Maldição dos Braganças

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O rei D. João IV de Portugal.

A Maldição dos Braganças é um mito, citado em diversas crônicas a respeito das antigas famílias reinantes do Império do Brasil (1822-1889) e do reino de Portugal (1139-1910) e portanto, também do império ultramarino português.

A "maldição" ter-se-ia iniciado no reinado de Dom João IV, no século XVII, quando o monarca teria agredido um frade franciscano aos pontapés após este ter-lhe implorado por esmola. O frade, em resposta, rogou uma praga ao rei, dizendo que jamais um primogênito varão dos Braganças viveria o bastante para chegar ao trono.

De fato, a partir de então, todos os primogênitos varões daquela dinastia morreram antes de reinar.

Um século após a maldição, Dom João VI e Dona Carlota Joaquina de Bourbon, rei e rainha de Portugal, tentaram revertê-la, fazendo visitas anuais aos mosteiros franciscanos de Lisboa e Rio de Janeiro, sem resultados, no entanto. Coincidentemente, com raras exceções, os primogênitos dos ramos reais dos Braganças apenas deixaram de morrer quando a família perdeu a soberania tanto em Portugal quanto no Brasil.

Índice

Supostas vítimas [editar]

Em Portugal [editar]

No Brasil [editar]

A praga continuou a agir até mesmo após a separação dos tronos do Brasil e de Portugal (1822):

  • Dom Afonso Pedro (1845–1847) – primogênito de Dom Pedro II, morreu em 1845 com menos de dois anos de idade, fazendo herdeira sua irmã Dona Isabel. Muitos apontam a falta de um herdeiro masculino como uma das causas pela queda da monarquia no Brasil, pelo que a ascensão de um aristocrata estrangeiro, ainda que consorte da futura imperatriz, acirrava ânimos nacionalistas.

Curiosidades [editar]

  • Graças à origem da maldição, todos os primogênitos que morreram ao longo do período da monarquia brasileira foram enterrados no Convento de Santo Antônio, de frades franciscanos, como se estivessem sendo dados como penhor de arrependimento pela agressão de seu antepassado.
  • Os frutos de alguns relacionamentos extraconjungais de D. Pedro I acompanharam a coincidência. Foi o caso de seu primeiro filho com a marquesa de Santos, natimorto, e de Pedro, seu primogênito com Noémi Thierry, morto antes de completar um ano. Ainda, com a uruguaia María del Carmen García teve uma criança natimorta.
  • Apesar da maldição dizer respeito aos primogênitos varões, algumas varoas também foram "vítimas" dessa infeliz coincidência. Foi o caso de Dona Luísa Vitória, primogênita de Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, natimorta em 1874. Pode-se considerar o mesmo de D. Maria Amélia, primogênita de D. Pedro com sua segunda esposa, D. Amélia. A princesa brasileira morreu aos 21 anos, de tuberculose, quando já era noiva do futuro Maximiliano do México.

Exceções [editar]

  • Dom Pedro V, primogênito de Dona Maria II, foi uma das exceções à maldição durante a monarquia em Portugal, sagrando-se rei aos dezesseis anos, em 1853. Contudo, morreu alguns anos depois, em 1861, aos vinte e quatro anos, de febre tifoide. Passa a coroa para seu irmão Dom Luís I.
  • Dom Carlos I, primogênito de Dom Luís I, foi também outra exceção à maldição durante a monarquia em Portugal, tendo todavia sido assassinado juntamente ao seu primogênito, Dom Luís Filipe, em 1908, aos quarenta e cinco anos.
  • Dom Pedro Augusto, príncipe de Saxe-Coburgo-Gota, primogênito da infanta Dona Leopoldina, princesa do Brasil, foi pretendente ao trono brasileiro até 1891, quando finalmente a princesa imperial, Dona Isabel, deu à luz um filho. Apesar de ter sido uma exceção à maldição durante a monarquia, o "príncipe maldito" acabou por desenvolver doença mental de fundo psicótico, tentou o suicídio e acabou por morrer, solteiro, em um sanatório de Viena em 1934, aos sessenta e oito anos.

Pós-monarquia [editar]

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