Macaense

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Nota: Para outros significados de Macaense, ver Macaense (desambiguação).

Macaenses
Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, o herói macaense na Batalha do Passaleão
População total

~30 a 58 mil[carece de fontes?]

Regiões com população significativa
Macau:    ~5 a 8 mil
Línguas
Maioritariamente o português e o cantonês; minoritariamente, o Patuá macaense.
Religiões
Predominantemente católicos.
Grupos étnicos relacionados
portugueses, chineses, malaios, indianos, africanos, cingaleses.
Luís Gonzaga Gomes, um ilustre sinólogo e escritor macaense do séc. XX.

Macaense não é simplesmente um habitante e cidadão natural da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Macaenses ou "filhos da terra" são todos aqueles que são considerados como descendentes europeus oriundos de famílias com linhagem portuguesa (a esmagadora maioria deles têm também antepassados chineses e uma boa parte deles têm até antepassados malaios, africanos, cingaleses e indianos) enraizadas em Macau ou também aqueles que estão intimamente ligados à comunidade portuguesa enraizada em Macau. Esta última categoria de macaenses contam-se os descendentes oriundos de famílias chinesas convertidos ao Cristianismo que assimilaram-se à comunidade macaense, inclusivamente adoptando apelidos de língua portuguesa.

O grupo étnico macaense é considerado como mestiço e euroasiático. A esmagadora maioria deles são católicos. Ser macaense é necessário (ou preferível) também ter um conhecimento e contacto com a cultura macaense e portuguesa e saber falar também português (e/ou patuá macaense). Alguns até exigem que ser macaense é necessário receber uma educação portuguesa de tipo ocidental.

Geralmente, os "filhos da terra" tendem a adoptar Portugal como a sua Pátria, apesar da sua maioria terem uma percentagem de sangue português irrelevante. Eles são considerados como portugueses por descendência ou luso-descendentes. Henrique de Senna Fernandes, um ilustre escritor e advogado macaense com actualmente mais de 80 anos de idade, pronuncia-se sobre este assunto, afirmando que “Portugal é a minha pátria e Macau é a minha mátria”.

Mas, um dos mais importantes factores (ou até mesmo o mais importante factor) na definição do ser macaense é precisamente a pessoa em questão ter a noção de ser macaense, de ser aceite pela comunidade macaense como sendo um membro dela, sentir que é um verdadeiro macaense e ainda sentir que Macau é sempre a sua terra e casa. Resumindo e usando as palavras de Miguel de Senna Fernandes, um ilustre advogado, dramaturgo e encenador macaense, "o macaense é aquele que tem Macau por referência e um sentido especial de portugalidade" [1].

A definição de macaense é abstracta, histórica e subjectiva e sempre foi difícil de definir porque esta definição é fortemente influenciada, além de factores biológicos (a ascendência), por factores de diversas dimensões: a língua, a gastronomia, a religião (católica), uma "cultura macaense própria" e referenciais históricos e territoriais específicos. Estes factores mencionados constituem também um conjunto de indicadores de referência para a diferenciação dos macaenses às outras etnias, principalmente a chinesa, que vive em Macau. Esta definição não é estática, ela é dinâmica e evolui ao longo dos tempos.

A percentagem de macaenses em Macau é muito pequena (cerca de 1% da população total de Macau[2]) por isso esta comunidade é considerada minoritária. Estima-se que o número de macaenses em Macau é aproximadamente entre os 5000 ou 6000[2] a 8000[3] e o número de macaenses no estrangeiro por volta de 25 a 50 mil[carece de fontes?].

Índice

[editar] História

Crê-se que a comunidade macaense apareceu nos primeiros tempos do estabelecimento português de Macau, possivelmente na segunda metade do séc. XVI, fruto do isolamento da Pátria e da radicação dos portugueses em Macau. Esta comunidade desenvolveu uma identidade e maneira diferente e única de estar, de viver e de ser, sempre apoiada no seu "portuguesismo inquestionável" e na sua "religiosidade (católica) inabalável".[4] A emergência desta identidade é resultante do isolamento dos macaenses de Portugal; da sua grande adaptabilidade a uma terra tão longínqua e de cultura tão diferente da de Portugal; da sua capacidade de sobreviver num ambiente onde, durante séculos, as autoridades chinesas, mais precisamente os mandarins, os oprimiam e discriminam; das inúmeras circunstâncias vividas por eles em Macau ao longo de séculos; e das diferentes culturas (portuguesa e orientais) que os moldavam.

Quanto à origem étnica dos macaenses, existem duas posições polares: de um lado, há historiadores (como Ana Maria Amaro) que defendem que as primeiras gerações de macaenses não foram "produto" da miscigenação entre homens portugueses e mulheres chinesas, mas sim com mulheres de outras etnias asiáticas (indiana, malaia, cingalesa...), enquanto que existem outros (como o Monsenhor Manuel Teixeira) que defendem precisamente o contrário.

Esta comunidade mestiça foi diversas vezes marginalizada e discriminada pelos chineses e até pelos portugueses, principalmente durante os primeiros séculos da Cidade de Macau. Naquela época, os macaenses não podiam desempenhar cargos altos na administração local, tais como os cargos importantes do Leal Senado, a poderosa câmara municipal de Macau. Só nos finais do séc. XVIII é que se viu um aumento do número de macaenses a ocuparem cargos importantes na administração e a participarem mais na vida cívica e política da Cidade. No séc. XX, eles predominaram na Função Pública da Cidade, com um número considerável de postos importantes da administração ocupada por eles. Assim, os macaenses tornaram-se num importante grupo apoiante à administração portuguesa de Macau visto que eles têm conhecimento da vida socio-cultural da Cidade, principalmente da vida da comunidade chinesa, e dominam bem o português e o cantonês (o dialecto chinês mais falado na Cidade). Além da função pública, eles desempenharam também profissões relacionadas com o Direito e o ensino português local. Durante este período, os portugueses e os macaenses tornaram-se num grupo privilegiado da Cidade e tinham mais facilidades em procurar emprego. Mas após a transferência de soberania de Macau para a República Popular da China (1999), este privilégio acabou-se.

