Música disco

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Disco Music
Origens estilísticas Funk[1]
vários estilo de Soul[2]
música psicodélica[3] [4] [5]
Música Latina (especialmente Salsa)[6] [7]
Pop rock
Secundária
Música Afro-cubana (mais precisamente Soca)[8]Música clássicaGospel[9]Swing[8]Blues[9]
Contexto cultural final da década de 1960 • início da década de 1970 Estados Unidos e Canadá
Instrumentos típicos Vocal (Sobretudo, o Falsete) • Guitarra elétricaBaixoBateria (ou caixa de ritmos) • Tecladometaisorquestra • instrumentos solo (exemplo: flauta, violino) percussão
Popularidade Mais popular na metade dos anos 70 e inícios dos anos 80
Formas derivadas Hi-NRG • House musicHip-hopNew waveGarageAfro-funkyNu-disco
Subgêneros
Italo discoEurodisco • Space Disco
Gêneros de fusão
Disco punk • Disco house • Disco-Funk
Formas regionais
Nos Estados Unidos: Nova YorkFiladélfia, AtlantaMiamiLos Angeles.
No Canadá: TorontoMontrealVancouverOttawa
Outros tópicos
Discoteca

A música disco (também conhecida em inglês disco music ou, em francês, discothèque[10] ) é um gênero de música de dança cuja popularidade atingiu o pico em meados da década de 1970. Teve suas raízes nos clubes de dança voltados para negros, latino-americanos, gays e apreciadores de música psicodélica, além de outras comunidades na cidade de Nova York e Filadélfia durante os anos 1970. A música disco foi um movimento de liberdade de expressão, liderado pelos gays, negros e latinos heterossexuais contra a dominância do rock e desvalorização da música dance da contracultura durante este período. Mulheres abraçaram bem o estilo, sendo consideradas “divas”, vários grupos também foram populares na época. O estilo é conhecido por ser o primeiro abraçado por casas de dança, denominados "discotecas" e posteriormentes apenas clubes.

As principais influências musicais incluem o funk, a música latina, psicodélica e o soul music. Arranjos de música clássica como acompanhamento são freqüentes no estilo, criando um som cheio de colcheias e fusas mas ao mesmo tempo muito repetitivo. A introdução de arranjos orquestrais é uma herança do som da Motown. As linhas de baixo elétrico vindo do funk, e os cantores geralmente preferiam cantar em falsete. Na maioria das faixas de disco, cordas, metais, pianos elétricos e guitarras criam um som de fundo luxuriante. Ao contrário do rock, guitarra é raramente usada em solos.

Nos anos 1970 os mais famosos artistas de disco eram Donna Summer, Bee Gees, KC and the Sunshine Band, ABBA, Chic, os irmãos The Jacksons. Summer se tornaria a primeira artista de disco popular, recebendo o título de "Rainha do Disco", e também desempenhou um papel pioneiro no som da eletrônica, que mais tarde tornou-se uma parte da disco. Embora os artistas tenham acumulado a maior parte da atenção pública, os produtores por trás das cenas tiveram um papel importante na música disco, já que muitas vezes escreviam canções e criavam sons inovadores. O filme Saturday Night Fever contribuiu para o aumento da popularidade da disco music.

Durante o início da década de 1980, a disco music começou a sofrer preconceito nos Estados Unidos que criticavam as danças, e os amantes do estilo que eram minorias na sociedade como negros, mulheres e homossexuais. A música disco da década foi apelidada de Pós-Disco, e o rock votou a dominar as paradas estado-unidenses. Apesar da queda da popularidade nos Estados Unidos, a disco music continuou a fazer sucesso no mundo todo durante toda a década de 1980 até evoluir para os derivados de música dance/eletrônica populares nas décadas seguintes.

Origens[editar | editar código-fonte]

Como todos os gêneros musicais similares, definir um único ponto de início é difícil, uma vez que muitos elementos daquilo que hoje se chama "disco music" aparecem em gravações bem anteriores ao seu "boom" (como exemplo, a gravação de 1971 do tema do filme Shaft, feita por Isaac Hayes).[11] Em geral se pode dizer que os primeiras músicas disco' surgiram em 1973, no entanto muitos consideram a música "Soul Makossa", do africano Manu Dibango (lançada em 1972) como o primeiro sucesso da "disco music" (cf. Jones and Kantonen, 1999). No começo, a maioria das músicas era consumida por pequenas audiências, em clubes noturnos e de dança, e não por um público mais amplo, (ouvintes de rádio, televisão,etc.).

