Macaense

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Macaenses
Mesquita-portrait.jpg
Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, o herói macaense na Batalha do Passaleão
População total

~25 mil[1] a 46 mil [carece de fontes?]

Regiões com população significativa
Macau:    ~5 a 8 mil [2][3]
Línguas
Maioritariamente o português e o cantonês; minoritariamente, o Patuá macaense.
Religiões
Predominantemente católicos.
Grupos étnicos relacionados
portugueses, chineses, malaios, indianos, africanos, cingaleses.

Macaense (em chinês: 土生葡人; literalmente: portugueses nascidos na terra) não é simplesmente um habitante e cidadão natural da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.[nota 1] Macaenses ou "filhos da terra" são os descendentes euroasiáticos de famílias com linhagem portuguesa enraizadas em Macau. Além de antepassados portugueses, quase todos os macaenses têm antepassados chineses e uma boa parte deles têm também antepassados malaios, africanos, cingaleses e indianos, constituindo por isso a síntese e o produto visível do intercâmbio inter-cultural entre o Ocidente e o Oriente.

O grupo étnico macaense é considerado como mestiço e euroasiático. A esmagadora maioria deles são católicos. Ser macaense é necessário (ou preferível) também ter um conhecimento e contacto com a cultura macaense e portuguesa e saber falar também português (e/ou patuá macaense). Alguns até exigem que ser macaense é necessário receber uma educação portuguesa de tipo ocidental.

Geralmente, os "filhos da terra" tendem a adoptar Portugal como a sua Pátria, apesar de, em sua maioria, terem uma percentagem de sangue português irrelevante. Eles são considerados como portugueses por ascendência ou luso-descendentes. Henrique de Senna Fernandes, um ilustre escritor e advogado macaense, pronuncia-se sobre este assunto, afirmando que “Portugal é a minha pátria e Macau é a minha mátria”.[9]

Mas, um dos mais importantes factores (ou até mesmo o mais importante factor) na definição do ser macaense é precisamente a pessoa em questão ter a noção de ser macaense, de ser aceite pela comunidade macaense como sendo um membro dela, sentir que é um verdadeiro macaense e ainda sentir que Macau é sempre a sua terra e casa. Miguel de Senna Fernandes, um ilustre advogado e dramaturgo macaense, afirma que ser "macaense vai muito além da ideia da naturalidade. É, na maioria dos casos, um luso-descendente, mas com forte sentido de pertença a Macau por ali ter nascido ou vivido e esta vivência é sedimentada no tempo com a comunidade".[1] Resumindo e usando outra vez as palavras de Miguel de Senna Fernandes, "o macaense é aquele que tem Macau por referência e um sentido especial de portugalidade" [10].

Por isso, também se pode chamar macaense àqueles que, não sendo euroasiáticos luso-descendentes, estão intimamente ligados à comunidade portuguesa enraizada em Macau, ou seja, à comunidade macaense. Nesta última categoria de macaenses incluem alguns portugueses europeus radicados em Macau e os descendentes de famílias não-portuguesas ou chinesas que se assimilaram à comunidade macaense e que, por isso, se consideram macaenses. As famílias chinesas que, com o tempo, acabaram por se considerarem macaenses já são antigas e todas elas converteram-se ao Catolicismo e acabaram por adoptar nomes e apelidos de língua portuguesa, tais como Rosário e Rosa.

A definição de macaense é abstracta, histórica e subjectiva e sempre foi difícil de definir porque esta definição é fortemente influenciada, além de factores biológicos (a ascendência), por factores de diversas dimensões: a língua, a gastronomia, a religião (católica), uma "cultura macaense própria" e referenciais históricos e territoriais específicos. Estes factores mencionados constituem também um conjunto de indicadores de referência para a diferenciação dos macaenses em relação às outras etnias, principalmente a chinesa, que vive em Macau. Esta definição não é estática, ela é dinâmica, plural e evolui ao longo dos tempos, sendo objecto de várias interpretações e estudos.[11]

