Macau (Rio Grande do Norte)

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Município de Macau
"Terra do Sal"
Praia de Diogo Lopes

Praia de Diogo Lopes
Bandeira de Macau
Brasão de Macau
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 9 de setembro
Fundação Não disponível
Gentílico macauense
Prefeito(a) Kerginaldo Pinto do Nascimento (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Macau
Localização de Macau no Rio Grande do Norte
Macau está localizado em: Brasil
Macau
Localização de Macau no Brasil
05° 06' 54" S 36° 38' 02" O05° 06' 54" S 36° 38' 02" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Central Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Macau IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Guamaré (L), Porto do Mangue (NO), Afonso Bezerra (SO), Pedro Avelino (SE), Pendências (O).
Distância até a capital 175 km[2]
Características geográficas
Área 788,036 km² [3]
População 29 446 hab. (RN: 17º) –  IBGE/2012[4]
Densidade 37,37 hab./km²
Clima Semiárido Bsh
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,665 (RN: 13°) – médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 466 357,053 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 16 684,81 IBGE/2008[6]
Página oficial

Macau é um município brasileiro no estado do Rio Grande do Norte, localizado na microrregião de Macau, na Mesorregião Central Potiguar e no Polo Costa Branca. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2008 sua população era estimada em 27.951 habitantes. Macau possui uma área territorial de 788 km² e está localizada a 175 km da capital do estado, Natal.

O município de Macau está numa região produtora de sal marinho (uma das principais do Brasil), petróleo e de pescados, sendo um dos maiores produtores nacionais de sardinha. Macau é bastante conhecida na região por seu carnaval, o que atrai visitantes de quase todo o estado do Rio Grande do Norte.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade tem suas origens no início do século XIX, quando ainda era conhecida por ilha de Manoel Gonçalves — região já colonizada para a produção de sal. Seu nome atual deriva de A-man-gao ("baía de Ama"), expressão chinesa que deu o nome à então colônia Portuguesa de Macau, hoje parte da China. Segundo Câmara Cascudo, Macau, no Rio Grande do Norte,tem este nome em razão das semelhanças geográficas com a ex-colônia portuguesa na China. Entretanto, há uma controvérsia em realização à origem do topônimo. Segundo Getúlio Moura, em seu livro "Um Rio Grande e Macau", o nome Macau tem origem nas araras vermelhas que habitavam a região do Vale do Açu, cujos habitantes indígenas chamavam de "Macaw". No livro de Getúlio Moura há mapas da região com figuras das citadas araras que originaram o nome atual do município.

Na área literária, desde 1998, foi fundado um movimento cultural e literário denominado ICEC — Imperial Casa Editora da Casqueira — movimento este idealizado pelo sociólogo, poeta e escritor Benito Maia Barros, que faleceu em Dezembro de 2010, na casa dos cinquenta anos. Além das obras do próprio fundador, onde o pesquisador ou até mesmo leitores podem encontrar traços da história de Macau através de falares e lugares do povo daquela cidade, serve também esta obra como fonte de pesquisa. A ICEC surgiu como forma de superação da falta de incentivo governamental às obras literárias; já foram lançados mais de quinze livros, entre prosa, contos, poesias e história. É um dos maiores movimentos literários do Rio Grande do Norte.

Poetas/Escritores: Vicente Serejo; Gilberto Avelino - In Memorian (radicado em Macau, nasceu na cidade do Assú);João Vicente Barbalho; Alfredo Neves, - Radicado em Macau, nasceu na cidade de (Teófilo Otoni), Getúlio Moura; Benito Maia Barros; João de Aquino (é também museólogo); Sebastião Maia (Tião Maia); Laércio Dantas e Porrete (dupla pioneira musical "canto da Terra" - vencedora de vários festivais do RN); Leônidas Dantas (escritor e caricaturista); Horácio Paiva, Daniel Násser, nascido em Macau e criado na comunidade litorânea de Diogo Lopes ( romances de realismo fantástico) e muitos outros.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Macau está localizado na Mesorregião Central Potiguar e microrregião homônima, no litoral norte do estado do Rio Grande do Norte,[1] distante 175 quilômetros de Natal, capital estadual,[2] e 2 086 quilômetros de Brasília, capital federal.[7] Ocupa uma área de 788,036 quilômetros quadrados,[3] integra o Polo Costa Branca, e se limita com os municípios de Guamaré a leste; Afonso Bezerra, Pendências e Pedro Avelino a sul; Carnaubais, Porto do Mangue e Pendências a oeste, além de ser banhado pelo Oceano Atlântico a norte.[8]