Entre as tendências sociais que contribuíram para o crescimento da disco music estão o aumento de consumo de gravações musicais entre negros e hispânicos acima do consumo do público branco, além do aumento da independência financeira das mulheres, da liberação gay e a revolução sexual (conforme Jones and Kantonen, 1999).

Entre as influências musicais que a disco recebeu estão o funk, o soul, a salsa e os ritmos musicais latinos ou hispânicos que originaram a salsa.

Entre as gravações de soul anteriores à disco music e que a influenciariam, os estudiosos Jones e Kantonen apontam:

A Philadelphia International Records (com a marca dos produtores Kenneth "Kenny" Gamble e Leon Huff) criou aquilo que chamou de "a músicasoul da Filadélfia"[11] e dela temos as seguintes gravações:

  • Three Degrees - "When Will I See You Again" (1974)
  • Intruders - "I'll Always Love My Mama" (1973)
  • The O'Jays - "I Love Music" (1975), "Love Train" (1972)
  • MFSB - "TSOP (The Sound of Philadelphia)" (1973)

Entre as primeiras gravações da "era disco" feitas pela TK Records (segundo Jones e Kantonen, 1999) estão:

Entre os primeiros sucessos considerados "disco music", temos:

É possível apontar também Barry White e seu Love's Theme (de 1973), o grupo espanhol Barrabas, com sua gravação Woman (1972), e mesmo Philadelphia Freedom e Island Girl, de Elton John, como tendo elementos do que se tornou conhecido como disco' music, principalmente nos arranjos instrumentais.

Sucessos[editar | editar código-fonte]

Alguns singles que foram sucessos mas não conseguiram muito destaque começaram com Shirley Co. (Shame Shame, Shame), George McCrae (Rock you Baby)em 1974.

A "Era Disco"[editar | editar código-fonte]

No ano de 1975 é que a disco music realmente decolou, com sucessos como "The Hustle" (de Van McCoy) e o primeiro sucesso de Donna Summer, "Love to Love You Baby" (gravado na Alemanha) atingindo os primeiros lugares.

Em 1975, ocorreu o primeiro grande sucesso da disco, com KC & the Sunshine Band ("Shake your Booty" e "That´s the Way - I Like It"). Neste mesmo ano, teve o lançamento do primeiro "disco mix" (música remixada por um disc-jóquei), com a música de Gloria Gaynor "Never Can Say Goodbye", um cover do sucesso dos Jackson 5.

O ritmo da "disco' music" também está presente em músicas como o tema musical da série de TV SWAT ("Theme from "S.W.A.T.""), de 1976 (gravado pelo grupo de estúdio Rhythm Heritage) ou a música "Gonna Fly Now", música-tema do filme "Rocky, o Lutador" composta por Bill Conti. Da Europa, surgiram grupos como Silver Convention e Boney M (na Alemanha), Santa Esmeralda (na França) e La Bionda (na Itália).

O grupo sueco ABBA, que inicialmente fazia um gênero romântico, também embarcou no "fenômeno disco'", com "Dancing Queen", "Money, Money, Money", "!Gimme! Gimme! Gimme!", "Super Trouper", "Voulez-vous" e outras.

A popularidade do estilo atingiu o auge na chamada Era Disco, entre 1977 e 1979, em parte devido ao filme de 1977 Saturday Night Fever (traduzido no Brasil como "Os Embalos de Sábado à Noite"), com o ator John Travolta. Este filme também foi responsável pela taxação do grupo Bee Gees como artista disco, taxação esta fundamentada nos sucessos disco do grupo que estiveram na trilha sonora do filme, como "Stayin' Alive", "You Should Be Dancing", "More than a Woman", "How Deep Is Your Love?" e "Night Fever", além de "Tragedy", que é posterior ao filme. Entretanto, esta taxação deu-se, uma vez que os Bee Gees que já tinham sido banda de rock, de country rock, de balada e posteriormente de pop e pop rock firmaram sucesso nesse estilo musical em 1976 através da música "You Should Be Dancing" que, posteriormente fez parte da trilha sonora do filme Saturday Night Fever (no Brasil chamado de 'Os Embalos de Sábado à Noite').[11]

Camiseta AntiDisco.