Em 2006, estimou-se que existe somente em Macau cerca de 5000 ou 6000 [nota 2][2] a 8000 macaenses,[3] sendo a comunidade macaense considerada por isso minoritária na sua própria terra de origem (cerca de 1% da população total de Macau)[2]. Actualmente, estima-se que o número de macaenses no estrangeiro ronda por volta dos 10 a 30 mil.[6]

Índice

[editar] História

Crê-se que a comunidade macaense apareceu nos primeiros tempos do estabelecimento português de Macau, possivelmente na segunda metade do séc. XVI, fruto do isolamento da Pátria e da radicação dos portugueses em Macau. Esta comunidade desenvolveu uma identidade e maneira diferente e única de estar, de viver e de ser, sempre apoiada no seu "portuguesismo inquestionável" e na sua "religiosidade (católica) inabalável". A emergência desta identidade é resultante do isolamento dos macaenses de Portugal; da sua grande adaptabilidade a uma terra tão longínqua e de cultura tão diferente da de Portugal; da sua capacidade de sobreviver num ambiente onde, durante séculos, as autoridades chinesas, mais precisamente os mandarins, os oprimiam e discriminam; das inúmeras circunstâncias vividas por eles em Macau ao longo de séculos; e das diferentes culturas (portuguesa e orientais) que os moldavam.[12]

Quanto à origem étnica dos macaenses, existem duas posições polares: de um lado, há historiadores (como Ana Maria Amaro) que defendem que as primeiras gerações de macaenses foram principalmente o "produto" da miscigenação entre homens portugueses e mulheres de várias etnias asiáticas (ex: indiana, malaia, cingalesa...), enquanto que existem outros (como o Monsenhor Manuel Teixeira) que defendem que as primeiras gerações de macaenses foram essencialmente o "produto" da miscigenação entre homens portugueses e mulheres chinesas.[11][13] Apesar das divergências, há uma certeza: os macaenses são euro-asiáticos e a portugalidade permanece como elemento estruturante da sua identidade. No entanto, o componente asiático desta identidade tem variado, tornando-se predominantemente chinês a partir do século XX.[8]

Esta comunidade mestiça foi diversas vezes marginalizada e discriminada pelos chineses e até pelos portugueses, principalmente durante os primeiros séculos da Cidade de Macau. Naquela época, os macaenses não podiam desempenhar cargos altos na administração local, tais como os cargos importantes do Leal Senado, a poderosa câmara municipal de Macau. Só nos finais do séc. XVIII é que se viu um aumento do número de macaenses a ocuparem cargos importantes na administração e a participarem mais na vida cívica e política da Cidade. No séc. XX, eles predominaram na Função Pública da Cidade, com um número considerável de postos importantes da administração ocupada por eles. Assim, os macaenses tornaram-se num importante grupo apoiante à administração portuguesa de Macau visto que eles têm conhecimento da vida socio-cultural da Cidade, principalmente da vida da comunidade chinesa, e dominam bem o português e o cantonês (o dialecto chinês mais falado na Cidade). Além da função pública, eles desempenharam também profissões relacionadas com o Direito e o ensino português local. Durante este período, os portugueses e os macaenses tornaram-se num grupo privilegiado da Cidade e tinham mais facilidades em procurar emprego. Mas após a transferência de soberania de Macau para a República Popular da China (1999), este privilégio acabou-se.[14]

As famílias macaenses (euroasiáticas) não-chinesas começaram a desaparecer devido à emigração, a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1954). Porém, também devido à Segunda Guerra Mundial e à implantação da República Popular da China (1949), a comunidade macaense de Macau cresceu e foi reforçada por refugiados vindos de duas diferentes comunidades macaenses: a de Hong Kong e a de Xangai. Estes macaenses, incluindo muitos trabalhadores qualificados e funcionários públicos, dominavam bem as línguas inglesa e chinesa (muitos dominavam também o português) e trouxeram valiosas habilidades técnicas e comerciais para Macau. Até 1975, houve também um razoável crescimento da comunidade macaense à custa dos casamentos entre homens portugueses e mulheres chinesas ou macaenses. Isto se devia ao facto de, naquela altura, haver muitos soldados portugueses, oriundos de Portugal para reforçarem a guarnição militar de Macau, que preferiram estabelecer-se em Macau, depois de terminar o seu serviço militar obrigatório. Muitos deles acabaram por casar-se com mulheres macaenses ou chinesas. Porém, a situação mudou drasticamente com a desmilitarização de Macau, em 1975, originando uma diminuição da chegada de portugueses a Macau. Por isso, actualmente, são poucos os macaenses que continuam a ter pais de etnia portuguesa e que ainda apresentam uma percentagem de sangue português relevante e significativa.[8]

