Makhzen

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O termo Makhzen ou Majzen é uma designação coloquial e tradicional em Marrocos para o Estado e as instituições da monarquia marroquina, como a justiça, administração, forças armadas, polícias, bombeiros, etc.). Antes da independência, Makhzen era a designação oficial do governo do sultão de Marrocos, que era então um protetorado francês.[nt 1] O termo também foi usado na Tunísia durante o período colonial francês e quando era uma província autónoma otomana.[nt 2]

O Makhzen era o conjunto de instituições governamentais dependentes da monarquia, distinguindo-se os seguintes makhzens particulares: makhzen de polícia, de guerra, de proteção, administrativo e de intervenção. Todos os agentes que pertenciam ao Makhzen (no fundo, os funcionários públicos não ligados à administração colonial francesa) eram chamados de Mokhazni.[nt 1] Numa outra perspectiva, o Makhzen designava a elite que estava mais próxima do poder monárquico, constituída por nobres, empresários, latifundiários, líderes tribais, militares de patentes superiores, chefes de serviços de segurança e outros membros bem relacionados do establishment.[nt 2]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra árabe makhzen (de kazana, "armazenar") significa o mesmo que a palavra portuguesa que nela tem origem: "armazém". O "armazém" a que originalmente o termo se refere era a casa onde os servidores civis do rei ou sultão recebiam os seus salários. Em árabe marroquino, o termo tornou-se sinónimo de uma certa elite. Possivelmente essa conotação é uma metonímia relacionada com impostos, que o governo real (makhzen) cobrava.[nt 2]

O Makhzen em Marrocos[editar | editar código-fonte]

Depois da independência e da subsequente criação do estado marroquino moderno, com instituições modernas, a instituição tradicional do Makhzen deixou de existir formalmente, passando o termo a designar os aspetos mais tradicionalistas e antiquados,[nt 1] com traços de feudalismo, do funcionamento do estado de Marrocos, que contrastam e por vezes se opoem, de forma mais velada ou mais aberta, à democracia formal das instituições marroquinas.[nt 3]

Atualmente, o termo Mokhazni é empregue para designar os membros das "Forças Auxiliares", um corpo paramilitar polivalente que depende do Ministério do Interior.[nt 1] O termo relacionado e semelhante, mujazni designava a polícia do sultão e está na origem da designação informal, por vezes com conotações menos respeitosas a polícia: mujazniyya, pronunciado mjazniyya coloquialmente.[nt 3]

Desde as manifestações de 2011, que constituíram uma espécie versão marroquina da Primavera Árabe, o termo Makhzen passou a ser usado para designar os processos e sistemas arcaicos e tradicionais do sistema político e da monarquia, de que fazem parte, entre outros o poder de decisão dos conselheiros do rei e dos altos funcionários nomeados por este.[nt 1]

Notas e bibliografia[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e Trechos baseados no artigo «Makhzen (Maroc)» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).
  2. a b c Trechos baseados no artigo «Makhzen» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  3. a b Trechos baseados no artigo «Majzen» na Wikipédia em espanhol (acessado nesta versão).
  • Hermassi, Elbaki. Leadership and National development in North Africa, a comparative study (em inglês). Berkeley, Los Angeles, Londres: University of California Press, 1972.
  • Chater, Khalifa. (1994). "Introduction à l’étude de l’Establishment tunisien: l’Etat-makhzen husseinite et ses mutations" (em francês). Les Cahiers de la Méditerranée: 1-18 pp..