Maitreya

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Estátua de Maitreya do século II a.C.
Nomes
Sânscrito: मैत्रेय
(Maitreya)
Pali: मैत्तेय
(Metteyya)
Chinês: 彌勒菩薩
(Mí Lè Pú Sa)
Japonês: 弥勒菩薩
(Miroku Bosatsu)
Vietnamita: Di-lặc Bồ Tát
Tibetano: Byams-pa
Coreano: 미륵보살
(Mi Rug Bo Sal)
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Maitreya ou Maitria[1] (do sânscrito maitri, "amistosidade") é como é designado o renovador do budismo, o próximo Buda, que reiniciará o atual ciclo iniciado por Siddhartha Gautama, quando os ensinamentos deste tiverem sido esquecidos neste mundo. Muitos cálculos tem sido apresentados para quando este renovador do budismo deverá renascer: por exemplo, daqui a 3 000 anos.

Visão budista[editar | editar código-fonte]

O termo "Buda" , o "Iluminado", refere-se a um ser que passou pela experiência do nirvana e, em consequência, nunca mais passará pelo ciclo dos nascimentos e das mortes. A palavra é reservada aos seres que alcançaram este estado por conta própria, num mundo que não conhecia ainda o budismo como religião, e que ensinaram aos outros a sua descoberta. A religião budista acredita na existência de vários budas: alguns existiram antes do Buda histórico, Siddhartha Gautama, e outros surgirão num futuro distante.

A tradição Theravada elaborou uma lista de cinco budas: quatro do passado e um do futuro (o Maitreya).

Os budistas acreditam que o Maitreya vive no céu Tusita, onde aguarda renascer num futuro distante, quando os ensinamentos do Buda histórico tiverem sido esquecidos. Segundo alguns cálculos tradicionais, este buda surgiria dentro de 5,6 bilhões de anos a partir da era atual ou 560 milhões de anos (igualmente a partir da era atual).

O Maitreya é também bastante importante na tradição budista Mahayana. No Extremo Oriente, a chegada do Maitreya está associada ao início de uma nova era na qual o mundo será transformado num paraíso.

É provável que este conceito tenha surgido no budismo sob influência de concepções similares encontradas em outros sistemas religiosos, como a antiga concepção indiana do Cakravartin, um monarca que unificará todo o mundo. Apontam-se também os contatos do budismo com o zoroastrismo no planalto iraniano; esta última religião desenvolveu a ideia de um futuro salvador, denominado Saoshyant, que nascerá de uma virgem e que dará início a uma renovação total do mundo.

Na Índia, desenvolveu-se, desde cedo, um culto em torno do Maitreya, que se deslocou nos séculos V e VI d.C. para a Ásia Central e China. Os devotos deste culto pretendiam renascer no céu Tusita, de modo a se beneficiarem dos ensinamentos do Maitreya, desejando igualmente se juntarem a ele na Terra. Este movimento seria, em parte, substituído pelo culto a Amitabha.

Antes da chegada do budismo ao Japão, as práticas religiosas deste arquipélago caracterizavam-se pela sacralização de determinados locais, como as montanhas ou os mares. As várias seitas do budismo japonês, apoiando-se neste fenómeno, passaram a considerar certas montanhas como moradas do Maitreya. Uma tradição japonesa afirma que o Maitreya chegará num barco carregado com arroz.

Representações artísticas[editar | editar código-fonte]

Maitreya com os seus discípulos, nas Grutas Feilai Feng, em Hangzhou, na República Popular da China

As representações do Maitreya na pintura e na escultura tendem a retratá-lo como uma figura gorda e sorridente, numa alusão à era de abundância e alegria que ele inauguraria[2] . Também tendem a representá-lo de maneira sentada, com as pernas e tornozelos ligeiramente cruzados.

Outro traço distintivo das suas representações é a presença de uma pequena estupa na cabeça, que se relaciona com uma lenda segundo a qual Mahakasyapa, um discípulo do Buda histórico, aguarda em meditação perto de uma estupa a chegada do Maitreya, a quem ele entregará a veste e a tigela de Siddhartha Gautama, representando, assim, a passagem da autoridade de um Buda para outro. Na China, é muito comum a representação do Maitreya como "buda sorridente", aparentemente influenciada pela figura do monge Putai, conhecido pela sua bonomia e afeição pelas crianças.

Interpretações esotéricas[editar | editar código-fonte]

A filosofia esotérica afirma que Maitreya é o mestre esperado pelas principais religiões sob diversos nomes. Os cristãos conhecem-no como o Cristo. Os judeus esperam-no como Messias. Os hindus aguardam a chegada de Kalki. Os budistas esperam Buda Maitreya e os muçulmanos chamam-no Mahdi ou Al'Qaim. Os baha'is o conhecem como Bahá'u'lláh. Segundo os ensinamentos da Sabedoria Eterna, Maitreya é o irmão mais velho da família humana, tendo aperfeiçoado e manifestado dentro de si a divindade que é latente em cada pessoa.

Ao longo do século XX, surgiram inúmeras pessoas que se diziam ser Maitreya ou que diziam receber mensagens suas. Um exemplo é Samael Aun Weor, que se autoproclamava o Avatar da Nova Era.

De acordo com uma tradição esotérica baseada nas canalizações, Cristo não é um indivíduo mas um cargo ou função da Hierarquia. Maitreya teria sido o Cristo nos últimos 2 600 anos e ainda seguiria nessa função durante toda a Era de Aquário. Ele seria o guia da Hierarquia Espiritual, ocupando, na atualidade, a função do Cristo. Na Palestina, há cerca de 2 mil anos, Maitreya trabalharia através de sua manifestação, Jesus. Desde o batismo de Jesus no rio Jordão até sua crucificação, a consciência de Maitreya se teria feito presente em Jesus. Dessa forma, Maitreya teria podido revelar, ao mundo, a grande força espiritual a que chamamos Amor.

Em 1948, o iminente reaparecimento de Maitreya foi revelado no livro de Alice Bailey "A reaparição do Cristo". Nos últimos anos, a maior parte das informações sobre o retorno de Maitreya deve-se principalmente a Benjamin Creme, artista e autor britânico, que tem falado e escrito sobre este acontecimento desde 1974.

Segundo Creme, Maitreya desceu de seu retiro no Himalaia em julho de 1977, passando a morar junto a uma comunidade indo-paquistanesa em Londres. Ali, tem vivido e trabalhado, aparentemente como um homem normal. Sua mensagem pode ser resumida no compartilhamento dos recursos por todos. "Não vim para criar seguidores”, diz Maitreya. "Cada um de vocês deveria continuar desenvolvendo-se dentro de sua própria tradição religiosa". Segundo Creme, Maitreya está pronto a falar abertamente ao público desde 1982, mas espera um convite para fazê-lo. Do contrário, estaria infringindo o livre arbítrio das pessoas.

Referências

  1. Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. p. 32.
  2. Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. p. 32.
  • SPONBERG, Alan. "Maitreya", in Encyclopedia of Buddhism, dir. Robert E. Buswell, Jr.. MacMillan Reference USA, 2004.