Mir

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Insígnia da estação espacial Mir
A Mir em 9 de fevereiro de 1998 vista do ônibus espacial Endeavour durante a missão STS-89.

Mir (em russo: Мир, Paz ou Mundo) foi uma estação espacial que operou na órbita baixa da Terra entre 1986 e 2001, de propriedade da União Soviética e depois da Rússia. A Mir foi a primeira estação espacial modular e foi montada em órbita entre 1986 e 1996, tinha uma massa maior do que a de qualquer espaçonave anterior. Até 21 de março de 2001 foi o maior satélite em órbita, sucedida pela Estação Espacial Internacional (EEI) depois de sua órbita declinou. A estação serviu como um laboratório de pesquisa de microgravidade em que as equipes realizaram experimentos sobre biologia, biologia humana, física, astronomia, meteorologia e sistemas da naves espaciais com o objetivo de desenvolver tecnologias necessárias para a ocupação humana permanente do espaço.

A Mir foi a primeira estação de pesquisa continuamente habitada em órbita e estabeleceu o recorde da mais longa presença humana contínua no espaço, com 3 644 dias. O recorde foi rompido em 23 de outubro de 2010, quando foi superado pela EEI.[1] Ela detém ainda o recorde de mais longo voo espacial humano único, com Valeri Polyakov passou 437 dias e 18 horas na estação entre 1994 e 1995. A estação espacial foi ocupada por um total de doze anos além de sua vida útil original de quinze anos, tendo a capacidade de suportar uma tripulação residente de três pessoas, ou de tripulações maiores para missões espaciais de curta duração.

Após o sucesso do programa Salyut, a Mir representou a próxima fase do programa de estação espacial da União Soviética. O primeiro módulo da estação, conhecido como o módulo de núcleo, foi lançado em 1986 e foi seguido por seis módulos adicionais. Os foguetes Proton foram usados ​​para lançar todos os seus componentes, exceto para o módulo de ancoragem, que foi instalado por um ônibus espacial da missão STS-74 em 1995. Quando concluída, a estação era composta por sete módulos pressurizados e vários componentes sem pressão. A energia era fornecida por vários painéis fotovoltaicos conectados diretamente aos módulos. A estação era mantida em uma órbita entre 296 km e 421 km de altitude e viajava a uma velocidade média de 27,700 quilômetros por hora, completando 15,7 órbitas por dia.[2] [3] [4]

A estação foi lançada como parte do programa de voos espaciais tripulados soviético para manter um posto avançado de pesquisa de longo prazo no espaço, e, após o colapso da União Soviética, passou a ser operada pela nova Agência Espacial Federal Russa (RKA). Como resultado, a grande maioria da tripulação da estação era formada por russos; no entanto, através de colaborações internacionais, como os programas Intercosmos, Euromir e Shuttle-Mir, a estação foi disponibilizada para os astronautas de países da América do Norte, Europa e Japão. O custo do programa Mir foi estimado em 2001 pelo ex-diretor da RKA, Yuri Koptev, como algo em torno de 4,2 bilhões de dólares ao longo de sua existência (incluindo desenvolvimento, montagem e operação orbital).[5]

Concepção e estrutura[editar | editar código-fonte]

Diagrama da Mir

A estação representou a terceira geração das estações espaciais soviéticas, baseada na capacidade de expansão, reequipagem e reabastecimento. A possibilidade em dispor diferentes configurações utilizando o complexo de módulos proporcionou à estação uma grande capacidade de funcionamento e autonomia. Realidade esta impensável nas outras gerações, que eram utilizadas por um curto período de tempo. A Mir foi levada ao espaço pelo foguete Proton 8K82K. A Soyuz e a Progress foram as principais naves de serviço da estação. Mais tarde, com a entrada dos Estados Unidos no projeto, ela foi adaptada para receber o ônibus espacial (em Portugal: vaivém espacial) da Nasa.

A estação recebeu seis módulos entre 1986 e 1996, que formavam sua estrutura física: principal, Kvant 1 (12 de março de 1987), Kvant (26 de dezembro de 1989), Kristall (10 de junho de 1990), Spektr (1º de junho de 1995) e Priroda (27 de abril de 1996).

História e missões importantes[editar | editar código-fonte]

A Mir vista de um ônibus espacial.

A Mir permaneceu no espaço a quatrocentos quilômetros de altitude, completando uma órbita em volta da Terra a cada noventa minutos. No total, foram realizadas mais de 82 mil voltas ao redor do planeta. Cerca de 25 missões russas e trinta internacionais foram feitas, recebendo 103 visitantes. Ao todo, quatorze mil experimentos científicos foram realizados. Os cosmonautas que ocuparam a estação realizaram 66 passeios no espaço, sendo que o mais longo durou sete horas.

Em março de 1986, a Mir recebeu a sua primeira tripulação, formada pelos cosmonautas Leonid Kizim e Vladimir Soloviev. O primeiro cosmonauta estrangeiro a chegar a estação foi o sírio Muhammed Faris da missão Soyus TM-3 pelo programa Intercosmos. Posteriormente, pelo mesmo programa estiveram na estação o cosmonauta afegão Abdul Ahad Mohmand e o cosmonauta francês Jean-Loup Chrétien, o primeiro ocidental na Mir.

Entre outras curiosidades, o jornalista japonês Toyohiro Akiyama transmitiu da estação, ao vivo, um programa para uma televisão de Tóquio, em dezembro de 1991. No mesmo mês, o cosmonauta Valeri Polyakov completou 438 dias na Mir, um recorde mundial de permanência no espaço.

Lançamentos utilizados na construção da estação[editar | editar código-fonte]

Módulo Data de
lançamento
Veículo
lançador
Data de
acoplagem
Massa
(kg)
Soyuz Objetivo
Módulo Principal 19 Fevereiro de 1986 Proton
8K82K
20.100 N/A Módulo principal da estação espacial, destinado à moradia dos ocupantes
Kvant 1 31 Março de 1987 Proton
8K82K
9 Abril de 1987 10.000 TMA-2 Módulo dedicado à Astronomia
Kvant 2 26 Novembro de 1989 Proton
8K82K
6 Dezembro de 1989 19.640 TMA-8 Sistemas de suporte de vida
Kristall 31 Maio de 1990 Proton
8K82K
10 Junho de 1990 19.640 TMA-9 Tecnologia de processamento de materiais, laboratórios de Geofísica e Astrofísica
Spektr 20 Maio de 1995 Proton
8K82K
1 Junho de 1995 19.640 TMA-21 Alocação dos experimentos relativos ao programa de colaboração entre a Rússia e os Estados Unidos
Módulo de Acoplagem 12 Novembro de 1995 STS-74
Atlantis
15 Novembro de 1995 6.134 TMA-22 Sistema a ser utilizado para o acoplamento entre os ônibus espaciais americanos e a estação espacial
Priroda 23 Abril de 1996 Proton
8K82K
26 Abril de 1996 19.000 TMA-23 Módulo de sensoriamento remoto

Missões que usaram a nave Soyuz[editar | editar código-fonte]

Nave Soyuz acoplada na MIR
Foto da tripulação da STS-81 dentro da MIR
A Mir durante a missão STS-86.

Missões que usaram o ônibus espacial[editar | editar código-fonte]

A Mir e o ônibus espacial Atlantis acoplados durante a missão STS-71.
  • 22 de março-31 de março de 1996 - STS-76 - iniciou a presença estadunidense contínua na MIR, levando o astronauta Shannon Lucid, que fez um passeio no espaço para instalar pacotes de experimentos no módulo de acoplagem
  • 16 de agosto-26 de agosto de 1996 - STS-79 - astronauta John Blaha substitui Lucid, ficando na MIR quatro meses com os cosmonautas da missão MIR-22, conduzindo experimentos de ciência dos materiais, fluidos e pesquisa biológica
  • 12 de janeiro-22 de janeiro de 1997 - STS-81 - Linenger substituiu Blaha na MIR, tendo feito o primeiro "passeio no espaço" com traje espacial russo - a missão enfrentou um inédito incêndio no espaço, dentro da MIR
  • 15 de maio-24 de maio de 1997 - STS-84 - o astronauta Mike Foale substitui Linenger, e integra a equipe a especialista russa Elena V. Kondakova - nesta missão ocorre uma colisão entre a MIR e uma nave cargueiro Progress, com danos na MIR - Foale faz um EVA com o cosmonauta Anatoly Solovyev para verificar os danos
  • 25 de setembro-6 de outubro de 1997 - STS-86 - David Wolf substitui Foale - astronauta Scott Parazynski e o cosmonauta Vladimir Titov executam um "passeio no espaço" conjunto, o primeiro em que um cosmonauta usa um traje espacial estadunidense
  • 22 de janeiro-31 de janeiro de 1998 - STS-89 - astronauta Andy Thomas substitui Wolf - o vôo também levou a MIR o cosmonauta Salizhan Sharipov
  • 2 de junho-12 de junho de 1998 - STS-91 - esta missão retornou Thomas e conduziu pesquisas científicas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Jackman, Frank. "ISS Passing Old Russian Mir In Crewed Time", 29 de outubro de 2010.
  2. In: Hall, R.. The History of Mir 1986-2000. [S.l.]: British Interplanetary Society, 2000. ISBN 0-9506597-4-6.
  3. In: Hall, R.. Mir: The Final Year. [S.l.]: British Interplanetary Society, 2001. ISBN 0-9506597-5-4.
  4. Orbital period of a planet CalcTool. Visitado em 12 de setembro de 2010.
  5. Patrick E. Tyler. "Russians Find Pride, and Regret, in Mir's Splashdown", New York Times, 24 de março de 2001. Página visitada em 9 de março de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]