Mísia

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Mapa da região, mostrando a Mísia.

Mísia (em grego: Μυσία; em latim: Mysia) era o nome de uma região no noroeste da antiga Ásia Menor (Anatólia), atualmente no território da Turquia, na costa sul do mar de Mármara. Ela fazia fronteira com a Bitínia a leste, Frígia ao sudeste, Lídia ao sul, Eólia ao sudoeste, Tróade a oeste e pelo Propontis (mar de Mármara) ao norte. A região era habitada originalmente pelos gregos mísios, frígios e eólios principalmente, mas também por outros grupos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Os limites da Mísia são difíceis de precisar. A fronteira frígia mudava constantemente enquanto que a Tróade era, às vezes, incluída na Mísia. A porção norte era conhecida como Frígia Menor (Phrygia Minor; μικρὰ Φρυγία) e a sul, Frígia Maior (Phrygia Major) ou "Pergamene". A Mísia foi também conhecida, posteriormente, como Frígia Helespôntica (Phrygia Hellespontica; Ἑλλησποντιακὴ Φρυγία) ou Frígia Epitecta (Phrygia Epictetus; ἐπίκτητος Φρυγία - "Frígia Adquirida"), assim chamada pelos atálidas quando eles anexaram a região ao Reino de Pérgamo[1] .

Durante o reinado de Augusto, a Mísia ocupava todo o canto noroeste da Ásia Menor entre o Helesponto e o Propontis ao norte, Bitínia e Frígia para leste, Lídia para o sul e o Mar Egeu para oeste[2] .

Território e elevação[editar | editar código-fonte]

As principais características da geografia da Mísia eram duas montanhas - Monte Olimpo no norte e o Monte Temnus no sul - que, em parte de sua extensão, separavam a Mísia da Lídia e depois se prologam por todo o território mísio até as proximidades do golfo de Adramício. Os maiores rios na porção norte da região são o Macestus (Simav) e seu afluente, o Ríndaco (Rhyndacus; Mustafakemalpaşa), ambos nascidos na Frísia e, depois de se afastarem na Mísia, se unem abaixo do lago Apolloniatis (Uluabat), a uns 25 quilomêtros do Propontis. O Caïcus (Bakırçay), no sul, nasce em Temnus e corre para o oeste até desembocar no Egeu, passando a poucos quilômetros de Pérgamo. Na norte estão ainda dois consideráveis lagos, o já citado Apolloniatis (ou Artynia) e o Aphinitis, que descarregam suas águas no Macestus a partir do leste e oeste respectivamente.

Cidades na Mísia[editar | editar código-fonte]

As mais importantes cidades eram Pérgamo, no vale do Caïcus, e Cízico, no Propontis. Toda a costa marítima estava apinhada de povoações gregas, algumas delas de considerável importância; a porção norte incluía Parium, Lampsaco e Abidos e a sul, Assos e Adramício. Mais para o sul, no golfo Eleático, estavam Eleia, Mirina e Cime.

História[editar | editar código-fonte]

Período pré-romano[editar | editar código-fonte]

Um episódio menor do ciclo da Guerra de Troia na mitologia grega conta que a frota grega desembarcou na Mísia acreditando estar em Troia. Aquiles feriu o rei local, Télefo, depois de ele ter assassinado um grego. O rei, ferido, então implora ao herói grego para poder tratar da ferida. Esta região costeira governada por Télefo é alternativamente chamada de "Teutrânia" na mitologia grega e foi antes governada pelo rei Teutras. Na Ilíada, Homero representa os mísios como aliados de Troia, com as forças mísias, lideradas por Ennomus (um profeta) e Crômio, filho de Arsínoo. A Mísia homérica parece ter sido muito menor que a histórica e não se estendia para o norte do Helesponto ou do Propontis.

Homero também não menciona cidades ou marcos geográficos na Mísia e não é claro exatamente onde localizava-se a Mísia homérica, embora seja provável que estivesse em algum lugar entre a Tróade (a noroeste da Mísia) e a Lídia/Meônia (para o sul).

Há diversas inscrições mísias num dialeto da língua frísia e escritos numa variante do alfabeto frígio. Há também umas poucas referências a uma língua lutesca indígena da região nas fontes gregas eólicas[3] .

Província de Helesponto[editar | editar código-fonte]

Provincia Hellespontica
Província de Helesponto
Província do(a) Império Romano e do Império Bizantino

293–séc. VII
Location of Helesponto
Província da Helesponto num mapa da Diocese da Ásia (ca. 400)
Capital: Cízico
Período : Antiguidade Tardia
 -  Reformas de Diocleciano 293
 -  Adoção dos sistema dos themata século VII
 -  Perda definitiva da região século XIII

Durante o reinado do Império Aquemênida, o canto noroeste da Ásia Menor, ainda ocupado pelos frígios e principalmente pelos eólios era chamado de "Frígia Menor" e, pelos gregos, de "Helesponto". Depois que o Império Romano derrotou Antíoco, o Grande, na Guerra romano-síria, a região, que estava sob controle do Império Selêucida, passou para as mãos do aliado de Roma, o Reino de Pérgamo e, com a morte do rei Átalo III em 133 a.C., passou, por herança, para a própria Roma, que anexou a região à província da Ásia. Posteriormente, ela foi transformada numa província proconsular chamada Helesponto[2] .

Quando o sistema dos themata foi adotado, a partir do século VII, a região passou a ser governada pelo Thema Opsiciano.

Sés episcopais[editar | editar código-fonte]

As sés episcopais da província que aparecem no Annuario Pontificio como sés titulares são[4] :

Pontes antigas[editar | editar código-fonte]

Ruínas de diversas pontes romanas podem ser encontradas na região:

Referências

  1. Estrabão, Geografia, Livro XII, Capítulo 5, 3 [fr] [en] [en] [en]
  2. a b William Smith, New Classical Dictionary of Biography, Mythology, and Geography, entry: "Mysia"
  3. Titchener, J.B. (1926), Synopsis of Greek and Roman Civilization, Cambridge MA
  4. Annuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]