Até à decada de 80, a maioria dos macaenses não receberam nenhuma educação formal em língua chinesa e, por isso, falavam bem cantonês, mas não sabiam ler ou escrever chinês. Até lá, grande parte deles aprenderam a falar cantonês das suas mães ou amahs (empregadas domésticas) chinesas. [15]

Um número considerável de portugueses residentes e de macaenses deixaram Macau antes ou logo após a tranferência de soberania de Macau para a República Popular da China (20 de Dezembro de 1999), emigrando-se para Portugal ou para outros países estrangeiros, nomeadamente o Canadá e o Brasil.

[editar] Cultura, culinária e língua

A cultura dos macaenses é muito rica e única no Mundo porque resultou da simbiose, intercâmbio e coexistência de culturas ocidentais (principalmente a portuguesa) e orientais (principalmente a chinesa, mas também a malaia, a indiana, a cingalesa...). Esta mistura de culturas revela-se também na culinária dos macaenses. Esta culinária única do Mundo nasceu quando as esposas orientais dos portugueses tentavam fazer comidas portuguesas com os ingredientes locais (principalmente os de origem chinesa), mas também com vários ingredientes oriundos de lugares (como por exemplo Malaca, Índia e Moçambique) visitados pelos portugueses na altura dos Descobrimentos. Evidentemente, as tradições culinárias destas esposas influiram nestas comidas, originando a culinária macaense, considerada por muitos como uma genuína gastronomia de fusão. Sopa de lacassá e porco afumado, "Min Chi" (carne picada), balichão, "Tacho" (ensopado de carne e legumes), arroz gordo, cabidela de pato, camarões grandes recheados, inhame chau-chau com lap-yôck, chetnim de bacalhau, galinha assada, caldo de raiz de lótus e caril de galinha são algumas das comidas macaenses populares [16][17][8][18].

Os Macaenses têm o seu próprio dialecto, o patuá macaense, que é um crioulo formado no séc. XVI baseado no português, com influências do malaio (nomeadamente do Papiá Kristang), do cantonês, do indiano e de muitas outras línguas orientais. Este crioulo está em via de extinção, com cada vez menos macaenses que dominam este crioulo. Actualmente muitos macaenses falam só o cantonense e o português. Em Macau, existem várias instituições culturais e um grupo de macaenses que querem salvar este crioulo, um dialecto único de Macau e um dos melhores símbolos representativos da identidade única dos macaenses.[13][8]

[editar] Situação pós-1999

Após Macau tornar-se numa região administrativa especial da China (20 de Dezembro de 1999), os interesses e direitos dos macaenses, dos portugueses e de todos os residentes de ascendência portuguesa ou ocidental passaram a estar expressamente protegidos pela Lei Básica de Macau:

[...] São residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau: [...] 3) Os portugueses nascidos em Macau que aí tenham o seu domicílio permanente antes ou depois do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau; [...] 4) Os portugueses que tenham residido habitualmente em Macau pelo menos sete anos consecutivos, antes ou depois do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, e aí tenham o seu domicílio permanente [...]
Artigo 24.º da Lei Básica
Os residentes de Macau são iguais perante a lei, sem discriminação em razão de nacionalidade, ascendência, raça, sexo, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução e situação económica ou condição social.
Artigo 25.º da Lei Básica
Os interesses dos residentes de ascendência portuguesa em Macau são protegidos, nos termos da lei, pela Região Administrativa Especial de Macau. Os seus costumes e tradições culturais devem ser respeitados.
Artigo 42.º da Lei Básica
A Região Administrativa Especial de Macau pode nomear portugueses e outros estrangeiros de entre os funcionários e agentes públicos que tenham anteriormente trabalhado em Macau, ou que sejam portadores do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da Região Administrativa Especial de Macau, para desempenhar funções públicas a diferentes níveis, exceptuando as previstas nesta Lei. Os respectivos serviços públicos da Região Administrativa Especial de Macau podem ainda contratar portugueses e outros estrangeiros para servirem como consultores ou em funções técnicas especializadas. Os indivíduos acima referidos são admitidos apenas a título pessoal e respondem perante a Região Administrativa Especial de Macau.
Artigo 99.º da Lei Básica