O relevo do município, com altitudes inferior a cem metros, é formado pela planície costeira, que abrange terrenos alterados pela presença de dunas e ocorre no litoral, compreendendo praias limítrofes com o mar e os tabuleiros costeiros, também denominados "planaltos rebaixados", compostos por argila, próximo do litoral. Macau está situada em área de abrangência das rochas do Grupo Barreiras, provenientes da Idade Terciária, com idade aproximada de trinta milhões de anos. Na zona litorânea encontram-se as dunas, formadas pela ação dos ventos. No estuário do rio Piranhas/Açu situam-se os aluviões, na planície fluviomarinha, onde estão as áreas de extração de sal. Mais para sul, após o Grupo Barreiras, encontram-se as rochas pertencentes às formações Jandaíra e Tibau.[8]

Rio Piranhas-Açu próximo à sua foz.

Os tipos de solo predominantes são a areia quartzosa distrófica, caracterizado por seu baixo nível de fertilidade, textura formada por areia e drenagem excessiva; o solochak solonétzico, que possui alto grau de salinidade e drenagem imperfeita; e o latossolo vermelho amarelo eutrófico, com textura média, forte drenagem e fertilidade de média a alta. Há também as areias quartzosas marinhas, o solo bruno não cálcico vértico e o cambissolo.[8] [9]

Macau possui seu território situado na bacias hidrográfica do rio Piranhas/Açu e na faixa litorânea norte de escoamento difuso.[10] Os principais riachos são Água Vermelha, Lamarão, Taborda e do Sangue, e as principais lagoas são dos Cavalos, Grande e do Sítio. O principal reservatório é o Açude Bêbado, com capacidade para 108 mil metros cúbicos (m³) de água. Outros açudes importantes são Cana Brava e Jambeiro, ambos com capacidade para 100 000 m³.[8]

Por sua vez, a cobertura vegetal do município é formada por cinco tipos diferentes: a caatinga hiperxerófila, o carnaubal, os manguezais, a restinga e a vegetação halófica. Macau abriga, junto com Guamaré, uma unidade de conservação ambiental, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, criado em julho de 2003 pela lei estadual 8 349, cobrindo uma área de 12 946,03 hectares (ha).[8]

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de chuva em 24 horas
registrados em Macau por meses
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 59,6 mm 25/01/2003 Julho 54 mm 16/07/2011
Fevereiro 71,5 mm 23/02/1964 Agosto 29 mm 19/08/1969
Março 112,7 mm 16/03/1982 Setembro 20,6 mm 18/09/1974
Abril 113,5 mm 03/04/2008 Outubro 5,4 mm 19/10/1965
Maio 58,2 mm 13/05/1984 Novembro 25,6 mm 30/11/1978
Junho 70 mm 19/06/1965 Dezembro 53,7 mm 30/12/1967
Fonte: Rede de dados do INMET. Período: 1961-1970, 1973-1984,
1990 e 1994-2013.[11]