A subcultura punk, tanto dos Estados Unidos quanto do Reino Unido criticava a Disco Music, fazendo protestos muitas vezes violentos.[11] [12]

No ano de 1979, aconteceu o lançamento de Take Me Home, álbum da cantora Cher, que se tornaria um dos medalhões da disco music. O primeiro compacto, "Take Me Home", marcou a volta de Cher ao Top 10 no Hot 100 da revista Billboard, e era voltado para a febre da época: as discotecas. Reinventando-se como ícone da disco music, Cher lançou clássicos desse estilo como "Bad Love" e "Hell On Wheels".

James Brown se auto-intitulou The Original Disco Man e até gravou um álbum com esse título em 1979.[13]

O fenômeno disco' também aumentou a popularidade de algumas formas de dançar pré-coreografadas. Durante a febre disco, era comum ver cantores simulando um robô no palco. A popularização do estilo chamado Robot, veio depois que o jovem Michael Jackson do grupo Jackson 5 simulou um robô dançando durante a performance de Dancing Machine no Soul Train de 1973, posteriormente o cantor contou em seu livro Moon Walk que no dia seguinte todos estavam tentando imitá-lo.[14]

A moda caracterizava-se pelo sapatos plataformas (quanto maior melhor) tanto para homens como mulheres e calças tipo boca-de-sino e golas gigantescas das camisas de popeline estampadas (novidade na época) para homens e as calças pantalonas para as mulheres, além de diversos adornos como anéis, pulseiras, relógios e correntes. Cabelos quanto mais rebeldes melhor, Black Power era o estilo mais popular.

Basicamente, quase todas as bandas de rock tiveram um flerte com a música disco:

  1. Rolling Stones - principalmente com os hits "Miss You" e "Shattered", presentes no álbum Some Girls, de 1979.
  2. Queen - com o sucesso "Another One Bites the Dust" (inspirada na linha de baixo da canção "Good Times" do grupo Chic.[15]
  3. Blondie - com o sucesso "Heart of Glass".
  4. Rod Stewart - com o sucesso "Da Ya think I´m Sexy".
  5. Kiss - com os sucessos "I Was Made for Lovin' You" e "Sure Know Something".
  6. Pink Floyd - com o sucesso "Another Brick In The Wall (parte 2)"

Anime[editar | editar código-fonte]

A música disco influenciou as trilhas sonoras de animes japoneses como Space Battleship Yamato, Mobile Suit Gundam, Rosa de Versalhes e Lupin III.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Até no Brasil o estilo deixou sua marca, com a novela Dancin' Days, da Rede Globo de Televisão (em 1978) e o efêmero sucesso do grupo As Frenéticas.

A diva da Disco Music no Brasil é a cantora Gretchen, que ficou conhecida após se apresentar cantando Dance a Little Bit Closer da cantora Charo no programa de calouros do Silvio Santos. Enquanto se apresentava, para pagar uma aposta com as colegas do cursinho pré vestibular, a jovem era assistida pelo produtor musical argentino Mister Sam. O nosso "hermano" logo cuidou em procurar a produção do programa e pegar os contatos da caloura, que até então era apenas Maria Odete Miranda. Em 1978, Mister Sam lança no programa Carlos Imperial uma cantora de Disco Music e ritmos latinos da qual possuia o pseudonimo Gretchen. No mesmo ano, ela emplacou seu primeiro sucesso, Dance With Me, ganhando certificado de disco de ouro pela venda acima de 150 mil copias.

Também conhecida como um dos grandes nomes da Disco Music brasileira, a cantora Lady Zu emplacou na decada de 70 o sucesso A Noite vai Chegar.

Rita Lee, que chegou a ter canções gravadas pelas Frenéticas,[16] também gravou canções no estilo.[17]

No mesmo ano, Tim Maia acompanhado pela Banda Black Rio lançou o álbum Tim Maia Disco Club, fortemente inspirado no gênero.[18]

Gilberto Gil, grava em 1979, a canção disco Realce do álbum homônimo, uma possível ode a cocaína.[19]

A Rádio Cidade do Rio de Janeiro (102,9 FM), possuía um programa chamado "Cidade Disco Club" comandado por Ivan Romero.[20]

Descendentes, influência e renascimento[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 80 músicos e grupos como George Benson, Patrice Rushen, os Brothers Johnson, The Commodores, S.O.S. Band e outros artistas lançaram sucessos claramente influenciados pela 'disco' (porém, sem o rótulo "disco music", que já parecia ter "cansado" o público. Eram rotulados apenas de dance music ou de funk).

Na Europa, com o fim da Disco Music, surgiu uma derivação que ficou conhecida como Eurodisco, na qual fundia os fundamentos da Disco Music (batida compassada e ritmada) com os recentes sintetizadores, teclados e caixa de ritmos (Modern Talking, C.C. Catch, Bad Boys Blue, Joy, Julian entre outros.