Apesar da protecção legal, uma situação preocupante começa actualmente a desenvolver-se rapidamente dentro da comunidade macaense: um número crescente de macaenses começam a perder parte ou quase toda a sua herança portuguesa devido principalmente às suas decisões de abandonar o sistema educacional português, um dos principais transmissores da língua e cultura portuguesa, e de adoptar uma educação baseada em cantonês, mandarim ou inglês porque o português é cada vez menos utilizado em Macau, apesar de ser uma das línguas oficiais desta terra chinesa. Estes macaenses tendem em aproximar-se aos chineses, ao ponto de alguns afirmarem que são chineses. É isto que a comunidade macaense em geral teme: a diluição e possível perda da sua cultura e identidade únicas, formada a partir do longo intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente.[12][13]

É também de salientar o facto preocupante de que muitos dos filhos resultantes do casamento entre mulheres macaenses e homens chineses, vulgarizado a partir da década de 70, perderam grande parte do seu património cultural português. Isto porque, como as referências culturais são normalmente dadas pelo pai no Oriente e como ele é estranho à cultura portuguesa, grande parte destes novos macaenses desconhecem a língua portuguesa, sendo o cantonês o veículo de comunicação privilegiado na família.[8]

Para contrariar estas preocupações crescentes, surgiu nos últimos anos uma nova estratégia levada a cabo por várias instituições e associações macaenses para salvaguardar a identidade desta pequena comunidade: a recuperação, reconstrução e delimitação de elementos de diversa natureza para que os macaenses possam diferenciar-se da grande maioria chinesa. É o caso, por exemplo, da recuperação e promoção do patuá macaense, ou ainda da realização de diversos eventos de carácter religioso, histórico e cultural, tendo como principal objectivo unir e, racionalmente, incorporar e institucionalizar os elementos distintivos dos "filhos da terra". Actualmente, existem também tentativas de usar e projectar os macaenses como interlocutores privilegiados com o mundo lusófono, tornando-se assim num elemento estratégico para Macau, que quer ser a ponte de ligação entre a China e o mundo lusófono.[13]

Em 2001, 2004, 2007 e 2010, organizou-se em Macau o Encontro das Comunidades Macaenses, que tem por objectivo reunir os macaenses de Macau e da diáspora. Este importante evento trianual é organizado por várias associações de matriz macaense e portuguesa de Macau ou da diáspora macaense, nomeadamente a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM). Nestes encontros, os seus participantes podem revisitar Macau, debater medidas para a preservação da identidade e cultura macaenses, partilhar memórias e conviver com velhos amigos que vivem em diferentes partes do mundo.[19]

[editar] Macaenses proeminentes e ilustres

Segue-se uma lista (incompleta) de alguns macaenses proeminentes e ilustres do passado e do presente:

[editar] Falecidos

Luís Gonzaga Gomes, um ilustre sinólogo e escritor macaense do séc. XX.

[editar] Vivos

Leonel Alberto Alves, em 2009

[editar] Associativismo, política, educação e negócios

  • Leonel Alberto Alves (1957- ) - advogado e político, sendo actualmente membro do Conselho Executivo de Macau, deputado à Assembleia Legislativa de Macau eleito por sufrágio indirecto e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da República Popular da China.
  • José Maria Pereira Coutinho (1957- ) - actual presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, conselheiro em Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas e deputado à Assembleia Legislativa de Macau eleito por sufrágio directo.
  • Anabela Fátima Xavier Sales Ritchie (1949- ) - ex-presidente da Assembleia Legislativa de Macau (1992-1999) e actual presidente da Assembleia Geral da Obra das Mães.
  • Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes (1961- ) - encenador e dramaturgo do "Grupo Teatral Dóci Papiáçam di Macau" (uma associação defensora do patuá macaense), advogado e actual presidente da Associação dos Macaenses de Macau; é filho de Henrique Rodrigues de Senna Fernandes.
  • Jorge Alberto da Conceição Hagedorn Rangel (1943- ) - professor, ex-deputado à Assembleia Legislativa de Macau (1976-1980), membro da Comissão de Redacção da Lei Básica, ex-Secretário-Adjunto para a Administração, Educação e Juventude (1991-1999) e actual presidente da Direcção do Instituto Internacional de Macau.
  • Maria Edith da Silva (1943- ) - professora, ex-directora da Direcção dos Serviços de Educação de Macau (1989-1997) e actual directora da Escola Portuguesa de Macau.[26]
  • José Manuel de Oliveira Rodrigues (1952- ) - ex-deputado à Assembleia Legislativa de Macau (1996-2001) e actual presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM).
  • José Luís Sales Marques (1955- ) - ex-presidente do Leal Senado e actual Presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau.
  • António José de Freitas - actual provedor da Santa Casa da Misericórdia.
  • Jorge Manuel Fão (1947- ) - ex-deputado à Assembleia Legislativa de Macau (2001-2005) e actual presidente da assembleia-geral da Associação dos Pensionistas e Aposentados de Macau (APOMAC).
  • Rogério Hyndman Lobo (1923- ) - filantropo, empresário e membro do Conselho Urbano de Hong Kong (1965-1978), do Conselho Executivo de Hong Kong (1967-1985) e do Conselho Legislativo de Hong Kong (1972-1985); é filho de Pedro José Lobo.
  • Roberto Carneiro (1947- ) - professor universitário e político nascido em Portugal, mas com pais macaenses; desempenhou cargos políticos importantes no Governo português durante a década de 80 e 90 (ex: Secretário de Estado da Educação do VI Governo, Secretário de Estado da Administração Regional e Local do VIII Governo e Ministro da Educação do XI Governo); foi também presidente do Conselho de Administração da Fundação Escola Portuguesa de Macau (1998-2004).

[editar] Artes, desporto e religião

  • Carlos Alberto dos Santos Marreiros (1957- ) - arquitecto e dirigente cultural.
  • António Maria da Conceição Júnior (1951- ) - dirigente cultural, pintor, ilustrador, fotógrafo, director de arte e designer gráfico, de interiores, de exposições e moda; é filho de Deolinda do Carmo Salvado da Conceição.[27]
  • John Rocha (1953- ) - designer de moda macaense nascido em Hong Kong e radicado actualmente no Reino Unido.
  • Luís Lei Xavier - padre católico e vigário episcopal da Diocese de Macau.
  • Eva de Noronha Vital (1992- ) - atleta nascida em Macau, radicada actualmente em Portugal; filha de pai português e mãe macaense. Representa o Sport Lisboa e Benfica desde 2009 [28]. Presente nas principais competições internacionais de atletismo do seu escalão com resultados relevantes [29], que lhe mereceram várias distinções: Troféu Afonso Lopes Vieira para personalidade do desporto do Distrito de Leiria [30] e Medalha de Mérito Grau Bronze da Cidade de Caldas da Rainha [31]. É detentora de recordes nacionais de iniciado, juvenil, júnior e absoluto em diversas provas de velocidade e barreiras.[32][33][34][35]
  • Paula Cristina Pereira Carion (1982- ) - uma karateca que venceu a medalha de bronze na categoria +68 kg de karaté nos Jogos Asiáticos de 2006 e de 2010.[36][37]

[editar] Entretenimento

  • Michele Monique Reis (em chinês: 李嘉欣) (1970- ) - actriz de Hong Kong, Miss Hong Kong e Miss Chinese International do ano de 1988.
  • Cerina Filomena da Graça (em chinês: 嘉碧儀) (1979- ) - actriz de Hong Kong e uma das finalistas (mas não conseguiu ganhar) do concurso para a eleição da Miss Hong Kong do ano de 2002.
  • Luisa Isabella Nolasco da Silva ou Isabella Leong Lok-Sze (em chinês: 梁洛施) (1988- ) - actriz e cantora de Hong Kong e mãe dos filhos de Richard Li Tzar Kai, filho do famoso empresário chinês Li Ka-shing.
  • José Maria Rodrigues Júnior , vulgarmente chamado por Joe Junior (em chinês: 祖•尊尼亞) (1947- ) - cantor e actor de Hong Kong.
  • Maria Cordero (em chinês: 瑪俐亞) (1954- ) - actriz, cantora e chef de Hong Kong.
  • Reinaldo Maria Cordeiro (1924- ), vulgarmente chamado por Uncle Ray ou Ray Cordeiro - um famoso radialista de Hong Kong.
  • Irmãs Pedruco (Guilhermina Madeira da Silva Pedruco, Geraldina Madeira da Silva Pedruco, Isabela Madeira da Silva Pedruco e Guiomar Madeira da Silva Pedruco) - 4 irmãs macaenses que competiram nos concursos Miss Chinese International e Miss World em representação de Macau, visto que foram vencedoras do concurso Miss Macau (respectivamente, em 1989, 1996, 1993 e 1997). A Guilhermina chegou a ganhar o terceiro lugar no concurso Miss Chinese International, em 1989.
  • Ana Kuan Barroso (1988- ) - modelo e uma das finalistas do concurso Miss Macau, em 2008, tendo ganhado o segundo lugar.[38][39]

[editar] Macaenses não-euroasiáticos ou de ascendência não-portuguesa

Apesar de não serem mestiços euroasiáticos ou não serem de ascendência portuguesa, eles consideram-se macaenses e a comunidade macaense os aceitou como tal:

[editar] Ver também

[editar] Notas

  1. Os chineses residentes e nascidos em Macau, que são a maioria da população de Macau, não se identificam como macaenses, mas sim como “Ou Mun yan” (澳門人, ou seja, gente de Macau ou pessoa de Macau). Os macaenses são designados vulgarmente pelos chineses por “Tou sán” (土生, ou seja, filhos da terra, nascidos na terra). Os portugueses europeus são designados por “Kuai lou” (diabo-homem), “Ngau sôk” (tio-boi) ou “Ngau pó” (mulherona-vaca)[8]
  2. Em 2006, estimou-se que existe em Macau cerca de 5000 a 6000 macaenses porque a esmagadora maioria daqueles que têm uma ascendência portuguesa e chinesa ou portuguesa, chinesa e outra e também uma pequena parte daqueles que têm uma ascendência somente portuguesa ou portuguesa e outra e ainda uma parte irrelevante e pequeníssima daqueles que têm uma ascendência somente chinesa autoclassificam-se como sendo macaenses. Por esta razão, pode-se estimar que os macaenses constituem um pouco mais de 1% da população total de Macau, que, em 2006, atingiu os 513 mil habitantes. Em relação aos portugueses europeus, que englobam quase todos aqueles que têm somente uma ascendência portuguesa, estimou-se que eles constituem cerca de 0,6% da população total.[2]

Referências

  1. a b Ser macaense como herdeiro da portugalidade, Jornal Hardmusica
  2. a b c d Ascendência da população residente de Macau, na página 92 do Ficheiro PDF dos Intercensos de 2006
  3. a b Patuá macaense na wikipedia anglófona
  4. a b Encontro para não esquecer - Comunidades macaenses reunidas até domingo, Clarim, 3 de Dezembro de 2010
  5. http://www.memoriamacaense.org/id63.html
  6. a b Os Macaenses no Brasil - O cerco se mantém, Andréa Doré, Março de 1999
  7. http://www.memoriamacaense.org/id242.html
  8. a b c d e f Macau- sua História e Cultura, de Benilde Justo Caniato (USP), Revista Sarará.
  9. a b As luzes do horizonte, Hoje Macau, 5 de Outubro de 2010; e Henrique de Senna Fernandes, homenageado no Projecto Memória Macaense
  10. Um artigo do JTM sobre a comunidade macaense e o seu crioulo, onde se destaca as palavras de Miguel de Senna Fernandes
  11. a b Ler as seguintes obras, teses, estudos e revistas que defendem e discutem várias hipóteses diferentes mas convergentes sobre a definição, origem e identidade dos macaenses:
    • Manuel Teixeira (1965), Os Macaenses, Macau, Imprensa Nacional;
    • Ana Maria Amaro (1988), Filhos da Terra, Macau, Instituto Cultural de Macau, pp. 4-7;
    • João de Pina-Cabral e Nelson Lourenço (1993), Em Terra de Tufões: Dinâmicas da Etnicidade Macaense, Macau, Instituto Cultural de Macau;
    • Revista de Cultura, n. 20, Julho/Setembro, 1994.
    • Francisco Lima da Costa, Fronteiras da Identidade: O Caso dos Macaenses em Portugal e em Macau
  12. a b A Identidade Macaense, de Renelde Justo Bernardo da Silva
  13. a b c d Francisco Lima da Costa, Fronteiras da Identidade: O Caso dos Macaenses em Portugal e em Macau
  14. O Senado da Câmara de Macau, de Charles Ralph Boxer
  15. Ler as seguintes obras sobre a influência e importância das mães e das empregadas chinesas no contacto dos macaenses à cultura e língua chinesas:
    • José Caetano Soares (1950), Macau e a Assistência (Panorama médico-social), Lisboa, Agência Geral das Colónias Divisão de Publicações e Biblioteca;
    • Edith de Jorge (1993), The Wind Amongst the Ruins: A childhood in Macao, New York: Vantage Press.
  16. Culinária macaense no Projecto Memória Macaense
  17. Macanese Cuisine
  18. Cherie Y. Hamilton, "Os sabores da lusofonia: encontros de culturas", Senac 2005, ISBN:8573594071
  19. Será o maior Encontro de sempre- José Manuel Rodrigues faz antevisão da grande reunião das comunidades macaenses, Jornal Tribuna de Macau, 23 de Novembro de 2010
  20. Pedro José Lobo, no blog Macau Antigo
  21. Pedro Nolasco da Silva, Jornal Tribuna de Macau, 11 de Novembro de 2010
  22. Um adeus português
  23. Milestones, Time, 1 de Março de 2004
  24. Delfino José Rodrigues Ribeiro: 1930-2012, no blog Macau Antigo (19 de Janeiro de 2012)
  25. Faleceu o ex-deputado Delfino Ribeiro, no Jornal Tribuna de Macau (20 de Janeiro de 2012)
  26. “O nosso orçamento não dá para projectos”, Jornal Tribuna de Macau, 2 de Março de 2009
  27. 25 anos de criatividade de António Conceição Júnior
  28. http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=323500000
  29. http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=322309202
  30. http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=319903008
  31. http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2009/05/20/medalhas-de-merito-municipal-entregues-no-dia-da-cidade/
  32. http://fpatletismo.sapo.pt/conteudo.aspx?lang=pt&id_class=283&name=Recorde-de-Portugal-Ar-Livre
  33. http://fpatletismo.sapo.pt/conteudo.aspx?lang=pt&id_class=288&name=Recordes-Nacionais-Juniores-Pista-Coberta
  34. http://fpatletismo.sapo.pt/cache/cachebin/RN_arlivre_jovens-2656.pdf
  35. http://fpatletismo.sapo.pt/cache/cachebin/RN_pcoberta_jovens-2427.pdf
  36. Karate Biography - Pereira Carion, Paula Cristina
  37. Jogos Asiáticos: Bronze para Paula Carion, Ponto Final, 26 de Novembro de 2010
  38. “Miss Macau” já tem candidatas, Jornal Tribuna de Macau, 12 de Agosto de 2008
  39. Uma reportagem em inglês do "Macau Closer" sobre o concurso Miss Macau 2008
  40. Luís Machado, O Ténis em Macau, Jornal Tribuna de Macau, 20 de Agosto de 2008
  41. Junho, Jornal Tribuna de Macau, 2003
  42. Jorge Rangel, O Carnaval em Macau, Jornal Tribuna de Macau, 4 de Fevereiro de 2008
  43. Um italiano de Macau, Hoje Macau, 9 de Maio de 2008; e a nota pós-scriptum, Hoje Macau, 20 de Maio de 2008

[editar] Ligações externas

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