Antes de 1975, muitos soldados oriundos de Portugal chegavam constantemente a Macau para reforçar a guarnição militar da Cidade e também para cumprirem o seu serviço militar. Muitos deles preferiram estabelecer-se em Macau, casando com mulheres macaenses ou chinesas que conseguiam dominar um pouco de português. Por isso, antes de 1975, muitos macaenses têm pais de etnia portuguesa. Mas, em 1975, a situação mudou drasticamente com a desmilitarização da Cidade, originando uma diminuição da chegada de portugueses a Macau. Por isso, a partir da década de 80, muitos macaenses passaram a ter pais macaenses ou de etnia chinesa. Actualmente, são poucos que continuam a ter pais de etnia portuguesa e mais poucos ainda aqueles que ainda apresentam uma percentagem de sangue português relevante e significativa.

Um número considerável de portugueses residentes e de macaenses deixaram Macau antes ou logo após a tranferência de soberania de Macau para a República Popular da China(1999), emigrando-se para Portugal ou para outros países estrangeiros, nomeadamente o Canadá e o Brasil.

[editar] Cultura, culinária e língua

A cultura dos macaenses, que é muito rica, é única do Mundo porque resultou da simbiose, intercâmbio e coexistência de culturas ocidentais (principalmente a portuguesa) e orientais (principalmente a chinesa, mas também a malaia, a indiana, a cingalesa...). Esta mistura de culturas revela-se também na culinária dos macaenses. Esta culinária única do Mundo nasceu quando as esposas orientais dos portugueses tentavam fazer comidas portuguesas com os ingredientes locais (principalmente os de origem chinesa), mas também com vários ingredientes oriundos de lugares (como por exemplo Malaca, Índia e Moçambique) visitados pelos portugueses na altura dos Descobrimentos. Evidentemente, as tradições culinárias destas esposas influiram nestas comidas, originando a culinária macaense, considerada por muitos como uma genuína gastronomia de fusão. Lacassá de talharins e porco afumado, "Min Chi" (carne picada), "Tacho" (ensopado de carne e legumes), arroz gordo, cabidela de pato, camarões grandes recheados, inhame chau-chau com lap-yôck, galinha assada, caldo de raiz de lótus e caril de galinha são algumas das comidas macaenses populares [5] [6].

Os Macaenses têm o seu próprio dialecto, o patuá macaense, que é um crioulo formado no séc. XVI baseado no português, com influências de cantonês, malaio e muitas outras línguas orientais. Este crioulo está em vias de extinção, com cada vez menos macaenses que dominam este crioulo. Actualmente muitos macaenses falam só o cantonense e o português. Em Macau, existem várias instituições culturais e um grupo de macaenses que querem salvar este crioulo, um dialecto único de Macau e um dos melhores símbolos representativos da identidade única dos macaenses.

[editar] Situação pós-1999

Actualmente, uma situação preocupante começa a desenvolver-se rapidamente dentro da comunidade macaense: um número crescente de macaenses começam a perder parte ou quase toda a sua herança portuguesa devido principalmente às suas decisões de abandonar o sistema educacional português, um dos principais transmissores da língua e cultura portuguesa, e de adoptar uma educação baseada em cantonês, mandarim ou inglês porque o português é cada vez menos utilizado em Macau, apesar de ser uma das línguas oficiais desta terra chinesa. Estes macaenses tendem em aproximar-se aos chineses, ao ponto de alguns afirmarem que são chineses. É isto que a comunidade macaense em geral teme: a diluição e possível perda da sua cultura e identidade únicas, formada a partir do longo intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente.

Por esta razão é que, nos últimos anos, surgiu uma nova estratégia levado a cabo por várias instituições e associações macaenses para salvaguardar a identidade deste pequena comunidade: a recuperação, reconstrução e delimitação de elementos de diversa natureza para que os macaenses possam diferenciar-se à grande maioria chinesa. É o caso, por exemplo, da recuperação e promoção do patuá, ou ainda da realização de diversos eventos de carácter religioso, histórico e cultural, tendo como principal objectivo unir e, racionalmente, incorporar e institucionalizar os elementos distintivos dos "filhos da terra".

[editar] Macaenses proeminentes e ilustres

Aqui está uma lista de alguns macaenses proeminentes e ilustre da actualidade e do passado:

[editar] Ver também

[editar] Notas e Referências

  1. Um artigo do JTM sobre a comunidade macaense e o seu crioulo, onde se destaca as palavras de Miguel de Senna Fernandes
  2. 2,0 2,1 Ascendência da população residente de Macau, na página 92 do Ficheiro PDF dos Intercensos de 2006. Nota: a esmagadora maioria daqueles que têm uma ascendência portuguesa e chinesa ou portuguesa, chinesa e outra e também uma pequena parte daqueles que têm uma ascendência somente portuguesa ou portuguesa e outra e ainda uma parte irrelevante e pequenísiima daqueles que têm uma ascendência somente chinesa autoclassficam-se como sendo macaenses. Por esta razão, pode-se estimar que os macaenses constituem um pouco mais de 1% da população total de Macau, que, em 2006, atingiu os 513 mil habitantes.
  3. Patuá macaense na wikipedia anglófona
  4. Expressões usadas no livro A Identidade Macaense de Renelde Justo Bernardo da Silva
  5. Culinária macaense no Projecto Memória Macaense
  6. Macanese Cuisine

[editar] Ligações externas


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