Mesmo localizado no litoral, o clima de Macau é descrito como semiárido quente (do tipo Bsh na classificação climática de Köppen-Geiger). A temperatura média anual é de 26,8 ºC, sendo janeiro o mês mais quente (27,4 ºC) e julho o mais frio (25,9 ºC).[12] O índice pluviométrico é baixo, de pouco mais de 500 milímetros por ano. Os meses com maior média de pluviosidade são abril (135 mm) e março (120 mm), e os menores são novembro (3 mm) e outubro (1 mm).[13] A umidade relativa do ar é de 71 %,[14] e o tempo médio de insolação de aproximadamente 2 700 horas anuais.[15]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1962 a 1970, 1973 a 1984, 1990 e 1994 a 2013, a menor foi temperatura já registrada em Macau foi de 6,8 ºC em 13 de abril de 1998. Mais recentemente, destacam-se os 9,4 ºC registrados em 18 de abril de 2012.[16] Já a maior temperatura atingiu 39,4 ºC em 6 de janeiro de 1964.[16] Apesar do clima predominante seco, os maiores acumulados de chuva registrados em 24 horas foram de 113,5 milímetros em 3 de abril de 2008, 112,7 milímetros em 16 de março de 1982, 105,8 milímetros em 31 de março de 1967 e 100,8 milímetros em 13 de abril de 1964,[11] enquanto o maior volume observado em um mês foi de 332,9 milímetros em abril de 2006.[17]

Dados climatológicos para Macau
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 39,4 37,4 37,5 36,2 36,4 36,4 35,8 37 36,4 37,2 36,4 36,2 39,4
Temperatura máxima média (°C) 31,2 31,3 31,3 31,4 31,5 31,2 30,9 31,8 31,9 31,1 31,1 31,5 31,4
Temperatura média (°C) 27,4 27,3 27 27,1 27 26,3 25,9 26,2 26,6 26,5 26,9 27,2 26,8
Temperatura mínima média (°C) 22,8 22,7 22,9 22,8 22,5 21,7 20,9 20,8 21,4 21,6 21,9 22,6 22,1
Temperatura mínima registrada (°C) 14,9 18 19,8 6,8 19,2 18 17,3 18 17,9 18,2 18,5 18,4 6,8
Chuva (mm) 29,7 64,8 120 134,5 74,8 35,5 26,7 5,7 4,8 0,8 2,6 8,3 507,2
Dias com chuva (≥ 1 mm) 3 5 10 12 9 5 4 1 1 0 0 1 51
Umidade relativa (%) 70 72 75 76 76 70 69 69 68 69 66 70 70,8
Horas de sol 229,2 196,5 188 202,1 202,3 206 210,5 248,8 252,3 277,8 249,6 222,5 2 685,6
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (médias climatológicas: período de 1961 a 1990;[12] [18] [19] [13] [20] [15] [14] recordes de temperatura: 1961-1970, 1973-1984, 1990 e 1994-2013).[21] [16]

Referências

  1. a b c Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. a b Distância entre Natal - Rio Grande do Norte, Brasil e Macau - Rio Grande do Norte, Brasil. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  3. a b Área territorial oficial - consulta por município. Resolução da Presidência do IBGE de n° 1 de 15 de janeiro de 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (15 de janeiro de 2013). Página visitada em 13 de junho de 2014.
  4. ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1º DE JULHO DE 2012 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (30 de agosto de 2011). Página visitada em 31 de agosto de 2012.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 6 de agosto de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. Distância entre Macau - Rio Grande do Norte, Brasil e Brasília - Distrito Federal, Brasil. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  8. a b c d e MACAU. Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (2008). Página visitada em 13 de junho de 2014.
  9. Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Macau, RN. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  10. Bacias hidrográficas. Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  11. a b Série Histórica - Dados Diários - Precipitação (mm) - Macau. Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  12. a b Temperatura Média Compensada (°C). Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  13. a b Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm). Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  14. a b Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%). Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  15. a b Insolação Total (horas). Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  16. a b c Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Máxima (ºC) - Macau. Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  17. Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) - Macau. Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014.
  18. Temperatura Máxima (°C). Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  19. Temperatura Mínima (°C). Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  20. Número de Dias com Precipitação Maior ou Igual a 1 mm (dias). Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  21. Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Mínima (ºC) - Macau. Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 13 de junho de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AVELINO, Gilberto, SEREJO, Vicente. Poetas de Macau. Academia Norte-Riograndense de Letras
  • MOURA, Getúlio. Um Rio Grande e Macau: cronologia da História Geral. Fundação José Augusto (RN).

Ver também[editar | editar código-fonte]