Maher Arar

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Maher Arar é um engenheiro de software canadense nascido na Síria em 1970. Em 26 de setembro de 2002, em trânsito nos Estados Unidos, ele foi detido pelo serviço de imigração e sumariamente deportado para a Síria em 7 ou 8 de outubro apesar de ser cidadāo canadense, através do programa da CIA referido como Rendição extraordinária, ("extraordinary rendition" em inglês).[1] [1] A alegação para a deportação foi possível envolvimento com terrorismo. A detenção foi feita com base em informações falsas passadas aos americanos pela Real Polícia Montada do Canadá (RCMP), conform conluiu um Inquerito em 2006. Neste processo, Maher Arar não teve direito à defesa nem representação legal e depois foi verificado e aceito que ele era inocente.[2]

Tortura na Síria[editar | editar código-fonte]

Quando chegou na Síria, Maher Arar foi preso e enviado torturado por 10 meses consecutivos. O governo canadense recebeu notificação sobre o caso em 10 de outubro de 2002, apenas depois de que ele já havia sido deportado. A deportação foi condenada pela Anistia Internacional e pelo governo canadense, apesar de haver tido cumplicidade na detençāo de Arar e posterior envio para ser torturado, tanto pelo Serviço Canadense de Inteligência de Segurança e pela Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) conforme ficou provada através de Inquérito realizado no Canadá em 2006.[3] Os Estados Unidos enviaram Arar para a Siria através do programa da CIA referido como Rendição extraordinária. Os Estados Unidos negam que foi uma "Rendição extraordinaria". Ninguém foi punido pelos fatos, nem nos Estados Unidos nem no Canadá, apesar das revelações da participação dos Serviços de Segurança canadense nos eventos e da comprovaçāo da inocência de Arar.[4]

Antes dos americanos enviarem Arar para a Síria, Serviço Canadense de Inteligência de Segurança e a Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) [5] vinham monitorando Arar alegadamente com base em depoimento de um prisioneiro tambem canadense , o engenheiro Abdullah Almalki,[6] que estava sendo torturado na Siria e haveria dito, sob tortura, que Arar estaria envolvido em terrorismo. O Serviço Canadense de Inteligência de Segurança (CSIS) e a Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) foram participantes ativos nos eventos ligados à tortura de Maher Arar na Siria, concluio o relator do Inquérito. Outro inquérito no Canada sobre o caso de Abdullah Almalki, também inocentou Almalki e concluiu que houve cumplicidade de na tortura de Almaki.[7]

Maher Arar foi torturado durante o período no qual ficou na Síria com o objetivo de que ele confessasse seus crimes como terrorista e membro da al-Quaeda. Inicialmente, nenhum crime foi confessado. Após repetidas torturas, Maher Arar acabou confessando tudo o que os torturadores queriam.[8]

Volta para o Canadá[editar | editar código-fonte]

Após intensa campanha por grupos de Direitos Humanos canadenses e da esposa de Maher Arar , Monia Mazigh e apesar das manobras da (RCMP) para impedir sua volta, em 6 de outubro de 2003, Maher Arar voltou para o Canadá, após 375 dias, sem nenhuma queixa ou alegação de terrorismo estado-unidense. [9]

A aparente fiasco e crise diplomática do Canadá com os Estados Unidos foi apenas aparente uma vez que os serviços canadenses trabalham em íntimo relacionamento com a CIA, com o FBI E demais órgaos de segurança americanos. O Canadá esteve sempre ciente da política de deportações americana, classificada por alguns como tortura terceirizada e participa em comjunto com os Estados UNidos em inúmeras atividades, como revelaram os eventos expostos por Edward Snowden em 2013, onde os Estados Unidos não espionou diretamente o Brasil deixando a vigilâancia do Brasil por conta do Canadá. [10] . Canada e Estados Unidos trabalham juntos, sendo signatários do Five Eyes ou Cinco Olhos.[11]

Justificando a tortura pelos EUA, um oficial da CIA disse : We don't kick the shit out of them. We send them to other countries so they can kick the shit out of them. - em Português " Nós não espancamos eles. Nós mandamos eles para outros países para que eles os espanquem por lá."

==Outras Vitimas Canadenses de

Vários outros cidadāos canadenses de não nascidos no Canadá foram e ainda sāo em 2014, vítimas de (CSIS) e da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) trabalhando em conjunto com o governo americano muitas vezes sob alegaçōes falsas. Em 2013, a Justiça canadense tomou conhecimento de casos em que Vários outros cidadāos canadenses de não nascidos no Canadá foram e ainda sāo em 2014, vítimas de (CSIS) mentiu para evitar responsabilidade por sua cumplicidade com os Estados Unidos envolvendo vitimização de canadenses.[12] [7] [11]

Pessoas Mais Influentes de 2007 pela Revista Time[editar | editar código-fonte]

Em 2004 a Revista Time elegeu Maher Arar como uma da pessoas mais influentes do ano.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências