-843)[9] , que o nomeia tutor do filho de Luís, O Pio, o futuro Carlos, O Calvo, para quem ele sempre representou uma certa autoridade.

Depois da sua nomeação como abade de Ferrières, o monastério tornou-se um farol da ciência e da civilização europeia. Ele se dedicou à cópia de textos antigos dos principais autores latinos e gregos, fez correções à uma obra mal traduzida de Plínio, O Jovem e envia para Roma os textos traduzidos de Suetônio e de Quintus Curtius Rufus, senador e historiador romano. Ele foi o fundador de uma extensa biblioteca de sua abadia, adquirindo muitos manuscritos originais, e copiando e corrigindo os manuscritos que eram emprestados de outros monastérios (Tours, Fulda e Prüm), e de seus amigos Eginardo, Wenilon, Bispo de Sens (837-865)[10] , Reginberto de Reichenau[11] , Marcward de Prüm (829-853), e também das mentes brilhantes tais como Altsigus, Abade de York e do Papa Benedito III (810-858).

Em 14 de Junho foi feito prisioneiro durante a Batalha de Angoulême, vencida por Pepino II da Aquitânia contra um exército de apoio enviado para auxiliar Carlos II, O Calvo, durante o assédio de Toulouse. A Abadia de Ferrières, teve de pagar um resgate para que ele pudesse recuperar a liberdade.


Obras[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Anexo:Lista de humanistas do Renascimento

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Ferrières-en-Gâtinais, comuna francesa, situada no departamento de Loiret.
  2. Abadia de São Pedro e São Paulo, situada na comuna francesa de Ferrières-en-Gâtinais
  3. Concílio de Soissons, o primeiro concílio de Soissons ocorreu em 2 de Março de 744, quando Pepino, O Breve reúne um sínodo com vinte e três bispos de Nêustria. Durante a vida de Lupo Servato, foram realizados cinco concílios nessa cidade francesa:
    Em 851, quando Pepino II da Aquitânia foi deposto;
    Em 26 de Abril de 853, que contou com a participação de Carlos II, O Calvo (823-877), três metropólitas (Hincmar de Reims, Ganelon de Sens e Amaury de Tours, vinte e três bispos e seis abades da igreja do monastério de São Medardo.
    Em 858, concílio esse que foi realizado por Luís, O Germânico;
    Em 861, concílio realizado na Igreja de São Crispino, onde Rothade, Bispo de Soissons, é excomungado por Hincmar de Reims, seu metropólita.
    Em 862, realizado na Igreja de São Medardo, onde Rothade é excomungado apesar de seus apelos, sendo trancado em um convento. Nesse mesmo ano foi realizado um segundo concílio por ocasião do casamento do conde Balduíno I da Flandres (830-879) com Judite da França (que já havia se casado duas vezes), filha de Carlos II.
  4. Pepino II (823-864), filho de Pepino I, rei da Aquitânia. Em 842/843 ele captura Toulouse e resiste a dois assédios realizados por Carlos, O Calvo, em 843 e 844, porém foi traído por Fredolon, conde de Toulouse e de Rouergue († 856).
  5. Rouergue, antiga província da França, limitada ao norte por Auvergne, ao sul e sudoeste por Languedoc, à leste por Gévaudan e a oeste por Quercy. A sua capital histórica se chamava Rodez.
  6. França Ocidental, também conhecida como Francia Occidentalis ou Reino Franco Ocidental, foi um reino de vida curta que abrangia as terras da parte ocidental do Império Carolíngio (800-888), depois do Tratado de Verdun (843) e que subdividiu o império carolíngio em três partes: a Frância Oriental, Frância Ocidental e a Lotaríngia.
  7. Heirico de Auxerre (841-876), foi teólogo beneditino e monje do monastério de São Germano de Auxerre.
  8. Rabanus Maurus (* 780 - † 4 de Fevereiro de 856), foi arcebispo da Mogúncia e autor da enciclopédia De rerum naturis (Sobre a natureza das coisas).
  9. Judite da Baviera (805-843), (* 805 - † 19 de Abril de 843), também conhecida como Judite da França, foi a segunda esposa do Imperador Luís, O Pio e mãe de Carlos, O Calvo.
  10. Wenilon, Bispo de Sens (837-865), também é conhecido como Ganelon de Sens, esteve na coroação de Carlos II, O Calvo, em 6 de Junho de 848.
  11. Reginberto de Reichenau († 846), foi erudito e bibliotecário da Abadia de Reichenau.