Mário Sérvio Honorato

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Uma edição do século XVI de Virgílio com o comentário de Sérvio impresso à esquerda do texto.

Mário Sérvio Honorato ou Mauro Sérvio Honorato, mais conhecido como Sérvio, era um gramático pagão[nota 1] do final do século IV d.C., com a fama em sua época de ser o homem mais instruído de sua geração na Itália. Foi autor de um livro de comentários sobre Virgílio, In tria Virgilii Opera Expositio, o primeiro manuscrito impresso em Florença, por Bernardo Cennini, em 1471.

Aparece como um dos interlocutores nas Saturnais de Macróbio. Alusões feitas nesta obra e uma carta de Quinto Aurélio Símaco a Sérvio mostram que ele era pagão.

O comentário sobre Virgílio chegou até a época atual em duas tradições manuscritas distintas. Na primeira forma (Servius minor), é um comentário relativamente curto, atribuído a Sérvio pelo cabeçalho dos manuscritos. Essa atribuição é confirmada por outras evidências internas.

Um segundo grupo de manuscritos (Servius auctus ou Servius Danielinus), todos procedentes dos séculos X e XI, incluem o mesmo texto num comentário bem mais amplo. As adições abundantes têm um estilo que contrasta com o original. Nenhum desses manuscritos traz o nome de Sérvio.

"As matérias acrescentadas são sem dúvida de uma época antiga, datadas de um período pouco afastado de Sérvio, e se baseiam em larga medida em obras de história e de antiguidades que hoje estão perdidas. O autor é anônimo e provavelmente cristão".[1]

Um terceiro grupo de manuscritos, escritos em sua maioria na Itália, apresenta o texto central com escólios interpolados, que mostram que a Virgilii Opera Expositio era de uso contínuo.

O comentário de Sérvio Mauro Honorato é, na realidade, a única edição completa de um autor clássico escrita antes da queda do Império Romano do Ocidente. Segue em grande parte o princípio de uma edição moderna, baseando-se parcialmente numa ampla literatura crítica virgiliana, boa parte da qual só é conhecida por fragmentos e fatos conservados nesse comentário.

As anotações ao texto de Virgílio, embora raras vezes sejam autorizadas pelos manuscritos existentes, que remontam à época de Sérvio e até a um período anterior, oferecem informação valiosa sobre as antigas revisões do texto de Virgílio e críticas à sua obra.

Na interpretação gramatical da linguagem de seu autor, Sérvio não se eleva acima das sutilezas rígidas e confusas do seu tempo. E suas etimologias violam todas as leis da Fonética e da Semântica modernas em favor de digressões criativas.

Em especial, Sérvio merece reconhecimento por não ter incorrido no método alegórico de exposição dos textos, que prevalecia em sua época. Para o historiador e para quem estuda as coisas antigas, o valor duradouro de sua obra está na preservação de fatos da história, da religião, das antiguidades e da linguagem romanas que, sem ela, estariam perdidos. Boa parte da erudição de Varrão e de outros estudiosos antigos sobrevive em suas páginas.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Commentarii in Vergilii Aeneidos libros
  • Commentarii in Vergilii Bucolica
  • Commentarii in Vergilii Georgica
  • Commentarius in artem Donati - Coletânea de notas gramaticais de Élio Donato[nota 2]
  • De centum metris ad Albinum - Um tratado sobre as diversas métricas poéticas
  • De finalibus ad Aquilinum - Um tratado sobre a métrica dos finais de versos
  • De metris Horatii ad Fortunatianum - Um tratado sobre a métrica de Horácio
  • Vita Vergilii

Notas

  1. A educação cristã dos séculos IV e V não produziu gramáticos.
  2. Donato, gramático latino, é recordado pelos cristãos como mestre de São Jerônimo.

Referências

  1. Encyclopaedia Britannica 1911, « Servius Maurus Honoratus ».

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rand, E. K. (1916). "Is Donatus's Commentary on Virgil Lost?". Classical Quarterly (10): 158-164.
  • Lista completa dos manuscritos de Sérvio, publicada por John J. Savage em duas partes:
    • Savage, John J. (1932). "The Manuscripts of the Commentary of Servius Danielis on Virgil". Harvard Studies in Classical Philology (43): 77-121.
    • Savage, John J. (1934). " The Manuscripts of Servius's Commentary on Virgil". Harvard Studies in Classical Philology (45): 157-204.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]