Máximo Planudes

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Máximo Planudes
(1260-1330)
Antologia de Planudes (1494)
Data de nascimento 1260
Local de nascimento Nicomédia, Bitínia,  Turquia
Data de falecimento 1330
Local de falecimento Constantinopla,  Turquia
Ocupação Humanista, erudito, monge, gramático, filólogo, teólogo e tradutor alemão.

Máximo Planudes (1260-1330) (sinonímia: Maximos Planudes, Μάξιμος Πλανούδης) (Nicomédia, Bitínia, c1260 - Constantinopla, c1330), foi humanista, erudito, monge, gramático, filólogo, teólogo e tradutor bizantino. Floresceu durante o reinado dos imperadores Miguel VIII e Andrônico II. Passou a maior parte da sua vida em Constantinopla, onde dedicou-se como monge, estudando e ensinando. Ao entrar para o mosteiro em tenra idade, mudou seu nome original que era Manuel para Maximos. É mais conhecido como compilador da Antologia Grega.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Planudes possuía um notável conhecimento de Latim numa época em que Roma e Itália eram vistos com certa hostilidade pelos gregos do Império Romano do Oriente. Para conseguir isso ele provavelmente chegou a esse posto por ter sido nomeado um dos embaixadores enviados pelo imperador Andrônico II em 1327 para protestar juntos aos venezianos pelo ataque feito por eles à colônia genovesa de Pera, perto de Constantinopla. Conquistas mais importantes foram realizadas por Planudes, especialmente no campo da tradução, consolidando o caminho para o renascimento do estudo do idioma e da literatura gregos na Europa Ocidental.

Durante o reinado de Miguel VIII, ele apoiou a política imperial para união das igrejas grega e latina, mas mudou de opinião depois com a ascensão de Andrônico II, de quem ele se tornou íntimo. Em 1296, ele participou das negociações para reunificação com os representantes da Igreja Armênia. Dentre seus discípulos encontra-se o professor e humanista Manuel Moschopoulos (1265-1316)[1] e Demetrius Triclinius (1280-1340)[2] , além de Jean Zaridès, a quem ele endereçou diversas cartas, e a princesa erudita Teodora Raulaina[3] , parente próxima do imperador Andrônico II.

Ele foi o autor de inúmeros trabalhos, incluindo uma gramática de grego na forma de perguntas e respostas, como a Erotemata de Manuel Moschopoulus[1] , com um apêndice sobre o então chamado verso político[4] ; um tratado sobre a sintaxe; uma biografia de Esopo além de uma versão em prosa das Fábulas; um escólio sobre certos autores gregos; dois poemas hexâmetros, uma eulógia de Cláudio Ptolomeu - cuja Geografia foi redescoberta por Planudes, que a traduziu para o Latim - sendo o outro um relato sobre a rápida transformação de um boi em um camundongo; um tratado sobre o método de calcular usado entre os indianos (editado por C. J. Gerhardt, Halle, 1865); e scholia para os dois primeiros livros da Aritmética de Diofanto.

Suas inúmeras traduções do latim incluem Somnium Scipionis (O Sonho de Cipião) de Cícero com comentários de Macrobius; as Guerras Gálicas de Júlio César; As Heroínas (Epistulae Heroidum) e Metamorfose de Ovídio; A Consolação da Filosofia (De consolatione philosophiae) de Boécio; e De trinitate de Santo Agostinho. Estas traduções foram úteis não apenas para os helenófonos[5] , mas eram também amplamente usadas tanto na Europa Ocidental como em compêndios para estudos do grego.

É, no entanto, graças à edição da Antologia Grega que ele é mais conhecido. A edição da Antologia de Planudes é mais curta que os textos da Antologia Palatina de Heidelberg, e lhe é aritmeticamente superior, mas contém 380 epigramas que ela não traz, normalmente publicada com as outras, ou como décimo sexto livro ou como apêndice.

John William Mackail (1859-1945)[6] , em sua obra, Epigramas Selecionados da Antologia Grega, faz referência a Maximos Planudes:

Dentre suas traduções podemos encontrar algumas que foram feitas para o grego da Cidade de Deus de Santo Agostinho e as Guerras Gálicas de Júlio César. O império grego, restaurado pelos paleólogos, estava na época caindo aos pedaços. A colônia genovesa de Pera usurpou o comércio de Constantinopla e atuava como estado independente; e isso nos aproxima do mundo moderno ao nos lembrarmos de que Planudes foi contemporâneo de Petrarca.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Epistole a Medlchisedek, Alexandria, Dell'Orso, 2007.
  • O cálculo segundo os indianos, Bordeaux, Paris, A. Blanchard, 2004.
  • Maximi Monachi Planudis Epistulae, Amsterdam, Adolf M. Hakkert, 1991.
  • Antologie grecque, Paris, Les Belles Lettres, 1960.
  • Epigragrammatum anthologia palatina:.., Paris, Ambroise-Firmin Didot[7] , 1864-90, 3 volumes.
  • M. Tullii Ciceronis Somnium Scipionis in graecum translatum, Roma, G.E.I., 1992.
  • Autor adicional da obra 'Opuscula aurea theologica quorundam..., Roma, Sagrada Congregação para Propaganda da Fé, 1670.
  • Maximi Planudis Idyllium, Padova, La Garangola, 1973.
  • Obra em conjunto com Avianus, Alfonsi Petrus (1062-110) e outros, da obra de Esopo Fábulas. Reprodução em facsímile da primeira edição de 1489, da Real Academia Española, Madrid, Tipografía de Archivos, 1929.
  • Aesopi..et aliorum Fabulae..., Lyon, S. Vicentii, 1537, junto com Angelo Poliziano, Pietro Crinito (1474-1507), G.A. Campano (1429-1477), Desiderius Erasmus m.1536 e outros.
  • Patrologiae[8] cursus completus, Series Graeca, de Nicephorus Callistus (1256-1335) Ecclesiasticae Historiae Libri XVIII..., Paris, J.P. Migne, 1865-1904, 3 volumes.
  • A biografia de Esopo Aiso_poy..., Lutetiae, R. Stephani, 1546.
  • Autor adicional de la obra de Theocritus Tae enesti., Veneza, Aldi Manucii Romani, 1495-96.
  • Florilegium diversorum epigrammatum..., Paris, V. Badio, 1531.
  • Macrobii commentariorum in "Somnium Scipionis" libri duo in linguam Graecam translati.
  • Anicii Manlii Severini Boethii De consolatione philosophiae. Tradução grega de Máximo Planudes.

Escritos gramaticais[editar | editar código-fonte]

  • Diálogo sobre a gramática.
  • Tratado Sobre a sintaxe das partes dos discursos.
  • Tratado Sobre os verbos transitivos e intransitivos.
  • Um repertório sobre o Aticismo
  • Um pequeno tratado sobre métrica.
  • Um opúsculo pedagógico sobre as imagens de Filóstrato de Lemnos[9]
  • Os antísticos sobre as curiosidades ortográficas.

Referências[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]

Anexo:Lista de humanistas do Renascimento

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b Manuel Moschopoulos (1265-1316), filólogo e gramático bizantino. Foi sobrinho do metropólita de Creta, Nicéforo Moschopoulos.
  2. Demetrius Triclinius (1280-1340), foi humanista e filólogo bizantino.
  3. Teodora Raulaina (ca. 1240 - Constantinopla, 1300), discípula de Gregório de Chipre, era filha de Irene Paleóloga. Foi a única escrivã da sua época, tendo copiado a obra de Ælius Aristides.
  4. Verso político, também conhecido como verso decapentasílabo, é a forma métrica da poesia grega moderna.
  5. Helenófono, aquele que fala o grego.
  6. John William Mackail (1859-1945) (* Ascog, Kingarth, Ilha de Bute, 26 de Agosto de 1859 - Pembroke Gardens, Kensington, Londres, 13 de Dezembro de 1945), foi literato, erudito, poeta, historiador e biógrafo escocês.
  7. Ambroise Firmin Didot (1790-1876) (* Paris, 20 de Dezembro de 1790 - 22 de Fevereiro de 1876), foi helenista, impressor, editor e colecionador de artes francês.
  8. Patrologia é a parte da história da teologia cristã que estuda o período compreendido entre os períodos iniciais do cristianismo e o século VII no Ocidente (com Isidoro de Sevilha), e o século VII no Oriente (com João Damasceno).
  9. Filóstrato de Lemnos é um sofista romano de língua grega que viveu no século III.

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