Após 1980, a disco music metamorfoseou-se e deixou influências nos gêneros que a sucederam, incluindo a chamada Acid house, Hi-Energy, House Music, Deep Disco, Garage, Acid Jazz e outras variações. E basta escutar as canções "I'm gonna get you" de Bizarre Inc. (1993), "Murder on the Dance Floor" de Sophie Ellis-Bextor, "One More Time" de Daft Punk (2001), "Can't Get You Out of My Head" de Kylie Minogue, o grupo A-Teens (1999-2005) ou a maioria das músicas do Jamiroquai para perceber o som disco, ainda que com outro nome, claramente presente.

Referências

  1. (2003) A history of rock music 1951–2000, ISBN 9780595295654, p.152: "Funk music opened the doors to the disco subculture"
  2. (2003) Out of the Revolution, ISBN 9780739105474, p.398 : "Funk, disco, and Rap music are grounded in the same aesthetic concepts that define the soul music tradition."
  3. (2000) Last Night a DJ Saved My Life, ISBN 9780802136886, p.127: "Its [disco] music grew as much out of the psychedelic experiments … as from … Philadelphia orchestrations"
  4. (2008) The Pirate's Dilemma: How Youth Culture is Reinventing Capitalism, ISBN 9781416532187, p.140: "Disco, which emerged from the psychedelic haze of flower power infused with R&B and social progress that was being cooked up at the Loft"
  5. Disco Double Take by The Village Voice: "And the scene's combination of overwhelming sound, trippy lighting, and hallucinogens was indebted to the late-'60s psychedelic culture". Retrieved on November 29, 2008
  6. Disco: Encyclopedia II - Disco - Origins. Experiencefestival.com. Retrieved on November 29, 2008
  7. (2001) American Studies in a Moment of Danger, ISBN 9780816639489, p.145: "It has become general knowledge by now that the fusion of Latin rhythms, Anglo-Caribbean instrumentation, North American black "soul" vocals, and Euro-American melodies gave rise to the disco music"
  8. a b (2003) The Drummer's Bible: How to Play Every Drum Style from Afro-Cuban to Zydeco, ISBN 9781884365324, p.67: "Disco incorporates stylistic elements of Rock, Funk and the Motown sound while also drawing from Swing, Soca, Merengue and Afro-Cuban styles"
  9. a b (2006) A Change is Gonna Come: Music, Race & the Soul of America, ISBN 9780472031474, p.207: "A looser, explicitly polyrhythmic attack pushes the blues, gospel, and soul heritage into apparently endless cycle where there is no beginning or end, just an ever-present "now"."
  10. Saul H. Rosenthal. French Anglicisms: The Amazing Number of French Words That Come from English. [S.l.]: Saul Rosenthal, 2011. 35 pp. 9781463577872
  11. a b c d Zeca Azevedo. O Legado Da Disco Music Rock Press.
  12. (Julho 1992) "". SPIN 8 (4). ISSN 0886-3032.
  13. , Craig Hansen Werner University of Michigan Press, A change is gonna come: music, race & the soul of America, 210, 2006. ISBN 0472031473, 9780472031474
  14. The History of Locking lockerlegends.net. Página visitada em 7 de Abril de 2010.
  15. (5 fev. 2000) "". Billboard Vol. 112, Núm. 6: 66. Nielsen Business Media, Inc.. ISSN 0006-2510.
  16. Ana Maria Bahiana. Almanaque anos 70. [S.l.]: Ediouro, 2006. 361 pp. 8500017880, 9788500017889
  17. Jairo Severiano, Zuza Homem de Mello. A canção no tempo:1958-1985. [S.l.]: Editora 34, 1999. 8573261196, 9788573261196
  18. (28/11/2001) "Tim Maia Disco Club, Tim Maia (WEA)" (0100-7122). Revista Veja. Editora Abril.
  19. , Ricardo Alexandre DBA, Dias de luta: o rock e o Brasil dos anos 80, 7, 2002
  20. , Silvio Essinger Editora Record, Batidão: uma historia do funk, 49 e 50, 2005. ISBN 850107165X, 9788501071651

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Michaels, Mark (1990). The Billboard Book of Rock Arranging. ISBN 0823075370.
  • Jones, Alan and Kantonen, Jussi (1999). Saturday Night Forever: The Story of Disco. Chicago, Illinois: A Cappella Books. ISBN 1556524110.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]